Gilmar Mendes defende que delegados da PF sejam impedidos de trabalhar para ministros do STF

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The crisis inside Brazil's Supreme Federal Court deepened on Thursday. Two days after he was cited as the recipient of dozens of messages from banker Daniel Vorcaro, Justice Alexandre de Moraes requested an investigation into colleague André Mendonça. In the filing, Moraes claims there are strong indications of abuse of authority and crimes of responsibility in the handling of inquiries into the banking fraud. Justice Gilmar Mendes, meanwhile, wants federal police delegates barred from working for the court's ministers.

<img src="https://s2-g1.glbimg.com/Rg0V6nKbPJIV2yWfzachI2awA-M=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Q/A/kR9MWKQ0mIDn2vD6snvA/globo-canal-4-20260903-2000-frame-107934.jpeg" /><br /> A crise no STF - Supremo Tribunal Federal escalou nesta quinta-feira (3). Dois dias depois de ser citado como destinatário de dezenas de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes, em um ato de retaliação, pediu a abertura de uma investigação contra o colega André Mendonça. No documento, Moraes afirma que há fortes indícios de abuso de autoridade e crime de responsabilidade na condução dos inquéritos que apuram as fraudes do Banco Master e os descontos ilegais no INSS. O presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin, se manifestou nesta quinta-feira (3): disse que quer ouvir Moraes e Mendonça em cinco dias úteis. A Transparência Internacional cobrou uma investigação imediata e independente. Já o decano do Supremo, Gilmar Mendes, defendeu que delegados da Polícia Federal sejam impedidos de trabalhar nos gabinetes dos ministros. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Gilmar Mendes defende que delegados da PF sejam impedidos de trabalhar para ministros do STF Jornal Nacional/ Reprodução A proposta foi feita durante uma conversa com o presidente do Supremo, ministro Luiz Edson Fachin. Gilmar Mendes defendeu que delegados da Polícia Federal sejam proibidos de atuar nos gabinetes dos ministros como servidores cedidos. A informação foi divulgada primeiro pelo jornal “Folha de S.Paulo” e confirmada pela TV Globo. Atualmente, dois delegados da PF assessoram o ministro André Mendonça em casos como o do Banco Master e das fraudes no INSS. O ministro Alexandre de Moraes também é assessorado por dois delegados da PF. Segundo interlocutores, André Mendonça resiste à proposta de retirada dos delegados. Esse foi um dos motivos da tensão entre ele e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que defende a saída dos delegados dos gabinetes. Pela manhã, o ministro André Mendonça, que também é vice-presidente do TSE, participou da abertura da campanha nacional pela paz e tolerância nas eleições. No discurso, não mencionou a crise no STF, mas falou em honrar a confiança da sociedade: “E que Deus nos abençoe também desse lado da mesa, e todos que representam o Poder Judiciário, de modo especial o sistema de justiça como um todo. Que nós possamos honrar a confiança que o principal, que é o povo, o cidadão, deposita não só em nós, mas também em cada um dos senhores e das senhoras”. Após a cerimônia, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, foi questionado, mas não quis falar sobre a crise. Na quarta-feira (2), Fachin afirmou que nos próximos dias vai informar as medidas que considerar cabíveis e necessárias. O jornal “O Globo” publicou uma foto do fim da sessão do Supremo na quarta-feira (2) à tarde. Os ministros Cristiano Zanin, Moraes, Gilmar Mendes e Fachin, de costas. Rindo, segundo informaram, de uma piada contada pelo ministro Flávio Dino. Na sessão desta quinta-feira (3), novamente os ministros não se manifestaram sobre o caso. O jornal 'O Globo' publicou uma foto do fim da sessão do Supremo na quarta-feira (2) à tarde Jornal Nacional/ Reprodução As 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro para Alexandre de Moraes vieram a público na terça-feira (1º), quando o ministro relator André Mendonça retirou o sigilo. Nelas, segundo o relatório da Polícia Federal, Vorcaro pede conselhos e ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o Banco Master. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade da investigação. Segundo Gonet, que é citado no relatório em mensagens que mostram proximidade com Vorcaro, Mendonça não poderia ter determinado a produção do documento sem autorização do plenário do Supremo para investigar outro ministro da Corte. No Congresso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil, já deixou claro que não pretende abrir o processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Na quarta-feira (2), ele respondeu assim aos senadores que cobravam o andamento do processo: “Eu vou voltar para a pauta aqui, porque senão eu vou ter que responder muitas agressões que, como presidente do Senado Federal, eu estou recebendo nos últimos dias. E eu acho - apenas um comentário; no momento adequado, eu vou falar - que todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme, e agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes”, disse o senador Davi Alcolumbre, do União - AP, presidente do Senado. Nesta quinta-feira (3), sem citar qualquer nome, Alcolumbre disse que está sendo vítima de ofensas e agressões: “As pessoas de bem desse país estão com medo de falar as verdades ou defender as outras pessoas de bem. Porque ninguém tem o direito de subjugar ninguém e de ofender tantas outras pessoas. E todo mundo tem o direito de discordar. Eu quero só ter o meu direito de discordar e eu nunca ofendi ninguém aqui, na minha condição de senador ou de presidente do Senado”. O senador Carlos Viana, do PSD, pediu o afastamento de Alcolumbre da presidência do Senado por não pautar o impeachment de Moraes. A denúncia foi apresentada ao Conselho de Ética da Casa, que está parado desde 2024. A oposição cobra a exoneração do diretor da PF, Andrei Rodrigues, e quer a renúncia do procurador-geral, Paulo Gonet. “Paulo Gonet representa uma instituição importante para o nosso país, que é o Ministério Público, que é independente, coisa que ele não é. Paulo Gonet tem que renunciar já. Alexandre de Moraes, interlocutor do investigado Vorcaro com a cúpula que investigava o Gonet e Andrei, ele tem que renunciar imediatamente. Ele está manchando o Judiciário brasileiro. O STF se distancia da sociedade e do Poder Judiciário”, diz o senador Carlos Portinho, PL-RJ, líder do partido. Governistas querem o que chamam de uma investigação imparcial. “Não pode só ter investigação para um lado, nós queremos as investigações em relação a todos, seja senador da República, seja deputado federal, seja ministro do Supremo, seja quem for, tem que ser investigado. Ninguém, em uma República, ninguém está acima de qualquer investigação. O que queremos do ministro André Mendonça é que ele investigue tudo e todos”, diz o senador Randolfe Rodrigues, PT-AP, líder do governo no Senado. O presidente Lula se manifestou nesta quinta-feira (3) pela primeira vez sobre a crise no STF: "Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações. Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência, vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira. É chegada a hora que pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual. A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas". A organização Transparência Internacional classificou o episódio como um dos momentos mais graves da história institucional do país e que os fatos revelados exigem apuração imediata, independente e exaustiva. O jurista Gustavo Sampaio, da Universidade Federal Fluminense, disse que o Supremo não pode adiar qualquer decisão; precisa ser ágil: “Independentemente das circunstâncias, até porque há de valer o princípio da presunção de inocência, o Supremo Tribunal precisa agir, porque se ele não correr, ele corre o risco de que o Senado da República saia na frente e que a pressão popular e política seja tão grande que por lá se instaure processo-crime de responsabilidade contra o ministro do Supremo Tribunal Federal. Isso seria ainda pior porque acirraria a tensão entre os Poderes, e o Supremo Tribunal Federal teria ficado inerte. O Supremo Tribunal Federal precisa se adiantar agora, tomar as providências que constitucionalmente lhe cumprem empreender e levar adiante, portanto, investigações, se isso se fizer necessário”. 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