Diagnóstico dos dois filhos leva escritora a descobrir que também é autista: 'Os sintomas estavam ali'

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/98sKVjUERURU_GN1Yiwx9ad_IUo=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/o/Z/UAhSf5TXuecbuiRnyTBw/ep1-0309-imas-pass-tea-cp004fyc-2026-09-03-12-17-19.mxf-snapshot-00.12.196.jpg" /><br /> Estado de São Paulo inaugura centro gratuito de apoio a pessoas autistas A escritora Margareth Bruno, de Campinas (SP), conviveu durante toda a vida com sintomas que não conseguia compreender. O diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) só veio na fase adulta, perto dos 40 anos. A descoberta ocorreu em 2023, depois que os dois filhos, Isaac e Samuel, apresentaram sinais semelhantes e também foram diagnosticados com TEA e transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Ao perceber semelhanças entre o comportamento de Margareth e o das crianças, o marido sugeriu que ela também passasse por uma avaliação neuropsicológica. "Desde criança, os sintomas estavam ali presentes. Só que chegou por volta de 11 anos, mais ou menos, meus pais levaram em neurologistas, psiquiatras, e foram outros diagnósticos", relata Margareth. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Sem o acompanhamento adequado durante a infância, algumas dificuldades acabaram se intensificando ao longo dos anos. Por isso, Margareth valoriza o fato de os filhos terem recebido apoio ainda cedo, a partir da percepção da escola. "Já as crianças, pela escola até agradeço, eles terem o olhar e nos direcionarem: 'Olha, procurem ajuda'. Eles viram isso neles e nós fomos atrás e conseguimos [o diagnóstico]. Então, eles estão sendo acompanhados desde pequenininhos", diz. Margareth brinca com os dois filhos; a família convive com diagnóstico de TEA Reprodução/EPTV Desafios da rotina A rotina da família exige dedicação constante e inclui terapias, uso de medicação e cuidados relacionados à seletividade alimentar. "É muito corrido, muito difícil, principalmente uma família em que tanto a mãe quanto os filhos estão dentro do espectro. Sem uma rede de apoio, de família, é desafiador. Às vezes, sendo muito sincera, é desgastante, mas nós temos conseguido vencer todo dia", conta. Mesmo com acompanhamento profissional, os três podem enfrentar crises intensas, como os chamados meltdowns, marcados por explosões emocionais, e shutdowns, caracterizados pelo isolamento. Nessas situações, uma das principais dificuldades é encontrar atendimento de emergência preparado para acolher pessoas neurodivergentes. Autismo: por que direitos garantidos em lei ainda não chegam à vida de muitas famílias Veja os obstáculos enfrentados e conheça iniciativas de apoio à inclusão "Há médicos excelentes, mas não tem médicos preparados, uma equipe preparada para um acolhimento nesses casos. [...] Por não ter uma equipe que vai entender a condição neurodivergente, então o acolhimento vai ser diferente e ali pode piorar", relata. Margareth também chama atenção para a sobrecarga enfrentada por muitas mães, que, segundo ela, pode contribuir para quadros de depressão e ansiedade. A situação é agravada pela dificuldade de acesso ao atendimento, especialmente diante da falta de vagas nos centros municipais. Suporte por telefone Para atender famílias que enfrentam situações semelhantes, o governo estadual lançou nesta semana o telefone gratuito 0800 6060 166, do Centro TEA Paulista. O serviço funciona 24 horas por dia e busca agilizar o atendimento, além de orientar familiares e pessoas com TEA sobre como agir diante de crises durante a madrugada ou de situações imprevistas. O canal oferece escuta qualificada e acolhimento socioemocional, orientação psicoafetiva em momentos de crise e encaminhamentos com orientações jurídicas e assistenciais. De segunda a sexta-feira, em horário comercial, as ligações são direcionadas às unidades físicas do Centro TEA Paulista na capital e em Bauru (SP). À noite, nos fins de semana e feriados, o atendimento é feito por telefone ou teleconferência por uma equipe formada por psicólogos, assistentes sociais e assessores jurídicos. Desde o início da operação, o canal já realizou 475 teleatendimentos e auxiliou 206 pessoas. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

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