Justiça de SP manda desembargador que humilhou guarda na pandemia pagar R$ 54 mil de indenização
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/rI4KMmnd3UaPSb8RkPBhnaCoC0U=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/i/x/BkPpVqT82Z2g1DZ88UFw/fotojet-2026-09-09t120755.090.jpg" /><br /> Desembargador Eduardo Siqueira foi multado em 2020 por não usar máscara facial na praia. Reprodução A Justiça de São Paulo determinou que o desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira, que humilhou um guarda civil municipal após ser multado por não utilizar máscara na pandemia, pague R$ 53.965,73 de indenização. O episódio ocorreu em julho de 2020, em Santos, no litoral de São Paulo. Na época, o uso de máscaras em espaços públicos era obrigatório. Siqueira foi flagrado por agentes da Guarda Civil Municipal caminhando sem o equipamento de proteção pela faixa de areia da praia. Um vídeo obtido pelo g1 mostra o desembargador chamando o GCM Cícero Hilario Roza Neto de “analfabeto”, rasgando a multa e jogando o papel no chão. Em seguida, ele liga para o então secretário de Segurança Pública de Santos, Sérgio Del Bel Junior. (Veja abaixo.) A decisão foi proferida no último dia 27 pelo juiz Renato Santiago Garcez, da 10ª Vara Cível. Siqueira tem 15 dias para fazer o pagamento, sob pena de multa e honorários. O desembargador foi foi afastado das funções e depois aposentado compulsoriamente pelo CNJ como pena pelo comportamento. O g1 não localizou a defesa do desembargador até a última atualização da reportagem. Desembargador humilhou GCM ao ser solicitado que ele usasse máscara em Santos, SP Flagrante O desembargador Eduardo Siqueira foi abordado por uma equipe da Guarda Civil Municipal enquanto caminhava sem máscara pela faixa de areia da praia de Santos. Os agentes pediram que ele colocasse a proteção. Nas imagens, Siqueira diz que não vai assinar a multa e confronta o guarda, afirmando que rasgaria o documento caso ele insistisse em aplicar a sanção pela falta de uso da máscara. O agente então alerta que, se o desembargador jogasse a multa no chão, poderia ser autuado por descarte de papel em via pública e receber uma segunda multa. Mesmo após o alerta, Siqueira pega o documento da prancheta, rasga o papel e o joga na areia. Em seguida, dá as costas para a equipe e deixa o local. "Você quer que eu jogue na sua cara? Faz aí, que eu amasso e jogo na sua cara", diz o desembargador ao ser abordado sem máscara, se referindo à multa por não usar o acessório. Na sequência, Siqueira pega o celular e, segundo ele próprio afirma nas imagens, liga para o então secretário de Segurança Pública de Santos, Sérgio Del Bel Junior. “Estou aqui com um analfabeto”, diz o desembargador ao telefone. “Eu falei, vou ligar para ele [Del Bel] porque estou andando sem máscara. Apesar de eu estar andando nessa faixa da praia, ele está aqui fazendo uma multa. Eu expliquei e eles não conseguem entender”, reclama. Desembargador rasgou multa e jogou na faixa de areia em praia de Santos (SP) Reprodução O que disse o desembargador Na época, em nota, o desembargador confirmou que o vídeo era verdadeiro, mas alegou que as imagens foram tiradas de contexto. Para ele, a determinação por decreto do uso de máscaras em determinados locais era um abuso. No texto divulgado à época, Siqueira afirmou que “decreto não é lei” e que, por isso, entendia não ser obrigado a usar máscara. Ele também classificou como “absolutamente inconstitucional” qualquer norma que determinasse o contrário. O desembargador afirmou ainda que aquele não teria sido o primeiro incidente entre ele e agentes da Guarda Civil Municipal. Segundo sua versão, ele teria sido ameaçado de prisão de forma agressiva em outras ocasiões, o que, de acordo com ele, justificaria sua exaltação durante a abordagem. “Infelizmente, perseguido desde então, ontem, acabei sendo vítima de uma verdadeira armação”, afirmou.
Read full article →