Drones espalham milhões de sementes para devolver vegetação a encostas destruídas em SP

g1.globo.com · world
Full story

Drones helped restore slopes in São Sebastião after landslides caused by heavy rains in February 2023. The Instituto Conservação Costeira used these drones to distribute over 134 million native seeds over three years. This environmental action increased the vegetation cover of the slopes from 18.7% to 81.7%. The Fundação Florestal, a government body focused on forest conservation, viewed these results as a victory.

De lama a floresta: drones ajudam a recuperar encostas devastadas por chuvas em SP Instituto Conservação Costeira (ICC) A cobertura vegetal das encostas de São Sebastião (SP), atingidas pelos deslizamentos de terra provocados pelas fortes chuvas de fevereiro de 2023, passou de 18,7% para 81,7% após uma ação de recuperação ambiental. Ao longo de três anos, o Instituto Conservação Costeira (ICC) lançou mais de 134 milhões de sementes nativas com o auxílio de drones para regenerar as áreas degradadas. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram O resultado foi considerado uma vitória pela Fundação Florestal, órgão governamental que atua na conservação de florestas, e representa o cumprimento da meta estabelecida pelo projeto Restaura Litoral Norte. As chuvas que atingiram a região entre os dias 18 e 19 de fevereiro de 2023 registraram o maior acumulado em 24 horas já medido no Brasil. Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o volume chegou a 626 milímetros em São Sebastião e 682 milímetros em Bertioga. O temporal provocou mais de 850 deslizamentos de terra nas encostas da Serra do Mar, deixou 64 mortos e destruiu 226 hectares de floresta, área equivalente a aproximadamente 316 campos de futebol. Atualmente, o projeto Restaura Litoral Norte está em sua fase final e realiza o monitoramento contínuo das áreas recuperadas, em parceria com as comunidades locais. “No monitoramento mais recente, feito por drone, cerca de 80% da área em restauração estava coberta por vegetação nativa. Isso representa um ganho médio de 67% de cobertura em relação ao cenário deixado pelos deslizamentos! Onde antes havia barro exposto, hoje, cresce uma floresta jovem”, diz Fernanda Carbonelli, cofundadora e diretora executiva do ICC. O projeto contou com a colaboração da Ambipar, responsável pela semeadura com drones e pelo monitoramento aéreo, e da Atlântica Consultoria Ambiental, que realizou o diagnóstico, a coordenação técnica e o levantamento de campo. Veja o que é destaque no g1: Agora no g1 VEJA TAMBÉM: Ninho de ave arisca da Mata Atlântica é registrado pela primeira vez em MG Câmera instalada para flagrar tatu registra cutia cuidando dos filhotes no interior de SP Menor que uma unha, aranha revela detalhes impressionantes em registro feito no interior de SP Árvores nativas Três anos após tragédia, encostas de São Sebastião voltam a ficar verdes Instituto Conservação Costeira (ICC) A ONG utilizou 16 espécies nativas da Mata Atlântica para recuperar as regiões afetadas. Todas fazem parte da lista oficial de espécies recomendadas para restauração ecológica no Litoral Norte de São Paulo. Segundo a diretora do Instituto, a escolha seguiu os princípios da sucessão ecológica, com prioridade para espécies que já ocorriam na região. “Essas árvores germinam rapidamente, toleram exposição intensa ao sol e formam copa em pouco tempo, o que garante o sombreamento do solo exposto e reduz a erosão”, explica Carbonelli. Todas as sementes passaram por um tratamento para estimular a germinação e aumentar as chances de sucesso do reflorestamento. Ao todo, foram lançadas 134 milhões de sementes nativas nas encostas. Entre as espécies escolhidas estão a embaúba-branca, a embaúba-vermelha, o guapuruvu e a crindiúva. Floresta ‘segura’ o barranco? Onde havia barro, nasce uma floresta: projeto recupera encostas atingidas por tragédia Instituto Conservação Costeira (ICC) A recuperação da cobertura vegetal ajuda a proteger o solo contra a erosão, mas não impede completamente a ocorrência de deslizamentos de terra. Segundo Fernanda Carbonelli, a vegetação atua principalmente na camada superficial do terreno. Já a estabilidade das encostas depende de fatores como inclinação, geologia, espessura do solo e condições de drenagem. A copa das árvores diminui o impacto direto da chuva sobre o solo. As raízes ajudam a manter as camadas superficiais mais coesas, enquanto a matéria orgânica favorece a infiltração gradual da água. Esse processo reduz o escoamento superficial, que ocorre quando a água da chuva não é absorvida pelo solo e corre pela superfície. “Em eventos de chuva extrema, como o de fevereiro de 2023, o solo fica saturado em profundidade e pode se romper abaixo do alcance das raízes, independentemente da presença de floresta”, explica a diretora. Por isso, o projeto também desenvolve atividades com as comunidades afetadas, como oficinas de redução de riscos e ações de educação climática em escolas públicas. As atividades orientam os moradores a identificar sinais de perigo, compreender os alertas e saber como agir diante de situações de risco. E a fauna? Drones espalham milhões de sementes para devolver vegetação a encostas destruídas em SP Instituto Conservação Costeira (ICC) O projeto ainda não realizou um levantamento da fauna nas áreas recuperadas. No entanto, o reflorestamento busca criar condições favoráveis para o retorno dos animais aos locais atingidos pelos deslizamentos. “Em relação à fauna, é importante ser preciso”, ressalta a cofundadora do Instituto. Segundo Fernanda, o monitoramento realizado pelo projeto avalia a cobertura vegetal, já que muitas das áreas afetadas ficam em encostas íngremes e de difícil acesso. Por isso, ainda não é possível afirmar quais espécies de animais voltaram a ocupar esses locais. O que se sabe é que a recuperação da floresta pode favorecer esse retorno. A maioria das espécies de árvores selecionadas produz frutos consumidos por aves e mamíferos. Além disso, as áreas degradadas são cercadas por florestas em bom estado de conservação, que podem abrigar animais capazes de recolonizar os locais recuperados. “Muitas das áreas afetadas estão inseridas no Parque Estadual da Serra do Mar, que atua como fonte de fauna e de sementes para a região”, explica a diretora. Ajuda dos drones O uso de drones foi essencial para a recuperação das encostas. As 853 áreas atingidas pelos deslizamentos estão distribuídas por uma faixa de 30 quilômetros do litoral, muitas delas em terrenos íngremes, sem trilhas e de difícil acesso. Mais da metade dessas áreas fica dentro de unidades de conservação (UCs). “Mais do que eficiência, os drones tornaram o projeto possível”, conta Fernanda Carbonelli. Segundo a diretora, o plantio manual exigiria que equipes trabalhassem em terrenos instáveis e abrissem caminhos na mata para transportar as mudas. Com a semeadura aérea, foi possível lançar as sementes sem expor os trabalhadores a esses riscos e sem abrir novas trilhas em áreas protegidas. A quantidade de sementes lançadas variou conforme a inclinação de cada trecho. Nas áreas mais íngremes, o volume foi maior para compensar as sementes que poderiam rolar encosta abaixo. A iniciativa teve como inspiração uma ação de restauração realizada com helicópteros na Serra do Mar, em Cubatão (SP), na década de 1980. No entanto, a metodologia utilizada no Restaura Litoral Norte, desde o preparo das sementes até a semeadura por drones e o monitoramento aéreo, foi desenvolvida especialmente para o projeto. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

Read full article → Compare