Delegado afastado nega envolvimento em esquema de desvio de cargas apreendidas: 'O que tenho foi conquistado com meu esforço'
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/AjgvzagY5wgo4bXQ9ItBaMAcD5U=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/l/9/jG1KGBRBSIax9SDKcwJA/delegado-alexandre-bruno-2.jpg" /><br /> Delegado da Polícia Civil, escrivão e agente são afastados suspeitos de desviar cargas O delegado Alexandre Bruno Barros, que foi afastado do cargo por suspeita de fazer parte de esquema de desvio de cargas apreendidas em operações, nega qualquer envolvimento e conhecimento do caso. Em entrevista à TV Anhanguera, ele afirmou que está tranquilo em relação à investigação em curso. "Eu não devo nada. O que eu tenho foi conquistado pelo meu esforço próprio enquanto delegado de polícia", disse Alexandre Bruno. De acordo com o Ministério Público de Goiás (MPGO), os supostos desvios teriam acontecido durante o período em que Alexandre Bruno esteve à frente da Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar), em Goiânia. Além do delegado, foram afastados o escrivão Sílvio Pereira de Macedo e o policial civil Antônio Gomes de Assis Sobrinho, também pelo período de 90 dias. Delegado, escrivão e policial civil são afastados por suspeita de envolvimento em esquema de desvio de cargas apreendidas Reprodução/TV Anhanguera O MPGO afirma que parte das cargas era guardada em depósitos particulares com autorização do delegado, mas sem respaldo legal, o que ele nega. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Ao g1, a assessoria do delegado afirmou que, ainda em 2022, ele alertou a Polícia Civil sobre a falta de espaço para armazenar as cargas apreendidas nas operações policiais. O alerta foi feito por meio de um ofício enviado à Superintendência de Polícia Judiciária da PCGO no dia 19 de maio. "A Polícia Civil goiana não tem estrutura própria para a realização de armazenamento dos indigitados produtos, restando em tais casos a prestação de serviços de empresas ligadas a gerenciamento de risco e seguradoras de cargas o recolhimento, estocagem e devolução das mercadorias às vítimas", escreveu. O delegado chamou a atenção, ainda, no mesmo documento, para a possibilidade de as cargas serem furtadas ou danificadas. O delegado disse ao g1, por meio da sua assessoria, que as cobranças formais enviadas ao longo dos anos, visando solucionar o problema do depósito das cargas apreendidas, "afastam qualquer tese de clandestinidade ou dolo administrativo". Delegado Alexandre Bruno Barros é investigado por suposto esquema de desvio de cargas durante a sua gestão na Decar Reprodução/TV Anhanguera Carga de R$ 1,4 milhão De acordo com apuração da TV Anhanguera, o MPGO identificou as irregularidades depois de um desvio de uma carga de vergalhões, apreendida durante a operação "Fogo Amigo", realizada em 2021. O material era avaliado em cerca de R$ 400 mil. Esses vergalhões foram levados para o depósito do empresário Silvio Dutra, conhecido como Carioca. Os promotores afirmam que ele guardava quase todas as cargas apreendidas pela Decar. Depois disso, as cargas eram alienadas e colocadas à venda de forma clandestina no mercado informal. Os valores obtidos com as vendas eram divididos entre os participantes do esquema. Com a apreensão do celular de Carioca em 2023, durante as investigações, foram descobertas conversas com outros suspeitos envolvendo negociações de cargas. Ao g1 , o advogado Paulo Pimenta, responsável pela defesa de Carioca, disse que vai se manifestar apenas no processo, que está em segredo de justiça. Ainda segundo as investigações, um dos comparsas do empresário contou que entregou uma sacola com R$ 200 mil a Alexandre Bruno, que teria sido para a compra de um imóvel de condomínio. O delegado afirma que isso nunca aconteceu. "Eu moro em uma casa de bairro. Não moro em condomínio fechado", disse à TV Anhanguera. Pedidos de providências O delegado explicou ao g1 que, após comunicar o problema da falta de espaço para armazenamento, em maio de 2022, houve os seguintes acontecimentos: 17 de outubro de 2022: A Divisão de Assessoria Técnico-Policial respondeu oficialmente ao pedido do delegado por meio de parecer oficial, admitindo a inviabilidade financeira e a falta de espaço público da instituição para contratar armazenamento; 9 de janeiro de 2023: Diante da resposta negativa do Estado em fornecer galpões públicos, o delegado revogou todas as autorizações de depósitos particulares existentes na delegacia, suspendendo os atos de custódia excepcional. janeiro de 2023: Alexandre Bruno oficiou e convidou pessoalmente o promotor de Justiça responsável pelo controle externo da atividade policial para inspecionar fisicamente a sede da Decar e atestar a falta de infraestrutura. junho de 2024: O delegado enviou uma representação e documentos oficiais ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Goiás, dando detalhes do problema e cobrando intervenção e uma destinação legal definitiva para os bens apreendidos. Ainda segundo Alexandre Bruno, em relação à acusação de uso irregular de depósitos do Carioca, o objetivo era proteger o patrimônio das vítimas de roubo. "O pátio em questão já era credenciado antes de sua chegada à titularidade da especializada", disse a assessoria. Em nota, a Polícia Civil informou que a Corregedoria instaurou procedimento para apurar as condutas relacionadas aos fatos investigados na Operação Depositário Infiel II. O conteúdo das diligências, no entanto, permanece sob sigilo. "A Polícia Civil também informa que foram cumpridas administrativamente todas as medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário", disse. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás
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