Família transforma criação de ovelhas em experiência de turismo e gastronomia em MG

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Família transforma criação de ovelhas em turismo e vida no campo em MG O que poderia ter se transformado em um loteamento ganhou outro destino em Itapecerica, no Centro-Oeste de Minas. Na propriedade "Sabores da Ovelha", que pertenceu aos avós de Lara Dias, a família apostou na criação de ovelhas para produção de leite e, ao longo dos anos, ampliou a atividade para a fabricação artesanal de derivados, gastronomia, hospedagem e turismo de experiência. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Família família apostou na criação de ovelhas para produção de leite e ampliou a atividade para a fabricação artesanal de derivados Anna Lúcia Silva/g1 A história faz parte da 6ª reportagem da série “Itapecerica: Sabores, Sons e Memórias”, que apresenta personagens, tradições, sabores e lugares que contam sobre a identidade do município. No caso da propriedade Sabores da Ovelha, a trajetória também acompanha a decisão de uma família de trocar a vida na cidade por uma nova rotina no campo. Antes de se dedicar à criação de ovelhas, Lara morava em Belo Horizonte e trabalhava como funcionária pública. O retorno a Itapecerica aconteceu por causa de uma oportunidade profissional, mas acabou se tornando definitivo. Junto com a família, o marido Alex e três filhos: Gabi, Artur e João, ela passou a buscar uma atividade que permitisse manter a propriedade herdada dos avós e gerar renda no meio rural. Uma nova vida no campo Lara Dias, proprietária do Sabores da Ovelha em Itapecerica Anna Lúcia Silva/g1 O terreno seria vendido pelos herdeiros para a continuidade de um projeto de loteamento. O pai de Lara, porém, comprou a parte dos irmãos e manteve a área com a família. “Nós começamos ali um outro estilo de vida. E nessa busca de tentar fazer esse terreno se tornar sustentável, veio a ideia da ovinocultura e da ovinocultura de leite. Isso não é muito comum na região”, conta Lara. A escolha pela produção de leite de ovelha veio após consultorias realizadas pela família. A ideia era investir em uma atividade pouco difundida na região e apostar em um nicho com maior valor agregado. “Nós recebemos algumas consultorias e trouxemos isso justamente por não ser comum, trabalhando na questão da exclusividade. Como é pequeno, a gente precisava agregar valor. No Brasil hoje são poucos produtores de ovelhas leiteiras que estão com algum produto no mercado. Vem crescendo, mas mesmo assim é muito pouco”, explica. A aposta no leite de ovelha Proprietários escolheram a raça Lacaune, de origem francesa e reconhecida pela aptidão leiteira - Lara Dias segura um pote de iogurte Anna Lúcia Silva/g1 Entre as raças escolhidas está a Lacaune, de origem francesa e reconhecida pela aptidão leiteira. A criação exige manejo diário e acompanhamento constante dos animais, que fazem parte da rotina da família desde o início do projeto. A produção do leite é a base para a fabricação artesanal de diversos derivados. Atualmente, Lara, o marido Alex e os três filhos participam das atividades da propriedade, dividindo tarefas que vão desde o cuidado com os animais até a transformação da matéria-prima em produtos comercializados no local. “Sou eu, Alex e os três filhos que estamos ali envolvidos nesse trabalho como um todo. Então hoje nós produzimos leite, doces de leite e iogurtes para estarem no cardápio do restaurante, para servir no café da manhã para os hóspedes e também para a venda local”, afirma. O empreendimento já operou em uma escala maior. Em meados de 2016, a propriedade contava com 130 matrizes e planejava ampliar o rebanho para 250 animais. Na época, o foco principal estava na produção e comercialização de derivados do leite de ovelha, como queijos, iogurtes e doces de leite. Da produção ao turismo de experiência A pandemia em 2020 provocou mudanças nos planos da família. Até então, um dos principais produtos era o iogurte de leite de ovelha fornecido para uma rede de supermercados de Belo Horizonte. Com as transformações trazidas pelo período de crise mundial, a propriedade passou a investir fortemente no turismo de experiência, na gastronomia e na hospedagem. “Na pandemia, a gente começa a mudar esse foco. Aí começa o turismo de experiência, começa com o bistrô, com o restaurante, e a gente diminui um pouco a produção, justamente porque a nossa mão de obra é pautada na agricultura familiar”, conta Lara. Hoje, o Sabores da Ovelha funciona como um espaço onde produção rural, gastronomia e turismo se complementam. No bistrô, os derivados produzidos na propriedade aparecem em diferentes preparações, ao lado de queijos, doces, geleias e pratos feitos com carne de cordeiro criada no local. Queijos maturados e sabores artesanais Queijos passam por períodos variados de descanso em uma estrutura preparada para controlar temperatura e umidade Sabores da Ovelha/Divulgação Um dos diferenciais da produção é o processo de maturação dos queijos. Após a fabricação, algumas peças passam por períodos variados de descanso em uma estrutura de pedra preparada para controlar temperatura e umidade. Dependendo do resultado desejado, os queijos podem permanecer no espaço por 30, 60 ou até 90 dias. A experiência oferecida aos visitantes também inclui contato com a rotina da propriedade e com o processo de produção dos alimentos. Em algumas ocasiões, a programação é acompanhada por apresentações musicais de Alex, Gabi e Arthur, que ajudam a compor o ambiente do local com boa música, unindo gastronomia, natureza e convivência. Hospedagem em meio à natureza Além do bistrô, a propriedade conta com uma pousada com cinco suítes. Quatro delas são destinadas exclusivamente a casais e uma possui banheira. “Nós temos cinco suítes, quatro suítes exclusivamente para casal e uma suíte para casal com banheira. Então, assim, é tudo realmente bem intimista e exclusivo”, explica Lara. Hoje, a produção de leite, os derivados artesanais, a gastronomia, a hospedagem e o turismo rural fazem parte de uma mesma experiência. O leite sai do aprisco, é transformado em queijos, iogurtes e doces, chega ao cardápio do bistrô e ao café da manhã dos hóspedes, enquanto os visitantes têm a oportunidade de acompanhar parte desse processo de perto. A trajetória do Sabores da Ovelha mostra como uma propriedade que poderia ter sido transformada em loteamento ganhou novos significados. O espaço que permaneceu com a família se tornou fonte de renda, local de convivência e uma das experiências ligadas ao turismo rural em Itapecerica, mantendo viva a relação entre produção, memória familiar e vida no campo. Sabores da Ovelha mantém viva a relação entre produção e vida no campo, com possibilidade de interação com as ovelhas Sabores da Ovelha/Divulgação Leia outras reportagens da série: Aos 103 anos, Dona Nem vive cercada por dois séculos de história Reinado do Rosário transforma Itapecerica com fé, cultura e tradição Conheça a Cachaça do Mudo e uma tradição de quatro gerações Banda que atravessa gerações mantém viva em Itapecerica tradição musical iniciada há mais de dois séculos Antiga senzala em fazenda de Itapecerica vira memorial que preserva a história de vítimas da escravidão VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

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