Condenados que escaparam da injeção letal: relembre os casos de presos que sobreviveram a execuções nos EUA

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Mulher sobrevive a execução por injeção letal no Tennessee, nos EUA A surpreendente sobrevivência de Christa Pike, que continuou viva mesmo após receber duas doses de pentobarbital durante uma execução no Tennessee, reacendeu um debate antigo nos Estados Unidos sobre falhas em procedimentos de pena de morte. O caso é considerado sem precedentes por especialistas porque, diferentemente de outros episódios conhecidos, a condenada recebeu o medicamento letal e ainda assim sobreviveu. Ao longo das últimas décadas, poucos presos escaparam da morte durante tentativas de execução por injeção letal. Em quase todos os casos, o problema foi a incapacidade das equipes de encontrar uma veia para administrar os medicamentos. Dois dos exemplos mais conhecidos, no entanto, tiveram um desfecho diferente anos depois: acabaram executados por outro método. Saiba mais abaixo. ⚠️ Atenção: o texto a seguir pode ter relatos sensíveis e perturbadores. Christa Pike Condenada pelo assassinato de uma colega de escola técnica em 1995, Christa Pike seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos. Na noite de quarta-feira (30), ela recebeu duas doses de pentobarbital, droga utilizada pelo estado em execuções por injeção letal. Ainda assim, permaneceu viva. Testemunhas relataram que Pike continuou respirando e emitindo roncos após a aplicação dos medicamentos. Mais tarde, ela foi retirada da penitenciária em uma ambulância e levada para um hospital. O governador do Tennessee suspendeu as execuções no estado até o fim do ano e determinou a abertura de uma investigação independente. Segundo o Death Penalty Information Center, ninguém havia sobrevivido após receber efetivamente as drogas usadas em uma execução. Quem é Christa Pike Tennesse Department of Corrections/BBC Kenneth Smith O caso de Kenneth Smith ganhou repercussão internacional em novembro de 2022, quando autoridades do Alabama passaram mais de uma hora tentando encontrar uma veia para aplicar a injeção letal. O procedimento foi interrompido após repetidas tentativas fracassadas. Smith alegou ter sofrido dores físicas e psicológicas durante o episódio. Segundo relatos reproduzidos pela imprensa americana, ele chegou a ser colocado em diferentes posições pelos funcionários enquanto as tentativas continuavam. Diferentemente do que aparecia em reportagens da época, Smith não permanece vivo. Em 25 de janeiro de 2024, ele foi executado no Alabama por hipóxia de nitrogênio, tornando-se a primeira pessoa da história dos Estados Unidos morta por esse método. Kenneth Smith e Alan Miller, condenados à morte que sobreviveram a tentativas de execução por injeção letal Reuters/Dave Martin/AP/Arquivo Alan Eugene Miller Outro caso emblemático é o de Alan Eugene Miller. Em setembro de 2022, o condenado foi submetido a uma tentativa de execução por injeção letal que durou cerca de 90 minutos. Segundo relatos citados pela imprensa, ele foi perfurado repetidamente enquanto a equipe buscava acesso venoso para administrar as drogas. A execução acabou suspensa pouco antes do encerramento do prazo legal para cumprimento da sentença. Miller sobreviveu ao procedimento e permaneceu no corredor da morte. Dois anos depois, porém, o Alabama voltou a executar o preso. Em 26 de setembro de 2024, Alan Eugene Miller morreu por hipóxia de nitrogênio na penitenciária Holman, tornando-se a segunda execução realizada nos EUA com esse método. Autoridades escoltam Alan Eugene Miller, condenado à morte, em 5 de agosto de 1999 Dave Martin/AP/Arquivo Romell Broom O caso mais famoso antes de Smith ocorreu em Ohio, em 2009. Romell Broom sobreviveu após funcionários da prisão realizarem 18 tentativas para localizar uma veia adequada para a aplicação dos medicamentos. Em determinado momento, segundo relatos da época, o próprio condenado chegou a sugerir outros locais do corpo para a inserção das agulhas. Após horas de tentativas, a execução foi suspensa. A defesa classificou o episódio como tortura. Broom nunca voltou a ser executado e morreu na prisão em 2020, após complicações causadas pela Covid-19. Romell Broom, que sobreviveu a uma tentativa fracassada de execução em 2009 e que morreu em 28/12/2020 Ohio Department of Rehabilitation and Correction via AP/Arquivo O que diferencia o caso de Christa Pike Os episódios envolvendo Kenneth Smith, Alan Eugene Miller e Romell Broom tinham um elemento em comum: em todos eles, as equipes de execução não conseguiram concluir a aplicação dos medicamentos letais. Já no caso de Christa Pike, segundo os advogados e testemunhas, duas doses de pentobarbital chegaram a ser administradas. Por isso, especialistas afirmam que o episódio não tem paralelo conhecido na história recente da pena de morte nos Estados Unidos. Autoridades escoltam Alan Eugene Miller, condenado à morte, em 5 de agosto de 1999 Dave Martin/AP/Arquivo Romell Broom, que sobreviveu a uma tentativa fracassada de execução em 2009 e que morreu em 28/12/2020 Ohio Department of Rehabilitation and Correction via AP/Arquivo Boom foi condenado por sequestrar e matar uma menina de 14 anos em 1984. Segundo o tribunal que o condenou, ele ameaçou a menina com uma faca enquanto ela voltava de um jogo de futebol com dois amigos. Broom se declarava inocente. Ao Fantástico, a advogada de defesa disse, na época, que o que aconteceu na câmara de execução foi tortura. Broom morreu na prisão, em 2020, por complicações da Covid.

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