Lixo do Rio vira combustível para caminhões que levam resíduos ao Aterro de Seropédica

g1.globo.com · world

Lixo do Rio vira combustível para caminhões que levam resíduos ao Aterro de Seropédica O lixo produzido diariamente no Rio de Janeiro pode deixar de ser apenas um problema ambiental para também virar combustível. No Aterro Sanitário de Seropédica, na Região Metropolitana, o gás gerado pela decomposição dos resíduos é captado, tratado e transformado em biometano, que já abastece veículos e indústrias no estado. O aterro recebe cerca de 10 mil toneladas de resíduos por dia, a maior parte de material orgânico, como restos de alimentos. Com a decomposição, esse material produz biogás, rico em metano — um gás de efeito estufa que pode ser aproveitado como fonte de energia. O Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) Rio, em Seropédica, produz atualmente o maior volume de gás de aterro do país. O gás é captado por uma rede de tubulações instalada na montanha de resíduos e levado para uma unidade de tratamento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Aterro de Seropédica Reprodução/TV Globo Depois de filtrado, o biometano é armazenado em cilindros e transportado para abastecer sete indústrias no estado do Rio. O combustível também é comercializado para 26 postos de gasolina. A produção permite que o próprio resíduo gere energia para atividades relacionadas ao transporte do lixo. “A gente consegue trazer a economia circular do próprio resíduo, abastecendo os caminhões que transportam o próprio resíduo”, explica Rafael Botelho Silveira, diretor operacional do CTR Rio. Carretas de lixo passam a usar biometano Lixo do Rio vira combustível para caminhões que levam resíduos ao Aterro de Seropédica Reprodução/TV Globo Uma das aplicações mais recentes é justamente na frota responsável por levar os resíduos do Rio até o Aterro de Seropédica. Atualmente, 10% das carretas já são movidas exclusivamente a biometano. A previsão é que, até o fim do ano, as 60 carretas da frota estejam adaptadas para utilizar o combustível. Com a substituição do diesel, a estimativa é deixar de queimar 615 mil litros de óleo diesel por mês. Além de reduzir a emissão de poluentes, a mudança diminui a presença de fumaça preta e fuligem liberadas pelos veículos movidos a diesel. O motorista carreteiro Salvador Vicente conta que inicialmente desconfiou do desempenho do caminhão movido a biometano. “Falei: ‘Não pode ser esse mesmo rendimento como dizem’. Eu falei: ‘Só acredito vendo’. E realmente não perde nada, potência 100%, confiável”, contou. O biometano é armazenado em cilindros Reprodução/TV Globo A tecnologia também chegou aos caminhões que fazem a coleta de lixo nas ruas do Rio. Segundo o CTR Rio, 100 caminhões da Comlurb que realizam a coleta domiciliar já são movidos a biometano. O combustível pode ser utilizado em veículos originalmente preparados para o GNV, com a devida adaptação, e também tem aplicação industrial. “Tanto na indústria, como no comércio, ou como também nos carros movidos, hoje movidos a GNV, podem ser movidos também a biometano. Então é um combustível com larga utilização e que é ambientalmente correto”, afirma Rafael. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. Como o lixo vira combustível O processo começa ainda dentro do aterro. Os resíduos são depositados, compactados e cobertos com camadas de argila. Conforme a matéria orgânica se decompõe, ocorre a produção do biogás. Tubulações instaladas no aterro captam o gás e o levam até a unidade de tratamento. Ali, o metano é separado de outros componentes e transformado em biometano, que pode ser utilizado como combustível. A montanha de resíduos do CTR Rio chega a 90 metros de altura, após 15 anos de operação. Segundo o diretor operacional do aterro, a produção de biogás — e, consequentemente, de biometano — ainda deve aumentar nos próximos anos. “Essa operação ainda vai continuar por vários e longos anos e nossa produção de biogás e consequentemente de biometano também vai estar crescendo. Isso é muito importante para as indústrias, assim como para nós, nesse caminho da troca da frota movida a diesel por uma frota movida a biometano”, afirmou.

Read full article →