Ministério Público de São Paulo e Receita Federal investigam o uso de fundos de investimento para lavar dinheiro do PCC

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O Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal realizaram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A força-tarefa investiga o uso de fundos de investimento para lavar dinheiro do PCC no setor de combustíveis. Entre os alvos está o operador do banqueiro Daniel Vorcaro. A força-tarefa esteve em 27 endereços em sete estados. Os alvos da operação eram agentes financeiros e advogados suspeitos de lavar dinheiro para os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo. Os dois estão foragidos desde 2025, quando a Carbono Oculto apontou a infiltração do PCC no setor de combustíveis. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Desta vez, os investigadores se concentraram na compra da Terrana, uma das maiores distribuidoras do país. Entre esses executivos está Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos. O nome de Freixo Junior já havia aparecido nas fraudes do Banco Master. A Polícia Federal aponta o empresário como operador do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso. O STF homologou a delação premiada de Freixo sobre o Master. Na delação, Antonio Carlos Freixo Júnior admitiu o envio de dinheiro a um fundo nos Estados Unidos que teria sido usado para bancar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O repasse teria chegado a R$ 63 milhões. Segundo o Ministério Público, a operação desta quinta-feira (24) não tem ligação com as investigações sobre o Banco Master. A força-tarefa em São Paulo revelou que, em seis anos, o dono da Entre Investimentos apareceu 570 vezes como ganhador de apostas e prêmios, que somam R$ 176 milhões. Para o Ministério Público, a frequência das premiações pode indicar lavagem de dinheiro. No Rio de Janeiro, policiais ficaram três horas no apartamento de Humberto Tupinambá, ex-diretor do Banco Genial. De acordo com a investigação, Tupinambá ajudou a montar a estrutura financeira que permitiu a aquisição da Terrana. “Não só nós temos a atividade criminal que gera o dinheiro ilícito, e aí ela pode ser de qualquer natureza, mas nós temos hoje também pessoas prestando o serviço de blindagem patrimonial ou de ocultação da origem de valores dentro do mercado financeiro ou de capital”, diz Márcia Meng, superintendente da Receita Federal/ SP. Receita Federal e Ministério Público de São Paulo investigam o uso de fundos de investimento para lavar dinheiro do PCC Jornal Nacional/ Reprodução A operação aponta que o dinheiro da compra da distribuidora passou por fundos de investimento e por empresas ligadas a Roberto e Mohamad. Segundo os promotores, R$ 120 milhões circularam entre contas, às vezes em questão de minutos, até chegar ao fundo que financiou o negócio. Em uma das mensagens obtidas pelos investigadores, um empresário citado na operação desta quinta-feira (24) conta que aceitou receber uma comissão de cerca de R$ 1 milhão e mais um salário de R$ 100 mil por mês para atuar como laranja da distribuidora. Segundo os promotores, ele agia sempre sob as ordens dos verdadeiros donos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a Receita vai intensificar o trabalho de fiscalização: “O que nós estamos vendo é que muitas fintechs, muitos bancos e muitas administradoras não só deixam de fazer a comunicação devida para as autoridades, como foram capturadas e estão a serviço do crime organizado. Portanto, a dificuldade de elucidação exige que nós tenhamos coordenação entre vários órgãos de inteligência, porque senão a gente não consegue”. O Banco Genial declarou que, desde maio, Humberto Arthur Tupinambá Neto não é diretor nem sócio da instituição. O banco afirmou também que renunciou à administração do fundo investigado na operação e tem colaborado com as autoridades. A Entre Investimentos e Antonio Carlos Freixo Junior disseram que não vão se manifestar sobre o caso. As defesas de Roberto Leme e Mohamed Hussein afirmaram que eles desconhecem os fatos em investigação. O Jornal Nacional não localizou a defesa de Humberto Arthur Tupinambá Neto e não teve resposta da Terrrana. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Empresas abertas com capital de R$ 1 mil movimentaram milhões em esquema investigado pela Operação Carbono Oculto Ex-diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master são alvos de 3ª fase da Operação Carbono Oculto Valdo Cruz: 3ª fase da Carbono Oculto conecta máfia dos combustíveis e esquema do Master com precatórios

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