Governo do DF aciona STF contra a União em duas ações envolvendo recursos federais; entenda como ambas podem afetar a capital

g1.globo.com · world
✨ AI Summary

The government of Brasília's Federal District has gone to the Supreme Federal Court twice in a week, both times against the Union. One case challenges a law signed by President Lula that, in the local government's reading, could trim future adjustments to the Constitutional Fund transfer. Together the two suits bear on how federal money reaches the capital and on its overall financial footing.

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF) STF/Divulgação Em uma semana, o governo do Distrito Federal acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a União em duas frentes distintas – em temas que envolve a saúde financeira do DF e o uso de recursos federais. Em uma das ações, o governo do DF tenta anular uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, segundo o processo, pode afetar o reajuste do repasse do Fundo Constitucional nos próximos anos. Na outra, o DF tenta obrigar a União a constar como avalista no empréstimo bilionário, travado desde o primeiro semestre, para socorrer o patrimônio do Banco de Brasília (BRB). Até a noite desta segunda-feira (7), não havia decisão tomada em nenhuma das duas. Como foram protocoladas há pouco tempo, os ministros ainda devem coletar a opinião de órgãos como a Advocacia-Geral da União, o Ministério da Fazenda e a Procuradoria-Geral da República antes de qualquer sentença. Veja abaixo mais detalhes sobre cada um dos processos – e como eles podem afetar os cofres do DF no futuro. Fundo Constitucional do DF O DF entrou com uma Ação de Inconstitucionalidade (ADI) no STF para questionar uma lei federal que, segundo a administração distrital, pode reduzir o crescimento dos repasses do Fundo Constitucional do DF sempre que a União registrar déficit fiscal. ➡️ Uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é um processo usado para pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que verifique se uma lei ou parte de uma lei está de acordo com a Constituição Federal. Na ação, distribuída ao ministro Cristiano Zanin, o governo argumenta que a nova regra afeta a obrigação da União com o custeio de parte dos gastos do Distrito Federal, prevista na Constituição. O DF diz ainda que, se a União entrar em déficit e isso impactar o reajuste do Fundo Constitucional, o novo cálculo pode comprometer o financiamento de áreas como segurança pública, saúde e educação. Miriam Leitão: Orçamento de 2027 tem esforço fiscal ➡️O que diz a lei federal? A lei trata de vários temas – do preço dos combustíveis à realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil no ano que vem. No artigo 14, já no fim do texto, inclui dois dispositivos de ajuste fiscal válidos a partir de 2027. A lei diz que, se houver previsão de déficit primário, o governo fica proibido de: reajustar para cima as despesas federais, incluindo aquelas que têm crescimento vinculado; contabilizar os recursos do Fundo Social do Pré-Sal na hora de programar as despesas do ano seguinte. Segundo o governo do DF, as duas medidas "punem" o Fundo Constitucional que abastece os cofres distritais. A primeira congela o reajuste dos repasses, e a segunda reduz a "base de cálculo" usada para calcular o repasse dos anos seguintes. De acordo com a estimativa apresentada pelo governo, a medida poderá provocar uma redução de cerca de R$ 1,8 bilhão nos recursos destinados ao Distrito Federal já em 2027. Empréstimo para o BRB Após acordo homologado no STF, empréstimo bilionário para tentar salvar BRB não sai do papel No dia 2 de setembro, a Procuradoria-Geral do DF entrou no Supremo com uma Ação Cível Originária (ACO) contra a União, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). ➡️Diferente de uma ADI, que questiona se uma lei é constitucional, a ACO é usada para resolver um conflito concreto entre governos ou órgãos públicos. A ação foi distribuída ao ministro Luiz Fux, que já é o relator da tentativa de conciliação entre o DF e a União para viabilizar um empréstimo bilionário para injetar capital no Banco de Brasília (BRB) – que vive uma crise após transações malsucedidas com o Banco Master. ENTENDA: BRB, União, DF e bancos retomam conciliação no STF nesta quinta para tentar destravar empréstimo; entenda o que está em jogo O governo do DF pede que o Supremo mande a União liberar os limites financeiros necessários à operação – na prática, que "ignore" a nota baixa do DF na gestão fiscal e entre como avalista do empréstimo. ➡️ O DF está com "score" baixo no Capag, índice do Tesouro Nacional que mede a capacidade dos governos de honrar suas dívidas. Em razão dessa nota baixa, a União fica proibida, por lei, de oferecer garantia nas operações de crédito que o governo do DF quiser contratar. Como alternativa, a ação sugere um outro cenário: que o DF possa oferecer garantias diretas ao FGC pelo empréstimo. ➡️Na negociação iniciada em maio e travada há meses, um consórcio formado pelos maiores bancos públicos e privados do país aparece como "intermediário". ➡️ Ou seja: o empréstimo seria concedido pelo FGC, com garantia dos bancos. E em caso de calote, os bancos pagariam a dívida ao FGC para, só então, cobrar as "contragarantias" do governo do DF. O Distrito Federal alega ainda que, apesar de cumprir suas contrapartidas fiscais, a contratação está paralisada devido à inércia dos réus (União, Banco Central e Fundo Garantidor de Créditos) e à ausência de formalização das garantias bancárias previstas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou inércia da União e afirmou que equipes do governo federal vêm viabilizando o acordo. LEIA MAIS: ELEIÇÕES: TSE vai decidir se Arruda pode ou não ser candidato no DF; entenda os cenários possíveis para a disputa PROGRAME-SE: 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta semana Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Read full article →