Hong Kong cai para 'lista negra' dos EUA no combate ao tráfico humano
Os Estados Unidos (EUA) colocaram Hong Kong na "lista negra" de países e territórios com medidas insuficientes para travar o tráfico humano, onde já constava a vizinha região chinesa de Macau. O Relatório do Tráfico de Pessoas 2026, divulgado na quinta-feira pelo Departamento de Estado dos EUA, sublinha que Hong Kong "não está a empreender esforços significativos" para proteger as vítimas. O documento anual inclui três categorias e a subcategoria "lista de observação de nível dois", esta destinada a jurisdições com um número "muito significativo" de vítimas de tráfico ou que não conseguem fornecer provas dos esforços. Em comparação com o relatório de 2025, Hong Kong caiu desta subcategoria para o nível três, onde estão países como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Rússia, China continental, Irão, Afeganistão e Coreia do Norte. O Departamento de Estado sublinhou que Hong Kong acusou menos suspeitos de tráfico humano, apenas dois foram condenados e não foi aprovada "legislação abrangente para criminalizar totalmente todas as formas de tráfico". "Os esforços de identificação das vítimas e os serviços de assistência permaneceram inadequados", diz o documento, apontando para os mais de 370 mil trabalhadores domésticos migrantes a residir na cidade. O Governo não regulamentou "de forma eficaz" os recrutadores de mão-de-obra, e as penalizações impostas às agências de emprego "sem escrúpulos" não serviram como medida dissuasora, lamentou o Departamento de Estado. Ainda assim, o relatório admitiu que Hong Kong adotou algumas medidas positivas, incluindo "a identificação e o financiamento do repatriamento de vítimas (…) exploradas em esquemas fraudulentos no Sudeste Asiático". Em resposta, o Governo de Hong Kong disse num comunicado que "repudia veementemente e refuta de forma resoluta as observações infundadas e difamatórias" do Departamento de Estado norte-americano. As autoridades reconheceram "a contribuição significativa dos trabalhadores domésticos estrangeiros" e atribuíram "grande importância" à proteção dos seus direitos laborais. No que toca a Macau, o relatório sublinha que o Governo local "não forneceu detalhes" sobre os esforços de combate ao tráfico humano, "apesar de ter tido oportunidade para tal". O Departamento de Estado sublinhou que não foi registada qualquer condenação por tráfico humano em Macau desde 2019 e que as autoridades nunca identificaram vítimas de trabalho forçado. "O Governo identificou apenas uma vítima [de tráfico humano] e não reportou esforços para identificar proativamente indicadores de tráfico em populações vulneráveis", lamentou o documento. Em resposta, as autoridades de Macau expressaram num comunicado "forte insatisfação e firme oposição" às conclusões do Departamento de Estado dos EUA. "Graças ao esforço conjunto do Governo (…) e da sociedade, a taxa dos casos de tráfico de pessoas tem-se mantido, nos últimos anos, em níveis baixos ou com zero ocorrências", sublinhou. Foto: depositphotos