Alta Autoridade para a Imigração lança campanha “Informar para Integrar”

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<p>Em entrevista à Inforpress, a presidente da Alta Autoridade para a Imigração (AAI), Carmem Barros, explicou que a iniciativa responde ao forte crescimento na chegada de novos imigrantes e às crescentes dificuldades linguísticas enfrentadas por cidadãos de países não lusófonos.</p><p>“Estamos a lançar este ano o curso da língua portuguesa inserido numa acção maior, que é o que nós chamamos de uma campanha 'Informar para Integrar', que tem muito a ver com o aumento da demanda que temos tido nos últimos tempos. Percebemos efectivamente que as nossas acções têm que ser mais aceleradas porque tem havido uma chegada grande”, revelou.</p><p>Promovido em parceria com a Direcção Nacional de Educação, o curso de Língua Portuguesa tem como grande propósito desenvolver competências básicas de comunicação no quotidiano e aumentar a autonomia dos cidadãos estrangeiros, reduzindo as barreiras linguísticas na sociedade cabo-verdiana.</p><p>A acção visa igualmente apoiar a inserção no mercado de trabalho, proporcionando a aprendizagem necessária para a procura de emprego, comunicação laboral e compreensão de direitos do trabalhador, reforçando de forma abrangente as condições de acolhimento, orientação e integração dos recém-chegados.</p><p>Carmem Barros esclareceu que, embora a AAI tenha disponibilizado um serviço piloto de interpretação telefónica nos serviços públicos para suprir barreiras imediatas, a prioridade estratégica passa por capacitar directamente os imigrantes no domínio do português e do crioulo.</p><p>Ao analisar os obstáculos frequentes na regularização e na obtenção de documentação formal por parte de muitos imigrantes africanos, a presidente do organismo salientou que a falta de papéis é, na maioria das vezes, uma consequência e não a causa primária dos problemas de integração.</p><p>“A documentação (...) não é o maior problema. A grande questão é aquilo que leva à dificuldade da regularização: o nível de escolaridade, a qualificação profissional, a inserção e a actividade que desenvolve”, explicou Carmem Barros, acrescentando que a prioridade da AAI tem sido facilitar o acesso à alfabetização, à formação profissional sem requisitos rígidos de nível de ensino e à formalização do trabalho.</p><p>No entanto, aquela responsável reconheceu a complexidade de conciliar o estudo com a subsistência quotidiana dos imigrantes.</p><p>“Lidamos com um perfil de pessoas que vêm e têm que trabalhar. Têm que trabalhar, não têm tempo para estudar. Há esse enorme desafio”, concretizou.</p><p>Carmem Barros apontou também como condicionalismos o défice de recursos financeiros das instituições e a limitação da cobertura geográfica dos serviços da AAI a todo o território nacional, reforçando a necessidade de continuar a mobilizar parcerias para responder à aceleração dos fluxos migratórios.</p>

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