Fapesp restringe alunos de graduação e de mestrado em bolsas de estágio no exterior e reduz tempo de auxílio no doutorado

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/0DedcGZTKDxXTce9KZz5Go6AuqA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/y/P/itNLViQkmrJtjAMWQWLw/41728.jpg" /><br /> Regras para bolsas da Fapesp de estágio no exterior foram modificadas FEQ-Unicamp/Agência FAPESP Alunos de graduação e de mestrado não poderão mais pleitear a qualquer momento uma Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE) — espécie de “intercâmbio” oferecido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para o fortalecimento da ciência no país. Pelas regras instituídas nesta terça-feira (1º), haverá apenas chamadas específicas a serem abertas pontualmente. 📈Contexto: Na última semana, o regulamento da Fapesp excluía totalmente qualquer possibilidade de estudantes dessas duas modalidades entrarem no BEPE. Após o governador de São Paulo e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmar, na sexta-feira (28), que a fundação iria rever essa regra, houve uma mudança: apesar de o fluxo contínuo de adesão continuar interrompido, passou-se a admitir a possibilidade de futuros editais voltados só para iniciação científica e mestrado. O BEPE será mantido para doutorandos e pós-doutorandos, mas com duração reduzida pela metade: em vez de passarem um ano em uma universidade fora do Brasil, permanecerão por apenas 6 meses (a prorrogação por mais outros 6 meses só ocorrerá em “condições excepcionais e justificadas”, segundo o regulamento). Ao g1, a Fapesp esclarece, em nota, que não houve corte no orçamento ou nas bolsas, e sim ajustes pontuais nos critérios de elegibilidade e de duração, “totalmente necessários, para preservar simultaneamente a excelência das bolsas, o financiamento da pesquisa e a capacidade de investimento de longo prazo da Fundação”(leia mais abaixo). ➡️Entidades ligadas à ciência, professores e alunos afirmam que esse “enxugamento” do BEPE compromete o desenvolvimento de pesquisas que poderiam trazer avanços para a sociedade brasileira. João Marcelo Alves, por exemplo, doutorando em Física na Universidade Federal do ABC (UFABC), havia acabado de submeter sua proposta para o BEPE — ele faz simulações computacionais para calcular propriedades óticas, eletrônicas e vibracionais de estruturas cristalinas. Em termos práticos: explora formas mais eficientes de produzir energia renovável (principalmente solar). “Fui surpreendido por essa mudança de regra na duração da bolsa. Precisarei adequar todo o meu cronograma, porque vou perder tempo de pesquisa e de colaboração de cientistas dos Estados Unidos”, diz. “Reduzir o tempo do doutorado e tirar o mestrado do [fluxo contínuo do] BEPE são formas de comprometer a internacionalização. E, atualmente, é impossível fazer ciência sozinho. Essas redes de colaboração entre pesquisadores de diferentes países trazem ideias e soluções.” A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), ao se manifestar contrária à decisão da Fapesp, também foca na importância desses intercâmbios. “A possibilidade de desenvolver uma etapa da pesquisa em instituições estrangeiras permite o acesso a novas metodologias, laboratórios, bibliotecas e redes de colaboração, além de ampliar a circulação internacional da ciência produzida no Estado de São Paulo”, afirma a entidade. “A internacionalização não é um benefício acessório da pós-graduação, mas parte estratégica da formação científica.” Quais as justificativas da Fapesp? Somando todas as modalidades (iniciação científica, mestrado, doutorado, doutorado direto — quando o aluno “pula” o mestrado, e pós-doutorado), os orçamentos do BEPE foram os seguintes (com correção do IGPM): 2023: R$ 96,8 milhões 2024: R$ 99 milhões 2025: R$ 153 milhões Após esse incremento significativo em 2025, o corte de modalidades em 2026 e a redução do período do doutorado surpreenderam estudantes que pretendiam se inscrever no BEPE. A Fapesp justifica esses "ajustes estratégicos" com os argumentos abaixo: 🔴Valores acima da média: O aumento da demanda por bolsas na Fapesp decorre de dois fatores combinados —os valores altamente competitivos das bolsas pagas pela fundação e a redução da participação de agências federais no fomento à pesquisa no Estado de São Paulo (como a CAPES, cuja concessão de bolsas de doutorado em SP encolheu cerca de 7% em apenas dois anos). Uma bolsa do doutorado do CNPq é de aproximadamente R$ 3.400. Na Fapesp, passou a ser de mais de R$ 7 mil no ano passado (e mais de R$ 12 mil no pós-doutorado). 🔴Salto no número de bolsas contratadas (+73%): Entre 2023 e 2025, o total de bolsas contratadas pela Fapesp para pesquisadores individualmente disparou de 7.610 para 13.180. Já os auxílios para apoiar projetos de pesquisa específicos subiram apenas 3,7% no mesmo período (passando de 2.656 para 2.754). 🔴Explosão na demanda por bolsas no exterior (+52%): Também entre 2023 e 2025, a contratação de bolsas no exterior subiu de 1.242 para 1.889, sendo a maior parte delas da categoria BEPE. 🔴Comprometimento inédito do orçamento: Historicamente, o gasto com bolsas consumia uma média de 35% do orçamento da Fapesp. Em junho de 2026, essa despesa atingiu a marca de 58% do orçamento total da Fundação, o que motivou o alerta de risco para a saúde financeira da instituição no longo prazo. 🔴Foco das bolsas BEPE na formação avançada: A modalidade de apoio fora do país deve privilegiar estudantes e jovens pesquisadores que se encontram nos estágios mais avançados de sua formação científica, diz a Fapesp. 🔴Necessidade de preservação do equilíbrio financeiro: Diante do aumento da demanda, tornou-se "tecnicamente necessário adotar medidas para manter o equilíbrio entre os gastos com bolsas e o orçamento destinado a auxílios à pesquisa". 🔴Compatibilização de custos com encargos globais: É preciso adequar os gastos com bolsas aos demais compromissos e encargos da Fapesp, de modo a salvaguardar o equilíbrio geral das atividades de ciência, tecnologia e inovação financiadas pela instituição, diz a entidade. E quem estava pensando em pedir uma bolsa? 1. Se você é aluno de Doutorado, Doutorado Direto ou Pós-Doutorado Fluxo Contínuo: Você pode continuar solicitando a bolsa BEPE a qualquer momento. Nova Duração: O período regulamentar da BEPE mudou de 12 meses para 6 meses. Prorrogação: É possível estender a estadia por mais 6 meses, mas isso dependerá de uma solicitação formal do bolsista e de uma análise de mérito realizada pela Fapesp. 2. Se você é aluno de Iniciação Científica (graduação) ou mestrado Para estas modalidades, a inscrição por fluxo contínuo foi encerrada. O acesso à BEPE agora ocorrerá por meio de editais, divididos conforme a data de aprovação da sua bolsa de pesquisa principal no Brasil: Bolsas aprovadas até 31 de agosto de 2026: Você poderá pleitear a BEPE participando de uma chamada específica a ser anunciada no fim de setembro de 2026. Bolsas concedidas a partir de 1º de setembro de 2026: Você poderá pleitear a BEPE em uma nova chamada que será aberta no primeiro semestre de 2027. Tarcísio nega cortes na Fapesp após mudanças em regras de bolsas

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