Projeto em parceria com Ministério da Justiça prevê atender 1,2 mil pessoas em situação de vulnerabilidade no Centro de SP
CAIS, desenvolvido pelo Casarão Brasil, terá duração inicial de 12 meses Divulgação Um projeto em parceria entre o Casarão Brasil – associação LGBTIA+ – e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) prevê atender 1,2 mil pessoas em situação de vulnerabilidade na região central de São Paulo ao longo de 12 meses. O projeto Cais (Centro de Acesso a Direitos e Inclusão Social) oferece acolhimento e encaminhamentos para serviços de assistência social e saúde, além de apoio para documentação, alimentação e higiene. A iniciativa também prevê ações de capacitação profissional e inserção produtiva para pessoas que estão fora do mercado de trabalho. O atendimento inicial é destinado à população em situação de rua, sem distinção de idade, gênero ou orientação sexual. Ailton Rodrigues de Oliveira, coordenador de Projetos do Casarão Brasil, afirma que a iniciativa foi criada diante de situações de vulnerabilidade enfrentadas por pessoas que vivem nas ruas. "A criação do Cais, que é um projeto criado pelo governo federal, pelo Ministério da Segurança Pública e Secretaria Nacional de Política de Drogas e Gestão de Ativos, está sendo implantado em São Paulo em parceria com o Casarão Brasil, por conta do aumento da criminalidade e marginalização das pessoas que vivem em situação de rua", declarou ao g1. "Isso acontece porque essas pessoas vivem situações como dependências química e alcoólica, abandono familiar e carência financeira. Nosso objetivo principal é que essas pessoas tenham acesso aos seus direitos, possam regularizar sua documentação, tenham acesso aos serviços básicos de saúde e a todos os serviços sociais disponíveis pelo governo, para assim retomar à sociedade, como um todo, como qualquer outro indivíduo", completou. Projeto em parceria entre o Casarão Brasil – Associação LGBTI e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) prevê atender 1,2 mil pessoas em situação de vulnerabilidade Divulgação Como funciona o atendimento A equipe do Cais vai até as ruas para fazer a abordagem inicial. O trabalho envolve agente comunitário, apoio, triagem e serviço social. A partir desse primeiro contato, são identificadas as necessidades de cada pessoa atendida. "Nós vamos até as ruas com toda a equipe, com agente comunitário, apoio e triagem e serviço social, e lá fazemos abordagem, apresentamos o projeto e aí identificamos quem precisa. Abrimos um PAD, que é o plano de atendimento do acolhido, e listamos quais são as necessidades de urgência ou emergência: quem não tem moradia, ou passa o dia na rua, mas tem casa, tem família, ou é abandono familiar completo, ou não, ou está na dependência química total, como ou só as dificuldades financeiras para a sobrevivência básica", explicou Ailton. O PAD é utilizado para definir os encaminhamentos necessários, incluindo assistência social, abrigos e unidades de saúde. Antes dos encaminhamentos, é feita uma triagem para verificar as condições físicas da pessoa atendida. "O PAD é onde acontecem os direcionamentos para assistência social e abrigos e até unidades de saúde, porque precisamos fazer primeiro a triagem de saúde para saber como está o estado físico do acolhido, se precisa de algum tratamento de pressão, diabetes, ISTs, qualquer coisa, até antidepressão, para poder fazer a redução de danos", disse. Segundo o coordenador, o projeto também conta com parceiros que oferecem locais para acolhimento temporário. "Depois, a assistência social já vai agir em conjunto, sempre acompanhando. Temos parceiros que oferecem abrigos para pernoite, hotel social, para que os acolhidos possam ter onde dormir, passar uma noite ou então viver temporariamente até se enquadrar novamente na sociedade." Saúde está entre as principais demandas De acordo com Ailton, o acesso à saúde básica está entre as principais necessidades identificadas pela equipe. Ele cita problemas relacionados à alimentação, hidratação e higiene entre as situações que podem agravar as condições de saúde das pessoas em situação de rua. "A principal demanda é acesso à saúde básica, porque as pessoas já estão em situação ruim; as questões de falta de alimentação e de hidratação levam à desnutrição, a causas de outros tipos de doenças; o contato com outros indivíduos em situação de rua, a falta de higienização, acaba tendo uma contaminação. Então, isso acaba tendo diversos tipos de doenças e casos que a gente precisa imediatamente encaminhá-las para o acesso da saúde." Regularização de documentos O segundo caso prioritário entre as demandas, segundo o coordenador, é o suporte jurídico. "Na maioria dos casos, as pessoas não têm documentação. Com isso, precisamos ir a fundo junto com a assistência social, o setor jurídico, buscar a história da pessoa, o cartório, para poder regularizar toda a documentação." A documentação também é necessária para que as pessoas possam acessar outros serviços. "Essas são as maiores demandas que nós temos, até para que elas consigam ter os seus próprios benefícios, porque para acessar o serviço de saúde ou qualquer tipo de serviço social, precisa de uma documentação. A gente não deixa o acolhido desamparado." Projeto em parceria entre o Casarão Brasil – Associação LGBTI e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) prevê atender 1,2 mil pessoas em situação de vulnerabilidade Divulgação Projeto prevê cursos e inserção produtiva Além dos atendimentos individuais, o CAIS prevê pelo menos 2,7 mil participações em atividades coletivas, como rodas de conversa, palestras, encontros, workshops, treinamentos e ações de promoção de hábitos saudáveis e combate ao sedentarismo. O planejamento também inclui 300 participantes em ações de inserção produtiva e mais de 150 intervenções nessa área. Ailton afirma que o projeto pretende trabalhar tanto com pessoas que já possuem formação quanto com aquelas que precisam aprender uma nova profissão. "Como o CAIS não tem discriminação de gênero, idade, escolaridade, de nada, então, nos deparamos com o público que tem escolaridade e que não tem. A nossa contribuição para essa inserção produtiva é qualificar e potencializar o conhecimento das pessoas." "As pessoas que estão em situação de rua esquecem tudo que já aprenderam na vida, praticamente. Então, é ensinar uma nova profissão, atualizar a profissão da pessoa e que ela se sinta capaz novamente de montar um currículo, entregar um currículo e voltar ao trabalho e que tenha sua renda." O projeto prevê ainda a participação de empresas e profissionais em oficinas e cursos. "Nós contamos muito com o apoio de empresas e profissionais que queiram fazer oficinas, cursos, toda a interação aqui para essa inserção produtiva. É dessa forma que o Cais pretende contribuir."
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