Produtor cultural preso injustamente por quase 1 ano no RJ cria instituto para ajudar outras vítimas de erros da Justiça

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/zQ975laNhpaQe2t6wMHOUGpkX5M=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/U/n/BN0QLfQy64uBOG7hbcyg/imagem-cortada-34-.jpg" /><br /> Produtor cultural preso injustamente por quase 1 ano no RJ cria instituto para ajudar outras vítimas de erros da Justiça Arquivo pessoal O produtor cultural Ângelo Gustavo Pereira Nobre, que passou 363 dias preso injustamente no Rio de Janeiro, lançou nesta segunda-feira (31) um instituto para ajudar e dar suporte jurídico a outras vítimas de erros da Justiça. A data do lançamento marca os 5 anos desde que ganhou liberdade. Em um vídeo nas redes sociais, ele conversou com famosos e amigos que deram apoio no período em que esteve preso, como Rafael Zulu, Regina Cazé, Raphael Logam e Roberta Rodriges, a quem convidou para ser embaixadora do projeto. Na legenda, ele definiu o sentimento dos últimos cinco anos: "Hoje não é só o dia em que eu conto uma novidade. Hoje é o dia em que uma dor ganha propósito. 31 de agosto. Dia do meu renascimento. O começo de um novo capítulo e de uma missão que eu carrego no peito: fazer com que outras pessoas não precisem passar pela injustiça que eu passei." 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. O Instituto Gustavo Nobre - Justiça para os Inocentes presta apoio para os injustiçados penais e suas famílias com os seguintes serviços: Assessoria Jurídica, através de atendimento on-line. Qualificação Pessoal e Profissional, através de cursos e oficinas. Resgate da imagem, através de um serviço de assessoria de imprensa. Recolocação ao Mercado de Trabalho, através da gestão de carreira e reposicionamento realizado por uma empresa de Recursos Humanos. Os serviços são gratuitos prestados por voluntários. Para o público em geral, são oferecidos cursos, oficinas e palestras. "É um projeto que desde que eu estava lá dentro eu tinha essa vontade, vivendo dias terríveis, não só eu como minha família e meus amigos. Eu não sabia quando ia sair, mas sabia que quando eu saísse eu ia fazer algo para ajudar outras pessoas", explica Gustavo Nobre ao g1. Ângelo Gustavo Pereira Nobre recebe Medalha Tiradentes na Alerj Arquivo pessoal Gustavo explicou que precisou de um tempo para entender as burocracias e cuidar da sua saúde psicológica antes de abrir o instituto. "Não desisti em nenhum momento, sabia que ia conseguir. É transformar essa dor em propósito, é uma missão de vida. Hoje eu tô abdicando de tudo para viver o instituto para que nenhum jovem sofra o que eu sofri ou uma mãe sofra o que a minha sofreu. Ontem foi um dia muito especial com esse anúncio", destaca. Hoje com 35 anos, Gustavo foi a primeira pessoa no Rio de Janeiro a conquistar na Justiça uma indenização do Estado em razão de uma prisão injusta. Em 2023, a reparação a Gustavo e sua mãe chegou a ser negada. Ângelo Gustavo foi preso acusado de participar do roubo de um carro e depois teve a sua inocência reconhecida judicialmente. Assista a um vídeo da época: VÍDEO: Produtor cultural que foi preso injustamente no Rio agradece por campanha Investigação foi feita pela vítima em redes sociais Ângelo Gustavo foi preso em 2020 acusado de participar de um roubo de um carro. A família e a Comissão de Direitos da OAB afirmavam que ele era inocente, e listaram uma série de erros e falhas no reconhecimento feito na investigação do caso. Um deles é que Ângelo estava em uma igreja na hora do crime. Ele se recuperava de uma cirurgia no pulmão e também nunca foi ouvido durante as investigações. E o mais grave: foi reconhecido por uma foto de rede social em uma investigação paralela feita pela vítima do roubo. "A gente chegou para essa missa do melhor amigo dele. Ele estava se recuperando de cirurgia. Ele se sentiu mal nessa missa. Ele não tinha como estar em lugar nenhum, até porque não tinha condições de andar sozinho naquele dia... que dirá correr", disse a tia de Gugu, Cássia Lima. Um levantamento da Defensoria Pública do Rio e da entidade que reúne defensores públicos de todo o país da época revelava que 83% dos presos injustamente por reconhecimento fotográfico no Brasil têm o mesmo perfil: são jovens, pobres e negros como Ângelo Gustavo, o Gugu. A Polícia Civil disse, na ocasião, que Ângelo Gustavo foi preso em cumprimento de um mandado de prisão expedido pela Justiça. Logo após o caso, a Polícia Civil recomendou que os delegados não usem apenas o reconhecimento fotográfico como única prova em inquéritos policiais para pedir a prisão de suspeitos.

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