🇧🇷 Brazil News

Unicamp 2027: região de Piracicaba aplica prova para 3,3 mil candidatos em duas cidades neste domingo; veja detalhes

Vestibulou: quantas pessoas vão fazer a prova da Unicamp? A região de Piracicaba (SP) aplicará a primeira fase do Vestibular 2027 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para 3.307 candidatos em duas cidades no próximo domingo (18). A prova começa às 9h, e a orientação da Comissão Permanente para os Vestibulares da (Comvest) é que os inscritos cheguem aos locais às 8h, no horário de Brasília (veja recomendações abaixo). Neste ano, o processo oferece 2.523 vagas em 70 cursos de graduação, disputadas por 58.431 concorrentes. O exame será aplicado em 33 cidades paulistas e seis capitais brasileiras. Consulte seu local de prova clicando AQUI Candidatos por cidade Na região, Piracicaba e Limeira (SP) aplicam a primeira fase do vestibular. Juntas, elas somam três locais de prova. Veja na tabela abaixo o total de candidatos em cada município: Veja quantos candidatos farão a prova em cada cidade da região Além das cidades paulistas, os candidatos também puderam se inscrever para fazer a prova da primeira fase em capitais brasileiras. A cidade de São Paulo reúne 12.852 candidatos em 10 locais de aplicação, seguida por Brasília (DF) com 1.442 e Salvador (BA), com 1.369. Veja quantos candidatos farão a prova em cada capital LEIA TAMBÉM Unicamp 2027: veja como foi o plantão tira-dúvidas Saiba como diferentes temas podem cair na 1ª fase do vestibular da Unicamp Estudantes no vestibular da Unicamp Pedro Amatuzzi/g1 Como é a prova? O exame tem duração de até cinco horas e é composto por 72 questões de múltipla escolha, cada uma com quatro alternativas e valor de um ponto. Elas estão distribuídas entre as seguintes disciplinas: 12 de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa 12 de matemática 7 de história 7 de geografia 3 de filosofia 3 de sociologia 7 de física 7 de química 7 de biologia 7 de inglês O que levar para a prova Os candidatos devem levar: documento de identidade original indicado no momento da inscrição; canetas de cor preta, fabricadas em material transparente; lápis preto; borracha; régua transparente e compasso são opcionais. De acordo com as orientações divulgadas pela Comvest, os candidatos também podem levar água, sucos, chocolates e alimentos leves. O que é proibido durante o exame? Não é permitido utilizar celulares, relógios de qualquer tipo ou outros equipamentos eletrônicos proibidos pelo edital. Também são vedados corretivo líquido, lapiseira, caneta marca-texto, boné, chapéu e outros materiais que não sejam permitidos para a realização da prova. Óculos inteligentes e armações com componentes eletrônicos integrados, como câmera, microfone, alto-falante, processador ou conectividade sem fio, também são proibidos. Como se preparar na última semana? Na reta final, a recomendação é organizar o tempo disponível e priorizar revisões, em vez de tentar aprender todo o conteúdo do vestibular em poucos dias. Resolver questões de edições anteriores e retomar assuntos em que há mais dificuldade são algumas das estratégias que podem ajudar na preparação. Calendário do Vestibular Unicamp 2027 Primeira fase: 18 de outubro de 2026 Segunda fase: 29 e 30 de novembro de 2026 Provas de habilidades específicas de artes cênicas, artes visuais e dança: 2 a 4 de dezembro de 2026 Divulgação da primeira chamada: 25 de janeiro de 2027 Matrícula da primeira chamada: 26 e 27 de janeiro de 2027 As regras completas do processo seletivo estão disponíveis no site oficial da Comvest. VÍDEOS: dicas, revisão e estratégias para mandar bem nas provas Veja mais notícias sobre educação na região de Piracicaba

g1.globo.com · world

Papa Leão XIV conduz oração no Vaticano um dia após deixar hospital e diz que vai retomar suas atividades

Papa Leão conduz o Angelus no Vaticano após receber alta no hospital Yara Nardi/Reuters O papa Leão XIV fez a oração do Angelus neste domingo (18) de seu apartamento no Vaticano, com vista para a Praça de São Pedro. É o primeiro compromisso público do pontífice desde que passou por uma cirurgia para retirar um tumor do pulmão. O pontífice, de 71 anos, recebeu alta no sábado (17) do Hospital Gemelli, em Roma, quatro dias após o procedimento cirurgico. Em comunicado divulgado no sábado, o diretor da Direção de Saúde e Higiene do Vaticano, Luigi Carbone, e o chefe da equipe de cirurgia torácica responsável pela operação, Stefano Margaritora, afirmaram que os resultados dos exames e a avaliação clínica permitiram a alta hospitalar. Papa conduz oração um dia após ter alta do hospital Yara Nardi/Reuters Leia também: Vaticano divulga primeiras FOTOS de papa Leão XIV após cirurgia para retirada de câncer; VEJA Os médicos do papa afirmaram que a cirurgia foi concluída com sucesso, sem complicações. Eles ainda não divulgaram o tamanho do tumor nem informaram se a doença se espalhou para os linfonodos próximos, fatores importantes para determinar o prognóstico. Vaticano diz que manterá viagem do papa à América do Sul O papa Leão XIV deixa o Hospital Gemelli, em Roma, no dia 17 de outubro de 2026, após ficar internado para a retirada de câncer de pulmão Yara Nardi/Reuters A Santa Sé informou que os preparativos para a viagem do papa ao Uruguai, à Argentina e ao Peru, prevista para 6 a 17 de novembro e considerada uma das mais intensas organizadas para um pontífice em décadas, continuam em andamento. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, afirmou na sexta-feira que Leão XIV talvez precise ajustar o ritmo de sua agenda daqui para a frente, “de acordo com as condições de sua saúde”. É incomum que um cardeal declare abertamente que um papa possa precisar modificar sua rotina. Na sexta-feira, o Vaticano divulgou as primeiras imagens do pontífice desde a cirurgia. Nas fotografias, ele aparece celebrando uma missa e de pé, sem auxílio. Em imagem divulgada pelo Vaticano, o papa Leão XIV reza missa dentro do hospital Gemelli, em 16 de outubro de 2026. Divulgação/Vaticano *Com informações da Reuters.

g1.globo.com · tech

'Para ela, tudo é brincadeira': Conheça a cadela que treina para salvar vidas com bombeiros no Acre

Cães dos bombeiros do AC têm rotina de exercícios para atuar em buscas 🚨🚒🐶 O cachorro é conhecido como o melhor amigo do ser humano, mas, para alguns deles, essa parceria também pode ajudar a salvar vidas. No Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), cinco cães passam por treinamentos de segunda a sexta-feira para atuar em operações de busca e salvamento, como a localização de pessoas desaparecidas ou de vítimas em estruturas que desabaram. Um dos destaques do pelotão é Zoe, uma cadela da raça pastor-belga-malinois, de seis anos, que trabalha ao lado do 2º sargento Juliano Elias Pereira, responsável por treiná-la desde os três meses de idade. A dupla já ajudou a encontrar pessoas desaparecidas, inclusive vítimas localizadas com vida. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp O trabalho exige preparo físico, exercícios frequentes e uma relação de confiança construída ao longo dos anos. A parceria é tão próxima que, quando Juliano sai de férias, Zoe também descansa. A rotina dos cães não se resume aos exercícios feitos durante as operações. O treinamento ocorre de segunda a sexta-feira, enquanto o preparo físico é mantido com atividades como corrida, esteira e natação. Manter os animais condicionados é importante para que eles consigam trabalhar em ambientes que exigem esforço físico, como áreas de mata fechada e locais de difícil acesso. Zoe e o sargento Juliano trabalham juntos há seis anos. O bombeiro acompanha o treinamento da cadela desde que ela tinha três meses de idade Corpo de Bombeiros Segundo Juliano, além dos exercícios, o trabalho exige que o condutor conheça o comportamento do animal. É essa convivência que permite identificar quando o cão está seguindo uma pista, quando se afasta do caminho e quando precisa fazer uma pausa. ''Como eu treino a Zoe desde os três meses de idade, a gente já aprendeu a reconhecer os sinais um do outro ao longo dos anos. Então eu conheço todos os trejeitos da Zoe e ela os meus. Eu sei o momento exato de dar uma pausa, eu sei quando voltar, porque eu conheço o meu cachorro”, destacou 🔎 Essa parceria é chamada de binômio, termo usado para definir a relação entre o cão e o profissional que trabalha com ele. Na prática, outro bombeiro até pode conduzir o animal em uma ocorrência, mas a ausência do parceiro habitual pode interferir na segurança e no desempenho durante a busca. LEIA MAIS: Cadela é adotada e ganha crachá após fazer companhia a trabalhadores em obra no AC: 'Anjinho que apareceu e permaneceu' Cachorro é resgatado por bombeiros após cair em poço de quase 6 metros no interior do Acre; VÍDEO Filhotes de cachorro são resgatados por bombeiros durante incêndio em vegetação no Acre; VÍDEO Como os cães ajudam nas buscas? O trabalho do pelotão é dividido em diferentes especialidades, conforme o tipo de ocorrência e o que as equipes precisam localizar. Uma delas é a busca por odor específico, modalidade em que o cão recebe um objeto que pertence à pessoa desaparecida e utiliza o cheiro para procurá-la. 👉 Segundo o Corpo de Bombeiros, esse tipo de trabalho é especialmente importante no Acre, onde há registros de pessoas que se perdem na mata durante atividades como caça e coleta de castanha. Zoe, cadela da raça pastor-belga-malinois, tem seis anos e atua em operações de busca e salvamento do Corpo de Bombeiros Militar do Acre Corpo de Bombeiros O sargento também citou situações envolvendo idosos e pessoas com transtornos mentais que saem de casa e acabam desaparecendo em áreas de floresta. Outra especialidade é a busca por restos mortais. Nesse caso, os animais são treinados para localizar cadáveres em diferentes circunstâncias. ''Além dessas especialidades, também temos cães preparados para encontrar pessoas vivas sem depender de um objeto com o cheiro de alguém específico. Esse recurso pode ser utilizado em buscas em áreas de mata quando não há vestígios da pessoa desaparecida ou em desabamentos, quando as equipes precisam localizar possíveis sobreviventes sob os escombros'', ressaltou Juliano. Ainda de acordo com Juliano, o faro dos animais ajuda a direcionar o trabalho dos bombeiros e a reduzir o tempo necessário para percorrer grandes áreas. “Então, a gente vai eliminando áreas. O cão ajuda porque ele antecipa o processo e a gente chega no resultado mais rápido”, pontuou. Ocorrências marcantes Uma das primeiras ocorrências de Zoe foi em Manoel Urbano, no interior do Acre. Na ocasião, um jovem estava desaparecido havia alguns dias, e a equipe de bombeiros já fazia buscas quando a dupla chegou para ajudar. Segundo o sargento, o trabalho de Zoe e de outro cão chamado Hunter contribuiu para que o jovem fosse encontrado em um igarapé, no dia seguinte à chegada dos animais. ''Essa ocorrência ficou marcada por ter sido uma das primeiras experiências da Zoe em uma operação real. Que terminou com êxito e com a localização do jovem que estava desaparecido. Foi gratificante'', relembrou. Zoe, cadela da raça pastor-belga-malinois, tem seis anos e atua em operações de busca e salvamento do Corpo de Bombeiros Militar do Acre Corpo de Bombeiros do Acre Outra situação lembrada pelo militar aconteceu próximo ao Natal, quando um homem que havia entrado em uma área de mata foi encontrado pela equipe. De acordo com o relato, o homem estava desorientado e acreditava que alguém o perseguia. Depois de localizá-lo, os bombeiros conseguiram retirá-lo da mata e levá-lo ao hospital para receber os primeiros cuidados. “Quando a família viu ele, quando a gente saiu de dentro da área de mata, foi uma emoção muito grande. A filha, chorando, e a gente também se emociona porque estava trazendo uma pessoa querida de volta com vida”, contou. 🐾 Encontrar alguém é uma 'brincadeira' Apesar da importância das operações, o treinamento é pensado para que os cães associem a busca a uma atividade positiva. Juliano explicou que, durante os exercícios, quando o animal encontra a pessoa que está sendo procurada, ela brinca com ele, oferece petiscos e demonstra entusiasmo. Dessa forma, a localização do alvo funciona como uma recompensa. “Para o cachorro, tudo é uma brincadeira. Para ele, não é um trabalho sério. Então mesmo que o animal esteja em uma ocorrência real, ele não entende. Quando estão perto de encontrar alguém a gente também sabe, por causa dos sinais como movimento do rabo e a maneira como o animal se aproxima”, explicou. Mas se engana quem pensa que o vínculo dos militares com os animais fica restrito somente ao trabalho. Os cães vivem com seus condutores, que acompanham a rotina, os cuidados e o desenvolvimento dos animais. Cuidados e aposentadoria O trabalho com os cães depende de uma estrutura que inclui alimentação, cuidados veterinários e treinamento contínuo. Além disso, o apoio da corporação é fundamental para manter os animais preparados para as ocorrências. Zoe está há seis anos com Juliano e, segundo o militar, os cães do pelotão costumam trabalhar até os oito anos de idade. Zoe e o sargento Juliano trabalham juntos há seis anos. O bombeiro acompanha o treinamento da cadela desde que ela tinha três meses de idade Corpo de Bombeiros Para que as buscas não sejam interrompidas quando um animal se aposenta, o treinamento de novos cães começa antes desse momento. O Corpo de Bombeiros já iniciou a preparação de outro animal para atuar na modalidade de odor específico. ''Mesmo com a aposentadoria, a Zoe não vai ficar separada de mim. Vou manter ela na minha casa quando ela deixar de atuar nas operações, ela vai ficar comigo'', completou. VÍDEOS: g1

g1.globo.com · world

Mais de 1,2 milhão de beneficiários do INSS têm prova de vida pendente na Bahia

INSS Arquivo/Agência Brasil A Bahia registra 1.242.178 beneficiários com prova de vida pendente, segundo levantamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Esse número coloca o estado com 9,02% do total de pendências em todo o país, ocupando a terceira posição no ranking geral. De acordo com o INSS, o registro de votação no primeiro ou no segundo turno das Eleições 2026 pode ser utilizado como prova de vida para aposentados e pensionistas. O comprovante é validado por meio do cruzamento de dados com a Justiça Eleitoral. A existência de pendência, no entanto, não significa bloqueio automático do benefício. O cidadão pode consultar seu pagamento pelo aplicativo Meu INSS ou pela Central 135. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Desde 2023, a responsabilidade pela comprovação de vida é do próprio INSS, que utiliza informações de diferentes bases de dados para confirmar que o beneficiário está vivo. As diferentes formas de comprovação dispensam a necessidade de deslocamento até uma agência bancária. Agora no g1 LEIA TAMBÉM: Câmara atende decisão da Justiça e suspende entrega do título de cidadão soteropolitano a Flávio Bolsonaro no Farol da Barra Suspeito de matar filha de policiais militares durante tentativa de assalto morre após operação em Salvador Inmet emite alerta de tempestade para quase 200 cidades da Bahia; veja lista Veja mais notícias do estado no g1 Bahia Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

g1.globo.com · world

Feira de empregabilidade oferece mais de 120 vagas de trabalho em Caruaru

Feira de Empregabilidade é realizada em Caruaru Divulgação O Grau Técnico Caruaru realiza, na quarta-feira (21), uma feira de empregabilidade com mais de 120 vagas de trabalho em diferentes áreas. O evento será das 9h às 12h, na sede da instituição, localizada na Rua Valdomiro Silveira, nº 615, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. A ação reúne mais de 30 empresas parceiras dos setores de comércio, indústria, construção civil e saúde, entre outros. A participação é gratuita e não exige inscrição prévia. Para concorrer às oportunidades, os interessados devem levar documento de identificação e currículo atualizado. ✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp Agora no g1 Entre as empresas e instituições participantes estão Cardeal, Bonanza, Ferreira Costa, Caza Nova, Tupan, Rural Shop, Gold Distribuidora, Polo Caruaru, Hexagonal, Acuidar, AMI, CIEE, Paralaxe, Brisanet, Cuidare Alphaville, Camboriú, McDonald’s, Doka Pack, Villa Café, Caruaru Polpas, Costa e Nascimento, IEL, Carlos Onofre, Ream Contabilidade, AWA, Ceneged, Vitamassa, Grupo Horizonte, Veneza Construções e Evo Estágio. Segundo Carla Lima, coordenadora da Agência de Emprego do Grau Técnico Caruaru, a iniciativa busca aproximar profissionais que procuram trabalho das empresas que precisam contratar. Além das vagas, a programação oferece serviços gratuitos à população, como corte de cabelo, vacinação e teste de glicose, entre outras atividades.

g1.globo.com · world

Conheça a Cachoeira da Velha, um dos principais atrativos do Jalapão, e saiba como chegar ao local

Conheça a Cachoeira da Velha, um dos destinos mais famosos do Jalapão Considerada uma das mais belas quedas d’água do Jalapão, a Cachoeira da Velha impressiona pelo volume de água e pela força da correnteza. Localizada a aproximadamente 100 quilômetros de Ponte Alta do Tocantins, a cachoeira exige planejamento para a visitação, além de atenção às normas de segurança, por estar em uma área isolada e de difícil acesso. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp O trajeto é feito por estrada de terra e dura cerca de duas horas. Segundo o guia de turismo e empresário Raedson Carlos Barbosa, o percurso impõe desafios aos motoristas. “Para chegar até a cachoeira, tem um longo trecho de estrada de chão. Embora até seja possível tentar com veículo de passeio, não recomendo ir em carro comum. O ideal é um veículo apropriado para a região”, orientou. Além das condições da estrada, a localização afastada torna o acompanhamento de um profissional ainda mais importante. Segundo Barbosa, a logística de acesso é um dos fatores que contribuem para que a Cachoeira da Velha receba menos visitantes do que outros atrativos da região. "É um ponto bem isolado de tudo e com visitação mais restrita, por isso recomendo fortemente a contratação de um guia para acompanhar o passeio. Na minha opinião, é um dos mais marcantes do Jalapão. É uma pena que quase ninguém visita", afirmou. Com grande volume de água e natureza preservada, atrativo impressiona pela força da correnteza Reprodução/Arquivo pessoal de Raedson Carlos LEIA TAMBÉM: Dunas, cachoeiras e fervedouros: conheça os atrativos do Parque Estadual do Jalapão Lagoa do Japonês: saiba como chegar e quanto custa para curtir o atrativo Conheça as praias de água doce, atrativos turísticos durante todo o ano no Tocantins A vista da cachoeira e o som estrondoso das águas estão entre os destaques da visita. “O visual da cachoeira, a força e a preservação do local são impressionantes. Contudo, não se deve mergulhar ou tomar banho próximo à queda, pois a correnteza é muito forte e há risco grave de acidentes. O atrativo é voltado exclusivamente à contemplação”, alertou Raedson. Para quem deseja se refrescar, a recomendação é estender o passeio até a praia de água doce localizada a poucos metros dali. Nesse trecho, o rio tem águas mais calmas, propícias para o banho, desde que sejam respeitadas as orientações de segurança. Cuidados e preservação Por ser uma área preservada e com menor circulação de pessoas, o local exige cuidados redobrados com a vegetação e a fauna nativa do Cerrado. Para caminhar pelas imediações da cachoeira, é indispensável usar calçados fechados e resistentes, além de perneiras de proteção — acessórios que cobrem a parte inferior das pernas e ajudam a prevenir acidentes com animais peçonhentos. Para percorrer as trilhas com conforto e segurança, a recomendação é usar roupas leves e de secagem rápida, dando preferência a calças compridas e camisas de manga longa com proteção UV. Na mochila, itens básicos não podem faltar: Água em quantidade suficiente para manter a hidratação durante o dia; Lanches práticos e calóricos (como castanhas, frutas secas e barras de cereal); Protetor solar e repelente; Sacos plásticos para armazenar e trazer de volta todo o lixo produzido ao longo do trajeto. Localizada em área remota do Jalapão, queda d'água monumental é voltada à contemplação Reprodução/Agencia Tocantins Adventure Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

g1.globo.com · world

Do Centro-Oeste mineiro para o Senado: Domingos Sávio (PL) promete ajudar municípios do interior e defende mudanças no judiciário

Senador eleito Domingos Sávio (PL) fala sobre prioridades e votação da escala 6x1 Mais votado entre os mineiros, o senador eleito Domingos Sávio (PL), atualmente deputado federal, recebeu quase cinco milhões de votos, 24,21% dos eleitores do estado. Domingos é natural de São Tiago, no Campo das Vertentes de Minas, e fez carreira política em Divinópolis, no Centro-Oeste. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Em entrevista à TV Integração, o senador eleito falou sobre as prioridades para o mandato no Senado e destacou a dívida de Minas e as condições das rodovias do estado, também defendeu mudanças no judiciário e na segurança pública. Dívida de Minas Gerais Minas tem uma dívida de quase R$188 bilhões com a União, segundo dados mais recentes da Secretaria de Estado de Fazenda, acumulada ao longo dos anos. No fim do ano de 2025, o estado aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), da União, que oferece renegociação de débitos com o governo brasileiro. Sancionada em maio de 2026, a lei 25.871/2026 autoriza o Governo de Minas Gerais a transferir ou vender 191 imóveis estaduais para a União com o objetivo de amortizar a dívida do Estado no âmbito do Propag. A União precisa receber formalmente os imóveis. Entre eles, estão: o Expominas (Belo Horizonte e São João del Rei), o Minascentro, o Automóvel Clube de Belo Horizonte, o Grande Hotel de Araxá e o Espaço do Conhecimento UFMG. Domingos Sávio afirmou que é preciso rever o pagamento da dívida, para que ele "se volte para Minas sob a forma de investimento, de maneira automática", explicou. O senador eleito defendeu, também, uma revisão da lista de ativos utilizados para amortizar parte da dívida: "foi feita uma lista enorme, nós queremos ter um cuidado grande para que aquilo que seja essencial para o povo mineiro seja preservado", afirmou. Rodovias Minas Gerais tem a pior segurança rodoviária do Sudeste e baixa proteção em 3 a cada 10 km de estrada, como apontou o estudo "rodovias que perdoam" da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Para a CNT, além da quantidade de acidentes e das vidas perdidas nas rodovias, a falta de investimento gera impacto financeiro. No estado, apenas 22% das rodovias têm alto índice de segurança e 47% têm nível intermediário. O estudo foi embasado na qualidade precária do asfalto, ausência de acostamento, sinalização deficiente e falta de barreiras de proteção. O senador eleito afirmou que, com a reversão de pagamentos ao Propag e com outras ações no Congresso, pretende garantir dinheiro, dentro do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para melhorias nas rodovias: "principalmente fazendo a duplicação em trechos de rodovias federais, que são um corredor da morte, em que a gente está pagando pedágio", completou. Domingos também falou sobre as rodovias vicinais, aquelas em zonas rurais que, na maioria dos casos, não tem pavimentação asfáltica: "E o produtor rural? Como ir de uma cidade para a outra? Nós temos muitos trechos que são de 'estrada de chão' e a situação vira um pesadelo", afirmou. Reforma do Judiciário Domingos Sávio (PL) defendeu, em entrevista, mudanças no Poder Judiciário brasileiro. Questionado sobre como promover mudanças sem enfraquecer a democracia e as garantias constitucionais, o senador eleito afirmou que a regra prevista na Constituição permite que uma reforma seja feita com base no voto da ampla maioria. "O que enfraquece a democracia é quando ela é desrespeitada, quando a Constituição é desrespeitada, e eu sinto que ela está sendo desrespeitada hoje (…) Então é preciso não apenas que você seja capaz de usar os artigos que a Constituição já tem, como, é claro, ter a grandeza de verificar aquilo que precisa de ser aprimorado e aprimorar dentro da regra constitucional", defendeu. Segurança Pública O senador eleito também defendeu mudanças na segurança pública, disse que é necessário considerar as facções criminosas como organizações terroristas e ter a colaboração de outros países para combater esses criminosos, para ele isso não coloca em risco a soberania nacional. “A única coisa que ocorre é que você pode ter a colaboração de outros países para enfrentar essa organização terrorista, que é o crime organizado, que hoje tem tentáculos em vários países”. Em junho deste ano, os Estados Unidos passaram a classificar oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras. Sávio também afirmou que pretende promover a tramitação de um Projeto de Lei de autoria própria, que endurece as regras, no Código de Processo Penal, contra criminosos reincidentes. "O indivíduo é preso porque estava roubando celular ou porque invadiu uma residência, roubou alguma coisa, foi pego com o fruto do crime e vai na delegacia. E ali, depois da audiência de custódia, é solto, porque a legislação não prevê prisão preventiva para o reincidente (…) eu incluo no Código de Processo Penal um parágrafo dizendo que o reincidente ficará preso até a conclusão do seu processo. Acaba com esse negócio de prende solta", afirmou. Biografia de Domingos Sávio (PL) Domingos Sávio Campos Resende é natural de São Tiago no Campo das Vertentes de Minas, formou-se em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1983 e fez carreira política em Divinópolis no Centro-Oeste mineiro. Foi vereador entre 1993 e 1996 e prefeito entre 1997 e 2001. Assumiu o cargo de deputado estadual na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde exerceu a função de 2003 a 2011 por dois mandatos, até migrar para a Câmara dos Deputados em Brasília, onde atuou como deputado federal por quatro mandatos consecutivos. Este ano, pelo Partido Liberal (PL), foi eleito senador, com o maior número de votos em Minas Gerais, para os próximos oito anos. Domingos Sávio tem atuação ligada ao agronegócio e aos produtores rurais. O deputado presidiu a Cooperativa Agropecuária de Divinópolis e a Cooperativa de Crédito Rural, além do Sindicato Rural da cidade. Também atuou na fundação de sistemas de cooperativismo de crédito no estado. LEIA TAMBÉM: Entrevista exclusiva: Cleitinho diz que 'era pedra e vai virar vidraça' e fala sobre o desafio de montar o novo governo Cleitinho Azevedo diz que quer 'rever contrato por contrato' e que o vice, Falcão, vai comandar Secretaria no Governo de Minas VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

g1.globo.com · world

VÍDEO: Aos 11 anos, pianista mineiro conquista pódios em concursos de música clássica

Aos 11 anos, pianista mineiro se destaca em competições nacionais Aos 11 anos, o pianista João Gustavo Parreiras Vilaça, de Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, já conquista espaço em concursos de música clássica pelo Brasil. O reconhecimento reflete a dedicação do pianista que começou aos cinco anos. "Minha paixão pela música começou com a minha mãe que gosta de música clássica e comecei a me interessar por este estilo. Um dia, eu sentei ao piano e disse que queria aprender a tocar", contou A partir do primeiro contato com o piano, João Gustavo passou a investir cada vez mais na formação musical. O vídeo acima registrado pela mãe do pianista mostra como são os ensaios de João Gustavo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Atualmente, o músico dedica pelo menos duas horas por dia aos estudos de piano e flauta transversal, sem deixar de lado a escola, a natação e o tempo livre para brincar. “Estudo todos os dias pelo menos duas horas de piano e flauta transversal, com intervalos de 30 minutos. Consigo conciliar com a escola, com a minha natação duas vezes na semana e também com o tempo para brincar”, disse. Concursos e desafios Em março, João Gustavo participou de um concurso em Goiânia, e ficou entre os três primeiros colocados. Participou também de um concurso em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, e conquistou o segundo lugar. Para o jovem pianista, participar das competições foi uma experiência marcada pela emoção e pela satisfação de ver o esforço dos estudos reconhecido. “Fiquei muito feliz com os resultados, pois sei que foram fruto de muito estudo e dedicação. Esses concursos me deram mais confiança e vontade de continuar aprendendo e evoluindo no piano”, afirmou. A trajetória musical exige enfrentar alguns desafios, que para um artista de 11 anos parece ser difícil, mas João Gustavo afirma que o sonho de se tornar um músico reconhecido ajuda a driblar as dificuldades. “As distrações do mundo virtual e a dificuldade de manter o foco nos estudos são os maiores desafios. Às vezes, sou tentado a deixar para depois o que preciso fazer naquele momento”, destaca. João Gustavo Parreiras Vilaça Arquivo pessoal E os planos para o futuro já estão definidos, continuar evoluindo no piano, participar de novos concursos e conquistar ainda mais reconhecimento. “Meu maior sonho é continuar evoluindo no piano, participar de novos concursos e conquistar mais reconhecimento na música. Espero aprender cada vez mais, superar meus desafios e levar a música comigo por toda a vida”, concluiu. Apoio da mãe O apoio da família e dos professores tem papel importante nesse processo. A mãe, Elke Maia, se enche de orgulho ao falar da trajetória do filho. "Diante do talento de João Gustavo, como mãe, meu coração transborda de orgulho e emoção ao ver ele realizando algo tão especial. Fico imensamente feliz em ver seu talento florescer e perceber que o sonho dele, aos poucos, também está ganhando vida", completa. João Gustavo Parreiras Vilaça ficou entre os melhores músicos do concurso em Goiás Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: VÍDEO: Ciclista de MG dá água a cachorro abandonado sob calor de 37 °C e pedala 5 km com ele no colo para encontrar novo tutor

g1.globo.com · world

Cantor mirim de MS viraliza com louvor gospel e encanta até Virginia nas redes sociais

Cantor gospel de MS viraliza com cover de louvor e encanta até Virginia Rafael Mello tem apenas 12 anos, mas já emocionou milhões de pessoas nas redes sociais ao cantar covers de músicas gospel. O garoto ganhou destaque nacional ao interpretar o louvor “Vou Curar Você”, que já soma mais de 14 milhões de visualizações no YouTube e conquistou até a influenciadora Virginia. Conforme Jaqueline Mello, mãe do cantor mirim de Campo Grande a trajetória do filho começou ainda na infância, quando ele tinha apenas 5 anos e já queria cantar nas igrejas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Morador do bairro Ramez Tebet, na capital sul-mato-grossense, Rafael cresceu vendo a mãe cantar e, segundo ela, demonstrava cada vez mais vontade de louvar. “Desde o meu ventre o senhor tinha feito uma promessa para ele ,desdo 5 anos de idade começou querer louvar para Deus.” disse Jaqueline. De acordo com Jaqueline, a música sempre esteve presente na rotina da família, e o filho passou a acompanhá-la nas apresentações religiosas ainda pequeno. “Depois disso nunca mais parou de cantar para Deus. Rafael se espelhou em me ver cantar.” disse a mãe. Rafael Mello e a mãe Jaqueline Mello. Arquivo pessoal Ao g1, a mãe disse que começou a fazer transmissões ao vivo, em uma plataforma de vídeos, para compartilhar momentos de adoração, sem imaginar que a iniciativa abriria portas para a carreira do filho. “Nunca imaginei que ali seria a porta para o Rafael.” relatou Jaqueline. Durante as lives, pessoas que acompanhavam as apresentações se emocionaram com a voz do menino. Foi nesse período que duas mulheres, identificadas por Jaqueline como Kellen Salina e Fernanda, decidiram ajudar Rafael a chegar a São Paulo para gravar o primeiro cover. Na época, segundo a mãe, o valor da gravação foi reunido com a ajuda de pessoas que acompanharam o cantor nas redes sociais. O primeiro cover foi da música “Sossega”. O trabalho chamou a atenção de uma gravadora, com a qual Rafael manteve vínculo por três anos. Nesse período, ele gravou “Vou Curar Você”, canção que se tornou o maior sucesso da trajetória do jovem até agora. Ouça a seguir: Música ganhou repercussão nacional A interpretação de “Vou Curar Você” alcançou milhões de visualizações e passou a circular em páginas dedicadas à música gospel e nos perfis de influenciadores digitais. Segundo Jaqueline, nomes conhecidos da internet, como Leandro Pessoa, Virginia Fonseca e Lucas Guimarães, compartilharam e ajudaram a ampliar a repercussão do conteúdo. Influenciadores que usaram a música cantada por Rafael. Reprodução A mãe afirma que o alcance da música é motivo de gratidão e acredita que as canções do filho podem levar conforto e fé a quem as escuta. Para a família, o reconhecimento também representa a esperança de ampliar as oportunidades profissionais de Rafael. Jaqueline conta que enfrenta dificuldades para cuidar dos quatro filhos e manter a rotina, mas continua apoiando o sonho do cantor. Rafael Mello conquista prêmio em Brasília Rafael viralizou ao cantar o louvor 'Vou Curar Você'. Redes sociais Além da repercussão nas plataformas digitais, Rafael conquistou um prêmio de talento gospel em Brasília, em 2026. De acordo com Jaqueline, ele venceu a disputa promovida pela Faculdade Evangélica de Valparaíso (Facev) e pelo movimento Expo Irmãos. A conquista marca mais um momento importante para o cantor, que começou a se apresentar em igrejas ainda criança e hoje alcança um público muito maior por meio da internet. Jaqueline afirma que acredita no propósito religioso do filho e vê a música como uma forma de compartilhar mensagens de fé. Para ela, a trajetória de Rafael é motivo de agradecimento e também de esperança por novas oportunidades para a família. Estagiária sob supervisão de Adriano Fernandes* Virginia compartilhou publicações com a música de Rafael. Reprodução Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

g1.globo.com · world

Produtores de Caroebe estão em alerta com doença que atinge bananeiras e não tem tratamento

Doença preocupa produtores de banana em Caroebe Produtores rurais do município de Caroebe, no Sul de Roraima, estão em alerta permanente para prevenir a entrada do moko da bananeira, uma praga bacteriana sem cura química que ameaça a bananicultura, um dos pilares da economia regional. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Entre os agricultores mobilizados está o produtor Luiz, responsável por um cultivo de 54 mil pés de banana em 42 hectares, cuja produção é comercializada no mercado de Manaus (AM). "É de fundamental importância, praticamente é a nossa principal fonte de renda", destaca o agricultor. Para proteger a lavoura, o produtor adota rígidas rotinas de controle. O agricultor conta que já identificou plantas com viroses na propriedade, mas nunca casos de moko. "A preocupação é grande se chegar a adoecer a lavoura com o moko, porque é uma bactéria para a qual ainda não existe tratamento químico que resolva. A gente tem que evitar ao máximo que venha esse tipo de bactéria para o nosso solo", afirma. Apesar do risco, Luiz está otimista com o futuro da produção de banana em Caroebe e aposta na prevenção para manter a lavoura saudável. "É uma atividade que, se for bem trabalhada e as pessoas usarem os protocolos certos de controle do moko, você pode trabalhar a vida toda sem problemas. Se acontecer de aparecer o moko, você isola a área e elimina as touceiras contaminadas para conter o risco", conclui o agricultor. Moko da bananeira O moko é uma doença bacteriana que ataca o sistema vascular da bananeira, dificultando a circulação de água e nutrientes. A bactéria cresce em ambientes quentes e úmidos, como a Amazônia, e é transmitida principalmente por ferramentas e máquinas agrícolas contaminadas, além de insetos. "Na realidade, é uma praga que não existe um controle ainda químico que resolva a questão. Então o cuidado tem que ser evitar que pessoas que transitam em área contaminada venham para a tua área. Veículos, meios de transporte, tudo isso tem que ser evitado para você minimizar o risco de contaminação", afirma o produtor. Para evitar a propagação, especialistas recomendam desinfetar os equipamentos e iniciar os trabalhos nas plantações saudáveis, deixando as áreas suspeitas para o final. A doença é de alto impacto econômico, controlada pelo Ministério da Agricultura e pelos órgãos estaduais. Para evitar a contaminação, os agricultores devem usar apenas mudas certificadas. Se a doença for confirmada, é necessário eliminar a bananeira infectada e todas as plantas em um raio de até 5 metros. A área deve ficar sem cultivo por pelo menos dois anos. Sintomas Os principais sintomas visíveis são: Folhas: amarelamento e quebra do pecíolo (haste que sustenta a folha) na base; Caule: ao cortar o caule, aparecem manchas escuras ou amarronzadas no centro da estrutura; Frutos: bananas verdes cortadas apresentam a polpa escurecida. No cacho, ocorre amadurecimento desuniforme, quando poucas frutas amadurecem enquanto as demais permanecem verdes. Prevenção Os produtores devem evitar métodos caseiros, como queimar a planta ou cortar folhas contaminadas, não funcionam e podem espalhar a bactéria. Em Caroebe, o produtor Luiz mantém máquinas e equipamentos dentro da própria lavoura para reduzir o risco de contaminação pelo moko. "Geralmente a ferramenta não sai daqui. O maior risco é quando você trabalha com ferramentas em várias localidades. Se trabalhar em uma área contaminada, é preciso higienizar. No meu caso, tratores e ferramentas só trabalham aqui dentro, então o risco é praticamente zero", explica. Em caso de suspeita, o produtor deve acionar imediatamente um engenheiro agrônomo, técnico agrícola ou fiscal da Agência de Defesa Agropecuária do Estado de Roraima (Aderr). A Agência de Defesa Agropecuária de Roraima (Aderr) deve ser informada em até 48 horas após o surgimento dos primeiros sintomas da doença. O órgão envia fiscais à propriedade para avaliar a situação. Produtores de banana de Caroebe, no Sul de Roraima, estão em alerta Arquivo pessoal Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

g1.globo.com · world

Da militância no Triângulo para o Senado: Marília Campos defende articulação para combate ao crime organizado e diálogo no Congresso

Senadora eleita Marília Campos fala sobre prioridades e desafios de Minas Marília Campos (PT) teve quase quatro milhões de votos, 19,44% dos eleitores. Natural de Ouro Branco, iniciou a militância no Triângulo Mineiro, onde ingressou no movimento estudantil e deu os primeiros passos na vida pública. Fez carreira política em Contagem, onde foi vereadora e eleita quatro vezes como prefeita, também atuou como deputada estadual. Em entrevista à TV Integração, Marília Campos falou sobre dívida do estado, rodovias, endividamento, diálogo entre setores econômicos e desenvolvimento regional, e opinou sobre os principais temas em discussão no Congresso Nacional. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Impactos da dívida estadual Ao falar sobre a prioridade para os primeiros 100 dias de mandato, Marília destacou a retomada do protagonismo do estado, sobretudo diante da dívida de Minas Gerais com a União, que ultrapassa os 187 bilhões de reais. No fim do ano de 2025, o estado aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), da União, que oferece renegociação de débitos com o governo brasileiro. “É muito importante a gente recuperar o protagonismo do Estado de Minas Gerais para que a gente possa fazer isso nós precisamos pautar a questão da dívida com a União. Defendo que a gente tem que ter medidas adicionais ao Propag para que a gente possa discutir com o futuro presidente da República a redução do valor principal da dívida”. Questionada sobre os caminhos para essa renegociação, Marília destacou o potencial do estado: "Minas não precisa de um perdão de dívida, precisa reivindicar compensação, o estado é responsável por 40% do superávit comercial, é exportador de grãos, de minério e, por isso, dá uma grande contribuição para o superávit da balança comercial", completou. Segurança pública A senadora eleita afirmou que um dos principais problemas para o combate ao crime organizado e que precisam de solução no Congresso é a "desarticulação das políticas de segurança pública". Atualmente, o Congresso Nacional discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que prevê um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) com integração entre União, estados e municípios, além de um reforço no combate às facções e milícias, com regime penal mais rigoroso para integrantes de facções, além da criação de uma polícia municipal. "Somente assim nós vamos garantir mais segurança pública nas nossas cidades, seja para garantir qualidade de vida, seja para garantir, por exemplo, tranquilidade para a nossa atividade econômica. Então, eu diria que essa PEC é fundamental", afirmou. Bets e endividamento A proibição das bets no Congresso Nacional está em tramitação por meio da Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo Governo Federal em 25 de setembro de 2026, e de um projeto de lei complementar enviado em conjunto. A senadora eleita acredita que o assunto voltará a ser debatido pelo Congresso e defendeu manter a extinção dos jogos de apostas: "já houve um esforço para tentar regulamentar, não conseguiram, o presidente propôs a extinção dos jogos e acho que esse debate deve voltar para que a gente devolva a tranquilidade para nossas famílias do país", afirmou. Marília Campos também respondeu, em entrevista, sobre o endividamento dos brasileiros e disser ser a favor da continuidade do programa Desenrola, criado pelo Governo Federal para renegociação de dívidas em atraso com descontos e juros mais baixos. Reforma do Judiciário Marília Campos defendeu não só uma reforma no judiciário, mas também um código ética para o Supremo Tribunal Federal: "ele precisa se vincular a órgãos que garantam transparência na prestação de contas e precisamos debater isso, sem perder de vista a credibilidade comprometida também do Senado e da Câmara dos Deputados, em função de escândalos, como o das emendas parlamentares", afirmou. Desenvolvimento regional A senadora eleita destacou que, como a reforma tributária não permitirá incentivos fiscais para a atração de empresas, a infraestrutura do estado será fundamental no desenvolvimento regional: "quando a gente pensa em infraestrutura, a gente pensa em estradas, em rodovias, e em muitos lugares que visitei, os empresários me falaram sobre a dificuldade de se chegar e de escoar a produção", explicou. Marília também destacou reclamações que recebeu sobre as condições da rodovia BR-262 que conecta o Triângulo Mineiro à capital do estado: "empresários me falaram que é mais fácil ir para São Paulo do que ir para a capital, seja pela situação das vias, seja pelo sistema aéreo, é mais fácil e mais barato, então precisamos melhorar a mobilidade, aérea, rodoviária e nas estradas rurais", completou. Diálogo Marília Campos (PT) afirmou que pretende dialogar, mesmo em um cenário polarizado. "Eu não acho que a gente tem que transformar o Senado ou a Câmara dos Deputados num clima de guerra, num campo de batalha. Se a gente faz fizer isso, a gente não resolve problemas do nosso povo, não resolve o problema dos segmentos produtivos. Então a gente tem que pacificar o país", afirmou. A senadora também destacou que vai priorizar o diálogo entre os setores produtivos. "O que eu sinto é que falta uma aproximação, um diálogo com todos os segmentos produtivos, com a indústria, com o agronegócio, com a mineração, para que essas atividades econômicas continuem sendo fortalecidas dentro de um clima de diálogo, onde o Brasil ganhe e os setores responsáveis pela produção continuem ganhando também", completou. Histórico de Marília Campos Marília Aparecida Campos é mineira de Ouro Branco e psicóloga formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Iniciou a trajetória na vida pública como militante do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) na década de 1980 no Triângulo Mineiro e foi presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte entre 1990 e 1995. Marília Campos fez carreira política em Contagem, onde foi vereadora entre 2001 e 2003. Foi deputada estadual por três mandatos na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), eleita em 2002, 2014 e 2018, e prefeita de Contagem por quatro mandatos, os dois primeiros entre 2005 e 2013 e os outros dois entre 2021 e 2026, quando renunciou ao cargo para disputar o Senado Federal. Tornou-se a segunda mulher eleita senadora na história de Minas Gerais. LEIA TAMBÉM: Entrevista exclusiva: Cleitinho diz que 'era pedra e vai virar vidraça' e fala sobre o desafio de montar o novo governo Cleitinho Azevedo diz que quer 'rever contrato por contrato' e que o vice, Falcão, vai comandar Secretaria no Governo de Minas VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo Mineiro

g1.globo.com · culture

Nuvem 'arco-íris' e anel ao redor do sol: fenômenos ópticos impressionam moradores em SP

Nuvem iridescente e halo solar surpreendem moradores em Praia Grande e Eldorado Dois fenômenos ópticos, formados pela interação da luz solar com a atmosfera, impressionaram moradores ao surgirem no céu da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, e do Vale do Ribeira, no interior do estado (assista acima). Em Eldorado, a população se surpreendeu com o halo solar, fenômeno que forma um enorme anel ao redor do sol. Já em Praia Grande, uma nuvem iridescente coloriu o céu. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Ao g1, a meteorologista Ana Ávila, pesquisadora no Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, explicou que os dois fenômenos dependem da posição das nuvens. Em Praia Grande, uma nuvem iridescente coloriu o céu (à esq.). Em Eldorado, a população se surpreendeu com o halo solar (à dir.) Vanessa Simões e Marizete Cunha Halo solar O halo solar foi flagrado por moradores de Eldorado, no Vale do Ribeira, no fim da manhã de sábado (17). Ao g1, o servidor público Sergio Luiz Ferreira Sales disse que ficou surpreso com a cena. “Foi uma experiência surpreendente e interessante, que me despertou ainda mais curiosidade sobre os fenômenos naturais e a forma como a própria atmosfera pode nos proporcionar imagens tão bonitas”, disse. Já a professora Marizete Cunha Batista da Silva chegou a se assustar com o fenômeno até ser seduzida pela imagem. “Os mais velhos diziam ‘sinal no céu, desgraça na Terra’, mas foi a coisa mais linda que já vi”, relatou. Halo solar foi registrado em Eldorado Luiz Sérgio De acordo com a meteorologista Ana Ávila, o halo solar ocorre quando a luz do sol passa por cristais de gelo presentes em nuvens altas, que funcionam como prismas que refratam a luz. “É comum, mas depende exatamente dessa posição da nuvem e do raio solar”, afirmou. Nuvem iridescente No mesmo dia, uma nuvem iridescente chamou atenção da professora Vanessa Simões Braga no bairro Canto do Forte, em Praia Grande. Ela contou que ficou curiosa com a semelhança com um arco-íris. “Não tinha sete cores, só tinha três cores aparentes, estava no meio de uma nuvem e não tinha começo e fim, como tem o arco-íris. Então eu achei que fosse diferente, lembrava muito uma aurora boreal”, ressaltou Vanessa. Moradora flagrou nuvem iridescente em Praia Grande Vanessa Simões A nuvem iridescente ocorre quando a luz solar contorna pequenas gotas de água ou cristais de gelo uniformes em nuvens mais finas. “É o mesmo fenômeno, como se fosse um arco-íris, aliás, está lindíssima a imagem”, comentou a meteorologista. “Ele depende muito do ângulo de incidência dos raios solares, da posição da nuvem e das gotículas de água presentes em seu interior”, ressaltou Ana Ávila. Vanessa contou ao g1 que nunca havia visto nada parecido antes, mas é apaixonada por ciência e, por isso, foi pesquisar sobre a origem do fenômeno. “Fiquei muito encantada de ver”, finalizou. VÍDEOS: Tudo sobre Santos e Região

g1.globo.com · world

Galã dos anos 1990, Oscar Magrini relembra assédio em 'O Rei do Gado' e fala sobre vontade de voltar às novelas

Oscar Magrini interpretou Ralf, em 'O Rei do Gado' Reprodução/Memória Globo e Arquivo Pessoal Oscar Magrini, de 65 anos, ficou conhecido nacionalmente após interpretar o vilão Ralf, na novela 'O Rei do Gado', da TV Globo, em 1996. Em entrevista ao g1, o ator contou que era muito assediado pelo público, que, segundo ele, acaba confundindo o artista com o personagem. "O Ralf só tinha 30 capítulos de vida, mas fez tanto sucesso que me mataram no 135 e virou 'quem matou o Ralf?'. Não era para ser nada disso. Eu consegui fazer de um cafetão, de um cara que batia em mulher, violência contra mulheres, ser um cara marcado até hoje. Já faz 30 anos e as pessoas não esquecem. Então, deixei minha marca na televisão brasileira", afirmou Magrini. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Nascido e criado em Santos, no litoral de São Paulo, o ator fez mais de 40 novelas, 30 filmes e 15 peças de teatro ao longo dos 36 anos de carreira. Longe da televisão brasileira desde 2021, ele afirmou que tem vontade de voltar, mas precisa de um convite e de boas condições para aceitá-lo. Fantástico: O Rei do Gado - Léia apanha de Ralf em O Rei do Gado (1996) "Não faço mais um galã, mas eu faço um tio, faço um avô, faço um paizão, entendeu? Mas, ficam insistindo nessa coisa de colocar gente nova, molecada nova, colocar influencer [...]. Não preciso fazer novela por enquanto. Se me chamar, ótimo. Se não chamar, eu estou fazendo teatro", disse. Magrini, inclusive, tem viajado o Brasil com a peça 'Troca Ou Não Troca' e se apresenta no Teatro Municipal Procópio Ferreira, em Guarujá (SP), neste domingo (18). O ator também tem se dedicado às novelas verticais, produzidas para assistir pelo celular, além de projetos no cinema. Oscar Magrini ganha indenização de R$ 50 mil por foto usada em carnê de IPTU Durante a entrevista, ele também falou sobre a relação com a Baixada Santista (SP) e o segredo para o casamento de mais de três décadas com a também atriz Matilde Mastrangi, considerada um dos grandes nomes da era da pornochanchada do cinema brasileiro. Veja abaixo: Qual é a sua relação com a Baixada Santista? Você saiu da região para investir na carreira artística? Eu nasci em Santos no dia 2 de setembro de 1961 na Beneficência Portuguesa, às 2h50 da madrugada. Morei em Santos até 1990. Depois, eu casei e mudei. Sou casado há 36 anos. Eu nasci na Rua Carvalho de Mendonça. A minha casa era muito grande e meu pai vendeu a casa para o colégio Ateneu Santista. Aí eu fiquei dois anos e meio no bairro Marapé e meu pai comprou a casa na Euclides da Cunha, Canal 1. Eu tinha 11 anos de idade, e hoje funciona o Espaço Cultural Oscar Magrini. Nessa minha casa, me formei em Educação Física na Fefis, e aí eu dei aula no Saldanha da Gama, montei toda a academia do Saldanha da Gama de 1982 a 1987. Eu trabalhava na Sabesp, Saneamento Básico do Estado de São Paulo, das 7h às 18h. Às 18h, eu ia para o Saldanha dar aula de ginástica até às 22h. Em 1987, eu montei a minha locadora de vídeo, eu e a minha irmã, chamava-se Videoteca, e aí montei uma academia de ginástica. Fiquei um ano e pouco lá, depois vendi meus pesos, vendi minha locadora e fui batalhar para fazer teatro. Ensaiava 12 horas por dia. Tinha um Fiat Uno, dividia com quatro atores para rachar gasolina, Santos e São Paulo todo dia, ensaiar 12 horas por dia para não ganhar nada. Aí teve um anúncio no jornal que a atriz Matilde Mastrangi estava produzindo uma peça, 'Uma Ilha Para Três', [...] e tinha um teste para ator. Eu era modelo, fazia filmes publicitários, fotos e desfiles nessa onda. Aí eu fui fazer o teste e passei na frente de 20 atores. Então, em 1990, eu fiz a minha primeira peça profissional, 'Uma Ilha Para Três'. Em 1991, meu primeiro filme, 'Perfume de Gardênia', de Guilherme de Almeida Prado. Em 1992, minha primeira novela, 'Deus Nos Acuda', de Silvio de Abreu, na Globo. E aí eu não parei mais. São 36 anos de carreira, são 40 novelas, eu estou viajando no Brasil com a minha 17ª peça, Troca ou Não Troca, que estará em cartaz dia 18 agora no Guarujá, no Teatro Procópio Ferreira. E eu acabei de fazer o meu 31º filme, 'Saidinha de Natal', do Danilo Gentili. Comédia 'Troca-Troca' com Oscar Magrini será apresentada no Teatro Polytheama em Jundiaí Ronaldo Gutierrez/Divulgação O que te fez trocar a Educação Física e a locadora pelo teatro? Eu montei a Videoteca porque era cinéfilo, eu sempre gostei de cinema. Via novela desde preto e branco, desde criança. Sempre quis fazer televisão, conhecer esses artistas, queria ser amigo deles, trabalhar com eles, e Deus permitiu isso. Uma historinha rápida. Em 1973, teve a primeira versão na Tupi de 'Mulheres de Areia', com Eva Wilma, Carlos Zara e Gianfrancesco Guarnieri. Muito bem. Enchi o saco da minha mãe que eu queria fazer a gravação. A gravação dessa novela era na Praia do Sonho, em Itanhaém. Aí foi minha mãe, meu irmão, minha irmã, fomos lá de ônibus até Itanhaém, não tinha gravação nenhuma. Mas, eu fui na Praia do Sonho e eu vi a casinha da Ruth e Raquel, porque aparecia na televisão para a gente. As externas eram na Praia do Sonho, em Itanhaém, depois para o estúdio da Globo. Muito bem, isso foi em 1973. Vinte anos depois, eu fiz 'Mulheres de Areia' com Carlos Zara. Era uma coisa que tinha que acontecer. Vinte anos depois que eu fui menino assistir as gravações, eu estava fazendo a própria novela, a segunda versão de 'Mulheres de Areia' em 1993. Você interpretou Martim Afonso de Souza na Encenação da Fundação da Vila de São Vicente, considerado o maior espetáculo teatral de praia do mundo. Como foi voltar à região onde nasceu e dar vida a uma figura tão importante para a história do Brasil? Essa figura tão importante para a história que eu processei até a prefeitura. Em 1999, eu fiz o Martim Afonso de Sousa. Em 2000, naquela virada do milênio e tal, eu interpretei Pedro Álvares Cabral. Aí em 2014, eu fiz de novo o Martim Afonso de Sousa. Nessa vez que me prejudicaram, que eu acho que foram fazer de sacanagem, minha figura estampada no carnê de IPTU. Isso foi em janeiro, uma amiga me liga em novembro: "Ei, Magrini, é importante mesmo, hein? Recebi você aqui em casa". Como assim? Não entendi. "Moro em São Vicente. Recebi o carnê de IPTU e você está na capa como Martim Afonso". "Eu estou na capa? Manda uma foto". Aí já meti o processo, já ganhei as três instâncias, já faz oito anos, estou para receber os precatórios. Semana passada meu advogado ganhou a segunda causa, que era o uso indevido de imagem. Então, foi R$ 50 mil, mas já está em R$ 290 mil esse negócio. Eu processei porque foi uso indevido de imagem, mas está tudo bem. Eu adorei fazer o Martim Afonso de Sousa, é uma emoção incrível. Oscar Magrini processou a Prefeitura de São Vicente por uso de imagem em carnê de IPTU Alexsander Ferraz/AT e g1 Santos Você ficou muito conhecido como galã nos anos 1990, especialmente por personagens como Ralf. Como foi viver aquele momento de popularidade? Você sentia que o público confundia o ator com os personagens? Sempre confundiam. Nessas 40 novelas, 'O Rei do Gado' foi em 1996, hoje faz 30 anos. Então, eu tinha muito assédio, era muito assediado, mas o homem não podia reclamar de assédio, senão achavam que era gay. Desde então, até hoje as pessoas falam: "Ei, Rei do Gado. Fala, Ralf". "Rei do Gado, não. Sócio dele". Eu brinco, né? Faz 30 anos e a mulherada não esqueceu. Sempre reprisa porque é uma obra do Benedito Ruy Barbosa fantástica, onde o meu personagem, o Ralf, só tinha 30 capítulos de vida, mas fez tanto sucesso que me mataram no 135 e virou "quem matou o Ralf?". Não era para ser nada disso. Eu consegui fazer de um cafetão, de um cara que batia em mulher, violência contra mulheres, ser um cara marcado até hoje. Já faz 30 anos e as pessoas não esquecem. Então, deixei minha marca na televisão brasileira. Ao longo desses 36 anos de carreira, você passou por novelas de grande repercussão, cinema e teatro. Qual trabalho mais marcou sua trajetória e por quê? Tem exatamente esse que nós estamos conversando. Há 30 anos, o Ralf, do 'Rei do Gado'. Dois anos depois, 'Torre de Babel' quando eu fazia o Johnny Percebe, o Augustinho. O 'Rei do Gado', o Ralf, era mais forte o personagem do que ator. As pessoas falavam: "Quem fez o Ralf, aquele cafetão, como é?", "O Oscar Magrini". "É. Esse ator, o Oscar Magrini". O Ralf é mais conhecido que o Oscar Magrini. Dois anos depois, eu fiz uma novela do Silvio de Abreu, 'Torre de Babel', onde eu trabalhava no ferro velho com Juca de Oliveira, Tony Ramos. Aí todo mundo falava: "E aí, Magrini. Fala, Percebe". Aí já era o Oscar Magrini que fazia o Percebe, entendeu? De todos os personagens, o que eu guardo lá em cima na prateleira, que me deu visualização, me deu credibilidade e fiquei conhecido tanto no Brasil como no exterior, porque a Globo vende para 196 países. Foram esses dois, o 'Rei do Gado', o Ralf, em 1996 e 'Torre de Babel', Johnny Percebe, em 1998. Aí depois já era o Oscar Magrini, veio essa coisa toda e onde eu vou as pessoas, eu vou de boné, de óculos. "Não adianta disfarçar não, reconheci pela voz". "Ah, reconheceu pela voz? Eu não posso dar trote?". "Não, sua voz é conhecida". Então, quando eu vou no Brasil e lá fora, as pessoas conhecem bem. Há cinco anos, eu faço um trabalho de apresentar prêmios internacionais, Paris, Roma, Nova York, Londres, Bruxelas, na Bélgica, e Londres. Então, eu vou direto todo ano, esse ano já fui para Paris, ainda falta Londres. Vou duas ou três vezes para o exterior apresentar um prêmio. Por quê? Por causa do reconhecimento do Oscar Magrini, que é conhecido, por causa da novela, dos meus trabalhos. Então, isso é muito legal. Oscar Magrini em 'Torre de Babel' e atualmente Reprodução/TV Globo e Arquivo Pessoal Tem vontade de voltar à televisão? O que precisaria acontecer para esse retorno? Eu digo assim, que graças a Deus, eu continuo trabalhando e Deus abrindo portas, porque na nossa profissão é muito difícil você chegar, mas não é impossível. O mais difícil ainda é permanecer na profissão porque eu já tive 30, o Ralf tinha 35, eu tive 40, já tive 50, eu estou com 65 anos. Eu não faço mais um galã, mas eu faço um tio, faço um avô, faço um paizão, entendeu? Mas, ficam insistindo nessa coisa de colocar gente nova, molecada nova, colocar influencer. Eu estou comentando uma coisa que eu escuto, o meu Instagram é aberto. Então, as pessoas falam: "Nossa, eu gosto das novelas antigas, você tem que voltar para as novelas". Eu também quero, mas preciso ser chamado. O salário diminuiu, eu sou de São Paulo, eu preciso de uma passagem aérea, eu preciso de um hotel. Então, são gastos. A não ser que queiram muito mesmo, eles me chamam e pagam isso, mas eu não preciso fazer novela por enquanto. Se me chamar, ótimo. Se não chamar, eu estou fazendo teatro, viajando pelo Brasil com a peça 'Troca ou Não Troca'. A última vez que eu fiz um seriado foi no Multishow, em 2021. Aí depois não fiz mais novela, só filmes. De lá para cá, eu fiz seis, sete filmes e teatro. Peça é a segunda peça já, eu fiz o 'O Vison Voador' e o 'Troca ou Não Troca', então as duas juntas já são quatro anos de teatro. Junto com o cinema e esses prêmios internacionais que eu te falo. Lógico, eu gostaria de fazer novela, a novela é muito bacana. A cultura brasileira é televisiva. Primeiro lugar, está a televisão, depois está o cinema e não faltando tempo, dinheiro e vontade você vai para o teatro, infelizmente. Mas, eu continuo fazendo muita publicidade. Se você ver o meu Instagram, eu tenho um monte de publicidade que eu faço por ser Oscar Magrini, por ter uma idoneidade, por ser um cara responsável, já casado há muito tempo, trabalho, então isso que é legal na profissão, é o reconhecimento. É gratificante. Oscar Magrini na peça 'O Vison Voador' Divulgação Além do teatro e do cinema, você também participou de 'Esposa de Mentirinha', uma novela vertical feita para celular. O que muda na atuação e como enxerga o futuro desse formato? O que está acontecendo? São essas novelas que estão dando emprego para muita gente. Por quê? Se eles quiserem chamar o pessoal da terceira idade, vamos dizer, 50, 60, é meio difícil na televisão, eles pegam só jovens, não é? Então, muita gente precisa ter o plano B na minha profissão. Cada um parte para uma coisa. Graças a Deus, eu continuo trabalhando, fazendo teatro, fazendo filme, seriado. Fiz uma novela vertical, adorei, porque é bem diferente daquelas novelonas. É tudo na mão, errou, vai, continua, tudo rápido, prático, é novelinha de uma hora. Eles pagam pouco, mas está dando trabalho para muita gente. Isso que é legal. Fiz a primeira e vai rolar a segunda aí. Após passar por diferentes fases do audiovisual brasileiro, existe algum personagem ou tipo de trabalho que ainda sonha fazer? Eu nunca fui protagonista, eu era antagonista e coadjuvante em todas as novelas que eu fiz, são 40 com duas em Portugal. Em Portugal, na verdade, fui protagonista de duas novelas, foi muito bom. Acho que Deus está no comando. Eu só agradeço o que acontece comigo, só peço saúde e energia para continuar essa minha atividade com a graça de Deus. É louca, ninguém aguenta. A minha mulher fala: "Você não tem mais 30 anos, é um senhor de 65". Mas minha cabeça é de 25 e a gente vai em frente. O que eu quero fazer? Eu não sei. Eu gosto de tiro, porrada e bomba porque bonzinho eu já sou, gosto de fazer um vilão. Vilão que é tudo de bom, é isso que eu gosto. Então, se pintar uma oportunidade de voltar à novela e fazer um grande vilão, eu adoraria. Oscar Magrini é casado com a atriz Matilde Mastrangi Arquivo Pessoal Durante a entrevista, você comentou algumas vezes sobre estar casado há 36 anos. Qual é o segredo para um casamento duradouro? Já sou avô. A minha filha mora em Michigan, mora nos Estados Unidos, nasceu minha netinha, ontem fez 1 ano e 1 mês. A Sofia. Não tem segredo. Eu falo há anos que a minha mulher tem uma paciência enorme. Vai direto lá para cima. Acho que conversar, ter um diálogo e prestar atenção no outro porque são pessoas distintas. Um homem e uma mulher são pessoas completamente diferentes. Ela gosta de uma coisa, eu gosto da outra, então a gente cede aqui, cede ali. Ela não gosta dos filmes que eu assisto. Ela gosta de romance e comédia, então eu assisto romance e comédia, mesmo não curtindo. Às vezes eu curto, às vezes eu gosto sim, não a grande maioria, mas eu curto mais para fazer companhia. Mas, ela não faz o mesmo comigo porque ela detesta os filmes que eu assisto, e assim vai se levando. Ela é ótima e ela sempre fala: "Ainda bem que você não é um marido tradicional, que se fosse um marido tradicional já estava separado". A minha vida não tem rotina, eu não paro em casa, como diz a minha mulher: "Você só vem em casa para trocar de mala", porque graças a Deus o meu trabalho é vem e volta de teatro, troco de mala, venho, saio de novo. Você também falou sobre a falta de oportunidade com o decorrer da idade. Como tem sido a sua relação com o envelhecimento? Eu não gosto de fazer procedimento na cara, essas coisas. Não me chamem para fazer botox, fazer nada. O negócio é ativação no colágeno. O colágeno com os 25, 30 anos começa a perder, então você tem que agitar. O que eu faço é esse tal de Fotona. O Fotona é só laser, nada que introduz, nada de enfiar cano, agulha, isso eu não gosto. Então, eu faço Fotona que é para ativar e é uma coisa imediata. Eu faço hoje, uma, duas horas, aí daqui 15, 20, 30 dias que vai aparecer o resultado. Nada agressivo, só externo. É o que eu faço. Eu continuo fazendo ginástica, musculação, ando para lá e para cá, tento fazer esporte, preciso voltar a lutar que eu parei, fazia krav maga, eu preciso voltar com a atividade. E às vezes eu nem vou muito para a ginástica, eu mais falto do que vou porque eu não tenho essa neura: "Ah, eu vou viajar, vou para Cuiabá, onde tem academia? Ah, eu vou para o Rio de Janeiro, onde tem academia?". Não, nada disso. Eu vou lá, vou curtir. Se eu não conheço o lugar, eu vou passear, faço meu teatro à noite, volto. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço. Se fizer o que eu faço, a pessoa vai engordar. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

g1.globo.com · world

Vídeo mostra PMs resgatando menina sequestrada pelo pai após pedido de socorro com piscada

Vídeo mostra abordagem de PM a menina sequestrada pelo pai no litoral de SP Câmeras de segurança registraram o momento em que policiais militares resgataram uma menina de 10 anos que havia sido sequestrada pelo próprio pai em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Os agentes agiram após a vítima sinalizar sobre o perigo piscando os olhos. O caso aconteceu na madrugada de 7 de outubro, na Rua Argentina, no bairro Guilhermina. Nas imagens, é possível ver a viatura se aproximando da menina e do homem, identificado como Wellington Ferreira da Silva. Em seguida, os policiais encaminharam os dois para uma área coberta, onde deram continuidade à abordagem (assista acima). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Durante a conversa, um policial pediu para que a garota piscasse se houvesse algo errado. Ela atendeu com o gesto, foi resgatada e o pai foi detido. Wellington Ferreira da Silva era procurado pela Justiça por suspeita de dopar a ex-companheira e a criança em um hotel de Barueri (SP), agredir a mulher e fugir com a menina. Ele vai responder por sequestro e cárcere privado. Menina sequestrada pelo pai foi resgatada pela Polícia Militar em Praia Grande, SP. Reprodução/Polícia Militar Resgate após piscada para PM Segundo a PM, a equipe voltava de uma ocorrência quando encontrou a dupla caminhando na chuva. O tenente Thiago Marinho Rodrigues explicou que a situação chamou a atenção dos agentes. “Devido ao horário, ao tempo, ao dia da semana, não tinha nenhum comércio aberto, não tinha nada aberto, eles acharam estranha aquela atitude e resolveram verificar”, explicou o comandante do 45º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I). Homem foi preso em flagrante por sequestro e cárcere privado em Praia Grande (SP) Reprodução Leia também: Menina sequestrada pelo pai reencontra policiais que a salvaram após pedir socorro com piscada; VÍDEO Mãe reencontra filha de 10 anos sequestrada pelo pai após ameaças de morte Justiça garantiu guarda à mãe Mãe reencontra filha de 10 anos sequestrada pelo pai A juíza Cecília Nair Siqueira Prado Euzebio, da 2ª Vara da Família e das Sucessões de Barueri, determinou a busca e apreensão da vítima, mandando expedir um mandado com urgência, em 28 de setembro. Na mesma decisão, a juíza concedeu a guarda unilateral da menina para a mãe e suspendeu o direito de convivência do pai até uma nova decisão. Menina reencontra policiais Menina sequestrada pelo pai reencontra PM para quem piscou pedindo socorro O reencontro aconteceu na sede do comando da PM na capital paulista, na última sexta-feira (16). Na ocasião, os dois agentes que participaram da ocorrência receberam medalhas e certificados de mérito. "Só tenho a agradecer a Deus por ele ter me escolhido mais uma vez e entender esse pedido velado da Bianca", afirmou o policial Willian Alves, responsável pelo resgate, em vídeo divulgado pela corporação. Segundo a mãe, a criança ficou emocionada ao rever os PMs, em especial Willian. “Ela não para de falar sobre esse reencontro [...]. Ela o tem como um herói mesmo, que a libertou de todo mal e a trouxe de volta para mim”, afirmou Jéssika Ferreira da Silva. Menina reencontra policial que a salvou de sequestro em Praia Grande Arquivo Pessoal VÍDEOS: Tudo sobre Santos e Região

g1.globo.com · tech

Família é avisada sobre morte de vigilante acreano em missão na guerra na Ucrânia e tenta contato: 'Queria ir para ajudar'

Acreano morre enquanto lutava na Ucrânia, diz família A família de Jonas da Silva Santos, de 24 anos, diz que recebeu, na última segunda-feira (12), a notícia de que o acreano morreu após ser atingido durante uma missão na guerra na Ucrânia. A informação foi repassada por um colega brasileiro que estava com ele no combate, mas os parentes afirmam que ainda não receberam a confirmação da morte oficialmente. Natural de Rodrigues Alves, no interior do Acre, ele era vigilante antes de se mudar para Porto Velho (RO), onde passou a trabalhar com o cunhado. Ele foi para a Ucrânia em maio deste ano. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp Segundo uma sobrinha dele, que pediu para não ser identificada, o interesse em ir para a Ucrânia já existia antes mesmo de ele deixar o Brasil. A família tentava convencê-lo a desistir por medo dos riscos que enfrentaria no conflito. “Desde quando ainda estava no Brasil, meu tio já demonstrava muita vontade de ir para a Ucrânia. Ele falava bastante sobre isso e sempre dizia que queria ir para ajudar na guerra, porque era algo que realmente desejava fazer. Não era algo que surgiu de repente, era uma vontade que ele já tinha há bastante tempo”, contou. O g1 procurou o Ministério das Relações Exteriores para saber se o governo brasileiro tinha conhecimento do caso e se poderia prestar assistência à família. Em nota, o Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Kiev não tem registro da situação e está à disposição para prestar assistência consular quando acionada. O ministério também esclareceu que não custeia o deslocamento de brasileiros com o propósito de participar de conflitos armados, dentro ou fora do território nacional. (Veja nota completa na íntegra) Jonas da Silva Santos, de 24 anos, morador de Rodrigues Alves, foi para a Ucrânia em maio deste ano Arquivo pessoal Conforme a sobrinha, os parentes conversavam com Jonas sobre os perigos da viagem e que até colegas dele que já estavam na Ucrânia o aconselhavam a não ir. Mesmo assim, ele continuou decidido. Como não tinha passaporte, a sobrinha o ajudou a tirar o documento e ele deixou Porto Velho de ônibus com destino a São Paulo, de onde seguiu viagem para o país. Quando chegou lá, Jonas contou que havia assinado um contrato de três anos. “Nós, da família, sempre ficávamos preocupados e conversávamos com ele sobre os perigos. Tentávamos fazê-lo entender os riscos que correria, porque sabíamos que não era algo simples e que ele poderia não voltar”, relatou. LEIA MAIS: A guerra pelo Acre: como imigrantes nordestinos enfrentaram norte-americanos, ingleses e bolivianos e anexaram território ao Brasil 60 anos do golpe militar: Acre teve 1º governador deposto e resistência de seringueiros Revolução: guerra que tornou o Acre independente atrasou por falta de armas, diz historiador Último contato A comunicação com Jonas acontecia principalmente aos fins de semana. De acordo com a sobrinha, ele costumava mandar mensagens para os parentes e avisar como estava. A última conversa com ele ocorreu em 4 de outubro. Três dias depois, em 7 de outubro, a sobrinha enviou uma mensagem, mas não recebeu resposta. A notícia da morte chegou apenas na segunda. Segundo a familiar, ele teria sido atingido durante uma missão na fronteira e não retornou. “Ele sempre mandava mensagem, avisando como estava. Chegou a criar um grupo para dar notícias. A última conversa foi no dia 4 de outubro e, quando foi no dia 7, eu mandei mensagem e ele não chegou a responder. Todo final de semana ele mandava mensagem, porque durante a semana não podia falar por estar em treinamento”, contou. Jonas da Silva Santos trabalhava na área da segurança antes de se mudar para Porto Velho (RO) e, posteriormente, viajar para a Ucrânia Arquivo pessoal A sobrinha afirmou que a família não recebeu fotos, vídeos ou documentos que comprovassem o que aconteceu. Ao questionar os colegas sobre as imagens, ouviu que elas só poderiam ser encaminhadas a um advogado. Ainda conforme a sobrinha, a família não tem condições financeiras de arcar com os custos de um eventual traslado. “Até o momento, essas são as informações que chegaram até nós. Como família, também temos muitas dúvidas e estamos tentando entender o que realmente aconteceu”, disse. Família pede respeito Além de lidar com a falta de informações sobre a morte, os parentes têm recebido críticas sobre a decisão de Jonas de ir para a guerra. A sobrinha disse que considera injusto que as pessoas julguem a escolha dele sem conhecer sua história e o sofrimento da família. “Ele era meu tio, fazia parte da nossa família e era amado por nós. Independentemente de qualquer opinião sobre a escolha que fez, isso não muda o vínculo que tínhamos com ele nem a dor que estamos sentindo”, afirmou. Para ela, o momento é de buscar respostas sobre o que aconteceu e entender como a família poderá lidar com a situação. “Não estou contando isso para defender a guerra, nem para dizer que a decisão dele foi certa ou errada. Estou contando porque ele tinha uma história, tinha seus próprios desejos e fez uma escolha que, para ele, tinha um significado. Nós, como família, tínhamos medo, tentamos aconselhá-lo e queríamos que ele ficasse, mas não podíamos decidir a vida por ele”, completou. Jonas da Silva Santos teria sido atingido durante uma missão na fronteira da Ucrânia, segundo informações repassadas à família por um colega Arquivo pessoal Leia a íntegra da nota do Itamaraty: “Esclarece-se, em primeiro lugar, que o Itamaraty não custeia o deslocamento de cidadãos brasileiros com o propósito mencionado, nem dentro nem fora do território nacional. No que tange a eventual contrato assinado, sugere-se, portanto, contato com as autoridades do país em cujo exército o brasileiro teria se alistado. A Embaixada do Brasil em Kiev não tem registro do caso e está à disposição para prestar a devida assistência consular, quando acionada. O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional. Para conhecer as atribuições das repartições consulares do Brasil, recomenda-se consulta à seção do Portal Consular do Itamaraty. Informa-se que o Ministério das Relações Exteriores vem alertando os brasileiros sobre os riscos decorrentes da situação de segurança da Ucrânia desde maio de 2025, quando se publicou alerta consular desencorajando visitas de brasileiros às regiões próximas às frentes de combate. Em julho do mesmo ano, foi publicado novo alerta consular, o qual foi atualizado em setembro de 2026, recomendando a recusa a ofertas de trabalho e de participação em exércitos estrangeiros'' Entenda a ocupação russa na Ucrânia Arte/g1 VÍDEOS: g1

g1.globo.com · world

Cebola com chocolate? Bombom com ganache de receita secreta vira atração e divide opiniões em SC

Bombom de cebola caramelizada e ganache de receita secreta vira atração e divide opiniões 🍫 Um bombom de chocolate com recheio de cebola é alvo de curiosidade e virou até atração turística em Ituporanga, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina. A iguaria foi criada pela engenheira de alimentos Adriana Corrêa Bittencourt, dona de uma marca de chocolates artesanais no município, conhecido como a Capital Nacional da Cebola. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Ela contou ao g1 que a mistura surgiu para homenagear os colonizadores locais durante o primeiro Festival Gastronômico do município. Três anos depois, segue sendo vendida por R$ 4 a unidade. “Em um primeiro momento, pensei em desistir diante de algumas caras feias sobre o que poderia dar disso. Mas depois das aulas e direcionamentos do Sebrae, o chef me disse: 'por que não'?. Foi aí que fui para a cozinha testar”, disse. 🧅De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ituporanga produziu 168 mil toneladas de cebola em uma área de 4,8 mil hectares em 2025, e ficou na segunda posição entre os maiores produtores do país. Bombom de cebola foi criado por empresária em Ituporanga Arquivo pessoal 🍬Como é feito o bombom de cebola A receita leva cebola roxa caramelizada, processo utilizado para reduzir a acidez do vegetal. Depois, o ingrediente é misturado a uma ganache de chocolate 40% cacau (cuja receita a empresária mantém em segredo 🤐). A preparação é finalizada com a trufagem do bombom. Do receio à curiosidade A reação de quem experimenta o doce é uma das partes mais divertidas da experiência, segundo Adriana. Enquanto alguns demonstram receio, outros ficam curiosos para descobrir o sabor da combinação. Entre os comentários mais inusitados, a empresária já ouviu comparações com hambúrguer e relatos de pessoas que aprovaram o doce, mas disseram que não o comeriam novamente. Também há quem afirme não gostar da receita. Entre as crianças, algumas chegam a confundir o recheio com manga. O sabor final, no entanto, é agridoce. "A receita combinou justamente com o chocolate 40%. Ela não combinou com o chocolate ao leite, combinou com uma versão de chocolate meio amargo", conta. Com o passar dos anos, a curiosidade do público passou a influenciar a criação de novos sabores. De acordo com Adriana, após três anos do lançamento, os pedidos por experiências diferentes se tornaram mais frequentes, incluindo versões com mais cebola ou com toque picante. Há inclusive turistas que chegam à loja convictos do pedido: bombom de cebola. De acordo com Adriana, três anos após o lançamento, os pedidos por experiências diferentes se tornaram mais frequentes. Há até turistas que chegam à loja já certos do que querem: experimentar o bombom de cebola que viram nas redes sociais. Há também turistas que chegam à loja decididos a experimentar o doce que viram nas redes sociais. “Hoje, dentro da loja, a procura às vezes é só pelo bombom. As pessoas entram e falam: ‘Eu vim para comprar o bombom de cebola’. E acabam levando apenas ele”, diz. Unidade do bombom custa R$ 4,00 Arquivo pessoal Reveja os VÍDEOS mais assistidos do g1 SC

g1.globo.com · world

De colega a paciente: enfermeira enfrenta câncer de mama no hospital onde trabalha há 28 anos

Daniela Lopes ao lado de Fabiana Rossi Divulgação/Iamspe Quando se sentou na poltrona de quimioterapia do hospital em que trabalha há 28 anos, Fabiana Rossi, de 47 anos, passou a viver uma experiência diferente da que conhecia em sua rotina profissional. Chefe do Serviço de Gestão de Risco e Qualidade do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo, ela descobriu um câncer de mama no início de 2025 e se tornou paciente da instituição onde construiu sua carreira. Durante o tratamento, recebeu os cuidados de uma colega que ela própria havia ajudado a capacitar anos antes. “Tratar uma doença cujo diagnóstico já assusta é complicado. Porém, fazer isso em um hospital conhecido, com pessoas com quem você já trabalha há muitos anos, traz mais segurança durante todo o processo, porque você sabe da competência dos profissionais", afirmou Fabiana. E foi a enfermeira Daniela Lopes, de 41 anos, que trabalha no HSPE desde 2011, que acompanhou a colega. Em 2015, quando assumiu o cargo de encarregada do setor de quimioterapia, Daniela foi treinada por Fabiana. “Foi muito difícil ver uma colega de trabalho na poltrona da quimioterapia, principalmente aquela que me acolheu e me auxiliou na capacitação quando eu assumi o cargo de encarregada da quimioterapia, em 2015. Foi doído vê-la nesse lugar. Porém, sempre soube que a Fabi iria superar o câncer. Ela era extremamente comprometida com o tratamento, perguntava sobre como melhorar a dieta e manter a mente ocupada", afirmou Daniela. "Ela [Fabiana] é uma das pouquíssimas pessoas que realizaram a quimioterapia sem precisar interromper o tratamento pelo menos uma vez devido ao impacto da medicação no organismo”, ressaltou. Do diagnóstico ao tratamento Fabiana Rossi na primeira e última quimioterapia Arquivo Pessoal Fabiana descobriu a doença durante os exames anuais solicitados pelo setor de Segurança do Trabalho do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe). Ela realizou mamografia e ultrassom das mamas, e foi no ultrassom que uma alteração chamou a atenção. A biópsia confirmou a presença de um tumor hormonal. A quimioterapia foi acompanhada pelo diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Iamspe, Marcelo Antonini. Como havia histórico de câncer de mama na família, Fabiana também recebeu orientação para realizar um mapeamento genético. O exame identificou uma mutação genética que facilita o surgimento de câncer de mama e de ovário. Carretas de Mamografia atendem mulheres em cidades de SP; veja locais e horários A enfermeira concluiu a quimioterapia em julho de 2025. No mês seguinte, passou por uma mastectomia total da mama esquerda e por uma cirurgia preventiva na mama direita, além da reconstrução das mamas, realizada pela equipe de Cirurgia Plástica do Iamspe. As operações duraram mais de 12 horas. Um exame de sangue pode rastrear o câncer de mama Em outubro de 2025, Fabiana começou a terapia de bloqueio hormonal, prevista para durar dez anos. No início de novembro, realizou a retirada preventiva dos ovários e das trompas. No fim do mesmo mês, iniciou a radioterapia. Atualmente, Fabiana está em remissão total do câncer de mama e realiza acompanhamento anual. Sua história ganha destaque na semana do Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, celebrado nesta segunda-feira (19), data dedicada à conscientização sobre a doença. No hospital em que trabalha há quase três décadas, ela encontrou acolhimento de profissionais que conhece desde o início da carreira. Entre eles, Daniela. "A enfermeira Daniela, o dr. Marcelo e tantos outros colegas de trabalho foram essenciais nessa jornada, pois cuidaram de mim e me acolheram em momentos de insegurança e medo, além de me apoiarem quando surgiam dúvidas", ressaltou. Fabiana Rossi ao lado de Daniela Lopes Divulgação/Iamspe

g1.globo.com · health

Nova reserva marinha de 3 mil hectares é criada entre Barra de Guaratiba e Recreio; o que muda

Ilhas das Palmas e das Peças ficam perto da costa, perto do Pontal, da Prainha e de Grumari Junior Alves/TV Globo O governo do estado do Rio de Janeiro criou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Marinha Urupirá, uma unidade de conservação com aproximadamente 3 mil hectares entre Barra de Guaratiba e o Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio. O decreto foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (16). A área fica entre a Ilhota do Frade, em Barra de Guaratiba, e a Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes, e inclui ilhas, costões rochosos e áreas submersas. Nova reserva marinha de 3 mil hectares é criada entre Barra de Guaratiba e Recreio Arte g1 A unidade será administrada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e tem como objetivo conciliar a preservação dos ecossistemas marinhos com a manutenção das atividades tradicionais das comunidades que utilizam a região, especialmente a pesca artesanal. Na prática, a criação da reserva estabelece diretrizes para a conservação ambiental e o uso dos recursos naturais. As regras específicas para cada trecho da área, no entanto, ainda serão definidas pelo plano de manejo. O g1 procurou o Inea para entender se há um cronograma a ser seguido e a partir de quando essas regras serão estabelecidas. Veja uma reportagem de 2024 que mostra as belezas da vida marinha em partes da região da nova reserva: Projeto Ilhas do Rio pesquisa a vida marinha das ilhas de Grumari O que muda com a criação da reserva? Pesca e uso dos recursos naturais O decreto prevê medidas para combater a pesca ilegal e outras infrações ambientais, além do monitoramento da atividade pesqueira e dos estoques de peixes. A unidade também deverá contribuir para a conservação e a recuperação dos estoques pesqueiros e proteger locais importantes para a alimentação, a reprodução, o crescimento e o abrigo de espécies marinhas. O texto não determina uma proibição geral da pesca artesanal. Pelo contrário, estabelece como um dos objetivos valorizar essa atividade e preservar os conhecimentos tradicionais das comunidades pesqueiras. O Inea, porém, poderá proibir práticas extrativistas e outras atividades consideradas incompatíveis com os objetivos da unidade de conservação. ✅ Siga o canal de notícias do g1 Rio no WhatsApp Pescadores poderão participar da gestão Pôr do sol por trás da Ilha das Peças, na Zona Oeste do Rio Junior Alves/TV Globo A reserva prevê a participação de pescadores artesanais e de outras populações tradicionais que utilizam historicamente os recursos naturais da região para seu sustento. O decreto estabelece que essas comunidades poderão ser cadastradas como beneficiárias da unidade. O reconhecimento deverá considerar, entre outros critérios, a relação histórica, cultural, social e econômica com a área marinha. A gestão será feita por um conselho deliberativo, presidido pelo Inea e formado por representantes de órgãos públicos, organizações da sociedade civil, populações tradicionais beneficiárias e outros usuários cadastrados. O objetivo é garantir que as comunidades participem das decisões sobre o planejamento e o uso do território. Turismo terá de seguir diretrizes de sustentabilidade Ilhas das Peças (à frente) e das Palmas, no litoral do Rio Junior Alves/TV Globo O decreto prevê a promoção da visitação por meio do ecoturismo, do turismo de base comunitária e de práticas esportivas alinhadas à conservação ambiental. As regras para o uso da área serão detalhadas no plano de manejo, que deverá estabelecer o zoneamento da reserva, incluindo áreas de proteção integral e de uso sustentável, além das normas para o manejo dos recursos naturais. O documento não apresenta uma lista definitiva de atividades turísticas proibidas ou permitidas. Onde fica a reserva marinha? A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Marinha Urupirá abrange aproximadamente 3 mil hectares entre a Ilhota do Frade, em Barra de Guaratiba, e a Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes. Além do espelho d'água, da coluna d'água e do assoalho marinho, os limites incluem a Ilhota do Frade, a Ilha Rasa de Guaratiba e os costões rochosos das ilhas de Peças e Palmas, até a cota de 25 metros. A unidade também tem como objetivo contribuir para a conexão ecológica com o chamado Hope Spot Ilhas Cagarras e Águas de Entorno, área reconhecida pela organização internacional de conservação marinha Mission Blue. O que ainda falta definir? Embora a reserva tenha sido criada pelo decreto, a organização do uso e da gestão da área ainda depende de instrumentos previstos no documento. O plano de manejo será responsável por definir o zoneamento, as regras para o uso dos recursos naturais e as áreas de proteção integral e de uso sustentável. O conselho deliberativo deverá ser instituído por portaria do órgão gestor. Até a elaboração do plano de manejo, a zona de amortecimento da unidade será definida provisoriamente por resolução do Inea. O decreto entrou em vigor na data de sua publicação, nesta sexta-feira (16). Veja um registro recente de uma baleia na região da Barra de Guaratiba: Baleia ‘se exibe’ para pescadores em Barra de Guaratiba

g1.globo.com · world

Lombadas eletrônicas, radar híbrido: entenda como funcionam os radares fixos em Ribeirão Preto, SP

Lombadas eletrônicas, híbridos: veja como funcionarão os radares em Ribeirão Preto, SP Dois dos 27 radares instalados em Ribeirão Preto (SP) estão funcionando na cidade, segundo a RP Mobi, empresa que administra o trânsito. A previsão inicial era de que todos os equipamentos entrariam em operação até sexta-feira (16). A empresa não informou quando os outros 25 equipamentos passarão a funcionar e disse que, por enquanto, a lombada eletrônica instalada na Avenida Costábile Romano e o radar híbrido, no cruzamento das avenidas Francisco Junqueira e Saudade, são os únicos aptos a fiscalização e multa. Os outros dois radares híbridos, localizados no cruzamento da Avenida Fábio Barreto com a Avenida Jerônimo Gonçalves e no cruzamento da Avenida Francisco Junqueira com a Rua Sergipe, ainda passam por validações adicionais para atender aos critérios técnicos e legais necessários ao funcionamento e, segundo a RP Mobi, a ativação ocorrerá após a conclusão destes procedimentos. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Os 27 equipamentos que vão operar em 18 pontos em Ribeirão Preto são de três tipos diferentes: radares híbridos, radares de velocidade e lombadas eletrônicas. Ao g1, a RP Mobi informou que todos eles irão fiscalizar a velocidade de motoristas nas vias e irão multar condutores que cometerem infrações. A diferença é que os radares híbridos também vão registrar infrações de avanço do sinal vermelho e parada em cima da faixa de pedestres. LEIA TAMBÉM Fiscalização por avanço de sinal será suspensa no período noturno em Ribeirão Preto Radares fixos em Ribeirão Preto começam a operar de forma gradual a partir de terça-feira Na quinta-feira, a RP Mobi informou também que a fiscalização por avanço de sinal vermelho nos radares híbridos ficará suspensa das 23h às 5h. À EPTV, afiliada da TV Globo, o engenheiro Anderson Manzoli, especialista em trânsito, disse que a Prefeitura de Ribeirão Preto pode suspender a operação dos radares entre a noite e a madrugada, mas, ainda assim, ultrapassar o sinal vermelho continua sendo uma infração de trânsito. "O sistema está programado para não aplicar a multa naquele momento, mas a recomendação é: sinal vermelho, pare. Existem outras formas de você garantir a segurança pública". Radar híbrido entrou em operação em Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV Como funcionarão os equipamentos? Radares híbridos Anderson Manzoli explica que os radares híbridos funcionam a partir de um sensor, capaz de captar alta velocidade, avanço do sinal vermelho e parada em cima da faixa de pedestres. "Ele tem um sistema de câmera e, ali na frente, a gente tem um sensor. Se o veículo passa acima do limite de velocidade, ele é capaz de fotografar o veículo e registrar a velocidade e, com isso, fazer a aplicação da multa. Se o veículo ultrapassa também, na hora que ele para na frente da faixa, o sistema de câmera é capaz de identificar e, da mesma forma, fotografa a placa do carro e consegue aplicar a multa". Na Avenida Francisco Junqueira, a velocidade máxima é de 50 km/h. Já na Avenida Thomaz Alberto Whately, a velocidade é 60 km/h. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), as infrações para o motorista que para em cima da faixa de pedestre, ultrapassa a velocidade máxima permitida na via ou avança de sinal vermelho variam de média a grave, ou gravíssima. As multas vão de R$ 130,16 a R$ 293,47 e o condutor pode perder de quatro a sete pontos na carteira, dependendo da infração. Radar híbrido na Avenida Francisco Junqueira, em Ribeirão Preto, SP, fiscaliza velocidade, avanço de sinal e parada em faixa de pedestre Reprodução/EPTV Lombadas eletrônicas As lombadas eletrônicas também multarão motoristas que passarem em velocidade acima da permitida na via. Em Ribeirão Preto, são quatro equipamentos deste tipo, nas avenidas Costábile Romano, Heráclito Fontoura Sobral Pinto, Norma Valério Corrêa e Adelmo Perdizza. O único em funcionamento até a última atualização desta reportagem, era o equipamento instalado na Avenida Costábile Romano. No trecho, a velocidade máxima permitida é de 40 km/h. Segundo Manzoli, as lombadas eletrônicas, geralmente, são instaladas em locais onde o fluxo de pedestres é grande ou o desenho geométrico da via pode representar perigo ao motorista. "Quando a gente tem os locais onde a gente quer que o motorista reduza a velocidade, porque é um local onde tem um fluxo muito grande de pedestres ou existe algum problema no próprio desenho geométrico da via e você quer, obrigatoriamente, que o motorista diminuir bastante a velocidade, você coloca esse dispositivo". Lombada eletrônica na Avenida Costábile Romano, em Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV Ainda segundo o engenheiro, este tipo de equipamento conta com um letreiro que indica a velocidade que o motorista está passando no trecho e a velocidade que ele deveria passar. "O objetivo é, realmente, fazer a velocidade naqueles pontos ser bem adequada a uma velocidade de segurança". Trafegar em velocidade acima da permitida em uma lombada eletrônica é considerado infração grave se o motorista ultrapassar o limite da via entre 20% e 50%, de acordo com o CTB. A pessoa que passar acima do limite de 50% comete infração gravíssima e pode ser multada e ter o direito de dirigir suspenso. Velocidade permitida em lombada eletrônica na Avenida Costábile Romano, em Ribeirão Preto, SP, é de 40 km/h Reprodução/EPTV Radares de velocidade Os radares de velocidade vão multar motoristas que trafeguem acima da velocidade máxima permitida em cada via, que varia entre 50 km/h e 70 km/h, dependendo do trecho. Eles estão distribuídos nas avenidas Eduardo Andreia Matarazzo (Via Norte), Costa e Silva, Antônia Mugnatto Marincek, Maurílio Biagi, Carlos Eduardo de Gaspar Consoni, Leão XIII, Adelmo Perdizza, Deputado Sérgio Cardoso de Almeida, Luiz Galvão César e Luiz Eduardo Toledo Prado. Segundo Manzoli, o fato de se colocar um radar em um determinado ponto, indica que as pessoas não estão tendo um comportamento adequado naquele local. Ele explica que, em Ribeirão Preto, foram escolhidos os pontos onde existe alto índice de acidente. "Respeitar a sinalização é extremamente importante. Para aquele que já dirigia da forma correta, não muda nada. Para quem que muda? Para aquela pessoa que dirigia em desacordo com as regras de trânsito. Essa pessoa, para não ser multada, vai ter que se adequar agora às regras de trânsito, porque agora nós temos o elemento que vai aplicar multa". Radares fixos em Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV As infrações para quem dirige acima da velocidade permitida vão de média a gravíssima, dependendo do limite da via. Segundo o CTB, dirigir até 20% acima do limite é considerado infração média. De 20% a 50% é infração grave e a mais de 50% acima do limite da via é infração gravíssima. As multar variam de R$ 130, 16 a R$ 880, 41 e o motorista pode perder de 4 a 7 pontos na carteira ou ter suspensão imediata da CNH como penalidade adicional. Avançar o sinal vermelho é infração, mesmo sem fiscalização Mesmo com a decisão da prefeitura em suspender a fiscalização de avanço do sinal vermelho entre 23h e 5h, o engenheiro Anderson Manzoli, especialista em trânsito, alerta: a atitude continua sendo infração de trânsito. "O correto é: siga seguindo toda a legislação de trânsito, siga as leis de trânsito. Então, evite passar. Não passe no sinal vermelho, a não ser que seja, realmente, um risco de vida. Caso contrário, mesmo que não esteja multando, mesmo que o sistema não vá fiscalizar, na moral e por questões éticas e de etiqueta, não passe no sinal vermelho". De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, avançar no sinal vermelho é infração gravíssima. A multa é de R$ 293,47 e o infrator perde 7 pontos na carteira. Se o motorista for multado em horário que a fiscalização está suspensa, ele pode recorrer. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, avançar no sinal vermelho é infração gravíssima Reprodução/EPTV Mapa de radares em Ribeirão Preto, SP Arte/g1 Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

g1.globo.com · world

Força-tarefa repatriou mais de 1,2 mil fósseis para museu no Ceará em 5 anos

Diretor do Museu de Paleontologia no Cariri fala sobre repatriação de fósseis Uma força-tarefa entre universidades e órgãos estaduais e federais repatriou 1.281 fósseis para o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, localizado em Santana do Cariri, no cariri cearense, nos últimos cinco anos. Os achados históricos vieram de sete países: Alemanha, Estados Unidos, França, Irlanda, Itália, Reino Unido e Suíça. Um dos últimos fósseis a chegar ao museu é uma estrutura fruto da espécie de pinheiro Araucária, estimado em 120 milhões de anos, que ganhou o nome de Araucaria benignae, em homenagem à beata Benigna, primeira pessoa do Ceará a ter esse reconhecimento do Vaticano. A espécie foi encontrada em uma coleção de fósseis repatriados da França em 2024. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp "É um trabalho feito em uma grande parceria, com pesquisadores brasileiros e internacionais. Os autores desse artigo foram muito felizes em escolher a Benigna para ser homenageada porque é um símbolo da nossa religião, como os fósseis são. A partir de agora, esse material vai integrar o Museu de Paleontologia. Essa é a primeira das novidades do material repatriado da França e vai ficar exposto para o pessoal apreciar", comenta Alysson Pinheiro, diretor do museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens. ➡️ Criado há 38 anos, o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens tem mais de 15 mil fósseis escavados na Chapada do Araripe. ​Nos últimos cinco anos, essa coleção ganhou reforços expressivos graças a uma intensa força-tarefa de combate ao tráfico e à retirada ilegal do patrimônio nacional. Nele está o Ubirajara jubatus, fóssil que estava na Alemanha, também repatriado. Fóssil de araucária de 120 milhões de anos recebe nome em homenagem a Menina Benigna Prefeitura de Santana do Cariri/Divulgação/Reprodução Pesquisadora Edenilce Peixoto explica sobre fóssil nomeado em homenagem a Menina Benigna O nome dado ao fóssil marcou a reunião entre os dois principais símbolos da cidade de Santana do Cariri, localizada no sul do Ceará, na divisa com Pernambuco: a beata Benigna; e a paleontologia, com o museu Plácido Cidade Nuvens, referência na área de estudo. O patrimônio cultural-religioso encontrou a ciência local. A pesquisadora Edenilce Peixoto Batista afirma que a espécie da Araucaria benignae "é uma família que está restrita ao sul global, que no Brasil corresponde às regiões Sul e Sudeste. Só que, nessa época, tinha uma ampla distribuição geográfica, tendo sido um dos principais componentes da vegetação do Nordeste do Brasil". Edenilce Peixoto, pesquisadora e professora Claudiana Mourato/g1 Bacia fossilífera O Sul do Ceará tem uma bacia fossilífera reconhecida mundialmente pela qualidade dos achados, atraindo pesquisadores internacionais, a exemplo de Borja Holgado, que veio da Espanha e trabalha na pesquisa e na curadoria do museu. "A Chapada do Araripe é uma das regiões do mundo mais ricas na preservação de fósseis. Não somente pela quantidade, mas pela qualidade excepcional dos fósseis. São peças preservadas em duas e três dimensões. É o segundo lugar do mundo com mais espécies de pterossauros e é o único do mundo que preserva em duas e três dimensões. São fósseis do período Cretáceo Inferior, quando o continente Sul-Americano está se separando do continente Sul-Africano", explica Holgado. Pesquisador Borja Holgado estuda o fóssil identificado como Ubirajara Jubatus. Claudiana Mourato. A expansão do acervo refletiu diretamente no fluxo de visitantes do museu em Santana do Cariri. Em 2025, foram mais de 35 mil visitas. Neste ano, até o mês de julho, cerca de 24 mil visitas. Apesar dos expressivos números impulsionados por turistas do restante do Brasil e de fora do país, a gestão do museu alerta para um desafio: a maior parte dos frequentadores ainda vem de fora do Cariri. Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens Claudiana Mourato/g1 Caminhos da educação: paleontologia ganha espaço com pesquisas e iniciativas educacionais Para aproximar os próprios moradores da região do seu patrimônio científico, projetos de conscientização vêm sendo implementados. ​A divulgação paleontológica ganhou novas frentes nas escolas da região. Exemplo disso é a Sala de Ciências inaugurada pelo Educar Sesc Crato, espaço focado em metodologias ativas e interativas. Entre os recursos pedagógicos na nova estrutura estão práticas sensoriais que reproduzem o cotidiano dos paleontologistas, como as ​oficinas de escavação. Além do manuseio de réplicas e fósseis verdadeiros, em contato direto com os alunos. As visitas guiadas podem ser marcadas para qualquer público de fora da escola. "Um dos nossos objetivos é fazer com que os nossos visitantes vivenciem, coloquem a mão na massa e tenham um pouco dessa experiência, de como é minucioso, delicado e valioso o trabalho de um paleontólogo. Eles vão ter esse olhar mais aguçado do trabalho de um cientista e também fazem a simulação da escavação de fósseis daqui da chapada, que é um foco central da nossa sala de ciência, de fazer a valorização e reconhecimento do nosso território. Fazer a popularização dessa ciência de forma bem lúdica, dinâmica e interativa", explica Maria Lêda Soares, professora do Educar Sesc. Sala Educar Sesc Sesc Ceará/Divulgação A estudante Isabela Lorena, de 12 anos, viveu essa experiência. Ela visitou pela primeira vez o espaço para aprender mais sobre o passado da região do Cariri. "Acho que qualquer pessoa deve valorizar muito a história e se preocupar com o cuidado com os fósseis" Sala Educar Sesc Sesc Ceará/Divulgação Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

g1.globo.com · world

Brasileiros vão ao exterior para realizar sonho de ter filhos; investimento pode chegar até R$ 1 milhão

Brasileiros vão ao exterior para realizar sonho de ter filhos O avanço da medicina reprodutiva e as diferenças entre as legislações dos países têm levado brasileiros que desejam formar uma família a buscar tratamentos e alternativas no exterior. Fertilização in vitro, ovodoação e gestação por substituição - popularmente conhecida como barriga de aluguel - estão entre os caminhos procurados por pacientes que, por diferentes razões, não encontram no Brasil a possibilidade ou as condições necessárias para seguir com seus projetos de parentalidade. "No Brasil a possibilidade é a barriga solidária, e esse não era um caminho possível para mim. Eu precisava encontrar uma alternativa em outro país para conseguir realizar meu projeto de paternidade. Era muito importante para mim saber que, ao final, meus filhos teriam a documentação correta e que eu seria reconhecido como pai", conta o mineiro L.M, de 46 anos, que teve os dois filhos na Colômbia. Ao conversar com o g1 sobre a jornada que tiveram que percorrer para se tornarem pais, os entrevistados preferiram o anonimato. Além de desejar manter a privacidade da família, eles têm medo de sofrer algum tipo de preconceito. Ana Paula Del Padre, que atua na Tammuz Family, agência que trabalha com intermediação e acompanhamento de brasileiros durante seus processos de reprodução no exterior, explica que, por ainda haver muito desconhecimento sobre o tema, muitas vezes há julgamentos e perguntas invasivas. "Na maioria das vezes, a discrição não tem a ver com vergonha, e sim com cuidado. Cuidado com a própria intimidade, com a mulher que se dispõe a gestar e, sobretudo, com a criança, que um dia terá o direito de conhecer e contar a sua própria história, no seu tempo e do seu jeito", acredita. Por que buscar o exterior? No Brasil ainda não há uma lei específica regulamentando, por exemplo, a gestação por substituição. O que existe são normas do Conselho Federal de Medicina que estabelecem uma série de condições para a realização do procedimento. Por aqui a cessão temporária do útero não pode ter caráter comercial e, em regra, a mulher que vai gestar precisa ter pelo menos um filho vivo e pertencer à família de um dos futuros pais, até o quarto grau de parentesco. Em outros países, existem modelos jurídicos próprios para a gestação por substituição, inclusive com regras específicas sobre a relação entre os futuros pais e a gestante, contratos, parentalidade e procedimentos após o nascimento. Aconselhamento jurídico para garantir a legalidade de todo o processo e lidar com as questões burocráticas, que são bem relevantes, é essencial. A advogada Larissa Mocelim explica que a escolha do destino pode variar bastante, dependendo do objetivo de cada cliente e da disponibilidade de valor. "Eu não diria simplesmente que é mais fácil fora do Brasil. O que existe, em determinados países, é uma estrutura jurídica que pode ser mais adequada para alguns perfis de família e que traz maior previsibilidade para esse processo. É importante analisar a legislação do país escolhido, a validade e o conteúdo dos contratos, como será estabelecida a parentalidade após o nascimento, quais documentos serão emitidos para a criança e como será feito posteriormente o reconhecimento dessa filiação e da documentação no Brasil", ressalta ela. Paulo Gustavo, Ludmilla e Brunna Gonçalves e Lucas Rangel foram alguns dos brasileiros que foram ao exterior para realizar o sonho de serem pais Instagram / Reprodução Qual é o custo médio dos procedimentos? Os valores podem variar bastante dependendo do país escolhido, do procedimento e da expectativa de cada família. Alguns futuros pais, por exemplo, necessitam de doação de material genético, enquanto outros já possuem embriões congelados no Brasil e necessitam apenas de uma solução que inclua o transporte para o destino onde o processo será realizado. Os Estados Unidos são um tradicional destino para pessoas que buscam diferentes tipos de procedimentos de reprodução assistida. O país foi a escolha de vários famosos brasileiros, inclusive: o comediante Paulo Gustavo; a cantora Ludmilla e sua mulher, Brunna Gonçalves; e o influenciador Lucas Rangel são alguns deles. Por lá, os valores podem chegar, em média, aos US$ 200 mil, o equivalente a R$ 1 milhão. T.M, de 50 anos, fez essa opção. Em 2019 começou o processo para realizar o sonho de ser mãe, que se tornou realidade em 2021 por meio de uma gestação por substituição, que ocorreu através de fertilização in vitro, por meio de uma doadora de óvulos anônima. "Eu procurava um contexto que me oferecesse a possibilidade de criação de embriões por meio de doadora de óvulos anônima, a gestação por substituição até o nascimento e também toda a parte jurídica. Isso incluía a documentação da minha filha em meu nome, o reconhecimento da parentalidade e o acompanhamento de advogados. Busquei uma alternativa que me desse amparo, segurança jurídica e médica", detalha. Até alguns anos, alguns países da Ásia também eram referência, mas o cenário mudou devido à restrição ou fechamento desses mercados, e países como a Colômbia e o México, aqui na América Latina, passaram a ganhar cada vez mais espaço devido à proximidade geográfica com o Brasil e custo mais acessível: a média está em US$ 80 mil. O mineiro L.M, de 46 anos, buscou a Colômbia para o nascimentos dos dois filhos, o primeiro em 2022 e o segundo, este ano. O pacote fechado por ele incluiu a coleta do seu material genético, a escolha da doadora de óvulos, a fertilização in vitro, a escolha da gestante e o acompanhamento da gravidez e nascimento das crianças. Perfil dos brasileiros que procuram o procedimento fora do país Os diversos lados da prática da barriga de aluguel O perfil é bastante diverso. Há mulheres e casais que enfrentaram infertilidade ou contraindicação médica para a gestação, casais que adiaram o momento de ter filhos, pessoas que desejam exercer a parentalidade de forma independente e casais homoafetivos. Em relação à faixa etária, é comum que a procura seja maior entre pessoas acima dos 35/40 anos, especialmente entre casais que chegam ao processo após diversas tentativas de reprodução assistida. Este foi o caso de P.S.M, de 53 anos. Com o processo em andamento na Geórgia, ela aguarda ansiosa o nascimento do filho, que deve acontecer em breve. Ela e o marido escolheram uma doadora de óvulos, fizeram a criação dos embriões, a fertilização in vitro e a fecundação da gestante escolhida por eles no país. Inicialmente, em 2024, o casal havia buscado a Argentina para fazer todo o procedimento, mas uma mudança na legislação gerou a necessidade de transferência. Na Geórgia, a média de preço é de US$ 65 mil. "Buscamos fazer o processo no exterior depois de vários acontecimentos em nossa vida pessoal: tentativas próprias e histórias que não tiveram o desfecho que esperávamos. Diante disso, procuramos fora do Brasil uma possibilidade de realizar o sonho da maternidade e da paternidade, com respaldo e amparo médico e jurídico", afirma.

g1.globo.com · world

Outubro Rosa Pet: saiba como identificar sinais de câncer de mama em gatas e cadelas

Outubro Rosa Pet alerta para câncer de mama em animais de estimação Mauro Diolli/EstácioJF Assim como o Outubro Rosa reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama em mulheres, o Outubro Rosa Pet busca alertar os tutores sobre a doença em animais de estimação. Gatas e cadelas também podem desenvolver tumores mamários e, segundo o médico veterinário Anderson Júnior, pós-graduado em oncologia e preceptor da Clínica de Medicina Veterinária da Estácio, a maioria desses tumores é maligna. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Entre as cadelas, um em cada dois tumores identificados é maligno. Já no caso das gatas, entre 80% a 90% dos tumores representam câncer. Gatos e cães também podem desenvolver a doença, apesar de ser mais raro. Em todos os casos, a prevenção faz diferença no tratamento dos bichinhos. Idade, predisposição genética e exposição hormonal são fatores de risco para a ocorrência da doença, assim como o uso de anticoncepcionais nos pets. Mas alguns sinais podem contribuir para o diagnóstico precoce: Nódulos na região das mamas. Por serem pequenos e não causarem dor, muitas vezes passam despercebidos pelos tutores Feridas que não cicatrizam Vermelhidão Sangramentos Secreção pelos mamilos Inchaço e/ou dor Tratamento é, principalmente, cirúrgico Mauro Diolli/EstácioJF Os sintomas, isolados, não necessariamente representam câncer, mas Anderson recomenda que os tutores aproveitem momentos de carinho, banho ou escovação para estarem atentos à barriga e às mamas dos animais. “O principal sinal é o aumento de volume ou o crescimento de nódulos anormais na região mamária. Quando inspecionamos as mamas e sentimos, mesmo que seja pequeno, um aumento de volume, precisamos ter atenção”, alerta o veterinário. Mas se existem sinais de alerta, também existem ações que contribuem para a prevenção da doença. A castração é uma delas. Como os tumores estão diretamente ligados à exposição hormonal, os pets que são castrados antes do primeiro cio têm menos risco de desenvolver câncer de mama. Ao g1 Zona da Mata, Anderson destaca a importância de uma avaliação profissional para realizar o diagnóstico. Em casos confirmados, o tratamento de tumores em cães e gatos normalmente exige abordagens cirúrgicas em casos benignos e malignos. A quimioterapia pode ser associada à cirurgia em alguns casos. Mais rara, a radioterapia também pode ser utilizada para combater a doença, mas os altos preços - podendo chegar até R$ 25 mil - dificultam o acesso dos animais ao tratamento. Nódulos nas mamas exigem atenção Mauro Diolli/EstácioJF LEIA TAMBÉM: Clínica-escola oferece atendimento veterinário noturno com valor social em Juiz de Fora Outubro Rosa: exames gratuitos para prevenção do câncer são oferecidos à noite em Juiz de Fora ASSISTA: Juiz de Fora é a cidade do interior de MG com mais empresas no ramo de pets Juiz de Fora é a cidade do interior de MG com mais empresas no ramo de pets VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

g1.globo.com · world

Nova técnica com IA promete reduzir falhas em previsões do tempo feitas com semanas de antecedência; entenda

Biruta indica a direção do vento em área próxima a uma pista de aeroporto. Gaion/Pexels Uma nova técnica de inteligência artificial pode ajudar a reduzir erros em previsões do tempo feitas com duas a seis semanas de antecedência, uma faixa em que os modelos meteorológicos ainda perdem bastante precisão. O método, chamado de correção probabilística de vieses (PBC, na sigla em inglês), foi apresentado em um estudo publicado nesta quarta-feira (14) na revista Nature. Em vez de criar um novo modelo meteorológico, a ferramenta funciona como uma camada de correção: aprende com erros de sistemas que já existem e tenta ajustá-los nas previsões seguintes. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Hoje, as previsões conseguem manter uma precisão maior por até cerca de duas semanas. Depois disso, pequenos erros se acumulam e, somados à própria natureza caótica da atmosfera, tornam mais difícil antecipar chuva, temperatura e outros fatores com confiança. “Nosso novo sistema pega o modelo escolhido, aprende de que forma ele costuma errar e corrige esses erros”, explicou Lester Mackey, pesquisador da Microsoft Research e um dos autores do estudo. Nos testes, o PBC foi aplicado a modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). No sistema de inteligência artificial da instituição, a técnica dobrou, em média, a capacidade preditiva das projeções sub-sazonais. Em um modelo tradicional que já passava por correções, houve melhora em 98% dos pontos analisados para precipitação, 92% para temperatura e 91% para pressão atmosférica. LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Agora no g1 Na prática, o sistema analisa previsões antigas, compara os resultados com o que de fato aconteceu e identifica padrões de erro. Depois, usa essas informações para corrigir novas projeções, levando em conta também as condições observadas mais recentemente. Os pesquisadores também observaram ganhos na previsão de eventos extremos, como chuvas intensas, enchentes e períodos de frio. Em uma análise de enchentes registradas entre 2016 e 2026, por exemplo, o PBC aumentou a habilidade das previsões em 76% a 92%, dependendo do horizonte analisado. A técnica também foi testada em uma competição internacional organizada pelo ECMWF em 2025. Uma solução que usava o PBC ficou em primeiro lugar para todas as variáveis meteorológicas e períodos avaliados, superando modelos de seis centros operacionais e sistemas de outras 34 equipes. LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Um dos exemplos citados pelos pesquisadores ocorreu nos Estados Unidos. O sistema conseguiu indicar com 19 a 26 dias de antecedência duas fortes tempestades de inverno registradas no início de 2026. Esse tipo de previsão pode ser útil em áreas como agricultura, gestão de água e energia e preparação para desastres. No Quênia, o método já está sendo testado para ajudar meteorologistas a melhorar projeções de chuva usadas por agricultores. Especialistas ouvidos pelo Science Media Centre Espanha, porém, dizem que os resultados ainda precisam ser vistos com cautela. Froila M. Palmeiro, pesquisadora do Instituto de Geociências da Espanha, afirma que os maiores ganhos apareceram principalmente nas regiões tropicais e que a melhora ainda foi mais limitada em áreas como a Europa. Outro ponto é que o PBC não substitui os modelos meteorológicos. “Não se constrói um novo modelo atmosférico do zero”, afirmou Robert Monjo, pesquisador da Fundação para a Investigação do Clima. Segundo ele, se o modelo de origem falhar em uma situação muito rara ou complexa, o método pode não conseguir corrigir o problema. LEIA TAMBÉM: Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados; veja o que esperar 'Ao me ver, chore': A história por trás das 'pedras da fome' da Europa ANTES E DEPOIS: imagens de satélite mostram efeitos da seca extrema na Europa Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'

g1.globo.com · world

VÍDEO: maior cheia registrada nas Cataratas do Iguaçu foi há 12 anos e teve vazão 30 vezes maior que a média

Maior cheia registrada nas Cataratas foi há 12 anos e teve vazão 30x maior que a média Um vídeo registrado durante a cheia histórica de junho de 2014 nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, mostra a força da água que quase encobriu completamente a passarela utilizada pelos turistas para observar as quedas. Assista acima. Na ocasião, a vazão chegou a aproximadamente 46 milhões de litros por segundo, mais de 30 vezes a média histórica de 1,5 milhão de litros por segundo. As imagens mostram a correnteza passando por cima da passarela, que ficou praticamente encoberta pela água. Apesar da força do rio, as vigas e os pilares de concreto permaneceram no lugar. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp A cheia de 2014 voltou a chamar atenção após o aumento da vazão das Cataratas nesta semana. Na quarta-feira (14), o volume chegou a 15,8 milhões de litros por segundo, mais de dez vezes a média, e a água também ultrapassou a altura da passarela. Leia também: VÍDEO: Itaipu abre duas calhas do vertedouro e libera volume de água quase nove vezes maior que a média das Cataratas do Iguaçu Vazão das Cataratas do Iguaçu sobe e água passa sobre passarela em outubro de 2026 Reprodução Como a passarela resistiu à cheia histórica? A resistência da estrutura está nas fundações construídas diretamente na rocha do leito do Rio Iguaçu. A passarela atual foi construída na década de 1990 com uma técnica conhecida como estaca-raiz. O método utiliza perfurações que penetram na rocha e recebem estruturas de aço e cimento injetado sob pressão. Infográfico: veja como é a estrutura da passarela das Cataratas do Iguaçu Artes/g1 Esse sistema mantém os pilares firmemente presos à rocha e permite que a passarela suporte a pressão da correnteza, mesmo durante as grandes cheias. Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pelas fundações da obra, explica que a técnica foi escolhida justamente pela capacidade de resistir a grandes forças. "A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços. É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu", explicou. Segundo o engenheiro, além do peso da passarela e dos visitantes, as fundações precisam suportar a pressão lateral da água, que aumenta conforme a vazão do rio. Durante as cheias, troncos e outros materiais também podem atingir a estrutura. No entanto, segundo Lorenzi, a força exercida pela própria correnteza representa um esforço maior para as fundações. Leia também: Alerta: Paraná recebe novo alerta laranja de tempestades com granizo e ventos de até 100 km/h Impressionante: Cataratas do Iguaçu atingem maior vazão do ano, com volume de água quase oito vezes a média Arrastou animais: Rio transborda, alaga propriedade rural e arrasta bezerros após chuva intensa Rio Iguaçu precisou ser desviado durante a construção Por que a passarela das Cataratas do Iguaçu não é levada pela água? A construção da passarela atual começou em 1992, depois que a estrutura anterior, inaugurada em 1970, foi levada por uma cheia na década de 1980. A nova passarela foi remontada em 1993. Segundo Márcio Marcon, engenheiro que trabalhou na execução do projeto da passarela, a equipe precisou desviar temporariamente o Rio Iguaçu para impedir que a água chegasse ao local onde seriam instaladas as fundações. Inicialmente, os responsáveis pela obra tentaram fazer o desvio em um ponto próximo às quedas. No entanto, a estrutura utilizada para conter a água não resistiu à primeira cheia e foi arrastada pela correnteza, junto com equipamentos utilizados pelos trabalhadores. "Durante a execução da obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa. Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos. Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta", afirmou. Construção das Cataratas em 1992 RPC Depois do incidente, foi necessário mudar a estratégia. As equipes fizeram um novo desvio, desta vez a alguns quilômetros das Cataratas, para impedir que a água chegasse ao trecho da construção. Com o leito do rio temporariamente seco, os trabalhadores conseguiram perfurar a rocha e instalar as fundações. Segundo Marcon, o número de trabalhadores na obra variava entre 20 e 30 pessoas. Como a segurança da passarela é monitorada após as cheias A resistência da passarela é monitorada periodicamente por meio de inspeções e equipamentos capazes de identificar movimentações de poucos milímetros na estrutura. Segundo a Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do Parque Nacional do Iguaçu, o monitoramento não identificou deslocamentos nos pilares desde que a empresa passou a realizar as medições. André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária, explica que pequenos equipamentos chamados prismas são instalados em pontos estratégicos da passarela. Eles permitem que uma estação de medição topográfica identifique possíveis mudanças na posição dos pilares, mesmo que sejam imperceptíveis a olho nu. Turista visitando a passarela antes da conclusão do mirante da Garganta do Diabo Arquivo Histórico Parque Nacional do Iguaçu O procedimento compara a posição atual dos pilares com medições anteriores. Dessa forma, é possível verificar se a força da correnteza provocou algum deslocamento durante as cheias. "Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer esse monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente", afirmou Franzini. Segundo ele, as avaliações são realizadas anualmente, mas podem ocorrer com maior frequência caso seja identificada alguma alteração ou depois de episódios de cheia. Além desse acompanhamento, a reabertura da passarela após uma cheia depende de uma vistoria feita por um engenheiro estrutural, que verifica as condições dos pilares e de outros componentes. O profissional analisa se houve danos, identifica possíveis riscos e emite um laudo técnico sobre as condições da estrutura. A concessionária informou que a passarela só volta a receber visitantes quando a vazão fica abaixo de 8 milhões de litros por segundo e a avaliação técnica confirma que o acesso é seguro. Antes disso, as equipes também precisam recolocar as grades metálicas de proteção, retiradas preventivamente durante as cheias. A instalação é feita gradualmente, com os profissionais trabalhando em trechos restritos da passarela. Franzini explica que a concessionária também acompanha as condições da bacia do Rio Iguaçu e dos reservatórios das hidrelétricas antes de iniciar a reabertura, para reduzir o risco de uma nova elevação da vazão. Caso as inspeções identifiquem algum problema, a frequência das avaliações pode ser ampliada e a estrutura permanece sob acompanhamento técnico. Por que as grades da passarela são retiradas durante as cheias? Após três anos, grades da passarela das Cataratas do Iguaçu são retiradas Mesmo construída para resistir à força da água, a passarela precisa ser fechada aos turistas quando a vazão do Rio Iguaçu aumenta. Durante as grandes cheias, as grades metálicas de proteção podem ser retiradas preventivamente. A medida permite que a água passe com menos resistência e evita que galhos e troncos carregados pela correnteza fiquem presos à estrutura. A retirada das grades faz parte de um protocolo de segurança adotado quando há previsão de que a água possa alcançar a passarela. Trabalhadores retiram as grades da passarela nesta terça (13) RPC Em outubro de 2026, as grades foram novamente retiradas depois de três anos, diante da cheia que elevou a vazão das Cataratas a mais de dez vezes a média histórica, de 1,5 milhão de litros por segundo. A retirada das proteções não significa que a estrutura esteja comprometida. A medida é preventiva e busca reduzir os esforços provocados pela passagem da água. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná

g1.globo.com · world

Menina com obesidade muda hábitos com a família e leva seis colegas de sala para o crossfit em Ribeirão Preto, SP

Criança com obesidade muda hábitos e leva colegas de sala para o crossfit em Ribeirão Há cerca de dois meses, Rafaela Nogueira, a Rafa, de 10 anos, fez uma aula experimental de crossfit para crianças em uma academia de Ribeirão Preto (SP). Gostou tanto que chamou os colegas de escola para experimentar. Seis amigos da sala dela começaram a treinar, segundo a mãe, Jessica Nogueira, de 37 anos. “Quando eles fizeram a aula experimental, eles gostaram bastante. Falaram com os pais, os pais autorizaram e eles começaram a fazer”, conta Rafa. O treino é a parte mais visível de uma mudança que começou em casa. Para ajudar a filha, que ganhava peso desde os 3 anos, a família mudou a alimentação de todos. 📲 Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Em Ribeirão Preto, quase quatro em cada dez adolescentes de 10 a 19 anos acompanhados pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Ministério da Saúde, têm sobrepeso ou obesidade. Em 2026, até setembro, o índice era de 39,3%. Em 2008, de 22,8%. Na rede municipal, o Núcleo de Obesidade Infantil (Nobin), inaugurado pela prefeitura em dezembro de 2025, trata crianças e adolescentes com o problema. De janeiro a setembro deste ano, o paciente faltou a 161 das 297 consultas agendadas no núcleo. Crianças apostam no crossfit para entrar em forma em Ribeirão Preto, SP Valdinei Malagutti/EPTV Em 7 de outubro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou as primeiras diretrizes para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. Para menores de 10 anos, a entidade recomenda alimentação saudável, atividade física e mudança de comportamento, e não recomenda remédios nem cirurgia bariátrica. Para o endocrinologista pediátrico Thiago Hirose, especialista pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP/USP), o aumento de casos “é uma tendência geral, não apenas de Ribeirão Preto, mas também de outras localidades”. “A casa inteira mudou” Segundo Jessica, Rafa começou a ganhar peso depois dos 3 anos, quando passou cerca de um ano tomando corticoide por causa de uma crise respiratória. A mãe acredita que o remédio aumentou o apetite da filha. Também cita os mimos da família e as parcerias de Rafa, que é influenciadora digital, com lanchonetes e pizzarias. “Tinha semanas que praticamente ela não comia comida à noite. Um dia era lanche, um dia era pizza, um dia era esfirra, um dia era comida japonesa.” Por volta dos 8 anos, Rafa chorou ao sair para comprar roupa, porque nada servia. “E aí foi onde virou a minha chave”, diz Jessica. “Não tem como eu cobrar uma coisa que eu faço errado.” A primeira tentativa de tratamento não foi adiante. No ano passado, depois de não aguentar subir um quarteirão numa caminhada, a menina voltou ao médico. Dessa vez, foi ela quem quis mudar. “A casa inteira mudou”, diz Jessica, que também estava acima do peso. Hoje, ela prepara marmitas com a quantidade certa para a semana. Rafa come mais frutas, mas ainda não gosta de alface, tomate e couve. “Muitas coisas, mas eu me esforço”, diz Rafa. Rafaela Nogueira, de 10 anos, tem mudados hábitos para combater a obesidade Valdinei Malagutti/EPTV “A gente tem que ser exemplo. A criança não faz com cobrança. Ela te imita, ela faz o que você faz”, afirma a mãe. Rafa treina todos os dias. Como ela tinha trauma da balança, o médico passou a acompanhar a evolução pelas medidas, segundo a mãe. Numa das consultas, a menina tinha perdido 10 centímetros de abdômen. Quatro meses depois, mais 4. Ela não usa remédios para emagrecer e não passou por cirurgia. “Agora ela não tem medo de sair pra comprar uma roupa”, diz Jessica. Perguntada se se sente melhor, Rafa responde: “Muito melhor.” Nas redes, as parcerias com restaurantes ficaram raras, segundo a mãe. Hoje, Rafa treina na academia em troca de divulgação. LEIA MAIS Brodowski descarta sarna humana em pacientes com sintomas de coceira e manchas na pele Mãe relata sintomas na família inteira após manchas vermelhas em bebê Prefeitura vai enviar análises para Instituto Adolfo Lutz investigar causas de manchas na pele “É outra menina” Thalia Leme de Oliveira, de 9 anos, é acompanhada pelo Nobin desde janeiro. Na casa dela, a mudança também começou pela mãe. Rosana de Andrade Leme mudou a alimentação depois de descobrir diabetes gestacional e, segundo ela, perdeu 30 quilos. No mesmo ano, um exame de rotina mostrou o colesterol da filha um pouco aumentado. Thalia trocou o balé pela dança de rua e hoje faz atividade física a semana inteira. Chocolate e refrigerante viraram exceção. “A gente não tirou a comida dela. Ela foi tirando aos poucos”, diz Rosana. Segundo a mãe, Thalia não gosta de faltar aos encontros das quartas-feiras e é ela quem lembra do horário. Para Rosana, ouvir os profissionais fez diferença: “As crianças escutam mais quando é outra pessoa”. Thalia, de 9 anos, apostou na dança para mexer mais o corpo em Ribeirão Preto Reprodução/Arquivo Pessoal “Meu Deus, é outra menina”, resume Rosana. A própria Thalia lembra: “As minhas roupas ficavam muito grudadas, às vezes nem serviam”. Em 15 de novembro, ela vai apresentar a dança de rua em um teatro. Como funciona o Nobin O Nobin recebe crianças e adolescentes encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) quando o quadro persiste por pelo menos seis meses, segundo a prefeitura. A primeira consulta é com a nutróloga Valéria Moro. Depois, a família frequenta, às quartas-feiras à tarde, atendimentos individuais e grupos com nutricionistas, psicóloga e educador físico, incluindo um grupo de apoio aos responsáveis. “Não tem como contemplar todas as dimensões do tratamento com um único profissional”, afirma a nutricionista Gisele, que integra a equipe. Segundo ela, 61 pacientes passaram pela equipe desde a inauguração. Por que tantas famílias faltam As faltas somam 54% das consultas agendadas de janeiro a setembro, segundo a prefeitura. Nos retornos, chegam a seis em cada dez: 113 em 186 agendamentos. Entre os casos novos, 48 dos 111 pacientes não foram à primeira consulta. “Obesidade é uma doença grave, crônica, multifatorial, de difícil tratamento”, diz Gisele. Segundo ela, pesam a falta de quem leve a criança, o custo do transporte e o horário da escola. Como os encontros são à tarde, quem estuda nesse turno precisa sair da aula para ir. “Acaba que fica tudo em cima da mãe fazer tudo.” A alta entre adolescentes Em Ribeirão Preto, segundo o Sisvan, o percentual de adolescentes com sobrepeso ou obesidade passou de 22,8% em 2008 para 32,4% em 2016 e 37,9% em 2025. Em 2026, até setembro, foram 5.126 adolescentes nessa condição, ou 39,3% dos acompanhados. Em 2025, o índice foi de 38,4% no estado de São Paulo e de 33,4% no Brasil. Entre as crianças de 5 a 9 anos avaliadas em 2025 em Ribeirão Preto, 2.301 tinham sobrepeso e 2.134, obesidade, segundo a Secretaria Municipal da Saúde. O Sisvan registra quem é pesado e medido nas unidades de saúde do SUS. Por isso, os números não representam toda a população da cidade. O que diz a OMS Segundo a OMS, 400 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos tinham sobrepeso no mundo em 2024. Desse total, 170 milhões tinham obesidade. Entre menores de 5 anos, eram 35 milhões com sobrepeso. A entidade define a obesidade como uma doença crônica e recorrente. Para adolescentes de 10 a 19 anos, as diretrizes admitem remédios para obesidade, mas só quando um programa supervisionado de mudança de hábitos não tiver dado resultado. A cirurgia bariátrica pode ser considerada em casos de obesidade grave, sob condições rigorosas. A OMS também recomenda tratar obesidade e saúde mental juntas e desde cedo. Segundo a entidade, ansiedade, depressão e baixa autoestima podem levar a hábitos alimentares pouco saudáveis. Rafaela, de 10 anos, levou amigos para o crossfit em Ribeirão Preto Reprodução/EPTV O que diz o especialista Para Thiago Hirose, a pandemia de Covid-19 agravou o problema, com ansiedade, confinamento, falta de atividade física e aulas on-line. Hoje, segundo ele, pesa a soma de hábitos. “As crianças estão dormindo menos, ficando mais tempo em casa, passando mais horas diante das telas e consumindo mais alimentos ultraprocessados, muitas vezes enquanto assistem à televisão.” O médico tem visto casos em crianças cada vez mais novas. Uma das complicações mais comuns, segundo ele, é a resistência à insulina, que dificulta a ação desse hormônio e pode favorecer pressão alta, diabetes tipo 2 e alterações no colesterol. Gordura no fígado, apneia do sono e alterações na puberdade também estão entre os riscos. Além do peso, ele recomenda acompanhar a circunferência abdominal, sempre de acordo com a idade e com avaliação do pediatra. É a medida que a família de Rafa passou a acompanhar. Na conversa com a criança, o médico defende tratar a obesidade como questão de saúde, e não só de estética, com linguagem adequada à idade e sem radicalismo. Envolver a criança no preparo das refeições e trocar tempo de tela por brincadeiras estão entre as estratégias que ele sugere. Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

g1.globo.com · world

Perdão de dívidas de MEIs pode aliviar contas, mas não resolve causas, dizem especialistas

Congresso aprova aumento do teto do MEI e perdão de dívidas O perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs), aprovado pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, pode aliviar a situação financeira de milhões de pequenos negócios, mas não elimina os problemas que levam tantos empreendedores a ficar no vermelho. A análise é de especialistas ouvidos pelo g1. Entre os principais fatores estão: Dificuldade de acesso a crédito adequado; Falta de planejamento; e A mistura entre as contas pessoais e as da empresa. O projeto de lei complementar prevê o perdão de débitos de MEIs contraídos até 13 de outubro desse ano e pode beneficiar cerca de 3,6 milhões de empreendedores, com dívidas que somam aproximadamente R$ 12,6 bilhões. A proposta também amplia o limite anual de faturamento da categoria e permite a contratação de até dois funcionários em determinadas condições. Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, a renegociação tende a aliviar o problema temporariamente quando não vem acompanhada de mudanças na gestão financeira do negócio. “Programas de renegociação de dívidas, sejam para pessoas físicas, quanto para MEIs, tendem apenas a aliviar temporariamente o problema porque não atingem o cerne do problema, a falta de crédito barato disponível e de educação financeira para que a vida financeira pessoal seja separada da empresarial”, afirma. Segundo o economista, uma das principais causas do endividamento é o uso do dinheiro da empresa para cobrir despesas pessoais. O empreendedor recorre ao caixa do negócio para pagar uma fatura do cartão de crédito ou as contas da família e, depois, precisa tomar empréstimos para manter a atividade funcionando. Com isso, as finanças pessoais e empresariais acabam comprometidas ao mesmo tempo. A dificuldade de conseguir crédito em condições adequadas agrava o cenário, afirma Leal. Sem recursos suficientes para manter a operação, o empreendedor pode recorrer a empréstimos caros, que aumentam o peso das dívidas sobre o orçamento. Arte/g1 Empreender por necessidade ou oportunidade faz diferença Leal avalia que empreendimentos abertos por oportunidade são essencialmente diferentes daqueles abertos por necessidade. No primeiro caso, o empreendedor costuma identificar uma demanda e estruturar o negócio para atendê-la. No segundo, a abertura pode ocorrer sem planejamento, como uma alternativa imediata para gerar renda. “Enquanto no caso do empreendedorismo por oportunidade o empreendedor vê isso como o seu futuro, o por necessidade o vê como ‘bico’, até que alguma coisa melhor apareça, o que diminui o planejamento e a resiliência”, diz. Isso não significa que todo negócio aberto por necessidade esteja condenado ao fracasso. A diferença apontada pelo economista está nas condições em que a atividade começa e na preparação para administrar os recursos, organizar as despesas e enfrentar períodos de menor movimento. (veja abaixo) Para Leal, políticas de apoio ao empreendedorismo precisam ir além da renegociação. Ele defende a ampliação do acesso a linhas de crédito subsidiadas — financiamentos com condições favorecidas — e o uso dos serviços do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para qualificar os microempreendedores. Como separar as contas pessoais das contas da empresa A primeira medida para organizar as finanças é tratar o dinheiro do negócio e o da família como recursos diferentes, mesmo quando o empreendedor é o único proprietário da empresa. “Eu começaria com uma regra simples: são dois bolsos diferentes, o do negócio e o da pessoa física. O fato de o empreendedor ser o dono não transforma todo dinheiro que entra na empresa em dinheiro disponível para a família”, afirma Antonio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar. Isso significa que o faturamento — todo o dinheiro recebido pelas vendas ou pelos serviços prestados — não deve ser confundido com o lucro. Parte dos recursos precisa ser usada para pagar fornecedores, impostos, despesas da operação e compromissos que ainda vão vencer. Outra parcela pode precisar ficar reservada para a compra de mercadorias e a continuidade da atividade. Antes de transferir dinheiro da empresa para a conta pessoal, o empreendedor deve calcular quanto sobrou depois dos custos e das despesas e verificar quanto pode retirar sem comprometer o funcionamento do negócio. 🧾 Maciel ilustra a diferença com um exemplo hipotético: Se uma empresa recebe R$ 6,5 mil, tem R$ 4 mil em pagamentos e compromissos e precisa reservar outros R$ 1 mil para manter a operação no período seguinte, restam R$ 1,5 mil disponíveis. Mesmo que o lucro calculado seja de R$ 1,8 mil, retirar mais do que R$ 1,5 mil comprometeria o dinheiro necessário para a atividade. As receitas variam mês a mês, e agora? Quando as receitas variam de um mês para outro, o planejador recomenda analisar os resultados dos últimos três a seis meses para estabelecer uma retirada pessoal que também seja viável nos períodos mais fracos. Nos meses de maior faturamento, parte do dinheiro pode ser guardada para compensar eventuais quedas posteriores. O controle deve ser feito em duas frentes: A empresa precisa registrar suas vendas, custos, impostos e compromissos; Já o orçamento doméstico deve considerar apenas o dinheiro efetivamente transferido para o empreendedor como renda pessoal. Se as despesas da família forem maiores do que o negócio consegue sustentar, a saída é rever o orçamento doméstico ou buscar outra fonte de renda, em vez de retirar recursos destinados ao pagamento de fornecedores e à manutenção da atividade. MEI grafico Quais são os primeiros sinais de que as dívidas estão saindo do controle? O endividamento nem sempre começa com contas atrasadas. Em alguns casos, o empreendedor continua pagando tudo em dia, mas passa a depender de crédito caro para cobrir as despesas do mês. Segundo Antonio Maciel, planejador financeiro, sinais de alerta incluem recorrer ao cheque especial, pagar apenas parte da fatura do cartão de crédito ou contratar um empréstimo para quitar outro. O problema também pode aparecer quando toda compra de estoque depende de financiamento. Por isso, acompanhar apenas o saldo bancário não é suficiente. O planejador recomenda observar quatro pontos: O resultado do negócio depois dos custos e das despesas; O dinheiro disponível para manter a operação; O total das dívidas e o peso das parcelas e dos juros; e O volume de recursos parado em mercadorias, além dos prazos para receber dos clientes e pagar fornecedores. Um negócio pode vender mais e, ainda assim, enfrentar dificuldades se os preços não cobrirem os custos. Da mesma forma, pode apresentar lucro no papel, mas ficar sem dinheiro para pagar as contas porque os clientes demoram a pagar ou porque o empreendedor retira recursos em excesso. A origem do problema muda a solução. Se a atividade consegue cobrir seus custos, mas falta dinheiro depois das retiradas pessoais, pode haver um desequilíbrio no orçamento familiar. Se o caixa já fica negativo antes dessas transferências, é preciso investigar os preços, os custos, as vendas e os prazos de recebimento. Como negociar dívidas sem criar um problema maior Ao perceber que as contas estão saindo do controle, o empreendedor precisa identificar quais compromissos são essenciais para manter a empresa funcionando e quais podem ser renegociados. Maciel, planejador financeiro, recomenda avaliar tanto o custo das dívidas quanto as consequências de deixar de pagá-las. Obrigações legais, como tributos e salários, quando houver funcionários, merecem atenção, assim como compromissos cujo atraso possa provocar a perda de um equipamento essencial ou interromper o fornecimento necessário para as vendas. Na comparação entre empréstimos, um dos principais indicadores é o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas, impostos, seguros e outras despesas da operação. Também é necessário comparar o valor total a pagar, o prazo e o tamanho das parcelas em relação ao dinheiro que o negócio efetivamente recebe. Uma prestação menor nem sempre representa um acordo mais barato. Em um exemplo hipotético apresentado pelo planejador, um acordo de 12 parcelas de R$ 320 totaliza R$ 3.840. Já outro, de 24 parcelas de R$ 230, soma R$ 5.520. A segunda opção tem prestações menores, mas custa mais no total. “A renegociação só vira recuperação quando muda a capacidade de pagamento e vem acompanhada de uma correção na gestão”, afirma Maciel. Segundo ele, é necessário identificar se a dificuldade surgiu de uma queda temporária nas vendas, de retiradas pessoais excessivas, de mercadorias paradas, de preços inadequados ou de custos que o negócio não consegue sustentar. Imprevistos e perda de renda também podem provocar endividamento. O planejador alerta ainda para o risco de usar o cheque especial e o crédito rotativo do cartão — modalidade em que o consumidor não paga integralmente a fatura — como fontes permanentes de financiamento. Um empréstimo planejado para uma necessidade produtiva é diferente de contratar crédito todos os meses para cobrir prejuízos. Senado aprova projeto que amplia limite do MEI e perdoa dívidas de inadimplentes O MEI deve fazer a declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) Divulgação/Sebrae

g1.globo.com · world

Moradores denunciam construção de muro em acesso à Lagoa do Cauípe, paraíso natural do Ceará, e obra é embargada

Moradores denunciam construção de muro em acesso à Lagoa do Cauípe, no Ceará Moradores da região do Cumbuco, área turística de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), denunciaram a construção de um muro que impediria o acesso de pedestres, banhistas e trabalhadores à Lagoa do Cauípe, paraíso natural inserido em uma Área de Proteção Ambiental (APA) no Ceará. A obra foi embargada pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), no dia 1º de outubro. O g1 esteve no local na última quinta-feira (15) para verificar a dimensão e os impactos da obra. A equipe encontrou areia, blocos de concreto, tijolos, outros materiais de construção e a base do alicerce do muro. LEIA TAMBÉM: Família celebra 114 anos de homem mais velho do mundo Polícia resgata 19 cães em situação de maus-tratos A obra foi embargada há 15 dias, após manifestação da comunidade. O muro é de responsabilidade do grupo português Vila Galé. Em nota, o grupo informou que o muro era executado em conformidade com um “projeto que se encontra legalmente aprovado por todas as entidades municipais e ambientais”. "Constatamos, no entanto, que o braço do rio que confina com a propriedade sofreu um alargamento natural desde a data da aprovação do projeto até agora e iremos reajustar o projeto alterando a localização do muro e garantindo os necessários afastamentos das margens do rio" , alegou o grupo Vila Galé (leia abaixo a nota na íntegra). Construção de muro em Lagoa do Cauípe levanta debate no CE. Gabriela Feitosa/g1 CE ➡️ A Lagoa do Cauípe fica a cerca de 49 quilômetros de Fortaleza e é um dos principais pontos turísticos do litoral de Caucaia. O espaço reúne praticantes de esportes aquáticos, especialmente kitesurfistas. Os visitantes também aproveitam o local para passeios de buggy e a cavalo, além de consumir comidas e bebidas típicas em barracas à beira-mar. 🦢 A lagoa é cercada por dunas móveis na margem direita do Rio Cauípe e por dunas fixas na margem esquerda. Há vegetação nativa, como cajueiros e pinhão-bravo, além de diversos animais, como pequenos répteis e aves. APA do Lagamar do Cauípe, com as dunas móveis na margem direita do Rio Cauípe e as dunas fixas na margem esquerda, é marcada, também, pelo sangradouro do rio e pela vegetação nativa. Reprodução/Governo do Ceará 'A lagoa faz parte da nossa vida': comunidade teme privatização Segundo os moradores, o muro impediria o livre acesso de visitantes, trabalhadores e da própria comunidade à Lagoa do Cauípe, ao bloquear uma das poucas estradas de terra que levam ao local. De acordo com a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), a construção foi embargada em 1º de outubro, mesma data em que o órgão recebeu a denúncia. Durante a fiscalização, foi constatado o início da construção de um muro, com a execução da base do alicerce. A equipe verificou ainda que a intervenção estava localizada em Área de Preservação Permanente (APP) e dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lagamar do Cauípe. “Diante da irregularidade constatada, a Semace lavrou auto de infração, com aplicação de multa no valor de R$ 40 mil, e determinou o embargo da obra, com a imediata paralisação das atividades no local”, informou a Semace. Lagoa do Cauípe recebe turistas de todo o brasil. Gabriela Feitosa/g1 CE Além das questões ambientais, moradores afirmam que a obra representa um risco à liberdade de circulação e ao sustento de quem depende da lagoa para trabalhar. Eles temem a privatização do espaço e a possibilidade de cobrança para acesso ao local. Esse é o caso de Neidinha Sousa, bugueira de 55 anos, integrante de uma cooperativa da região e uma das lideranças dos protestos. Segundo ela, cerca de 180 famílias de bugueiros podem ser impactadas. “A gente está em um momento muito difícil, porque a lagoa faz parte da nossa vida. É um ponto essencial do turismo. Estamos nos mobilizando, não vamos aceitar isso, porque a maioria das pessoas sobrevive da renda daqui. São professores locais de kitesurf, bugueiros (...) Aí vêm os empresários, veem a riqueza e querem tomar o que é nosso. Isso aqui faz parte da nossa vida, da nossa história, e nós não vamos abrir mão de jeito nenhum”, diz ao g1. Na sequência: Neidinha, Victor e Fabrício, trabalhadores que temem construção do muro. Gabriela Feitosa/g1 CE Assim que a construção do muro começou, a comunidade se organizou para protestar. Os moradores acionaram a Semace, que enviou uma equipe para fiscalizar e interromper a obra. Dias depois, em 5 de outubro, moradores, bugueiros, instrutores de kitesurf e outros trabalhadores da região fizeram uma manifestação para chamar a atenção do poder público. A reivindicação é uma só: impedir a privatização da Lagoa do Cauípe. No protesto, eles formaram um cordão humano perto da lagoa e exibiram faixas com os dizeres “Salvem a Lagoa do Cauípe” e “A Lagoa do Cauípe não está à venda”. “Chamamos a Semace, e a obra foi paralisada. Mas não sei se vai continuar. A gente já está se mobilizando com o Ministério Público para eles verem nossa situação (...) O rico tem o poder do dinheiro, mas o pobre tem o poder da união. Nós estamos unidos e vamos ficar unidos para combater isso aqui”, afirma Neidinha. Imagens da manifestação realizada na comunidade do entorno da Lagoa do Cauípe no dia 5 de outubro. Reprodução O instrutor de kitesurf Victor Santos, de 38 anos, é outro trabalhador mobilizado para tentar barrar as intervenções na lagoa. De acordo com Victor, que frequenta o local desde criança, a restrição à circulação na região não é novidade. Ele afirma que, mesmo antes da tentativa de erguer um muro, a empresa já limitava a circulação de pessoas na faixa de areia, especialmente durante a realização de festas no local. “Há muito tempo eu trabalho com isso e sobrevivo disso, junto com a comunidade do Cumbuco. Em eventos que eles fazem aqui, por exemplo, cercam toda a faixa de areia. Eles querem ganhar à força, praticamente”, afirma. Victor trabalha como instrutor de kite há mais de 20 anos e recebe turistas de todo o Brasil. Ele teme que, com a privatização do espaço, a demanda diminua. “Eles querem privatizar tudo para poder fechar o espaço. A gente acaba ficando na mão. Eles queriam fazer o muro, fechar, e a pessoa teria que pagar para ter acesso aqui. Era isso que eles pretendiam, pelo que a gente sabe. Isso pode afastar muitas das pessoas que vêm ao Ceará para conhecer a Lagoa do Cauípe, como turistas do Rio Grande do Sul, de São Paulo e do Rio de Janeiro”, exemplifica Victor. O bugueiro Fabrício Rodrigues também lamenta a possível construção do muro. O jovem frequenta a lagoa desde a infância e aprendeu o ofício com o seu pai, que trabalhou com passeios de buggy na mesma região. "Fica difícil pra gente que depende do público, depende do movimento, do turismo. É complicado porque todo o pessoal que vem pra cá com dinheiro quer mandar na lagoa, quer privatizar. Meu pai era bugueiro, agora é uma profissão que passou para mim, vem de família", relembra. Testemunhas que preferiram não se identificar ainda denunciaram à equipe do g1 outra situação: nos finais de semana, o acesso à lagoa já estaria sendo cobrado por funcionários do empreendimento. O valor da "entrada" varia de R$ 30 a R$ 40 por pessoa. "É errado. O acesso à lagoa não pode ser cobrado. Inclusive, os locais daqui se revoltaram um pouco e não estão pagando. É o pessoal do empreendimento que cobra, inclusive com maquinetas (maquininhas de cartão) próprias deles. E se a gente não paga, eles ficam extorquindo", denuncia a fonte. Construção de muro levanta debate em paraíso natural do Ceará. Gabriela Feitosa/g1 CE Licença para construção de hotel-clube De acordo com o Instituto do Meio Ambiente de Caucaia (Imac), o grupo Vila Galé tem licença para a construção do hotel-clube, mas não para a obra do muro. Por essa razão, a obra está embargada há cerca de 15 dias. O grupo Vila Galé, no entanto, nega os questionamentos. Em nota, eles informaram que o muro estava sendo executado em conformidade com um "projeto que se encontra legalmente aprovado por todas as entidades municipais e ambientais". "Constatamos, no entanto, que o braço do rio que confina com a propriedade sofreu um alargamento natural desde a data da aprovação do projeto até agora e iremos reajustar o projeto alterando a localização do muro e garantindo os necessários afastamentos das margens do rio. Salientamos que o afastamento legalmente exigido é de 15 metros, mas por razões de segurança iremos deixar 30 metros", diz a empresa. Ainda segundo o empreendimento, o muro não vai impedir o acesso de pedestres, banhistas e trabalhadores à região, "que é garantido por um caminho de acesso". Também por meio de nota, o Mira Beach Club, que fica localizado dentro do espaço do Vila Galé, esclarece que não é proprietário do terreno e nem responsável pela execução das obras realizadas na área próxima à Lagoa do Cauípe. "Reiteramos nosso compromisso com a preservação e o acesso livre e irrestrito da população à Lagoa do Cauípe, um patrimônio natural de grande importância para a região, que deve permanecer acessível a todos", informa o texto. Lagoa do Cauípe fica no Cumbuco, em Caucaia. Gabriela Feitosa/g1 CE O que dizem as autoridades A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) enviou uma nota informando que recebeu, na manhã de 1º de outubro, uma denúncia sobre uma possível construção irregular em área próxima ao Lagamar do Cauípe. Ainda na tarde do mesmo dia, uma equipe de fiscalização realizou vistoria no local. Durante a ação, foi constatado o início da construção de um muro, com a execução da base do alicerce. A equipe verificou que a intervenção estava localizada em Área de Preservação Permanente (APP) e no interior da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lagamar do Cauípe. "Em razão das características e da localização da intervenção, sua realização depende de prévia regularização ambiental, incluindo a anuência do órgão gestor da unidade de conservação. No momento da fiscalização, não foi apresentada documentação que autorizasse a execução da obra na área protegida", afirmou a Semace. Diante da irregularidade constatada, o órgão lavrou Auto de Infração, com aplicação de multa no valor de R$ 40 mil, e determinou o embargo da obra, com a imediata paralisação das atividades no local. "A fiscalização foi realizada no mesmo dia do recebimento da denúncia, com adoção imediata das medidas administrativas cabíveis", acrescentou. Já o Instituto do Meio Ambiente de Caucaia (IMAC) disse, também em nota, que o empreendimento privado (Vila Galé) possui uma licença para construção, "cuja permissão está condicionada aos limites e às condições estabelecidos no documento e na legislação ambiental", por se tratar de terreno particular situado em Área de Proteção Ambiental (APA), em trecho que também abrange Área de Preservação Permanente (APP). "A licença vigente não autoriza a construção do muro mencionado. Por esta razão, há cerca de 15 dias, a obra está embargada pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), após ação de fiscalização que identificou que a obra estava em desacordo com a licença", disse a Prefeitura. O instituto ainda disse que acompanha o caso e atua no esclarecimento das intervenções autorizadas pela licença, "reforçando o compromisso da Prefeitura de Caucaia com a proteção ambiental e o cumprimento das normas aplicáveis". Construção de muro levanta debate em paraíso natural do Ceará. Gabriela Feitosa/g1 CE Nota na íntegra do empreendimento Vila Galé "Na sequência do contato estabelecido, o grupo Vila Galé informa que o muro em causa estava sendo executado em conformidade com um projeto que se encontra legalmente aprovado por todas as entidades municipais e ambientais. Constatamos, no entanto, que o braço do rio que confina com a propriedade sofreu um alargamento natural desde a data da aprovação do projeto até agora e iremos reajustar o projeto alterando a localização do muro e garantindo os necessários afastamentos das margens do rio. Salientamos que o afastamento legalmente exigido é de 15 metros, mas por razões de segurança iremos deixar 30 metros. O muro não vai impedir o acesso de pedestres, banhistas e trabalhadores à região, que é garantido por um caminho de acesso.” Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

g1.globo.com · world

Calçada de 130 km para romeiros na Dutra: veja o que se sabe sobre estudo de caminho exclusivo até Aparecida, SP

Romaria a pé para Aparecida bate recorde de peregrinos nas estradas do Vale do Paraíba O projeto para a construção de um caminho exclusivo para romeiros ao longo da Via Dutra está em fase de estudos de viabilidade. No entanto, ainda não há definição sobre o traçado, o custo ou o prazo para o início das obras, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A proposta busca aumentar a segurança dos peregrinos que caminham em direção ao Santuário Nacional de Aparecida, especialmente durante o Dia da Padroeira, em 12 de outubro. Neste ano, o Santuário recebeu 200.295 devotos no feriado, recorde histórico para a Festa da Padroeira. O número foi 32% maior que o registrado no mesmo dia em 2025. O movimento de peregrinos a pé também bateu recorde. Segundo a concessionária RioSP, 52 mil romeiros passaram pela praça de pedágio de Moreira César, em Pindamonhangaba (SP), entre 1º e 12 de outubro, alta de 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Durante a festa, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a revisão da concessão da Dutra incluiu uma calçada de cerca de 134 quilômetros, entre Guarulhos, Arujá e Aparecida, além de uma ciclovia. Em resposta ao g1, a ANTT informou que o projeto ainda está em fase de Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). A extensão considerada no estudo não significa que todo o trecho receberá uma estrutura exclusiva para pedestres ou ciclistas. Pessoas em peregrinação ao Santuário de Aparecida, em 2026. Jornal Nacional/ Reprodução O que Alckmin disse? Durante visita a Aparecida, em 12 de outubro, Alckmin afirmou que a proposta prevê uma passagem para romeiros que hoje caminham próximos às rodovias. “Então, nós teremos a ciclovia e teremos a calçada para as pessoas não andarem no acostamento da rodovia Dutra ou da Ayrton Senna, que é muito perigoso”, afirmou. O vice-presidente também mencionou duas faixas adicionais na Dutra, entre São José dos Campos e Aparecida, para reduzir congestionamentos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O vice-presidente Geraldo Alckmin e outros políticos na Basílica de Aparecida neste ano. Marcelo Sarlo/g1/Arquivo Como está o estudo e qual será o trajeto? A ANTT autorizou a concessionária Motiva RioSP a elaborar o EVTEA por meio da Deliberação nº 416, de 31 de outubro de 2025. O estudo considera o trecho da BR-116 entre os quilômetros 70 e 204. Em julho e agosto de 2026, foram realizadas reuniões participativas em Aparecida e Guarulhos. O prazo para envio de contribuições terminou em 4 de setembro. A concessionária informou que solicitou à ANTT as orientações técnicas elaboradas a partir das manifestações recebidas e prevê apresentar o estudo em até 45 dias após recebê-las. O traçado definitivo, os municípios contemplados e a extensão das intervenções ainda não foram definidos. Também não há confirmação sobre a inclusão de uma ciclovia. Quanto vai custar e quando a obra começa? Ainda não há estimativa de investimento aprovada, definição sobre quem custeará a obra ou previsão para o início e a conclusão dos trabalhos. Segundo a ANTT, a possibilidade de inclusão de novos investimentos será analisada durante a revisão quinquenal do contrato de concessão da Dutra. O contrato atual prevê ações operacionais relacionadas ao Caminho dos Romeiros, mas não contempla uma estrutura contínua e segregada para pedestres ao longo de todo o percurso. Qualquer alteração dependerá de estudos, avaliação técnica, aprovação dos órgãos competentes e formalização contratual. Romaria 2026 rumo a Aparecida. Reprodução/Rede Vanguarda O que diz a concessionária? Em nota, a Motiva RioSP afirmou que apoia iniciativas para aumentar a segurança dos romeiros e participa de discussões com órgãos públicos sobre o tema. Enquanto o projeto é avaliado, a empresa destacou ações como o Romaria Segura 2026 e a divulgação da Rota da Luz, caminho alternativo de peregrinação que busca reduzir a exposição dos caminhantes ao tráfego intenso da rodovia. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

g1.globo.com · world

Coreia do Norte x Coreia do Sul: países rivais avançam na corrida por mísseis hipersônicos

O líder norte-coreano Kim Jong Un e sua filha, Kim Ju Ae, participam da cerimônia de inauguração do "Museu da Revolução da Defesa Nacional", na Coreia do Norte, em 11 de outubro de 2026. KCNA via Reuters A Coreia do Norte anunciou que testou dois tipos de mísseis de cruzeiro lançados de submarinos em sua costa leste nesta semana. Um dia antes, a agência de notícias estatal KCNA informou que o líder Kim Jong Un visitou um novo museu com itens militares, incluindo um míssil balístico intercontinental supostamente capaz de atingir alvos em territórios dos Estados Unidos. A visita ocorreu cinco dias depois de o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, acompanhar o lançamento de teste do primeiro míssil hipersônico desenvolvido integralmente pelo país. Tanto a Coreia do Norte quanto a Coreia do Sul estão em uma corrida para desenvolver tecnologia hipersônica porque ela representa um salto em capacidade ofensiva, em um momento de agravamento das tensões na região do Indo-Pacífico. Mísseis hipersônicos são armas capazes de viajar a pelo menos cinco vezes a velocidade do som (Mach 5), ou mais de 6.100 quilômetros por hora. Essa velocidade torna muito mais difícil para as forças de defesa identificar, rastrear e destruir mísseis em aproximação, que podem transportar ogivas convencionais ou nucleares. Outra vantagem em relação às gerações anteriores de mísseis é a capacidade de mudar subitamente de trajetória, mergulhar ou ziguezaguear durante o voo, dificultando significativamente a interceptação. "Há muitos anos existe uma corrida armamentista na península coreana, e as armas hipersônicas são apenas a manifestação mais recente disso", afirmou Chris Green, assessor sênior para a península coreana do International Crisis Group. As armas hipersônicas se tornaram uma "prioridade para o Sul" à medida que o Norte ampliou suas capacidades e fortaleceu laços militares e econômicos com a Rússia, acrescentou Green. "E a Coreia do Norte tem armas nucleares, mas não seria viável usá-las, porque a ameaça sempre foi que, ao fazê-lo, os EUA transformariam o país em vidro. Para o Norte, não é surpreendente que a geopolítica da região os tenha incentivado a buscar armas convencionais avançadas na tentativa de alcançar predominância na península", afirma. Subestimar a Coreia do Norte? Coreia do Norte testa motor para míssil capaz de atingir território continental dos EUA Embora seja impossível confirmar com certeza que as armas que a Coreia do Norte afirma ter desenvolvido possuem as capacidades reivindicadas pelo governo, Green disse que seria um erro subestimar Pyongyang. "Não conhecemos suas capacidades e é possível que tudo isso seja propaganda, mas há uma longa lista de ocasiões em que as capacidades do Norte foram subestimadas apenas para se descobrir depois que eles realmente conseguem fazer o que dizem", afirmou Green. Chun In-bum, general aposentado do Exército sul-coreano e atualmente pesquisador sênior do National Institute for Deterrence Studies (Instituto Nacional de Estudos sobre Dissuasão), compartilha dessa avaliação. "Ninguém sabe ao certo se eles estão dizendo a verdade sobre isso, mas qualquer planejador militar prudente deve sempre assumir o pior cenário", afirma o general. O domínio da tecnologia necessária para operar mísseis hipersônicos parece ter ocorrido de forma repentina para a Coreia do Norte, embora continue incerto como o país adquiriu essa capacidade. "Eles provavelmente obtiveram a tecnologia por meios ilegais", disse Chun. "Espionam empresas nos EUA, na Coreia do Sul e no Japão em busca desse tipo de informação, mas também fazem isso com seus 'amigos'." Independentemente da origem dos dados, o fato de os mísseis hipersônicos norte-coreanos aparentemente terem funcionado como esperado deve ser motivo de grande preocupação. "Uma maior capacidade ofensiva aumenta o perigo geral representado pelo Norte e, se eles possuem armas mais difíceis de serem abatidas, é possível que haja uma tentação maior de usá-las. Estou especulando, é claro", acrescentou Chun, "mas tenho certeza de que estamos procurando maneiras de neutralizar essa ameaça específica. Pelo que entendo, porém, não há uma boa resposta neste momento." Não muda o jogo Green afirmou que sistemas viáveis desenvolvidos por ambos os lados podem acabar anulando um ao outro como vantagem significativa no campo de batalha. "Não acho que isso altere o equilíbrio de poder", afirmou. "O Norte continua com sua dissuasão nuclear e com essa 'estratégia do porco-espinho', de ser afiado e espinhoso para manter os demais à distância", acrescentou. "No entanto, está claro que, se o Norte continuar desenvolvendo seus sistemas ofensivos e conseguir implantá-los em grande escala será necessário discutir uma ampliação das defesas antimísseis, não apenas no Sul, mas também no Japão. E isso levantará algumas questões muito difíceis", conclui Green.

g1.globo.com · world

Dois condenados por estupro coletivo em Copacabana respondem a processos e investigação por outros casos

Vitor Hugo e Mattheus Reprodução Dois dos quatro condenados a 15 anos de prisão pelo estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em janeiro de 2026 em Copacabana, na Zona Sul do Rio, respondem a processos por diferentes casos ocorridos nos últimos três anos. Vitor Hugo de Oliveira Simonin responde a um processo no Tribunal de Justiça do Rio por uma acusação de estupro e é investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher da Zona Sul pelo mesmo crime. Nos dois casos, as vítimas eram menores de idade. Mattheus Veríssimo Zoel Martins responde por um caso semelhante pelo qual foi condenado: ele é acusado de, juntamente com outro adolescente e um adulto, ter estuprado uma menina de 14 anos. Justiça condena quatro homens a 15 anos por estupro coletivo de adolescente em Copacabana Um dos participantes deste caso, ocorrido em 2023, é do mesmo menor de idade envolvido no caso de estupro coletivo ocorrido em Copacabana. Em abril, após decisão da Justiça, o menor foi internado compulsoriamente no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) pelo estupro coletivo em Copacabana. Caso em 2023 Mattheus Verissimo Zoel Martins na chegada à delegacia de Copacabana Reprodução Matheus responde por ato análogo a estupro, já que era menor de idade na época do caso. A adolescente de 14 anos relatou que foi convidada a ir até a casa de Mattheus, na Zona Norte do Rio. Segundo o depoimento, ao menos dois suspeitos teriam participado da violência sexual e gravado imagens do crime e divulgado. Suspeitos de estupro coletivo no Rio são acusados por outra menor pelo mesmo crime Gabriel de Oliveira Palmieri, de 24 anos, se entregou à polícia após ser indiciado pelo crime pela delegacia de Copacabana em junho deste ano. O processo contra ele tramita na 1ª Vara Especializada em Crianças e Adolescentes (Veca). O processo contra Mattheus e outro menor de idade tramita na Vara da Infância e Juventude. O g1 procurou a defesa de Mattheus Veríssimo, que respondeu que não vai se manifestar. O g1 não conseguiu contato com a defesa de Gabriel de Oliveira Palmieri. Duas acusações contra Vitor Hugo Simonin Vitor Hugo Simonin, na 12ª DP Reprodução Vitor Hugo Simonin foi indiciado pela 12ª DP (Copacabana) em agosto por estupro de uma adolescente. O caso teria ocorrido durante uma festa no Humaitá, Zona Sul do Rio, em 2025. Uma menor de idade, que estava alcoolizada, disse que Simonin a forçou a fazer sexo oral, apesar de ela ter dito repetidamente que não queria. A delegacia ouviu testemunhas, que relataram que Vitor Hugo tentou tocar a vítima em diversos momentos durante a festa sem sua permissão, e que ela relatou chorando o que havia acontecido. A adolescente reconheceu formalmente Vitor Hugo. Advogado Ângelo Máximo, que representa Vítor Hugo Simonin, diz que ele nega ter participado de estupro Em julho deste ano, a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) da Zona Sul instaurou outra investigação contra Simonin após receber informações do Ministério Público do Rio sobre o possível estupro de uma adolescente de 17 anos, durante o pré-carnaval de 2026. Em nota, a Polícia Civil afirmou que o caso segue sendo investigado e que a vítima será ouvida novamente na delegacia. O g1 procurou a defesa de Vitor Hugo Simonin, que não respondeu até a publicação desta reportagem.

g1.globo.com · world

O que aconteceu com o experimento de Bukele para transformar El Salvador no 'país do bitcoin'

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, prometeu que a adoção do bitcoin traria 'prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira' a El Salvador AFP via Getty Images "Em El Salvador, estamos começando a criar um país para o futuro, preservando o que nos torna únicos e buscando inspiração nas melhores ideias que já surgiram no mundo ao longo da história. E acredito que o bitcoin possa ser uma delas." Foi o que disse o presidente Nayib Bukele em uma mensagem gravada e exibida durante a conferência Bitcoin 2021, realizada em março daquele ano, em Miami, na Flórida, nos Estados Unidos, diante de um público entusiasmado com a criptomoeda Bitcoin. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Na ocasião, Bukele anunciou que enviaria à Assembleia Legislativa um projeto de lei para fazer de El Salvador o primeiro país do mundo a adotar o bitcoin. O anúncio foi recebido com uma salva de palmas pelo público, que via um antigo ideal prestes a se concretizar — e em setembro daquele ano, o país adotou o Bitcoin como moeda de curso legal no país (ao lado do dólar americano). Agora no g1 Cinco anos depois, o dólar voltou a ser a única moeda oficial de El Salvador, a aceitação do bitcoin passou a ser facultativa e a promessa de construir uma cidade futurista, abastecida pela energia geotérmica de um vulcão e dedicada à mineração da criptomoeda, nunca saiu do papel. Afinal, o que restou do "país do bitcoin", como Bukele batizou El Salvador? O que foi cumprido do que se prometeu? E quem se beneficiou? Bitcoin e promessas O que restou do projeto de transformar El Salvador no "país do bitcoin" cinco anos depois? Getty Images via BBC O bitcoin é basicamente um arquivo digital que existe online e funciona como uma moeda alternativa. Nisso, ele se diferencia muito de moedas convencionais, como o dólar americano. Ele não é impresso por governos ou bancos tradicionais, mas criado por um processo computacional complexo conhecido como "mining" (mineração). 🔍 Todas as moedas e todas as transações feitas com elas ficam registradas na rede de internet – em um espaço conhecido como "blockchain", uma espécie de banco de dados descentralizado que usa criptografia para registrar as transações. Dessa forma, as transações não podem ser rastreadas. E o bitcoin não tem um "valor inerente": seu preço é determinado pelo quanto as pessoas estão dispostas a pagar por ela. A iniciativa de adotar o bitcoin em El Salvador começou em junho de 2021, quando a Assembleia Legislativa, controlada pelo partido do presidente, Novas Ideias, aprovou a lei que tornou a criptomoeda uma moeda oficial do país, ao lado do dólar — que já era a moeda oficial do país havia duas décadas. A promessa era de que a medida traria "prosperidade, liberdade econômica e inclusão financeira". O governo afirmava que o bitcoin reduziria os custos do envio de dinheiro por salvadorenhos que vivem no exterior, uma fonte de recursos que representa quase um quarto do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país). Em 2025, chegaram a 26,3% do PIB, segundo dados do Banco Central de Reserva de El Salvador. A adoção da criptomoeda também facilitaria o acesso de trabalhadores informais sem conta bancária ao sistema financeiro e atrairia investimentos estrangeiros. Para viabilizar a iniciativa, o governo criou um fundo de US$ 150 milhões (R$ 748 milhões) e ofereceu US$ 30 (R$ 150) a cada cidadão que instalasse a carteira digital Chivo no celular. Também destinou outros US$ 50 milhões (R$ 249 milhões) à instalação de caixas eletrônicos e aos demais custos necessários para colocar o sistema em funcionamento. O governo de El Salvador destinou US$ 50 milhões (R$ 249 milhões) à instalação de caixas eletrônicos para bitcoin e a outros custos de implementação do projeto AFP via Getty Images Nove meses depois, uma das primeiras pesquisas sobre a medida já mostrava o ceticismo dos salvadorenhos em relação ao bitcoin. Entre os entrevistados pelo Instituto Universitário de Opinião Pública (Iudop), da Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas (UCA), 71% afirmaram que a adoção da criptomoeda não havia trazido "nenhum benefício para a economia familiar". O resultado reforçava as conclusões do Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas (NBER, na sigla em inglês), uma organização americana privada sem fins lucrativos. Em um relatório publicado em abril de 2022, a entidade constatou que a maioria das pessoas que instalaram a carteira digital Chivo deixou de usá-la depois de gastar o "bônus" oferecido pelo governo. Bukele, por sua vez, continuou comprando bitcoin com dinheiro público, apesar dos alertas de especialistas sobre os riscos para as finanças do país. A preocupação era com a forte oscilação do preço da criptomoeda, que perdeu mais de 60% de seu valor em 2022. "Às vezes, faço isso até quando estou no banheiro", escreveu Bukele em resposta às críticas na rede social então chamada Twitter (atual X). Em janeiro de 2023, a Assembleia Legislativa deu mais um passo no plano de Bukele ao aprovar a inédita e controversa Lei de Emissão de Ativos Digitais, destinada a atrair investimentos estrangeiros. Para convencer grandes investidores a apostar no projeto de adoção do bitcoin em El Salvador e conceder empréstimos de alto risco ao país, o governo anunciou no Twitter que a nova legislação abria caminho para a emissão dos chamados "títulos vulcão", que, segundo as autoridades, começariam a ser oferecidos em breve. Era, talvez, a etapa mais ambiciosa do projeto. A proposta previa que El Salvador contraísse dívidas em bitcoin por meio da emissão de títulos no mercado internacional, como fazem os governos para captar recursos, mas, nesse caso, com lastro na criptomoeda. Metade do dinheiro arrecadado seria usada para comprar mais bitcoin. A outra metade financiaria o início da construção da Bitcoin City (Cidade do Bitcoin, em tradução livre), uma cidade planejada aos pés do vulcão Conchagua, em El Salvador. Imagem da maquete da 'Bitcoin City' divulgada por Bukele na rede social X Nayib Bukele via Twitter Para completar o projeto, a cidade futurista usaria a energia geotérmica do vulcão para abastecer os potentes sistemas de computadores responsáveis pela criação de novos bitcoins, processo conhecido como mineração. "O plano é simples: enquanto o mundo mergulha na tirania, vamos criar um refúgio de liberdade", afirmou Bukele, em um discurso semelhante ao dos defensores mais fervorosos das criptomoedas. Esse movimento tem forte presença nos EUA, onde o mercado de criptomoedas ganhou contornos ideológicos, impulsionado por republicanos radicais e anarcocapitalistas. Esses grupos defendem o bitcoin como uma forma de reduzir o poder dos bancos centrais e a intervenção do Estado na economia. Também alimentam a expectativa de que qualquer pessoa possa enriquecer caso o preço da criptomoeda atinja valores exorbitantes. Mas, afinal, o que saiu do papel entre as tantas promessas feitas para transformar El Salvador no "país do bitcoin"? Baixa adesão "Se considerarmos os motivos apresentados por Bukele para adotar o bitcoin, não há dúvida de que o projeto fracassou", afirmou o economista Carlos Acevedo, ex-presidente do Banco Central de Reserva de El Salvador, em entrevista à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC. "É evidente que o governo esperava que, a esta altura, toda a população estivesse usando bitcoin. A aprovação da lei, a criação do fundo fiduciário, toda a estrutura foi pensada para isso, embora pesquisas anteriores já mostrassem que a população desconfiava muito dessa experiência", explicou Acevedo. "E, nesse sentido, de fato, não deu certo." Em 2022, quando o entusiasmo com a iniciativa estava no auge, uma pesquisa da CID-Gallup constatou que apenas 1 em cada 5 empresas aceitava bitcoin e que somente 5% dos pagamentos de impostos eram feitos com a criptomoeda. Dois anos depois, em 2024, a BBC News Mundo constatou, durante uma visita ao país, que o uso do bitcoin era raro e se concentrava principalmente na região conhecida como Bitcoin Beach (Praia do Bitcoin, em tradução livre), nos arredores da praia de El Zonte. O bitcoin "não teve a adesão que esperávamos", admitiu o próprio Bukele em entrevista à revista Time, publicada em agosto daquele ano. Uma pesquisa divulgada em janeiro de 2025 pelo Iudop confirmou a baixa adesão: 91,8% dos salvadorenhos disseram não ter usado a criptomoeda no ano anterior. Desse grupo, 76,2% afirmaram nunca ter utilizado bitcoin. Embora El Salvador tenha registrado um avanço importante no acesso a serviços bancários no ano passado, apenas quatro em cada dez salvadorenhos com mais de 15 anos têm conta bancária, segundo a pesquisa Global Findex 2025, do Banco Mundial. Remessas e títulos de dívida A adoção do bitcoin também teve pouco impacto sobre as remessas enviadas por salvadorenhos que vivem no exterior. Segundo os dados oficiais mais recentes do Banco Central de Reserva de El Salvador, o valor enviado por meio de carteiras digitais de criptomoedas entre janeiro e abril de 2026 cresceu 44,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a US$ 23,1 milhões. Ainda assim, representou apenas 0,7% dos US$ 3,286 bilhões enviados ao país nesse período. A maior parte do dinheiro enviado por salvadorenhos que vivem no exterior, essencial para o sustento de milhares de famílias no país, continua chegando pelos meios tradicionais. "O problema é que a proposta partiu de um diagnóstico equivocado", afirmou Frank Muci, pesquisador da Escola de Políticas Públicas da London School of Economics and Political Science (LSE, no Reino Unido), em entrevista à BBC News Mundo. "O que torna as remessas caras, com taxas elevadas, é, em parte, o fato de que o dinheiro é enviado em espécie nos EUA e os destinatários também querem recebê-lo em espécie", explicou o especialista, que já escreveu diversos trabalhos sobre a adoção do bitcoin em El Salvador. Uma pesquisa da CID-Gallup já havia constatado, em 2022, que apenas uma em cada cinco empresas aceitava bitcoin NurPhoto via Getty Images Muci define o projeto como um grande nothing burger, expressão em inglês usada para descrever algo sem importância ou impacto significativo. Sobre a suposta contribuição do bitcoin para atrair turistas ao país, como afirmam os defensores da criptomoeda, Muci considera que o efeito não é "significativo do ponto de vista macroeconômico". "Se você me perguntar o que Bukele fez que realmente está transformando o turismo, eu diria que foi a política de segurança", afirma Muci. Com sua "guerra contra as gangues", o governo Bukele conseguiu reduzir drasticamente a taxa de homicídios, ao mesmo tempo que transformou El Salvador em um dos países com as maiores taxas de encarceramento do mundo. A queda acentuada da violência contribuiu para a reeleição de Bukele, em fevereiro de 2024, com uma vitória esmagadora: o presidente recebeu cerca de 90% dos votos. Ao contrário da política de segurança, a adoção do bitcoin foi "uma medida que rendeu centenas de manchetes, se não milhares, mas que, no fundo, não teve resultado algum", prossegue Muci. "Além de gerar gastos com sua implementação e assustar os mercados, que durante algum tempo penalizaram duramente El Salvador." "Embora o investimento não tenha dado o retorno esperado pelo governo, sua rentabilidade também não ficou muito distante da que poderia ter sido obtida no mercado se o dinheiro tivesse sido aplicado em outro ativo", afirma o economista Carlos Acevedo Bloomberg via Getty Images "Pelo menos é importante destacar que não houve perda de dinheiro", ressalta Acevedo, do Banco Central de Reserva, referindo-se aos bitcoins comprados pelo governo nos últimos anos. "Embora o investimento não tenha dado o retorno esperado pelo governo, sua rentabilidade também não ficou muito distante da que poderia ter sido obtida no mercado se o dinheiro tivesse sido aplicado em outro ativo." Até a última quinta-feira (8/10), El Salvador acumulava 7.798,37 bitcoins, avaliados em US$ 636 milhões (R$ 3,17 bilhões), valor que oscila conforme a cotação da criptomoeda, segundo o Escritório Nacional do Bitcoin, que divulga as transações em tempo real em seu site. Mas os chamados "títulos vulcão" ainda não foram emitidos, e a construção da Bitcoin City também não avançou. Samson Mow, diretor-executivo da JAN3, empresa de infraestrutura para bitcoin que ajudou a idealizar os "títulos vulcão", lamenta que os planos não tenham saído do papel. "O lado positivo é que o governo manteve a legislação sobre ativos digitais. Com isso, criamos um setor regulamentado, próspero e sólido, que está crescendo muito rapidamente", afirmou Mow à BBC News Mundo. Embora reconheça que não conversa com Bukele há muito tempo, Mow acredita que o presidente "ainda confia no bitcoin". "Mas ele precisa conciliar essa convicção com as exigências de governar um país e com as pressões e condições impostas por uma instituição como o Fundo Monetário Internacional (FMI) para liberar uma grande quantidade de recursos para El Salvador", ressalta. A pressão do FMI Em meio às dificuldades econômicas enfrentadas por El Salvador, o governo fechou, em dezembro de 2024, um acordo de financiamento de US$ 1,4 bilhão (R$ 6,98 bilhões) com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sob a condição de "reduzir os riscos associados ao bitcoin". No mês seguinte, sem grande divulgação por parte do governo, a Assembleia Legislativa aprovou mudanças na Lei do Bitcoin. Com a alteração de seis artigos e a revogação de outros três, a criptomoeda deixou de ter curso legal. Seu uso ficou restrito a transações entre cidadãos e empresas privadas, e a aceitação, antes obrigatória, passou a ser voluntária. Em setembro, o governo deu mais um passo para abandonar o plano original de transformar El Salvador no "país do bitcoin". Durante a terceira avaliação do cumprimento das condições do empréstimo, cujo pagamento seria feito em parcelas, o governo transferiu "a participação majoritária e o controle" da carteira digital estatal Chivo para uma "empresa privada". "A única coisa transferida foram as ações da Chivo, algo que já havia sido oferecido um ano e meio atrás, e não a reserva estratégica de bitcoin", escreveu Bukele na rede social X, depois que vários veículos de comunicação noticiaram a transferência. "Aproveitem para ler como El Salvador conseguiu um superávit fiscal primário e superou todas as expectativas de crescimento econômico graças à segurança e à confiança dos investidores, além de ter alcançado uma redução significativa da pobreza, favorecida por melhorias na eficiência dos serviços públicos", acrescentou. Somente na última quinta-feira foi divulgado que a empresa responsável pela operação é a Linguard Labs. Ainda não se sabe, porém, qual participação foi adquirida nem o valor da transação. O Estado salvadorenho continuará como acionista e sócio da empresa. A parceria "público-privada" prevê o relançamento da carteira digital com novos serviços, entre eles transferências gratuitas de dinheiro dos EUA para determinados usuários, acesso a microcrédito, adiantamentos em dinheiro e pagamentos com diferentes ativos digitais. O controle acionário da carteira digital Chivo passou para uma empresa privada, mas o governo de El Salvador continua como acionista e sócio Bloomberg via Getty Images O FMI também mencionou as compras de bitcoin feitas pelo governo salvadorenho no relatório em que autorizou a liberação de mais US$ 138 milhões (R$ 688 milhões) ao país. O governo continuou comprando a criptomoeda mesmo depois de assinar o acordo de financiamento, embora a suspensão dessas aquisições fosse uma das condições expressas do empréstimo. As operações constavam no site oficial do Escritório Nacional do Bitcoin, que divulga dados sobre as compras, as vendas e as reservas da criptomoeda. Em comunicado, no entanto, o FMI afirmou que os bitcoins mais recentes haviam sido adquiridos por meio de "doações privadas, sem uso de recursos públicos", e que o governo salvadorenho havia se comprometido a não fazer novos investimentos. "Não está prevista a aquisição de mais bitcoins além daqueles provenientes das doações documentadas", concluiu o FMI. Mas quem fez essas doações? E qual foi o valor doado? Essas perguntas se somam às dúvidas que cercam o projeto desde o início. Até hoje, não está claro de onde vêm os recursos nem quem fiscaliza sua utilização. A BBC News Mundo enviou essas perguntas à Presidência de El Salvador, mas não obteve resposta. Também procurou o FMI, que informou não ter nada a acrescentar ao comunicado. O que restou da experiência? Embora reconheçam que o acordo com o FMI pôs fim às partes mais ambiciosas do projeto, tanto defensores quanto alguns críticos destacam sua importância simbólica. "Foi importante para a ideia do 'país do bitcoin', de um mundo em que o bitcoin teria substituído o dinheiro tradicional emitido pelos governos", afirma Muci, da LSE. Antes de 2021, a possibilidade de um governo adotar o bitcoin não passava de uma hipótese. El Salvador, sob o comando de Bukele, transformou essa ideia em realidade, ainda que apenas por algum tempo, destaca Mow, da JAN3. "Para o bitcoin, serviu para validar a ideia. Já El Salvador ganhou visibilidade mundial", acrescenta. Mow admite que esperava que outros países seguissem rapidamente o exemplo salvadorenho, mas afirma que a experiência mostrou que isso é "mais difícil do que parece". "Mesmo quando um governo concentra muito poder, não consegue obrigar a população a adotar uma moeda", diz Mow, ao comentar as lições deixadas por El Salvador. "Mesmo quando um governo concentra muito poder, não consegue obrigar a população a adotar uma moeda", diz Mow AFP via Getty Images "É preciso combinar medidas do governo que criem condições para o livre funcionamento dos mercados e eliminem as barreiras que dificultam a adoção dessa tecnologia com outras iniciativas voltadas à educação", avalia. "De qualquer forma, não acredito que o bitcoin precise de uma lei que obrigue as pessoas a usá-lo. Estou convencido de que é a melhor forma de dinheiro que a humanidade já conheceu e de que sua adoção acontecerá naturalmente", conclui Mow.

g1.globo.com · world

Baiana que enfrentou câncer de mama transformou experiência em tratamento para saúde íntima de mulheres

Baiana pesquisa tratamento com LED para saúde íntima de mulheres com câncer de mama Enfrentar um câncer de mama fez a fisioterapeuta e pesquisadora baiana Patrícia Lordêlo, de 49 anos, direcionar seus estudos para um problema ainda pouco discutido entre mulheres que passam pelo tratamento oncológico: os impactos da quimioterapia na saúde íntima. Após sentir dores intensas e lesões na região genital durante o próprio tratamento, ela decidiu ampliar uma pesquisa com LED azul para investigar formas de aliviar os sintomas. A tecnologia já era estudada pela cientista antes do diagnóstico, recebido em outubro de 2024, quando tinha 47 anos. No entanto, foi durante a quimioterapia que Patrícia percebeu que as alterações genitais não surgiam apenas após o tratamento, como vinha sendo investigado por sua equipe, mas também durante a administração dos medicamentos. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia A partir dessa experiência, a pesquisadora desenvolveu uma nova versão do equipamento, voltada ao uso domiciliar. Fisioterapeuta baiana que teve câncer de mama pesquisa tratamento com LED para saúde íntima de mulheres Rafaela Paixão/g1 O projeto recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em agosto de 2026, e pretende comparar os resultados da aplicação em casa com os do tratamento realizado em ambulatório. Em entrevista ao g1, Patrícia contou que a pesquisa nasceu de uma dificuldade que enfrentou durante a doença: sair de casa para receber atendimento nos dias seguintes às sessões de quimioterapia. “A maior dificuldade para mim era sair para fazer o tratamento. Eu sentia dores, era muito desconfortável. O pós-quimio é bem difícil. Nos primeiros cinco dias é o momento em que a gente se debilita mais". A trajetória pessoal e científica também se transformou no livro “Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução”, que será lançado neste domingo (18), durante o Outubro Rosa, no Gabinete Português de Leitura de Salvador. A autobiografia tem prefácio da atriz Regina Casé, que se aproximou da pesquisadora durante o tratamento contra o câncer e participará do lançamento. Patrícia conta que Regina teve um papel importante em sua recuperação emocional, especialmente por ajudá-la a retomar a identidade profissional durante um período em que a doença ocupava grande parte de sua rotina. “Ela me ajudou a voltar a me enxergar nesse lugar de profissional, porque eu estava num lugar muito de paciente". Toda a renda destinada aos direitos comerciais da publicação será revertida para o Instituto Patrícia Lordêlo (IPL), que atende cerca de três mil pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O lançamento acontece durante o Outubro Rosa — campanha internacional de conscientização sobre o câncer de mama — e busca ampliar a discussão sobre um aspecto que, segundo a pesquisadora, ainda precisa ganhar espaço: a qualidade de vida das mulheres durante e depois do tratamento. Pesquisa busca aliviar efeitos da quimioterapia na saúde íntima Desde 2019, Patrícia e sua equipe estudam o uso do LED azul intravaginal como alternativa não hormonal para o tratamento de disfunções pélvicas. Entre os problemas investigados estão o ressecamento vaginal, a dor durante as relações sexuais e a estenose vaginal, caracterizada pelo estreitamento do canal vaginal. O equipamento foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa, patenteado e teve sua tecnologia transferida para a indústria. A versão original, destinada ao uso ambulatorial, já é comercializada e utilizada em atendimentos especializados. Antes de descobrir o câncer, Patrícia participava de um ensaio clínico randomizado com mulheres que haviam concluído o tratamento contra a doença. O estudo investigava os efeitos da fotobiomodulação sobre alterações genitais associadas, entre outros fatores, ao uso de medicamentos que bloqueiam a ação dos hormônios. Segundo a fisioterapeuta, a redução hormonal pode provocar sintomas semelhantes aos da menopausa, afetando a lubrificação, a elasticidade e o conforto vaginal. Segundo Patrícia, a experiência como paciente, entretanto, revelou outra dimensão do problema. “Quando eu tive o câncer, começo a perceber que a quimioterapia leva a [outros] problemas durante a quimioterapia. Então, não é só após, com a falência hormonal que a gente tem pelos ovários". Patrícia relata que sofreu lesões e ardência intensa na região genital durante o tratamento. Em alguns momentos, o desconforto era tão grande que o simples contato da urina com a pele sensibilizada provocava dor. "Eu sentia a região totalmente ferida em alguns momentos. Era muito doloroso", lembrou. Inovação no tratamento Como já tinha acesso ao equipamento desenvolvido por sua equipe, a pesquisadora passou a utilizá-lo durante o próprio tratamento. No entanto, o dispositivo exigia aplicação em ambulatório, o que se tornou um obstáculo nos períodos em que estava mais debilitada. Foi a partir dessa dificuldade que surgiu a proposta de desenvolver uma versão que pudesse ser utilizada pelas pacientes em casa, sem a necessidade de deslocamentos frequentes. A pesquisadora ressalta que a experiência pessoal não equivale à comprovação científica da eficácia do equipamento durante a quimioterapia. Por isso, decidiu estruturar uma nova investigação clínica. "Como desenvolvi esse equipamento, disse: 'Agora eu preciso testar clinicamente em mulheres utilizando o uso domiciliar e o uso ambulatorial em mulheres que estejam em tratamento'", afirmou Patrícia Lordêlo. Como funciona o LED azul intravaginal O dispositivo utiliza uma técnica chamada fotobiomodulação, que consiste na aplicação de luz para produzir determinados efeitos biológicos nos tecidos. Segundo Patrícia, o equipamento desenvolvido pela equipe tem um formato semelhante ao de um guarda-chuva. Uma parte arredondada permanece na região genital externa, enquanto uma estrutura alongada é introduzida no canal vaginal. "Imagine um guarda-chuva, sendo que a parte redonda fica na parte externa e o cabo vai ser colocado no canal vaginal", detalhou. A proposta é que a luz atue tanto na mucosa vaginal quanto nos tecidos externos da região genital. De acordo com a pesquisadora, a fotobiomodulação é investigada por seus possíveis efeitos na regeneração dos tecidos, na circulação sanguínea e na vascularização. "O LED tem efeitos no tecido que são regenerativos, de melhora da circulação, melhora da vascularização. Ele modifica esse tecido através dessa fotobiomodulação", disse. O desenvolvimento de alternativas não hormonais é especialmente relevante para mulheres que enfrentaram determinados tipos de câncer de mama, uma vez que algumas pacientes utilizam medicamentos para bloquear a ação hormonal e podem ter restrições a tratamentos com estrogênio. Apesar dos resultados promissores relatados pela equipe, a eficácia e a segurança da tecnologia dependem da indicação clínica e do protocolo utilizado. O uso durante a quimioterapia e a aplicação domiciliar ainda precisam ser avaliados em estudos específicos. A investigação mais recente pretende comparar duas formas de aplicação da tecnologia: o tratamento ambulatorial, realizado por profissionais de saúde, e o uso domiciliar, com um equipamento desenvolvido para essa finalidade. A proposta é avaliar os resultados e a segurança da aplicação em mulheres que estejam em tratamento oncológico. Patrícia explicou que a pesquisa recebeu apoio do CNPq em agosto de 2026, por meio da renovação de sua bolsa de produtividade científica. O reconhecimento, segundo ela, está relacionado à trajetória acadêmica e ao desenvolvimento de estudos na área da saúde feminina. Entretanto, o novo projeto ainda precisa cumprir etapas antes do início dos testes com as participantes, incluindo a avaliação do comitê de ética em pesquisa. "Nós recebemos a aprovação da bolsa em agosto de 2026. A gente acaba tendo um intervalo para iniciar porque tem que aprovar o comitê de ética, tem todo um caminho antes de começar", pontuou. Segundo ela, os resultados obtidos com o equipamento ambulatorial foram animadores, especialmente em relação à lubrificação vaginal, ao conforto e à função sexual das participantes. "Ambulatorialmente falando, nós temos resultados extremamente animadores. Melhora essa função sexual, melhora a lubrificação, essas mulheres se sentem mais acolhidas e com uma região muito mais favorável a ter a relação sexual". Em 2022, o grupo liderado por Patrícia recebeu, em Viena, na Áustria, o prêmio de melhor tratamento conservador no ICS Annual Meeting, congresso da Sociedade Internacional de Continência. O reconhecimento foi concedido a um estudo sobre o uso de LED no tratamento da Síndrome Geniturinária da Menopausa em mulheres que sobreviveram ao câncer de mama. A condição reúne alterações genitais, urinárias e sexuais relacionadas à redução dos níveis hormonais, como ressecamento vaginal, irritação, dor durante as relações e desconforto urinário. O equipamento ambulatorial desenvolvido pela equipe da fisioterapia já é utilizado em atendimentos realizados pelo Instituto Patrícia Lordêlo (IPL), em Salvador. Segundo a fisioterapeuta, a instituição é uma associação sem fins lucrativos que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e recebe aproximadamente 3 mil a 3,5 mil pacientes por mês. Mulheres que apresentam disfunções pélvicas após o tratamento do câncer de mama já podem ter acesso à técnica por meio dos serviços oferecidos pelo instituto, conforme avaliação e indicação profissional. Diagnóstico de câncer de mama Patrícia estuda o uso do LED azul intravaginal como alternativa não hormonal para o tratamento de disfunções pélvicas Divulgação A trajetória que levou Patrícia a ampliar as pesquisas começou em outubro de 2024, quando ela tinha 47 anos. Antes mesmo de identificar qualquer alteração na mama, a fisioterapeuta conta que "sentiu" que estava com câncer. “Eu acordei e olhei para minha mãe e disse: 'Olha, eu estou com câncer’". No dia seguinte, ela procurou atendimento médico e iniciou uma investigação. A mamografia apresentou classificação BI-RADS 2, associada a achados benignos, e uma ultrassonografia indicou a possibilidade de realização de outro exame, mas sem caráter de urgência. Mesmo após ser avaliada por uma mastologista, que também não identificou alterações suspeitas, Patrícia insistiu em aprofundar a investigação. O diagnóstico foi confirmado em 11 de outubro de 2024. "Mesmo tendo essa intuição de que eu estava com câncer, ler o resultado é muito difícil. Principalmente por ser da área, por conhecer os desafios", ressaltou. Segundo ela, a doença apresentou um comportamento agressivo e uma evolução rápida. Em menos de duas semanas, o tumor passou de uma alteração que não era identificada pela palpação para uma massa visível na mama. "No dia 11, quando eu fui examinada, não dava para palpar, não aparecia nos exames. No dia 24, ele já era visto a olho nu. Bastava levantar o braço, era uma bola na minha mama". A pesquisadora considera que a experiência reuniu dois aspectos importantes de sua trajetória: o conhecimento científico e a espiritualidade. Após receber o diagnóstico, Patrícia iniciou o tratamento oncológico, que incluiu quimioterapia e cirurgia, com a retirada das duas mamas, a mastectomia bilateral. Em seguida, realizou a reconstrução mamária com colocação de próteses. Livro nasceu da falta de informações sobre os efeitos do câncer Foi justamente a ausência de orientações sobre saúde íntima que motivou Patrícia a começar a escrever o livro "Inteira: Uma história real de corpo, intimidade, ciência, espiritualidade e reconstrução". Inicialmente, a proposta era produzir uma obra técnica, voltada aos cuidados genitais durante e após o tratamento do câncer de mama. Com mais de 50 artigos científicos publicados e experiência na produção de livros acadêmicos, ela pretendia reunir informações sobre as alterações provocadas pelo tratamento e as possibilidades de acompanhamento. Entretanto, durante a escrita, percebeu que precisava ir além dos aspectos científicos. O projeto se transformou em uma autobiografia que reúne relatos desde o diagnóstico até a conclusão do tratamento, passando pelas dificuldades físicas, pelas mudanças emocionais e pelas reflexões sobre intimidade, espiritualidade e reconstrução. LEIA TAMBÉM: Eu Te Explico #201: por que o diagnóstico precoce é fundamental no combate ao câncer de mama? Outubro Rosa: mulheres podem fazer mamografia e preventivo de graça em Salvador VÍDEO: cirurgiã-dentista de 31 anos ganha buzinaço de amigos em comemoração ao fim da quimioterapia em Salvador Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

g1.globo.com · world

Neandertal pode ter sido morto em confronto cara a cara há 75 mil anos; caso traz rara evidência de violência no Paleolítico

Escápula esquerda de Shanidar A, fóssil de neandertal que viveu há cerca de 75 mil anos, analisada por pesquisadores da Universidade de Cambridge. University of Cambridge Um neandertal que viveu há cerca de 75 mil anos pode ter sido morto por uma lança de madeira usada a um curta distância. Pelo menos, é isso o que aponta um novo estudo publicado na revista "Scientific Reports". A análise de um ferimento no ombro indica que a arma pode ter sido usada a curta distância e traz uma rara evidência de violência no Paleolítico. Os restos pertencem a um indivíduo chamado pelos pesquisadores de Shanidar A, encontrado na caverna de Shanidar, no Curdistão iraquiano. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Ele tinha cerca de 45 anos, uma idade avançada para os padrões neandertais, e seus restos incluem parte da mão direita, costelas, dentes e a escápula esquerda. Foi justamente na escápula que os arqueólogos encontraram a principal pista: um buraco quase perfeitamente circular, de cerca de 15 milímetros de diâmetro, cercado por pequenas fraturas. Fragmentos do próprio osso ainda estavam preservados logo abaixo da perfuração. A equipe descartou explicações como raízes de plantas, ação de insetos ou danos provocados durante a escavação. Exames microscópicos e imagens de microtomografia também não mostraram sinais de cicatrização, o que indica que o ferimento ocorreu muito perto do momento da morte. Ainda segundo o estudo, o formato da perfuração é uma das razões para a hipótese da lança. Pontas de pedra costumam deixar marcas mais angulares, enquanto armas de madeira produzem perfurações arredondadas. Lanças de madeira preservadas em sítios muito mais antigos da Europa têm dimensões compatíveis com o buraco encontrado na escápula. A trajetória do ferimento também chamou a atenção dos pesquisadores. A arma teria entrado pela frente do corpo, atravessado tecidos e órgãos do tórax antes de atingir a escápula. Segundo a equipe, o golpe poderia ter atingido o pulmão e grandes vasos sanguíneos, provocando uma morte rápida. “Nunca podemos ter certeza, porque a madeira não se preservou, mas uma lança de madeira parece a explicação mais provável”, disse ao g1 Emma Pomeroy, arqueóloga da Universidade de Cambridge e principal autora do estudo. LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Agora no g1 Acidente ou ataque? Não é possível afirmar que Shanidar A tenha sido assassinado. Um acidente durante uma caçada continua sendo uma explicação possível. Mas a análise do osso trouxe um detalhe que reforça a hipótese de confronto: a fratura parece mais compatível com uma lança usada para golpear de perto do que com uma arma arremessada à distância. “Com uma lança de estocada, é preciso estar muito perto de alguém quando se ataca. E sabemos que o ferimento veio pela frente, então Shanidar A provavelmente estava de frente para quem o atingiu”, explicou Pomeroy ao g1. A pesquisadora ressalta que ainda são necessários mais testes experimentais para reconstruir exatamente o que aconteceu. Também não há como saber se, caso tenha ocorrido um ataque, ele partiu de alguém do mesmo grupo ou de outro. Registros desse tipo são raros. A maior parte das evidências conhecidas de violência organizada na Pré-História é muito mais recente, associada a sociedades agrícolas. Por isso, um possível ataque fatal entre indivíduos no Paleolítico ajuda a ampliar o que se sabe sobre conflitos entre populações humanas antigas. LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Entrada da caverna de Shanidar, no Curdistão iraquiano, sítio arqueológico conhecido pela descoberta de restos de neandertais. Graeme Barker Os restos de Shanidar A também contam uma história diferente. Um dos incisivos havia sido partido longitudinalmente após um trauma grave no rosto, mas continuou sendo usado por bastante tempo depois da lesão. O desgaste e o acúmulo de tártaro indicam que ele sobreviveu ao ferimento. Pomeroy afirma que o indivíduo provavelmente teve dificuldades para comer, beber e se comunicar durante a recuperação e pode ter recebido ajuda de outros integrantes do grupo. Ela pondera, porém, que não é possível medir quanto dessa sobrevivência dependeu de cuidados e quanto resultou da própria capacidade de adaptação. Para a arqueóloga, é justamente essa combinação que torna o caso especialmente interessante. “Vemos duas facetas contrastantes da natureza humana, o cuidado e a violência, reunidas no mesmo indivíduo". Shanidar A também foi depositado em um ponto específico da caverna, atrás de uma grande rocha. Nos anos ou décadas seguintes, pelo menos outros quatro neandertais foram colocados praticamente no mesmo local, em diferentes momentos. A repetição reforça a interpretação de que aquele espaço tinha algum significado para o grupo. Segundo os pesquisadores, o conjunto acrescenta evidências de que os neandertais não apenas cuidavam de indivíduos feridos, mas também mantinham práticas deliberadas relacionadas aos mortos. Incisivo de Shanidar A partido ao meio após um trauma sofrido em vida. O desgaste indica que o neandertal sobreviveu ao ferimento. Emma Pomeroy LEIA TAMBÉM: Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados; veja o que esperar 'Ao me ver, chore': A história por trás das 'pedras da fome' da Europa ANTES E DEPOIS: imagens de satélite mostram efeitos da seca extrema na Europa Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'

g1.globo.com · world

Quase metade das espécies de corais que formam recifes no mundo está ameaçada de extinção

Recife de coral na Papua-Nova Guiné, um dos ecossistemas marinhos mais diversos do planeta. Tom Shlesinger Quase metade das espécies de corais responsáveis pela formação dos recifes está ameaçada de extinção, segundo a maior avaliação global já feita sobre esse grupo de animais. O estudo, publicado na revista "Nature", analisou 892 espécies de corais construtores de recifes. Entre as 774 para as quais havia dados suficientes, 340 — ou 44% — foram classificadas como ameaçadas. São 33 espécies criticamente ameaçadas, 251 ameaçadas e 56 vulneráveis. A situação piorou em relação à primeira avaliação global, feita em 2008, quando cerca de um terço dos corais aparecia entre os grupos ameaçados. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia O principal fator por trás dessa deterioração é o aquecimento dos oceanos provocado pela mudança climática. O aumento da temperatura favorece eventos de branqueamento, quando o coral expulsa as algas microscópicas que vivem em seus tecidos e fornecem grande parte de sua energia. Se o calor persiste, o animal pode morrer. A mudança climática foi determinante para a classificação de mais de 90% das espécies que aparecem nos grupos de maior risco, segundo os pesquisadores. O trabalho combinou dados sobre perda de cobertura de corais, projeções de branqueamento e características que tornam determinadas espécies mais vulneráveis. Recife de coral preservado na Papua-Nova Guiné, em área que ainda mostra resistência aos efeitos do aquecimento dos oceanos. Tom Shlesinger David Obura, um dos principais autores do estudo e copresidente do grupo de especialistas em corais da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), afirma que os resultados representam um sinal claro de que as ameaças estão se intensificando. “Esta avaliação fornece o panorama mais completo até hoje sobre o risco global de extinção entre os corais que formam recifes”, avalia. Os próprios pesquisadores alertam, porém, que o quadro atual provavelmente é ainda pior. Os dados usados na avaliação vão até 2020 e, portanto, não incorporam plenamente os três anos excepcionalmente quentes entre 2023 e 2025 nem o quarto evento global de branqueamento de corais. O estudo não calcula qual seria hoje a nova porcentagem de espécies ameaçadas. LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Atlântico e Brasil entre áreas mais vulneráveis Ainda de acordo com o estudo, metade das espécies de coral avaliadas no Atlântico está ameaçada de extinção, proporção acima da registrada no Indo-Pacífico, de 43%. No Atlântico Sudoeste, especialmente no Nordeste do Brasil, o risco é considerado particularmente alto. A região reúne espécies com distribuição pequena e concentra o maior nível de endemismo do Atlântico, ou seja, abriga corais que não existem em nenhum outro lugar do planeta. Essa característica faz com que uma perda local possa ter consequências maiores. Como há menos espécies desempenhando funções semelhantes, a perda de uma delas pode ter efeitos desproporcionais sobre a estrutura do ambiente e sobre outros organismos que dependem dele. “Para uma espécie endêmica, uma extinção local é uma extinção global, porque não há outro lugar para ela persistir ou de onde possa recolonizar”, afirmou Francoise Cabada-Blanco, copresidente do grupo de especialistas em corais da IUCN e professora da Universidade de Portsmouth, em entrevista ao g1. Coral Galaxea fascicularis no Golfo de Aqaba, no Mar Vermelho. A espécie foi classificada como de menor preocupação na nova avaliação. Tom Shlesinger Ela ressalta ainda que os impactos recentes reforçam essa preocupação. Durante o quarto evento global de branqueamento, episódios severos de branqueamento e mortalidade foram registrados ao longo de uma extensa faixa da costa brasileira. Entre os grupos mais pressionados estão os Acroporidae, corais ramificados que ajudam a formar a estrutura dos recifes. No Indo-Pacífico, 68% das espécies avaliadas dessa família foram classificadas como ameaçadas. No Atlântico, Acropora cervicornis e Acropora palmata sofreram quedas populacionais superiores a 80%. Os pesquisadores chamam atenção também para um efeito menos visível da degradação. Um recife pode manter uma cobertura aparentemente estável mesmo depois de perder espécies mais sensíveis, caso elas sejam substituídas por outras mais resistentes. Nesse processo, porém, há perda de diversidade e de complexidade estrutural. Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'

g1.globo.com · world

Dragas usadas no garimpo ilegal na Amazônia conseguem registro sem licença ambiental, aponta MPF

Sobe para 98 o número de dragas destruídas em operação da PF contra garimpo ilegal no Amazonas Foto Divulgação/PF Dragas e balsas usadas no garimpo ilegal nos rios da Amazônia conseguem registro na Marinha sem comprovar autorização para a atividade minerária ou licença ambiental. A falha foi identificada pelo Ministério Público Federal (MPF), que entrou com uma ação na Justiça Federal do Amazonas para obrigar a União a reforçar o controle sobre essas embarcações. A investigação também apontou dificuldades para responsabilizar os donos das estruturas destruídas em operações contra o garimpo. Segundo o MPF, a Marinha deixa de abrir processos administrativos nesses casos sob a justificativa de "perda de materialidade". Para o órgão, as falhas no cadastro e na fiscalização ajudam a manter a atividade ilegal, que se reorganiza rapidamente mesmo depois de operações de combate. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A ação também alerta para a atuação de redes de crime ambiental que, segundo o MPF, operam em conexão com a logística do narcotráfico e o financiamento de facções criminosas. Operação destrói 50 dragas usadas para garimpo ilegal no Amazonas Atualmente, dragas e balsas de sucção podem obter o Título de Inscrição de Embarcação (TIE) nas Capitanias dos Portos sem apresentar licença ambiental ou comprovar que têm autorização para extrair minérios. Na avaliação do procurador da República André Luiz Porreca Ferreira Cunha, autor da ação, a emissão do documento sem essas verificações dá uma "aparência de legalidade" a embarcações construídas e utilizadas exclusivamente para o garimpo clandestino. O MPF quer que a Marinha passe a exigir licença ambiental e título minerário concedido pela Agência Nacional de Mineração (ANM) para registrar essas estruturas. Também pede vistorias com fotografias geolocalizadas antes da emissão ou renovação dos documentos. Mesmo após operações, garimpo consegue se reorganizar A investigação aponta que a destruição de balsas e dragas não impede, por si só, a retomada do garimpo. Segundo o MPF, novas estruturas são reconstruídas rapidamente em estaleiros e oficinas navais clandestinas espalhadas pela região. O controle dessa atividade enfrenta um desafio logístico. O Comando do 9º Distrito Naval, sediado em Manaus, é responsável por mais de 20 mil quilômetros de vias navegáveis na Amazônia Ocidental, por onde circulam cerca de 35 mil embarcações. A Marinha informou ao MPF ter lavrado 392 autos de infração contra estruturas envolvidas na atividade ilegal. Ainda assim, o órgão federal aponta a necessidade de ampliar a fiscalização e garantir que os proprietários possam ser responsabilizados mesmo quando as embarcações forem destruídas. O que o MPF quer mudar Na ação, o Ministério Público Federal pede que a Justiça obrigue a União a adotar quatro medidas: Em até 30 dias: criar um procedimento para receber denúncias e provas de órgãos como Ibama, ICMBio, Polícia Federal e Funai e abrir processos administrativos contra os proprietários, mesmo após a destruição das embarcações. Em até 30 dias: exigir vistorias e fotografias com localização geográfica antes de emitir ou renovar documentos de dragas e balsas. Em até 60 dias: apresentar um plano de fiscalização periódica em estaleiros, oficinas navais e locais de reparo de embarcações. Em até 120 dias: tornar obrigatório o rastreamento por satélite das dragas em tempo real, com integração ao Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e ao Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo (Sistram), da Marinha. Os pedidos ainda dependem de decisão da Justiça Federal. LEIA TAMBÉM: Após decisão judicial, Ipaam concede licença para garimpo de ouro no Rio Madeira Operações no AM destruíram 375 estruturas e fizeram garimpo ilegal perder mais de R$ 1 bilhão Justiça Federal ordena suspensão de garimpos que não provarem origem lícita de mercúrio na Amazônia Dragas usadas no garimpo são destruídas e madeira irregular é apreendida em fiscalização no AM PF destrói 22 dragas e 5 embarcações usadas em garimpo ilegal no Rio Madeira, no Amazonas Divulgação/PF Extração de ouro em garimpo do Amazonas. Divulgação/MPF

g1.globo.com · world

Plebiscito sobre desmembramento de municípios do Paraná com votação nas urnas será inédito no país

Eleitores de Chopinzinho e São João vão responder plebiscito nas urnas. Fabiane de Paula/ SVM O plebiscito que vai definir sobre o desmembramento e a transferência da área da Comunidade de Alto Mirim, que atualmente pertence à Chopinzinho, para o município de São João, no Paraná, será realizada junto com a votação do 2º turno, no próximo domingo (25). Esta será a primeira vez que uma consulta pública deste tipo será realizada nas urnas. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), o primeiro plebiscito do gênero no país foi regulamentado pelo TRE-PR na Resolução nº 985/2026, materializando a previsão sobre a possibilidade de desmembramento de municípios que consta na art. 18, § 4º, da Constituição Federal, mas que foi ordenada apenas em 2026 foi pela Lei Complementar nº 230/2026. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp No dia do 2º turno, além de votar no candidato à Presidência, os eleitores das cidades de Chopinzinho e São João vão também responder se são favoráveis à separação e transferência da Comunidade de Alto Mirim. Por sorteio, foi definido que o número 1 corresponderá à resposta "não" e o número 2, à resposta "sim". Agora no g1 Como a votação será nas urnas, será possível conferir o resultado do plebiscito popular junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TSE). A cidade de Chopinzinho possui 16.883 eleitores aptos a comparecer às urnas. São 53 Seções Eleitorais, distribuídas em 12 locais de votação. Já a cidade de São João possui 33 Seções Eleitorais distribuídas em 8 locais de votação, que receberão 9.186 eleitores. Para o plebiscito, valem as mesmas regras das eleições regulares quanto à obrigatoriedade do voto: obrigatório para as pessoas com 18 anos ou mais e facultativo para os analfabetos, as pessoas com 70 anos ou mais e para aquelas com 16 e 17 anos. Eleição suplementar no Paraná Além da votação do plebiscito, o Paraná também terá uma cidade com eleição suplementar para os cargos de prefeito e vice-prefeito. Em Santana do Itararé, os moradores vão as urnas para definir a chapa que deve assumir a Prefeitura, após a cassação do mandato do prefeito, Élcio José Vidal, e do vice-prefeito, Joás Ferraz Michetti. Vidal e Michetti foram julgados pela corte do TRE-PR em 29 de julho deste ano. O TRE reconheceu 'captação ilícita de sufrágio', ou compra de votos, nas eleições municipais de 2024. O caso transitou em julgado, o que significa que o processo foi concluído e não há mais possibilidade de recursos. Com isso, o TRE marcou eleições suplementares para substituir a chapa. Candidatos à Prefeitura de Santana do Itararé Fotos: Câmara Municipal de Santana do Itararé | Reprodução/ Redes Sociais São candidatos à Prefeitura de Santana do Itararé: Brunão Mota (PSD) é candidato a prefeito e Thiago Helena (PSD) é candidato a vice, pela coligação União por Santana (PSD e PDT); Zé Izac (PT) é candidato a prefeito e Joaquim do Venerando (PT) é candidato a vice, pela coligação Santana não pode parar (Federação Brasil da Esperança - Fé Brasil (PT/PC do B/PV), Federação União Progressista (União/PP)). A votação à Prefeitura será realizada no mesmo horário do 2º turno, das 8h às 17h. Segundo o TRE-PR, estão habilitados para o exercício do voto eleitores com inscrição regular e domicílio eleitoral no município de Santana do Itararé que estejam aptos a votar nas Eleições 2026. A exceção é para os eleitores habilitados para votar em trânsito no segundo turno, que só poderão votar para presidente. Leia mais: Eleições 2026 no Paraná: nove deputados estaduais tentaram outros cargos, mas não se elegeram; veja lista Eleito senador: TSE adia julgamento sobre registro de candidatura de Deltan Dallagnol No Paraná: Flávio Bolsonaro teve 59,91% dos votos no primeiro turno; Lula teve maioria em 49 cidades Assista aos vídeos do g1 Paraná: Leia mais no g1 Paraná.

g1.globo.com · world

Influente em Brasília, derrotado em 'casa': o revés eleitoral de Randolfe no Amapá

Eleições 2026: Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD) são eleitos para o Senado Durante os últimos 15 anos como senador pelo Amapá, Randolfe Rodrigues (PT) esteve no centro das principais articulações políticas de Brasília. Líder do governo no Congresso, protagonista em CPIs e negociações de interesse do Planalto, ele construiu projeção nacional além das fronteiras do estado que representava. O ciclo chega ao fim em 2026, já que Randolfe não conseguiu se reeleger. No Amapá, os eleitores escolheram para o Senado Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD). O resultado deixou de fora um dos parlamentares mais conhecidos nacionalmente e simbolizou uma renovação da representação amapaense no Senado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp ⬤ Randolfe Rodrigues foi o 3º mais votado ao Senado pelo Amapá em 4 de outubro e perdeu as duas vagas que estavam em disputa no pleito. Mas, afinal, por que um parlamentar reconhecido por sua influência política em Brasília não conseguiu repetir esse prestígio nas urnas de seu estado❓ Para analistas ouvidos pelo g1, as razões para a derrota vão desde a crescente popularidade do parlamentar, que pode ter contribuído para alterar a forma como parte do eleitorado do Amapá o enxerga, até o ganho de relevância política que expôs sua candidatura a disputas ideológicas nacionais. O cientista político e professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Paulo Gustavo Pellegrino, diz que a polarização nacional ajuda a explicar o desempenho nas urnas. "Evidentemente, uma polarização entre direita, extrema-direita com a esquerda, centro-esquerda tem um reflexo no local muito grande. Isso não significa exatamente em que o Amapá é, fundamentalmente, um Estado de direita[...], mas que a direita conseguiu se articular para ganhar os eleitores de forma muito mais ampla do que o centro e principalmente mais do que a esquerda", disse. A derrota de Randolfe, segundo cientistas políticos, passa ainda por diferentes hipóteses, sendo um dos exemplos mais emblemáticos da renovação que atingiu lideranças experientes e conhecidas nacionalmente nas eleições de 2026. (Leia mais abaixo) Em nota enviada ao g1, o senador afirmou que a decisão das urnas deve ser sempre acolhida com maturidade e respeito democrático. "O resultado local reflete um movimento mais amplo que atravessou o país e reconfigurou forças no Parlamento, impactando o Amapá na mesma medida em que se fez sentir em diversas outras regiões do Brasil". Randolfe Rodrigues é líder do governo Lula no Congresso Ricardo Stuckert/PR Figura nacional ou do Amapá? Uma das vozes mais conhecidas do Congresso, Randolfe, segundo os especialistas ouvidos pelo g1, manteve seu protagonismo nacional sem deixar de lado as pautas amapaenses. Professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap), Dr. Paulo Gustavo Pellegrino Correa, que é cientista político e coordenador do Programa de pós-graduação em Estudos de Fronteira, cita como exemplos a atuação do senador em temas considerados estratégicos para o Estado, como a exploração de petróleo na Margem Equatorial, a transposição de servidores e demandas ligadas à própria universidade federal. "Eu não vejo o Randolfe tendo se distanciado das pautas amapaenses. Por exemplo, vou considerar a pauta amapaense o petróleo, a questão da transposição, sua participação dentro da Unifap. São pautas locais em que ele esteve bastante atuante", afirma. Na mesma linha, o também professor da Unifap, Dr. Daniel Chaves, que é pesquisador de política e história contemporânea, avalia que a derrota não pode ser explicada apenas a partir de fatores locais. Segundo ele, houve uma mudança mais ampla no comportamento do eleitorado amapaense, que se refletiu em diferentes disputas realizadas neste ano. "Há uma mudança de polaridade. Cerca de 60% do eleitorado [do Amapá] se posicionou por mudança em outubro deste ano, em nível estadual", disse. 🗳️Dr. Furlan, ex-prefeito de Macapá, foi eleito governador ao derrotar Clécio Luís (PSD), candidato que tentava reeleição ao governo do Estado. Dr. Furlan (PSD) vence em 15 dos 16 municípios do Amapá; veja mapa Confira os senadores eleitos em cada estado do Brasil Infográfico: Randolfe não conseguiu a reeleição no Congresso Arte/g1 ⚖️ Polaridade na disputa Mesmo alinhado às pautas amapaenses, especialistas avaliam que o fato de Randolfe ter assumido protagonismo em temas nacionais e se tornado um dos principais defensores do governo Lula no Congresso pesou no ambiente eleitoral. Daniel Chaves avalia que a derrota deve ser entendida em um contexto maior de disputa entre campos políticos nacionais. "A política nacional, de polarização entre progressistas e conservadores, também influenciou. Houve uma mudança de compreensão do eleitorado e o posicionamento nacional do senador também foi alvo desse deslocamento", afirma. Apesar disso, ele pondera que a participação em CPIs, articulações e debates nacionais não deve ser encarada como um 'erro político'. "Quem não se posiciona em política é, por consequência, posicionado. Foi um investimento em um projeto nacional com o qual seu mandato se identificava. Isso não significa que politicamente Randolfe é um derrotado. Política é longa como um filme; eleições são um retrato desse filme em determinado momento." explicou. Para ele, o resultado eleitoral não encerra a influência política construída ao longo de mais de uma década e meia. Mudança do perfil do eleitor, motivada pela polarização, pode explicar derrota de Randolfe após 15 anos no Senado. Mariana Ferreira/g1 Renovação ou perda de influência? Os especialistas divergem sobre o significado da troca de representação no Senado. Para Pellegrino, a saída de Randolfe tende a reduzir, ao menos inicialmente, o peso político do Amapá em Brasília. "O destaque nacional do Randolfe em Brasília faz com que sua saída represente uma perda de peso político em um primeiro momento", avalia. Ele cita que tanto Randolfe quanto o senador Davi Alcolumbre (União Brasil), que não concorreu à reeleição ao Senado, acumulavam influência nacional difícil de ser substituída imediatamente pelos novos eleitos. Já Daniel Chaves vê o resultado como uma escolha legítima do eleitorado em um processo democrático de renovação, com novos atores políticos. "A urna é soberana. O eleitor amapaense fez suas escolhas e a vida política continua para além do voto. O Senador Randolfe seguramente atuará, como político histórico que é, na construção do campo progressista e suas reavaliações", disse. Olhando para o futuro, Randolfe diz que seus valores permanecem inabaláveis e que seguirá defendendo a democracia e buscando avanços sociais e econômicos. "Nosso compromisso com a população amapaense e com o desenvolvimento do estado permanece firme, e continuaremos trabalhando pelo Amapá com a mesma dedicação de sempre", afirmou o senador. O líder do governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), em sessão em 2024 Roque de Sá/Agência Senado

g1.globo.com · world

Uma receita japonesa para aceitar a passagem do tempo

“O melhor da vida é descer a ladeira”. O título do primeiro capítulo do livro A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos da passagem do tempo é, claro, uma provocação. Seu autor, o filósofo e psicólogo Ichiro Kishimi, questiona o motivo de as pessoas lamentarem tanto o envelhecimento e diz que, nas sessões de terapia, costuma perguntar aos pacientes: “Você gostaria de voltar a ser como era aos 18 anos?”. A maioria responde que em hipótese alguma. “Eles não acham que basta ser jovem para ser feliz. Ou seja, a juventude não é necessariamente superior à velhice”, afirma. Kishimi é um seguidor de Alfred Adler, psiquiatra e psicólogo austríaco contemporâneo de Sigmund Freud que seguiu um caminho independente. Um dos conceitos centrais de seu trabalho é a força motivadora que leva o indivíduo a buscar o crescimento e a superação de obstáculos. O filósofo e psicólogo Ichiro Kishimi, autor de A coragem de envelhecer: como a filosofia pode ajudar você a aceitar os efeitos da passagem do tempo Divulgação “O importante não é se comparar com o outro para saber se está acima ou abaixo dele, e sim dar um passo à frente para transformar a própria realidade e evoluir. Precisamos abandonar a lógica da produtividade e deixar de julgar os outros e nós mesmos pelo que produzimos. Esse é o ambiente do trabalho, um espaço de competição no qual somos avaliados permanentemente. Ao envelhecer, devemos nos afastar desse sistema de valores”, escreve. Na sua avaliação, há três requisitos para se tornar um adulto de verdade: Ser capaz de reconhecer seu próprio valor, independentemente da opinião alheia; Tomar decisões e assumir a responsabilidade pelas próprias escolhas; Evitar o egocentrismo: “Assim como não vivemos para satisfazer as expectativas e demandas alheias, ninguém vive para satisfazer as nossas expectativas e demandas”, detalha. Aos 50 anos, o escritor teve um infarto e, um ano depois, se submeteu a uma cirurgia para a colocação de uma ponte de safena. “Adoecer gravemente é difícil. Muito pior do que as dores, as dificuldades e os desconfortos causados pela doença é não ter certeza de que estaremos vivos amanhã”, conta no livro. E compartilha seu sentimento de angústia: “Depois do medo da morte, passei a sentir um desespero: se não for capaz de fazer nada, talvez minha vida não tenha valor. Mas, certo dia, refleti: e se a pessoa internada fosse um familiar ou grande amigo? Eu ficaria grato por ela estar viva, então percebi que o mesmo se aplicava a mim. O fato de estar vivo era motivo de alegria para os outros, o que me fez recuperar a calma. A doença pode ser um ponto de virada”, ensina. Na sequência, Kishimi assumiu o papel de cuidador do pai, e a obra dedica bastante espaço a essa experiência. Selecionei alguns trechos inspiradores: Cuidado sem imposição: “Os filhos não devem impor suas crenças e ideias, nem se intrometer quando não forem chamados a opinar. Devem apenas tomar decisões práticas, que busquem o melhor para os pais sem criar regras indesejadas.” Pais com demência: “Quando meu pai me disse que se esforçava, mas não conseguia lembrar das coisas que tinha esquecido, senti que era uma lição para mim. Mesmo que eles permaneçam presos ao passado, cabe a nós dar o primeiro passo e concentrar nossa atenção no aqui e agora.” Recomeço diário: “Se conseguirmos nos relacionar com nossos pais como se fosse sempre o primeiro encontro, passaremos a ouvir melhor o que eles têm a dizer e os trataremos com mais respeito.” Por fim, ele nos dá outras duas lições: a importância de reconhecer quando não se consegue dar conta de tudo e a coragem de admitir quando não sabemos algo: “Envelhecer não transforma automaticamente ninguém numa pessoa admirável ou digna de respeito. Muitas vezes os jovens deixam de ouvir os mais velhos porque esses falam como se soubessem tudo e fossem grandes sábios. Frases como ‘você ainda não entende isso’ ou ‘só quando envelhecer vai compreender’ criam distância”. Agora no g1

g1.globo.com · world

De detenta a 'tradutora': como Mary Hellen aprendeu idiomas e ajudava brasileiros presos na Tailândia

Brasileira reduziu pena pela metade na Tailândia, que prevê até pena de morte para tráfico Durante os quatro anos e meio em que ficou presa na Tailândia, a brasileira Mary Hellen Coelho Silva, moradora de Pouso Alegre (MG), aprendeu inglês e tailandês, trabalhou em uma padaria dentro do sistema prisional e fez massagens para conseguir dinheiro para comprar itens básicos. Ela também passou a ajudar outros brasileiros que chegavam à prisão sem falar o idioma local. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Os detalhes foram relatados ao g1 pela advogada Kaelly Cavoli Moreira, que acompanhou o caso desde 2022, quando Mary Hellen foi presa no aeroporto de Bangkok com 9 kg de cocaína. Ela foi condenada inicialmente a 9 anos e 6 meses de prisão e teve a pena reduzida pela metade após receber perdões reais concedidos pelas autoridades tailandesas. “Ela aprendeu por uma questão de necessidade, até de cultura. Ela serviu de tradutora muitas vezes porque ela falava português e já entendia ali o inglês e o tailandês, e ela conseguia ajudar até outros brasileiros que chegavam sem falar o idioma”, contou a advogada. VEJA TAMBÉM: Brasileira presa por tráfico na Tailândia volta ao Brasil, diz defesa Quem é Mary Hellen, brasileira que cumpriu pena por tráfico internacional de drogas na Tailândia e voltou ao Brasil Entenda como brasileira reduziu pena pela metade no país que prevê até pena de morte para tráfico de drogas Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia Arquivo pessoal Segundo Kaelly, Mary Hellen também orientava brasileiros recém-chegados sobre a rotina da prisão e as possibilidades de trabalho. A brasileira chegou a dividir uma cela com aproximadamente 150 mulheres. A unidade prisional por onde passou recebia estrangeiros de diferentes nacionalidades, segundo a advogada. Trabalho para conseguir itens básicos Além de aprender idiomas e ajudar outros brasileiros, Mary Hellen buscou atividades remuneradas dentro do sistema prisional. Ela trabalhou em uma padaria e fez massagens para conseguir dinheiro. De acordo com Kaelly, Mary Hellen chegou a pedir ajuda para conseguir a transferência para uma unidade maior, onde tivesse a possibilidade de exercer uma atividade remunerada. Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia Arquivo pessoal Com o dinheiro obtido nos trabalhos, ela comprava itens que não eram fornecidos pela unidade prisional, como produtos de higiene — pasta de dente, escova e chinelo —, além de alimentos que conseguisse consumir com mais facilidade. "Isso não é fornecido pela unidade prisional, isso é compromisso da família na Tailândia. Só que ela não tinha família na Tailândia e a gente não conseguia fazer esse depósito, ainda que fosse um depósito muito simbólico, assim, a família não conseguia esse acesso", explicou. Segundo a advogada, a alimentação oferecida na prisão também era diferente daquela a que Mary Hellen estava acostumada no Brasil, com pratos frequentemente apimentados. Comportamento e perdão real Kaelly afirma que Mary Hellen manteve comportamento considerado "excelente" durante os anos em que ficou presa. Segundo a advogada, essa avaliação contribuiu para que a brasileira fosse contemplada em sucessivas rodadas de perdão real, benefício coletivo concedido pelas autoridades tailandesas em ocasiões específicas. "Tem níveis de comportamentos dentro da unidade prisional que podem ser bons, médios e excelentes. A Mary Hellen, em todos os anos da prisão, ela manteve um comportamento excelente, o que fez com que ela entrasse nessa rodada de perdão real todas as vezes", explicou a advogada. De acordo com a defesa, a confissão em audiência contribuiu para a redução inicial da pena, enquanto os perdões reais concedidos posteriormente permitiram novas reduções. A advogada ainda explicou que a concessão do benefício depende de critérios definidos pelas autoridades tailandesas e não ocorre automaticamente para todas as pessoas presas. Mary Hellen, brasileira presa e condenada na Tailândia Arquivo pessoal Volta ao Brasil Mary Hellen deixou a prisão na Tailândia após ser contemplada por um perdão real coletivo. Antes de retornar ao Brasil, ela passou por um centro de detenção de imigração, segundo a advogada. Para pagar a passagem de volta, a família organizou uma arrecadação. A advogada estima que o bilhete custou cerca de R$ 6 mil. Segundo ela, a compra precisava atender a exigências específicas relacionadas à companhia aérea e à data do voo, o que dificultou a organização da viagem. Atualmente, Mary Hellen trabalha no Brasil, segundo Kaelly. O g1 entrou em contato com Mary Hellen para falar sobre o caso, mas ela optou por não conceder entrevista no momento. Relembre o caso Em 27 fotos: Conheça Mary Hellen, brasileira presa na Tailandia por tráfico de cocaína Mary Hellen Coelho Silva foi presa em 14 de fevereiro de 2022, no aeroporto de Bangkok, na Tailândia, junto de outro brasileiro. Segundo as informações divulgadas na época, os dois transportavam cerca de 9 quilos de cocaína escondidos em compartimentos ocultos de três malas. Um terceiro suspeito foi detido horas depois com outros 6 quilos da droga. Natural do Rio de Janeiro, Mary Hellen foi criada em Pouso Alegre, no Sul de Minas, onde morava com a mãe e os irmãos antes de viajar para o exterior. Na época da prisão, ela tinha 21 anos e trabalhava com carteira assinada em uma churrascaria da cidade. Ela havia deixado o emprego pouco antes da viagem. Durante o período em que esteve presa, Mary Hellen perdeu a mãe, Thelma Coelho, que morreu em 13 de abril de 2024, em Pouso Alegre, enquanto lutava contra um câncer. Na época, a defesa relatou dificuldades para comunicar a morte à brasileira, que mantinha contato com a família principalmente por cartas. Ela também perdeu o avô durante o encarceramento. A prisão ganhou repercussão no Brasil devido à rigidez das leis tailandesas para crimes relacionados a drogas. Dependendo da quantidade apreendida e das circunstâncias, o tráfico pode ser punido com pena de morte no país. Em 8 de maio de 2022, a Justiça tailandesa condenou Mary Hellen a 9 anos e 6 meses de prisão, divididos em dois anos por um crime civil e sete anos e seis meses por um crime penal. A sentença foi divulgada no Brasil no dia 11 de maio. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

g1.globo.com · world

Contagem abre inscrições para concurso público nesta segunda com 272 vagas e salários de até R$ 13 mil

Contagem faz concurso com mais de 270 vagas As inscrições para o concurso público de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, começam nesta segunda-feira (19). São 272 vagas para candidatos com ensino médio, curso técnico e ensino superior. Os salários variam conforme o cargo e podem ultrapassar R$ 13 mil, além dos benefícios previstos no edital. As inscrições ficam abertas até 17 de novembro e devem ser feitas exclusivamente pelo site (clique aqui). As oportunidades são para diferentes áreas, entre elas Administração, Fiscalização, Tecnologia da Informação, Engenharia, Saúde, Comunicação e Serviço Social. Taxa de inscrição A taxa de inscrição do concurso público da Prefeitura de Contagem varia conforme a escolaridade exigida para o cargo: Níveis médio e técnico: R$ 70; Nível superior: R$ 100. As provas estão previstas para 24 de janeiro de 2027. Etapas do concurso de Contagem O concurso terá quatro etapas. A prova objetiva de múltipla escolha será aplicada a todos os candidatos inscritos. Para os cargos de nível superior, também haverá prova discursiva e avaliação de títulos. O processo prevê ainda procedimento de heteroidentificação para candidatos aprovados autodeclarados negros. O edital completo do concurso está disponível no site da Prefeitura de Contagem (clique aqui). Prefeitura de Contagem (MG) Elias Ramos/PMC

g1.globo.com · world

Um mês depois, égua escolhida para ter filhote de Cavalo Caramelo, símbolo da enchente no RS, ganha peso e dá sinais de cio

'Hora Extra': como está a companheira de Caramelo 10 dias após chegada Há um mês, Hora Extra desembarcava no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, com uma missão: tornar-se companheira de Caramelo e, futuramente, ter um filhote com o cavalo que virou símbolo de resistência durante as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. Desde então, a égua de seis anos vem passando por uma espécie de preparação. Ela ganhou peso, melhorou os resultados dos exames de sangue e já começou a apresentar sinais de cio. 🐴 Caramelo foi resgatado em 9 de maio de 2024. A imagem do cavalo preso em um telhado rodou o mundo e comoveu o país. Meses depois, ele foi oficialmente adotado pela Ulbra. Com cerca de 11 anos, ele ganhou um piquete exclusivo de 250 metros quadrados, onde passa boa parte do dia correndo, pastando e rolando na grama. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Apesar dos avanços, ainda não chegou a hora de aproximar Hora Extra de Caramelo para uma tentativa de reprodução. Segundo a médica veterinária e diretora da unidade, Laura Martins Cezimbra, Hora Extra apresentou uma evolução visível no primeiro mês. Como anteriormente vivia solta no campo, estava magra e com bastante pelagem e passou a receber alimentação complementar. Égua "Hora Extra", no espaço do Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas Bruno Todeschini/ Grupo RBS Exames melhoraram A evolução também apareceu nos exames de sangue. Cezimbra descreve a condição inicial como um "resquício de anemia". Agora, o índice aumentou e está acima da referência mínima. Segundo a veterinária, Hora Extra está "super bem". Além dos cuidados com a saúde e o ganho de peso, a equipe acompanha de perto o sistema reprodutivo da égua. Ela já passou por ultrassom para avaliação dos folículos e por acompanhamento da ovulação. "Ela está fazendo sinais de cio, mas por enquanto não tem folículos viáveis. Ela faz o comportamento, mas não é um cio fértil. Então, não tem chance de emprenhar nesses cios que ela está tendo", explica Cezimbra. A equipe seguirá acompanhando o desenvolvimento dos folículos e a ovulação. Conforme Cezimbra, caso seja necessário, existe a possibilidade de indução da ovulação, mas, antes disso, os folículos precisam estar prontos. Ganha companhia, mas ainda não é Caramelo Nesse primeiro mês, Hora Extra também deixou de ficar sozinha no piquete. A égua passou a dividir o espaço durante o dia com Loirinho, um cavalo castrado. A escolha permite a convivência com outro animal sem risco de reprodução. Caramelo, por enquanto, fica no piquete ao lado. A separação ocorre justamente porque a equipe ainda acompanha a evolução reprodutiva de Hora Extra. "Como eles têm esse comportamento gregário, o cavalo tende a querer ficar junto sempre, a gente soltou ela com o Loirinho no piquete", explica. A chegada de Hora Extra Cavalo Caramelo e a pretendente "Hora Extra" Reprodução; Bruno Todeschini/ Grupo RBS A égua desembarcou na universidade no dia 9 de setembro, vinda de uma propriedade rural de São Sebastião do Caí. Com seis anos de idade, ela foi doada à instituição. Segundo Cezimbra, as éguas começam entre setembro e outubro a fase de reprodução, período em que o dia fica mais longo e as temperaturas ficam mais altas. "Possivelmente, logo em seguida, em outubro ou novembro, ela já vai voltar a ter cio." O nome Hora Extra vem de uma curiosidade: ela demorou cerca de 10 dias a mais para nascer. Conforme a veterinária, o período médio de gestação dos equinos é de 360 dias. "Falando com o pessoal que doou ela, comentaram que foi porque ela ficou uns dias a mais no útero da mãe dela. Então, ela já estava fazendo 'hora extra' na barriga da mãe. Por isso, ficou esse nome", conta a veterinária da Ulbra. Além disso, há outro motivo que contribuiu para a escolha, a primeira letra do seu nome deveria ser H. "No ano que ela nasceu, a letra para começar o nome era o H. No meio dos cavalos, é muito comum isso. Todo ano é uma letra específica", explica a veterinária. Segundo a universidade, ela foi escolhida como companheira para Caramelo por conta de características consideradas importantes para o projeto. Entre elas, está o fato de que ela não possui histórico de reprodução, tem perfil dócil e também poderá ser utilizada em atividades práticas do curso de Medicina Veterinária. 'Hora Extra': 10 dias após a chegada, companheira do cavalo Caramelo se adapta a hospital veterinário no RS Ulbra e RBS TV/Reprodução LEIA TAMBÉM: Relembre resgate com operação interestadual Cavalo vira celebridade, faz presença VIP e tem agenda cheia História de amor e sobrevivência: entenda a relação do RS com Caramelo Projeto de reprodução A ideia de permitir que Caramelo tenha um filhote nasceu da relação criada entre o animal e o público que acompanha sua trajetória desde o resgate. De acordo com a veterinária, os seguidores costumam pedir novidades sobre a vida do cavalo e demonstram interesse em acompanhá-lo em novas fases. Embora não possa conviver livremente em grupo por ser um garanhão — um cavalo macho não castrado —, ele mantém contato próximo com outros equinos que vivem no campus, incluindo fêmeas. "Se viu que ele tinha bastante interesse, comportamento de garanhão. Em reuniões, inclusive comentando se castra ou não castra, o pessoal surgiu com a ideia de ter um filhote para de fato fazer a questão mais social do Caramelo com os seus seguidores", explica Cezimbra. A diretora afirma que a iniciativa não tem relação com preservação genética. Segundo ela, o objetivo está ligado ao significado que Caramelo passou a representar para muitas pessoas após a enchente. Para a universidade, a história do animal desperta um forte vínculo afetivo e funciona como uma mensagem de resistência e superação. Cavalo Caramelo agora está hospedado no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas Bruna Linck/Ascom Ulbra Relembre o resgate Cavalo que ficou ilhado sobre o telhado de uma casa no RS é resgatado O resgate foi feito pelo Corpo de Bombeiros de São Paulo — veterinários acompanharam toda a ação. Caramelo precisou ser sedado porque a equipe foi alertada que, para o bote não virar, o animal não poderia estar acordado durante o trajeto. Seco, Caramelo, ainda dentro do bote, foi colocado em cima de uma carreta e, em seguida, levado ao hospital veterinário, onde recebeu medicação para repor a quantidade de líquido perdida nas horas em que ficou ilhado. A mobilização da população e das forças de segurança comoveu o país e sintetizou a relação histórica do cavalo com o povo gaúcho. O cavalo crioulo é animal-símbolo do RS e considerado patrimônio cultural desde 2002. A relação com o animal é uma tradição que faz parte do DNA do povo gaúcho. VÍDEOS: Tudo sobre o RS b

g1.globo.com · world

Adolescente cego viraliza ao 'ver' personagem de Madagascar com as mãos no Beto Carrero: 'Inclusão linda’

Adolescente cego viraliza ao 'ver' personagem de Madagascar com as mãos no Beto Carrero O vídeo do encontro entre Davi Lucas Vasconcelos Silva, de 13 anos, e o personagem Rei Julien, da franquia Madagascar, viralizou nas redes sociais. O adolescente cego o conheceu pelo tato durante uma apresentação no Beto Carrero World, em Penha (SC). As imagens mostram que Rei Julien se aproximou do público para cumprimentar as crianças. Ao ver o personagem perto do filho, a mãe explicou ao intérprete que Davi tem deficiência visual e pediu que o menino pudesse tocar no rosto do boneco para sentir os detalhes da fantasia (assista acima). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O pedido foi atendido prontamente, e o ator ajudou Davi a explorar a caracterização com as mãos. A interação emocionou a família e virou uma das lembranças mais marcantes da viagem. “Foi muito espontânea minha reação. Eu pensei: ‘Tenho que aproveitar esse momento agora, tenho que pedir agora, tenho que falar agora, senão depois talvez a gente não consiga mais ver o Rei Julien’”, conta a mãe dele, Fabiana Maria da Silva. Até sábado (17), a publicação acumulava quase 20 milhões de visualizações na internet. As imagens foram gravadas em abril deste ano pela mãe do menino, mas passaram a repercutir nos últimos dias nas redes sociais. Fabiana registrava trechos da viagem para publicar no perfil de Davi nas redes sociais. Ela filmava o passeio quando o encontro com o Rei Julien aconteceu. “Foi uma interação incrível, uma inclusão linda, que, infelizmente, a gente não encontra em todos os lugares”, afirma. Família viajou de Recife para realizar sonho de conhecer parque A família viajou de Recife (PE) para realizar o sonho do adolescente de conhecer o parque temático. Durante os dois dias de passeio, Davi aproveitou as atrações e assistiu aos shows. Para que ele pudesse acompanhar as apresentações, a mãe, o pai e a irmã narravam em detalhes o que acontecia no palco. “Ele é muito aventureiro, gosta de se aventurar, gosta de se arriscar. Davi aproveitou muito o parque e brincou em todos os brinquedos”, relata a mãe. Davi Lucas Vasconcelos Silva, que tem deficiência visual, conhece personagem da série Madagascar por meio do tato Redes sociais/Reprodução Diagnóstico de doença rara aos 7 anos Davi começou a perder a visão aos 5 anos e meio. Aos 7, recebeu o diagnóstico de CLN3, uma variação da doença de Batten, que é uma síndrome rara e neurodegenerativa. 🧠 A Síndrome de Batten (também chamada de Lipofuscinose Ceróide Neuronal ou CLN) é um grupo raro de doenças genéticas e neurodegenerativas que afetam o sistema nervoso central. Ao notar as primeiras dificuldades visuais do filho, Fabiana iniciou a busca por médicos. A família consultou diversos especialistas e passou um ano sem respostas, enquanto a visão do menino piorava rapidamente. “Ele foi perdendo a visão muito rápido. Em um ano, Davi perdeu 90% da visão”, relata a mãe. O diagnóstico definitivo veio por meio de um teste genético. O resultado chegou por e-mail no dia do aniversário de 7 anos de Davi, pouco antes de uma consulta médica. “Eu estava lendo meus e-mails e chegou o resultado do exame. Comecei a ler, não entendi muita coisa, porque tinham muitos termos técnicos, mas fui buscar na internet. Foi quando me deparei com o diagnóstico da doença de Batten”, lembra. Davi e Fabiana juntos. Família é de Recife. Arquivo pessoal Prioridade para experiências e memórias Após o diagnóstico, os pais passaram por um período de luto e adaptação. Um conselho médico, no entanto, mudou a rotina da família: focar em aproveitar o tempo juntos e proporcionar experiências marcantes aos filhos. “Ele nos aconselhou: ‘Aproveita Davi hoje. A gente não sabe o dia de amanhã de Davi, como é que vai ser. Então, aproveita para passear com ele, para realizar sonhos que estejam, claro, no nosso alcance, para criar memórias afetivas’”, relata a mãe. A partir dali, a família começou a viajar e montou uma lista de destinos desejados pelas crianças. O Beto Carrero World era o principal sonho de Davi. “Começamos a valorizar mais essa questão de criar memórias, de viajar mesmo, de colecionar momentos. E não se preocupar mais em ter coisas, mas sim em dar a ele a oportunidade de viver coisas”, afirma Fabiana. Fabiana destaca que a viagem foi marcada pelo acolhimento recebido no parque. Sempre que a equipe era informada sobre a deficiência visual de Davi, os funcionários demonstravam atenção e carinho para incluí-lo. “Todo mundo tratou muito bem a gente. Eles são muito educados, muito gentis. Em todo canto que eu falava que ele tinha deficiência visual, as pessoas abraçavam, falavam com ele e davam a atenção de que ele precisa”, diz. Reveja os VÍDEOS mais assistidos do g1 SC

g1.globo.com · world

A eleição do churrasco: por que candidatos nos EUA estão disputando quem gosta mais de carne?

Imagem de carne bovina nos EUA J. Scott Applewhite/AP Nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, a carne está no cardápio. Democratas e republicanos discutem os preços altos e a guerra com o Irã, mas também disputam quem gosta mais de carne. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O exemplo mais recente veio nesta semana, no Mississippi, em que o candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos, Scott Colom, divulgou um vídeo com um trecho da senadora republicana Cindy Hyde-Smith, atual ocupante do cargo, dizendo que, se os consumidores estão insatisfeitos com os altos preços da carne bovina, "há muitas outras opções de proteína para escolher". O vídeo então corta para um homem preparando hambúrgueres na churrasqueira, que diz: "Escolher outra proteína? Eu prefiro escolher outro senador." Congressistas dos EUA acusam Trump de tentar influenciar nas eleições brasileiras A disputa no Mississippi é um tanto incomum porque é o democrata quem está atacando a republicana por causa da carne bovina. Em outras partes do país, os republicanos têm retratado os democratas como veganos ou contrários ao consumo de carne, tentando mostrar que eles estão culturalmente desconectados dos eleitores, são hostis às indústrias pecuárias locais ou simplesmente não são masculinos o suficiente. No Texas, republicanos resgataram uma declaração de 2022 em que o democrata James Talarico, atual candidato ao Senado dos EUA, comemorava o fato de sua campanha eleitoral ter deixado de comprar carne e passado a adquirir apenas produtos veganos de estabelecimentos locais. Desde então, Talarico tem aparecido publicamente comendo churrasco para rebater as acusações de que suas escolhas alimentares significam que ele não é um texano de verdade. LEIA TAMBÉM: Agrotóxicos, água e câncer: por que a saúde virou tema das eleições em potência agrícola dos EUA Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição O candidato democrata ao Senado James Talarico discursa durante um comício em 13 de julho de 2026, em Eagle Pass, no Texas, Estados Unidos. (Foto: AP/Brenda Bazán, Arquivo) O candidato acusado de ser anti-carne No Colorado, os republicanos têm atacado o candidato democrata ao Congresso Manny Rutinel por seu ativismo contra a produção de carne e a pecuária industrial. Na faculdade, ele foi fotografado sem camisa usando no peito uma faixa da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA). Em 2021, Rutinel fundou a Climate Refarm, organização que defendia a redução do consumo de carne. Ele também assinou cartas defendendo o aumento de impostos sobre carne e laticínios. Além disso, apoiou uma proposta submetida a votação em 2024 para proibir um abatedouro de cordeiros em Denver, que acabou fracassando. Rutinel, de 31 anos, agora disputa uma vaga contra Gabe Evans, o republicano que representa o 8º distrito congressional do Colorado. A vasta região no nordeste do estado é pontilhada por ranchos, fazendas leiteiras e unidades de processamento de carne, incluindo a sede da gigante da carne bovina JBS Swift. Os republicanos têm explorado intensamente o histórico de defesa do veganismo de Rutinel, a ponto de o grupo conservador de mídia Daily Wire divulgar nesta semana um vídeo gravado de forma oculta em que um integrante da campanha afirma que ele come carne "o mínimo possível". Rutinel tem feito questão de aparecer em público comendo tacos de carne durante a campanha e conta com o apoio do sindicato dos trabalhadores da indústria frigorífica. "Não acho que os moradores do Colorado se importem com o que está no meu prato", disse ele em entrevista após uma recente parada de campanha. "Acho que eles se importam mais em conseguir pagar pelo que está no prato deles." Evans afirma que a questão vai além das preferências alimentares do adversário. "Não me importo com o que ele come pessoalmente", disse Evans em entrevista. "Importa-me que ele queira usar o poder do governo para fazer todo mundo comer dessa forma."

g1.globo.com · world

O que se sabe sobre o envio de tropas dos EUA à América Latina para combater o narcotráfico

Oficialmente, meta é fortalecer cooperação militar com países da região no combate ao tráfico de drogas. Nicolas Armer/dpa/picture alliance via DW O governo dos Estados Unidos está ampliando sua presença militar na América Latina sob a justificativa de reforçar o combate ao tráfico de drogas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo reportagem do jornal The New York Times publicada na quarta-feira (14), o Pentágono enviará centenas de soldados para a região, em uma iniciativa que marca uma nova etapa da política do presidente Donald Trump para os países latino-americanos. De acordo com o periódico, os primeiros integrantes de um batalhão de cerca de 600 militares da 10ª Divisão de Montanha do Exército americano –sediada em Fort Drum, Nova York– já começaram a ser deslocados para um novo centro de treinamento em selva no Panamá. Posteriormente, eles deverão participar de exercícios e treinamentos conjuntos com forças de segurança da Colômbia e de Honduras. Qual será a missão das tropas? Agora no g1 Oficialmente, o objetivo é fortalecer a cooperação militar com países da região no combate a organizações envolvidas no tráfico de drogas. Segundo autoridades ouvidas pelo jornal sob condição de anonimato, parte dos militares poderá dar apoio a forças especiais americanas que já assessoram operações conduzidas por exércitos locais contra grupos acusados de narcotráfico. A ampliação da presença militar também inclui a transferência de drones de vigilância MQ-9 Reaper da África para a Colômbia e o Equador, além da criação de uma nova estrutura de comando para operações no Hemisfério Ocidental sediada em Miami, para onde centenas de soldados devem ser transferidos. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, criou ainda um escritório específico para supervisionar as atividades de combate aos cartéis. Mudança de estratégia Porta-aviões USS Gerald Ford, da Marinha dos Estados Unidos, em foto de janeiro de 2026. Divulgação/Marinha dos EUA A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da administração Trump para pressionar governos latino-americanos a intensificarem ofensivas militares contra organizações criminosas e aceitarem operações conjuntas com os Estados Unidos. Segundo o general Francis L. Donovan, comandante militar responsável por grande parte da América Latina, os EUA pretendem ampliar suas ações para além das operações marítimas atualmente realizadas contra embarcações suspeitas de transportar drogas. O objetivo seria expandir as operações também para áreas terrestres. A Casa Branca tem buscado construir uma coalizão regional contra os cartéis. De acordo com o jornal, 19 países participam da aliança liderada pelos EUA, denominada Escudo das Américas, embora apenas alguns tenham aceitado oficialmente a realização de operações conjuntas em seus territórios, entre eles Colômbia e Honduras. Pete Hegseth havia afirmado, durante uma visita ao Panamá em agosto, que a Colômbia, a Guatemala e Honduras haviam concordado em permitir que os EUA realizassem operações militares conjuntas contra grupos criminosos em seus territórios, embora a Guatemala tenha negado a existência de tal acordo. 'Escudo das Américas' de Trump tenta impor 'cerco' contra o Brasil sob argumento 'falso' de combate ao crime, diz Amorim Líderes de 12 países latino-americanos se reuniram com Trump em março, na cúpula do Escudo das Américas, realizada na Flórida Casa Branca/Daniel Torok Temores na região A perspectiva de uma presença militar americana mais robusta desperta preocupações em parte da América Latina. A região tem um longo histórico de intervenções dos EUA ao longo dos séculos 20 e 21, frequentemente vistas por governos e setores da sociedade como violações da soberania nacional. Organizações de direitos humanos também manifestam preocupação com a possibilidade de aumento das vítimas civis. Especialistas citados pelo jornal afirmam que a eliminação de integrantes de grupos criminosos costuma ter impacto limitado sobre o fluxo de drogas, já que lideranças podem ser rapidamente substituídas. Outra crítica recai sobre a eficácia da estratégia. O novo grupo de trabalho criado pelo Pentágono dá continuidade a uma campanha iniciada há cerca de um ano no Caribe e no Pacífico Oriental. Segundo o governo americano, essa campanha resultou em 71 ataques contra embarcações suspeitas de tráfico e a morte de 239 pessoas que – Washington afirma, sem apresentar evidências – estariam traficando drogas. Especialistas, porém, dizem que as operações tiveram pouco efeito sobre a disponibilidade de cocaína nos Estados Unidos. Dúvidas sobre os objetivos A reportagem do New York Times informa que integrantes do próprio governo americano questionam a falta de uma definição clara dos objetivos da operação. Há receio de que eventuais ataques contra militares dos EUA levem a uma escalada do envolvimento americano na região, em um momento em que as Forças Armadas do país já enfrentam forte pressão devido a outros compromissos militares no exterior, como na guerra contra o Irã. Por enquanto, o envio das tropas tem caráter temporário. No entanto, autoridades americanas ouvidas pelo jornal admitem que essas rotações podem se tornar um componente permanente da presença militar dos Estados Unidos na América Latina.

g1.globo.com · world

Origem dos animais pode ser até 200 milhões de anos mais antiga

Ilustração artística do fundo marinho do período Ediacarano na Namíbia, há 543 milhões de anos Museum of Natural History, University of Oxford/Mighty Fossils É um dos grandes enigmas da biologia evolutiva: os animais irrompem de forma relativamente repentina no registro fóssil pouco antes do período Cambriano, há entre 539 milhões e 487 milhões de anos, embora algumas evidências sugiram que sua linhagem tenha começado muito antes. Mas, após analisar organismos microscópicos encontrados em depósitos antigos da Mongólia, uma equipe científica propôs que o reino animal possa ter surgido até 200 milhões de anos antes do que se estimava, durante o período Neoproterozoico, há entre 800 milhões e 700 milhões de anos. Antes, portanto, de o planeta atravessar suas glaciações mais severas. A conclusão consta de um estudo publicado na revista Science Advances. O limite da biota de Weng'an A biota de Weng'an, um sítio fossilífero com cerca de 590 milhões de anos encontrado em rochas do período Ediacarano, na China, tem sido há décadas uma das principais referências para a investigação da origem da vida multicelular complexa. Esse sítio preserva organismos microscópicos com um nível extraordinário de detalhe, mas nenhum deles pode ser considerado um animal. Agora no g1 Por causa dessa excepcional preservação, a comunidade científica supunha que os primeiros animais teriam surgido depois de Weng'an. A lógica era que, caso já existissem antes, um depósito de qualidade tão elevada necessariamente teria registrado seus fósseis. Descobertas na biota de Kheseen questionam tese O novo estudo coloca essa premissa em dúvida após analisar mais de uma centena de amostras da biota de Kheseen, na Mongólia, um conjunto de fósseis cerca de 40 milhões de anos mais jovem que Weng'an. Na biota de Kheseen tampouco foram encontrados fósseis de animais, apesar de registros fósseis no sul da China e na Namíbia confirmarem que já havia animais na Terra naquele período. "A biota de Kheseen refuta o argumento de que os excepcionais microfósseis de Weng'an implicam que teríamos encontrado fósseis de animais naquele depósito caso eles existissem na época", afirmou o autor Ross Anderson. A ausência de animais num sítio de preservação excepcional não permite concluir que eles não existiam, pois podem ter vivido em ambientes diferentes dos de Kheseen, cujas condições químicas impediram sua fossilização. "Os microfósseis de Kheseen estão igualmente bem preservados, mas ainda assim não aparecem fósseis de animais, apesar de sabermos que eles existiam naquele momento", acrescentou Anderson. Técnica do relógio molecular apoia a hipótese Ao rejeitar Weng'an como limite máximo para a origem dos animais, os cientistas recorreram a depósitos fossilíferos muito mais antigos, datados de 850 milhões a 730 milhões de anos, localizados na Noruega, na Austrália e no Arizona, nos Estados Unidos. Embora esses locais também não contenham fósseis de animais, a composição química das rochas indica que elas teriam sido capazes de preservá-los caso estivessem presentes. Com essas novas referências temporais, os pesquisadores aplicaram a técnica conhecida como relógio molecular, que analisa diferenças genéticas entre espécies atuais e as combina com a idade dos fósseis para estimar quando viveram seus ancestrais comuns. O resultado foi um recuo de cerca de 200 milhões de anos na estimativa para a origem do reino animal, situando-a entre 800 milhões e 700 milhões de anos atrás, muito antes dos primeiros fósseis corporais confirmados. Glaciações globais do período Criogeniano A hipótese coincide com a presença de biomarcadores químicos em rochas antigas, interpretados como possíveis evidências de esponjas primitivas que viveram há pelo menos 650 milhões de anos. Tratava-se de organismos minúsculos, de corpo mole e com baixíssima probabilidade de fossilização quando comparados à fauna posterior, que passou a apresentar conchas, ossos ou outras estruturas resistentes. Além disso, situar a origem dos animais entre 800 milhões e 700 milhões de anos atrás implica que os estágios iniciais de sua evolução coincidiram com as glaciações globais do período Criogeniano, iniciadas há cerca de 720 milhões de anos, quando grande parte do planeta estava coberta por gelo, num fenômeno conhecido como "Terra Bola de Neve". Repensar o ritmo da evolução Os resultados ajudam a esclarecer "o que sabemos sobre os ritmos da evolução, o momento em que surgem as inovações biológicas e os processos que levam à diversificação dos animais", afirmou o coautor Derek Briggs, professor da Universidade Yale. No entanto, os cientistas ressaltam que o estudo não demonstra de forma definitiva a existência de animais há 800 milhões de anos. O trabalho mostra apenas que a ausência de fósseis de animais num sítio específico não é suficiente para descartar essa possibilidade, abrindo espaço para que análises moleculares revelem uma história evolutiva muito mais antiga. "Até que a evidência esteja disponível, a data exata de surgimento do reino animal continua incerta", conclui Anderson.

g1.globo.com · world

Presos são colocados para reconstruir escolas danificadas por temporal com ventos de até 124 km/h, no Paraná

Presos são colocados para reconstruir escolas danificadas por temporal Sesp-PR Pessoas privadas de liberdade (PPL) foram colocadas para atuar na reconstrução e recuperação de escolas e outras áreas afetadas pelo forte temporal registrado no início de outubro em Laranjeiras do Sul, na região central do estado. A cidade teve ventos de até 124 km/h no dia 4. As fortes rajadas danificaram pelo menos 852 casas, derrubaram árvores, deixaram moradores sem energia elétrica por quatro dias e provocaram a suspensão de aulas, devido aos estragos nas unidades educacionais. ✅ Siga o canal do g1 Paraná no WhatsApp Agora no g1 Nesta sexta (16), a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) informou que, nas últimas semanas, mobilizou a utilização da mão de obra prisional de 27 pessoas nos trabalhos de reconstrução. "A força-tarefa atuou na desobstrução e retirada de entulhos de vias, no corte e remoção de árvores e galhos com risco de queda, além de serviços gerais de manutenção urbana. A força de trabalho contou com apoio direto da Cadeia Pública de Laranjeiras do Sul e do Programa Mãos Amigas, que trouxe 12 apenados da base do projeto em Guarapuava e três locais para o suporte emergencial. Foram somados ainda seis apenados de convênio com a prefeitura e outros seis integrados à rotina da unidade penal". 🔎No programa "Mãos Amigas", a cada três dias trabalhados, um dia é abatido da pena. Em 2025, 427 unidades escolares foram atendidas, com mais de dois mil serviços realizados. Atualmente, as equipes concentram esforços na recuperação de oito unidades educacionais: o CMEI Adelina Dutra Boeira; as Escolas Municipais Valdemar Boeira, Therezinha Maria Moretto Andretta, Padre Gerson Galvino e Água Verde; a APM da Escola Municipal Teotônio Vilela; e os Colégios Estaduais Cívico-Militar Érico Veríssimo e Professor Gildo Aluísio Schuck. RELEMBRE OUTRA SITUAÇÃO: Presos trabalham na reconstrução de cidade destruída por tornado no PR de dentro e de fora da prisão; entenda Presos são colocados para reconstruir escolas danificadas por temporal Sesp-PR Para o chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da Polícia Penal do Paraná (PPPR), Boanerges Silvestre Boeno Filho, o trabalho agiliza o retorno das aulas. “A ação evidencia o papel fundamental da reintegração social e demonstra à sociedade o valor do trabalho prisional como instrumento de reparação e utilidade pública, garantindo aos custodiados uma oportunidade real de recomeço”, explica. O coordenador regional da PPPR em Guarapuava, Anderson Uchack, avalia que a parceria traz benefícios mútuos para a comunidade e para os apenados. “Toda a sociedade local sai ganhando com essa cooperação entre a PPPR e a prefeitura. Para o custodiado, o benefício é bastante significativo, pois ele é inserido no mercado de trabalho e recebe remição de pena, reduzindo um dia a cada três trabalhados, o que contribui diretamente para sua reintegração social”, afirma. Leia também: Previsão do tempo: Frente fria pode provocar temperaturas próximas a 0ºC no Paraná em pleno outubro; veja quando e onde Criança salva de estupro após sinal de socorro: 2 meses antes, mulher agredida pelo ex foi socorrida ao fazer mesmo gesto Entenda: Estado brasileiro pede desculpas a ex-PM preso e condenado por crime que confessou sob tortura Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias em g1 Paraná

g1.globo.com · world

Estudos indicam avanço de casos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos

Estudos indicam avanço de casos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos Adobe Stock Nos últimos 20 anos, os casos de câncer têm crescido em todo o mundo. O diagnóstico aumentou principalmente entre a população mais jovem. O câncer colorretal, ou de intestino, foi um dos que mais avançou. Em 2001, cerca de uma em cada 26 mil pessoas com menos de 50 anos na Inglaterra recebeu esse diagnóstico. Em 2023, essa taxa passou para cerca de uma em cada 12 mil pessoas, o dobro do registrado duas décadas atrás. Esses dados são do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (WCRF, na sigla em inglês), uma rede internacional de organizações beneficentes que analisou registros da Inglaterra, dos Estados Unidos e da Holanda. A entidade constatou que o número de novos casos aumentou para sete tipos de câncer apenas na Inglaterra. Ainda não está claro, porém, se houve um aumento dos casos reais ou se mais casos foram identificados em estágio inicial devido à maior conscientização, ao diagnóstico mais precoce e ao tratamento nos hospitais. E, apesar do crescimento, o número total de casos ainda é pequeno, como pontua Amy Berrington de Gonzalez, professora de epidemiologia clínica do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres. "O câncer ainda é muito incomum entre os jovens. Três vezes um número pequeno continua sendo um número pequeno." Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp Agora no g1 Taxas de câncer de início precoce crescem na América Latina Um estudo de 2025 analisou dados de registros de 50 países e territórios até 2017. Os pesquisadores constataram aumento dos casos de câncer colorretal de início precoce em 27 dessas regiões. Na América Latina, as taxas cresceram no Chile, na Argentina, no Equador, na Costa Rica e em Porto Rico. O aumento observado no Chile, de quase 4% ao ano, esteve entre os mais elevados. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028, com destaque para os de colo do útero e o colorretal, tipos com grande potencial de prevenção e detecção precoce. Marc Gunter, professor de epidemiologia do câncer no Imperial College London, aponta como possíveis causas do avanço da doença mudanças no padrão de alimentação na América Latina, cada vez mais baseado em alimentos ultraprocessados, e no estilo de vida, mais sedentário. Os seis tipos de câncer que mais afetam jovens adultos Em outro estudo, publicado em 2025, envolvendo 42 países, Berrington de Gonzalez comparou dados de dois grupos etários, de 20 a 49 anos e de 50 anos ou mais, entre 2003 e 2017. Seis tipos de câncer – de tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia – apresentaram aumento entre os grupos mais jovens na maioria dos países. Todos, com exceção do câncer colorretal, também registraram crescimento entre os adultos mais velhos. Na verdade, o câncer colorretal se destacou. Em cerca de um terço dos países analisados, ele aumentou mais rapidamente entre os adultos jovens do que entre os mais velhos. "É o único câncer que parece estar aumentando entre os jovens enquanto diminui entre as pessoas mais velhas", disse Berrington de Gonzalez. Isso tem consequências para a pesquisa científica. Se os casos de câncer estão aumentando em todas as faixas etárias, é provável que as causas sejam amplamente disseminadas. Assim, estudos focados apenas em jovens correm o risco de buscar explicações complexas sem dispor de dados suficientes para testá-las, afirmou a pesquisadora. Maior conscientização pode explicar aumento de diagnósticos Um estudo americano sobre câncer de pâncreas em pessoas de 15 a 39 anos constatou que o crescimento ocorreu quase exclusivamente em tumores diagnosticados em estágio inicial. As taxas de mortalidade permaneceram inalteradas. Isso sugere que, em vez de um aumento do número de casos de câncer, houve um aumento no número de diagnósticos precoces. E isso pode ser explicado por uma maior conscientização da população, levando mais pessoas a fazer exames. Os dados sobre o câncer colorretal, porém, parecem diferentes: alguns estudos americanos mostram aumento também nos estágios avançados da doença, o que sugere um crescimento real do número de casos, e não apenas dos diagnósticos. Relação entre câncer e obesidade A obesidade é uma causa comprovada de pelo menos 13 tipos de câncer, segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com uma revisão de estudos publicada em 2021, jovens adultos com obesidade tinham quase o dobro de probabilidade de desenvolver câncer colorretal antes dos 50 anos. A obesidade também foi a condição que mais rapidamente se disseminou entre os jovens. A OMS informa que as taxas de obesidade dobraram entre os adultos desde os anos 1990 e quadruplicaram entre os adolescentes. Além disso, a alimentação faz diferença. Carnes processadas são classificadas como cancerígenas. O consumo de álcool também é um fator de risco. Já uma dieta rica em fibras (presentes em vegetais, grãos integrais e leguminosas) reduz o risco de câncer. Alguns pesquisadores também afirmam que alimentos ultraprocessados e microplásticos causam câncer. Mas Gunter disse que as evidências ainda são inconclusivas. "Há muito exagero em torno do tema", afirmou Gunter, acrescentando que são necessárias mais pesquisas. Berrington de Gonzalez concorda: "As dietas mudaram, mas ainda não sabemos qual papel isso pode desempenhar". Como jovens podem reduzir risco de câncer Gunter afirmou que as pessoas não devem ser culpadas por viverem em sociedades estruturadas em torno de alimentos práticos e do trabalho sedentário, e que mudanças duradouras dependem de políticas públicas de saúde. Mas ele também disse que os jovens podem reduzir o risco de câncer mantendo um peso saudável, praticando mais atividade física, consumindo mais fibras e reduzindo o consumo de carnes processadas. "Fazer uma caminhada, ser fisicamente mais ativo, comer mais frutas e verduras. Talvez essas coisas não estejam tão na moda, mas são realmente importantes." Para uma pessoa de 30 anos lendo esta reportagem, a mensagem de Berrington de Gonzalez é tranquilizadora: o câncer entre jovens continua sendo relativamente raro.

g1.globo.com · world

'Óculos pervertidos': versão sem câmera poderá salvar o produto da Meta?

Óculos inteligentes da Meta Bloomberg via Getty Images via BBC Quando a Meta lançou seus óculos inteligentes alimentados por IA em 2023, em colaboração com a marca de óculos de sol Ray-Ban, surgiu uma enxurrada de controvérsias. Houve diversos relatos de uso dos dispositivos para assediar mulheres e, principalmente, meninas. Elas foram filmadas sem consentimento e as imagens foram posteriormente compartilhadas na internet. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia A recente contratação pela Meta de Kylie Jenner, irmã de Kim Kardashian, como principal modelo da empresa, aparentemente não resolveu o problema de imagem. Os dispositivos foram apelidados de óculos "pervertidos" ou "sinistros". No Reino Unido, os pubs JD Wetherspoon, alguns teatros importantes, a Comic-Con, certas escolas e a base da Marinha britânica Faslane, que abriga os submarinos nucleares do país, decidiram pela sua proibição. Agora no g1 Na quinta-feira (24/9), a Meta apresentou uma nova versão dos óculos inteligentes sem câmera, chamada Ray-Ban Meta Audio. Eles terão as mesmas funções de áudio dos óculos originais (incluindo a capacidade de fazer ligações telefônicas ou reproduzir música, com o som dirigido diretamente para o seu ouvido), mas com menos consequências para a privacidade das pessoas. Para alguns profissionais do setor, parece uma mudança interessante e, talvez, uma reação às críticas relativas à privacidade. A Meta nega que os novos óculos tenham sido lançados às pressas, em resposta ao furor do público. A gigante da tecnologia afirma que o produto estava em desenvolvimento há dois anos. A versão apenas com áudio é mais barata que seus primos dotados de câmeras e a empresa declarou que sua armação é mais leve e tem mais tempo de bateria. Contei ao chefe de produtos da Meta Glasses, Ankit Brahmbhatt, que eu imaginava que este modelo poderia superar as vendas dos óculos originais com câmera. Ao ouvir isso, ele fez uma pausa significativa. "Temos, eu acho, algo para todos", declarou ele, escolhendo suas palavras com muito cuidado. Mas será que o lançamento de uma opção sem câmera representa uma mudança da forma em que as companhias de tecnologia observam o futuro dos óculos inteligentes? E a versão original da Meta será mantida? Ou devemos observar os óculos sem câmera como um subproduto de nicho, que atende a um mercado pequeno, similar ao que fazem alguns fabricantes de celulares, que passaram a lançar telefones em forma de "tijolo", sem internet, para as pessoas cansadas de redes sociais? Música, mapas e lavagem de carros Sem dúvida, os óculos inteligentes se tornaram motivo de controvérsias. Recebi emprestado um par de Meta Ray-Ban (com câmera), para testar. Inicialmente, fiquei nervosa para usá-los em público, pela possibilidade de assédio físico. Soube de pessoas que arrancaram os óculos da cabeça dos usuários e os esmagaram na rua. Na verdade, eu os usei no transporte público e andando a pé em diversas cidades britânicas, como Londres, Glasgow e Portsmouth. Ninguém demonstrou reação. A experiência me fez imaginar se o conhecimento do público sobre eles realmente é tão grande quanto acreditam a Meta e os ativistas contrários aos óculos. Dito isso, algumas pessoas me disseram discretamente que não teriam confiança de abordar alguém usando esses óculos, mesmo se os identificassem, por medo de que a interação fosse filmada e carregada na internet. Os óculos são projetados para funcionar como uma extensão do seu telefone celular. Eles usam Bluetooth para se sincronizar com o aparelho, por meio do aplicativo de IA da Meta. Os dispositivos são ativados por voz e alto-falantes abertos nas hastes canalizam o som para os seus ouvidos. O resultado é parecido com os fones de ouvido sem cancelamento de ruído, de forma que você ainda consegue ouvir o mundo à sua volta. Minha opinião, que pode ser objeto de cancelamento, é que encontrei utilidade para várias das funções dos óculos. E o interessante é que nenhuma delas incluía a câmera. Ouvir música e podcasts no transporte, sem precisar de fones tampando meus ouvidos, me pareceu mais seguro. E senti mais confiança ao evitar os ladrões de celulares que andam de bicicleta pelo centro de Londres, sem ter meu telefone fisicamente nas mãos. Meu lamentável senso de direção me obriga a usar muito os aplicativos de mapas. E acabou sendo prático ouvir as instruções nos meus ouvidos. Mas a desvantagem foi precisar aceitar que o aplicativo Meta AI soubesse exatamente onde eu estava a todo tempo. A Meta é conhecida pela sua sede de dados pessoais. Quando postei sobre o uso do Meta Ray-Ban nas redes sociais, enfrentei momentos difíceis. Mas as reações foram diferentes quando os mostrei às pessoas que fazem parte do meu dia a dia. Minha cabeleireira, por exemplo, adorou a ideia de usá-los para registrar as transformações dos cabelos das suas clientes. Conversei com um fisiculturista na academia, que imaginou seu uso para gravar o que ele estivesse fazendo, seja em caso de acidentes ou até para ensinar novas técnicas às outras pessoas. Meu amigo corredor disse que gostaria de usar os óculos em uma corrida. E muitos criadores de conteúdo são fãs do dispositivo. Meu filho os pegou emprestados para lavar meu carro e me mostrou, orgulhoso, sua filmagem de como ele retirou delicadamente um pedaço de cocô de passarinho que resistia a sair do carro, sem danificar a pintura. Fiquei satisfeita, acreditando alegremente na palavra dele. Falando de forma mais ampla, os óculos inteligentes foram bem recebidos pela comunidade dos deficientes visuais. Um usuário os descreveu para a BBC como "revolucionários", pois eles podem fornecer descrições em áudio dos locais atuais e ler em voz alta textos visíveis, como as opções de cardápio de um restaurante. Em agosto, a Meta doou 15 mil pares para uma organização beneficente para deficientes visuais da Irlanda. Pedidos de regulamentação Ainda assim, o furor em relação à privacidade aumentou. Os óculos têm um LED branco que começa a piscar quando a câmera está ligada, o que levou ao surgimento de uma verdadeira indústria, em busca de soluções técnicas para desligar aquela luz. Algumas delas exigem que os óculos sejam desmontados. A Meta afirma que menos de 0,1% das armações vendidas em todo o mundo foram fisicamente manipuladas. Os números exatos de vendas são desconhecidos, mas a EssilorLuxottica, dona da marca Ray-Ban, informou ter vendido sete milhões de unidades no ano passado. A empresária de tecnologia Liz Hunter criou uma petição convocando novas e urgentes regulamentações para os óculos inteligentes. Ela é mãe e está furiosa. "Eles nunca, nunca deveriam ter deixado o laboratório com a Meta", declarou Hunter. "É uma verdadeira paródia de confiança pública, de igualdade das mulheres, e reverteu nosso direito à privacidade bem diante dos nossos olhos." Hunter acredita que os óculos inteligentes devem permanecer disponíveis para pessoas com deficiências visuais, mas não para a população em geral. "Não precisamos deles, nem os queremos", afirma ela. Um desenvolvedor polonês lançou um aplicativo chamado ZuckOff. Ele usa Bluetooth para identificar óculos inteligentes nas proximidades e já foi instalado milhares de vezes, segundo a revista Wired. Ben Wood, da empresa de pesquisa em tecnologia CCS Insight, se lembra de ter lido pela primeira vez a expressão "óculos pervertidos" no jornal Financial Times, que é normalmente moralista. Para ele, este é um sinal de que o dispositivo gerou "forte reação contrária do público". Mas o furor não deteve outras empresas de observar o mercado. A Samsung estaria trabalhando para estabelecer colaboração com a conceituada marca de óculos Warby Parker. A Google também estaria desenvolvendo um modelo de óculos inteligentes. A Snap, empresa responsável pelo Snapchat, lançou recentemente o modelo Specs, vendido no varejo americano por US$ 2.195 (cerca de R$ 11,4 mil). Os usuários podem ver dados dentro do vidro e estalar os dedos para tirar uma foto. O fundador da Snap, Evan Spiegel, acredita que os óculos inteligentes, um dia, irão substituir os telefones celulares. E ele não é o único a pensar assim. Retrocesso ou distanciamento? Quando a Meta lançou os óculos inteligentes, em 2021, eles eram projetados, em parte, com base no que o usuário poderia ver. A empresa prometeu que permitiria aos usuários "gravar facilmente o mundo como eles o vissem" e "capturar momentos da vida em tempo real, de um ponto de vista único em primeira pessoa". Por isso, o último lançamento da Meta (os óculos sem câmera) é tão notável. Preocupado com os óculos inteligentes, o pesquisador Janusz Swierczynski, da Escola de Negócios Saïd da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que o lançamento de uma versão sem câmera é um "sinal positivo" de que a Meta parece ter ouvido os receios relativos à privacidade. "Eles estão pensando nisso e estão respondendo", afirma Swierczynski. Mas ele não acha que esta seja uma resposta "perfeita", já que os óculos com câmeras permanecem no mercado. Outros não têm tanta certeza de que a medida represente uma mudança real. "Certamente, não é o fim das câmeras em óculos", segundo Wood, da CCS Insight. Ele acredita que os óculos inteligentes, em grande parte, servem para capturar informações. Os óculos coletam o máximo de dados que podem do seu ambiente e usam a IA para contar ao usuário sobre eles. E os óculos dotados de câmera (treinados com base no que você puder ver) são uma fonte "extremamente boa" dessas informações. "É um valioso fluxo de dados para uma plataforma de IA, que pode interpretar aqueles dados e fornecer as melhores informações possíveis relacionadas a eles", explica Wood. "Por isso, ter suas partes visuais com as câmeras é um pilar fundamental para obter a melhor experiência." Wood imagina que a Meta venha trabalhando nos óculos sem câmeras há vários anos e que as atuais reações negativas em relação à privacidade forneceram um "momento fantástico" para o seu lançamento. De fato, até o momento, a Meta não mostrou nenhum sinal de desacelerar o desenvolvimento de óculos com câmeras. A empresa irá lançar sua terceira geração dos óculos no Reino Unido em outubro. Eles podem exibir dados visualmente dentro das lentes. Aliás, como jornalista que faz transmissões ao vivo e já tendo falado abertamente sobre nevoeiro mental, consigo entender a atração exercida por um par de óculos que pode exibir discretamente um roteiro para o usuário. A analista de tecnologia Kate Winick, da empresa de pesquisa Forrester, afirma que não se trata de um retrocesso em relação aos óculos com câmeras, mas sim um "distanciamento, oferecendo aos usuários tempo para se acostumarem com a tecnologia... para que os próprios usuários comecem a dizer: 'Oh, seria muito mais útil se tivesse uma câmera.'" E ela comenta, paradoxalmente, que a existência de óculos sem câmera pode ajudar a "reduzir a pressão" sobre as pessoas que usam óculos com câmera em público. "Agora se sabe que alguns óculos no mercado têm câmeras e outros, não", explica ela. Por isso, "você não pode esbravejar automaticamente com todos os usuários de óculos da Meta, pois talvez você não saiba se eles têm ou não câmera." Rumo a uma norma social Outras empresas tentam responder aos receios sobre a privacidade de diferentes formas, sem eliminar a câmera. A companhia taiwanesa HTC lançou recentemente os óculos Vive Eagle, que custam menos de 25% do valor cobrado pela Snap. O vice-presidente da HTC Vive, Thomas Dexmier, afirma que, se qualquer pessoa próxima a um usuário de óculos Eagle disser "pare de filmar", ou "pare de gravar", e um dos quatro microfones captar a expressão, a câmera será desativada. Ele destaca que todas as gravações capturadas pelos óculos são criptografadas e nem a própria empresa pode observá-las. Mas isso também significa que a HTC não pode identificar conteúdo nocivo. "Reconhecemos que existem dificuldades que podem se tornar problemas reais, especialmente para as mulheres", segundo ele. Dexmier afirma que a HTC Vive está trabalhando para dificultar o emprego indevido da tecnologia, mas é "cedo demais para comentar" se a empresa consideraria uma versão sem câmeras. Em última análise, Wood acredita que os óculos com câmeras "não irão desaparecer". Ele conta que o momento atual o faz relembrar os anos 2000, quando algumas pessoas diziam que os fabricantes de telefones celulares não poderiam instalar câmeras nos seus aparelhos, devido a preocupações similares com a privacidade das pessoas. Para Wood, "isso é inevitável". "Precisaremos encontrar uma norma social, um enquadramento para o uso desses produtos."Zoe Kleinman

g1.globo.com · world

De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos vítimas de caça e maus-tratos são soltos no ES

Jabutis, aves e macacos-prego ganham uma nova chance na Mata Atlântica Aves, jabutis, ouriços e macacos-prego resgatados de maus-tratos, caça e cativeiro ilegal ganharam uma nova chance de viver na natureza no Espírito Santo. Desde 2011, cerca de 4 mil animais já foram reintroduzidos ao habitat natural nessa área do Sul do estado. Os animais passaram por tratamento, recuperação e um período de adaptação antes de serem reintroduzidos em uma área de Mata Atlântica preservada no Sul do estado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O local exato da soltura foi mantido em sigilo por segurança. A medida evita que caçadores sejam atraídos para a região e que os animais voltem a ser capturados ilegalmente. A ação foi realizada por equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) e do Centro de Reintrodução de Animais Silvestres (Cereias). No Cetas, em Aracruz, no Norte do estado, os animais resgatados, apreendidos ou entregues voluntariamente passam por um longo período de recuperação. Segundo o analista ambiental do Ibama e chefe do Cetas, Joseano Torezani, alguns animais chegam em condições muito ruins. "A gaiola chega com muita sujeira, fezes misturada com comida e sem água. A gente tem que fazer um trabalho de profilaxia para tratar possíveis doenças e evitar a disseminação para aqueles que estão bem, e esse trabalho pode levar meses", explicou. De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos-prego vítimas de caça e maus-tratos são soltos na Mata Atlântica no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta No Cereias, também em Aracruz, os animais passam por um período de readaptação antes de serem considerados aptos a voltar para a natureza. "O Cereias recebe animais do estado todo, tanto apreendido quanto entrega voluntária, recolhimento. A gente trabalha comportamento, readaptação comportamental e alimentar também, devido ao longo período que passaram em cativeiro", destacou o biólogo José da Penha Rodrigues. LEIA TAMBÉM: MEIO AMBIENTE: Jacutinga, extinta na Mata Atlântica do ES, RJ e BA, pode voltar à natureza com projeto de conservação PESQUISA: DNA da água em rio do ES ajuda cientistas a encontrar peixe ameaçado de extinção CURRAL ECLÉTICO: vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no ES; veja VÍDEO Adaptação pode levar meses ou anos Antes da soltura, os animais são observados diariamente. A equipe avalia se eles conseguem se afastar das pessoas e dos tratadores e se já estão preparados para viver sem ajuda. "No momento que ele vai se distanciando das pessoas, dos tratadores, de tudo, vai se afugentando, e o momento que ele está apto. E quando a gente chega perto do viveiro, e ele vem topar com a gente, conseguimos perceber que ele ainda está bem domesticado", explicou José da Penha. Uma das etapas que pode levar mais tempo ocorre quando os animais chegam ao centro com as penas danificadas. Nesses casos, a recuperação pode levar meses ou até anos. Vinte papagaios da espécie chauá estão em um dos viveiros para, em breve, serem reintroduzidos na mata. O Espírito Santo concentra a maior população da espécie. De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos-prego vítimas de caça e maus-tratos são soltos na Mata Atlântica no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta "Demanda muito tempo para eles fazerem a muda. São seis meses, um ano e, dependendo do caso, até um ano e meio ou dois anos", explicou o presidente do Cereias. A readaptação também inclui o convívio com outros animais da mesma espécie. É o caso dos papagaios que passaram muitos anos isolados em cativeiro. "Um papagaio que viveu a vida inteira sozinho, dez, 15, 20 anos, quando a gente junta com outros papagaios, é incrível como eles se reconhecem e começam a se comunicar. Eles podem até acasalar naquele momento, formar um par, que é para a vida inteira", contou. No viveiro de adaptação, 20 papagaios-chauá aguardam o momento de serem reintroduzidos na mata. O Espírito Santo concentra a maior população da espécie. Segundo o presidente do Cereias, a reprodução é importante para a conservação dos animais. "É para ter aquela serventia para a natureza, que é passar os genes para frente. Enquanto que, se tivesse preso na casa da pessoa, seria um animal morto para a natureza", afirmou. Animais ajudam no equilíbrio da natureza A volta dos animais também contribui para o equilíbrio do ecossistema. Os jabutis, por exemplo, ajudam a espalhar sementes e favorecem o nascimento de novas árvores. Um dos animais recuperados foi um ouriço-cacheiro que chegou ao centro ainda recém-nascido. "É um ouriço-cacheiro que chegou filhotinho, com dois ou três dias de nascido. Teve que ser alimentado na seringa. Depois, com o tempo, ele aceitou a mamadeira", contou o presidente do Cereias. De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos-prego vítimas de caça e maus-tratos são soltos na Mata Atlântica no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Quando o animal chegou à fase adulta, a equipe conseguiu formar um casal para que os dois fossem devolvidos juntos à natureza. "Chegou um parceiro, a gente formou o casal e soltamos o grupo acasalado", explicou. Além da soltura, algumas gaiolas utilizadas para manter animais em cativeiro foram destruídas. Para Joseano Torezani, a captura ilegal prejudica o meio ambiente e pode afetar também a vida das pessoas. "Não basta só ser o desmatamento para diminuir o habitat das espécies, mas a captura ilegal, essa pressão que eles fazem sobre os animais, só traz prejuízo para o meio ambiente e para as pessoas. É uma saúde só. Se o meio ambiente começar a ficar doente, ficar desequilibrado, isso vai refletir diretamente na nossa saúde e no nosso bem-estar." Depois de meses ou até anos de recuperação, os animais são preparados para deixar os viveiros e voltar para a mata. Para a equipe que acompanha o processo, a soltura representa o resultado de todo o trabalho de recuperação e adaptação. "É muito gratificante, porque a gente vê que, no cativeiro, aquela espécie em si ia acabar sendo perdida, talvez até entrando em extinção. Com a soltura de vários animais, vendo que eles conseguem se reproduzir na natureza, a gente vê que aquela espécie vai estar segura", afirmou. Durante uma das solturas acompanhadas pela equipe, as aves começaram a cantar assim que a grade do viveiro foi aberta. Depois de meses ou até anos de recuperação, os animais agora têm novamente a oportunidade de viver em liberdade. De volta à natureza: aves, jabutis, ouriços e macacos-prego vítimas de caça e maus-tratos são soltos na Mata Atlântica no Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

g1.globo.com · world

Elon Musk pode desligar a internet de uma guerra? Entenda o poder da Starlink

Elon Musk vira o primeiro trilionário da história da humanidade Seja nos desertos inóspitos do Saara ou na densa Floresta Amazônica, na imensidão do Oceano Pacífico ou na camada de gelo do Ártico, em muitas partes do mundo não existe acesso à internet. Originalmente, o bilionário sul-africano da tecnologia Elon Musk promoveu o desenvolvimento da Starlink para resolver precisamente esse problema, levando internet de alta velocidade a regiões do mundo onde cabos ou fibra ótica não chegam; ou onde isso é tão caro que simplesmente não compensa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Entretanto, a gama de aplicações da Starlink expandiu-se consideravelmente. O sistema passou a ser utilizado para comunicação em áreas de desastre e também por exércitos ou movimentos de protesto – por exemplo, em áreas onde a internet original foi destruída por fogo inimigo ou bloqueada por regimes ditatoriais. Como funciona a Starlink? Rede Starlink tem quase 10 mil pequenos satélites em órbita baixa La Nacion/ZUMA Press/picture alliance Essencialmente, trata-se de um sistema de internet via satélite com quase 10 mil pequenos satélites orbitando a Terra. Eles retransmitem pacotes de dados entre si por meio de feixes de laser e não exigem uma linha de visão direta e constante com uma estação terrestre que conecte o sistema de satélites à internet convencional. Ao contrário de outros satélites de internet, que orbitam a uma altitude de aproximadamente 36 mil quilômetros, os satélites Starlink estão localizados a apenas cerca de 550 quilômetros acima da superfície da Terra. Isso permite que os sinais de internet sejam transmitidos muito mais rapidamente. A latência é mantida tão baixa que permite o funcionamento até mesmo de aplicações que exigem grande quantidade de dados. Os usuários precisam apenas de um pequeno terminal receptor com uma antena controlada eletronicamente que se alinha automaticamente com os satélites que passam. Esses terminais, então, encaminham o sinal recebido para um roteador próximo, que fornece a conexão de internet dentro da rede local. Onde a Starlink já foi utilizada? Musk promoveu o desenvolvimento da Starlink para prover internet a zonas remotas Julia Demaree Nikhinson/AP Photo/dpa/picture alliance Ucrânia: Desde o início da guerra de agressão da Rússia, em fevereiro de 2022, a Starlink tornou-se uma das ferramentas de comunicação mais importantes na zona de guerra. Os militares utilizam o Starlink para coordenar unidades, operar drones e controlar sistemas terrestres não tripulados. No setor civil, o sistema é utilizado por hospitais, serviços de emergência, fornecedores de energia e a ferrovia ucraniana, entre outros. Alega-se também que o Exército russo está acessando a Starlink usando terminais contrabandeados ilegalmente para o país através de países intermediários. O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que trabalha em estreita colaboração com a operadora, SpaceX, para restringir ao máximo esse uso. Sudão: Na guerra civil sudanesa, a Starlink é usada principalmente pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que luta contra o Exército estatal. Centenas de dispositivos foram contrabandeados para o país através dos Emirados Árabes Unidos, e um verdadeiro mercado negro de terminais Starlink se estabeleceu. As RSF usam esses dispositivos para comunicação e coordenação entre suas milícias, enquanto as Forças Armadas Sudanesas (SAF) tentam bloquear sua importação e uso. Irã: No início deste ano, protestos em todo o país eclodiram contra o regime em Teerã, que respondeu, entre outras coisas, desligando a internet. No entanto, relatos indicam que milhares de terminais foram contrabandeados para o país e revendidos no mercado ilegal. Isso permitiu que manifestantes usassem a Starlink para coordenar seus atos contra o regime, apesar da censura estatal da internet. Venezuela: A Starlink também já foi usada no passado para burlar restrições de informação e garantir acesso gratuito à internet. Durante muito tempo, o serviço só esteve disponível extraoficialmente, através da compra de kits no comércio local. Após a intervenção dos EUA e a captura de Nicolás Maduro, Elon Musk ofereceu temporariamente acesso gratuito à internet aos cidadãos do país. Usuário precisa só de um terminal receptor com antena, que encaminha o sinal a um roteador próximo Middle East Images/picture alliance Faixa de Gaza: Desde julho de 2024, a Starlink tem sido usada para fins humanitários em uma Faixa de Gaza amplamente destruída. Organizações de ajuda humanitária e um hospital de campanha podem utilizá-lo para fornecer assistência por telemedicina e coordenação logística. No entanto, o acesso generalizado para civis permanece limitado, em parte devido a preocupações de segurança por parte de Israel. Quais são as críticas à Starlink? A Starlink costuma ser a única conexão de internet em zonas de conflito. Isso confere a Elon Musk uma enorme influência. Em alguns casos, a comunicação de forças armadas inteiras ou organizações humanitárias depende de sua empresa, a SpaceX. Por exemplo, Musk já se recusou a ativar o serviço para a Ucrânia durante um ataque perto da Crimeia. O presidente dos EUA, Donald Trump, também ameaçou a Ucrânia com o desligamento dos satélites para forçar Kiev a fazer concessões nas negociações. Há também críticas do ponto de vista ecológico. Os satélites Starlink são produzidos em massa e têm uma vida útil de apenas cerca de cinco anos. Em média, um ou dois satélites de Musk se desintegram na atmosfera terrestre todos os dias; o óxido de alumínio liberado nesse processo pode afetar a camada de ozônio e contribuir para o aquecimento global. Além disso, os numerosos satélites refletem a luz solar, tornando o céu noturno mais claro, o que também pode ter um impacto sobre a vida selvagem. Quem está trabalhando em alternativas? Ferramenta vital em conflitos: soldado ucraniano com receptor de Starlink Alexander Polegenko/picture alliance Apesar de todas as preocupações, alternativas já estão sendo desenvolvidas, principalmente na Europa, para quebrar o monopólio da Starlink. O maior concorrente privado da SpaceX atualmente é a Eutelsat. No entanto, seu serviço de satélite, OneWeb, com uma frota de mais de 600 satélites, é significativamente menor. Além disso, o serviço se concentra em clientes corporativos e aplicações marítimas. A Eutelsat também está envolvida no desenvolvimento da IRIS², uma ambiciosa rede de satélites de alta segurança da União Europeia. Essa rede visa tornar a Europa menos dependente da Starlink. Contudo, ela não estará operacional antes de 2029. Elon Musk também enfrenta concorrência nos EUA, principalmente de seu colega bilionário Jeff Bezos. A empresa de Bezos, a Amazon, está trabalhando intensamente em seu serviço Amazon Leo: a construção de uma rede com mais de 3 mil novos satélites em órbita baixa da Terra. A Amazon planeja estrear seu serviço comercialmente ainda neste ano – inclusive no Brasil, graças a uma parceria com a Sky. Os céus estão prestes a ficar mais congestionados , especialmente porque a China está desenvolvendo dois sistemas próprios de comunicação via satélite. O projeto estatal Guowang é voltado principalmente para uso nacional e militar e prevê a inclusão de até 13 mil satélites, enquanto o projeto Qianfan, com aproximadamente 12 mil satélites, tem uma orientação mais comercial e destina-se a atender países emergentes e em desenvolvimento. Os primeiros lançamentos em massa para ambos os projetos também estão programados para este ano.

g1.globo.com · world