Porto Novo/Pascoal Alves: Os últimos dias de um povoado que já foi um dos mais produtivos do Planalto Norte

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<p>Pascoal Alves, que já foi uma das zonas mais produtivas do Planalto Norte nos domínios da agricultura de sequeiro e pecuária, está com os dias contados, numa altura em que as sete famílias que ainda vivem no local se preparam para deixar a comunidade, obrigada pelas condições extremamente adversas.</p><p>Eugénio Tanaia é um dos moradores que dentro de pouco tempo deixará Pascoal Alves para ir viver em Ponte Sul, a sete quilómetros da cidade do Porto Novo.</p><p>Alega que “já não dá mais para continuar a viver” neste povoado, marcado “pelo isolamento, pela seca e pela falta das condições mínimas” para se viver.</p><p>Este e outros moradores recebem, dentro de poucos meses, casas próprias em Ponte Sul, que vão ser construídas num âmbito de uma parceria entre a Cáritas Cabo-verdiana e a Câmara Municipal do Porto Novo.</p><p>Tanaia indicou que as condições “extremamente adversas” o obrigam a deixar a sua localidade, onde viver está a ser “uma tarefa cada vez mais árdua”.</p><p>Manuel Gomes e sua família preparam-se também para deixar Pascoal Alves a qualquer momento.</p><p>Continuar a viver nesta zona isolada e fustigada pela seca severa parece estar fora dos seus planos e de outras famílias.</p><p>A seca e o isolamento levaram à saída de praticamente toda a população de Pascoal Alves, restando apenas sete famílias, que se preparam para deixar, ainda no decurso deste ano, esta localidade.</p><p>A escola local está a ficar cada vez mais deserta, tendo funcionado no ano lectivo transacto com apenas duas crianças, sinal evidente de que, segundo os moradores, este povoado está com os dias contados.</p><p>Há alguns anos foram instalados 13 kits solares nas casas das pessoas para atenuar a falta de energia na comunidade, que não dispõe de rede telefónica e enfrenta carência extrema de água potável para consumo.</p><p>Segundo constatou a Inforpress, Pascoal Alves foi, outrora, uma zona com forte potencial a nível da pecuária e agricultura de sequeiro, foi uma zona muito produtiva, mas as secas cíclicas obrigaram os habitantes a procurar outras paragens para viver.</p><p>Bolona, no Planalto Norte, cidade do Porto Novo e São Vicente tem sidos os principais destinos das gentes de Pascoal Alves.</p><p>Ponte Sul se prepara para acolher três das sete famílias, com a construção de três habitações no quadro de uma parceria entre a Caritas de Cabo Verde e a edilidade porto-novense.</p><p>A presidente da Câmara Municipal do Porto Novo, Elisa Pinheiro, disse que as três familiais vão receber “casas próprias dentro de meses”, enquanto que as outras quatro famílias vão ser apoiadas pela autarquia com materiais na construção das suas habitações na cidade do Porto Novo e em São Vicente.</p><p>Para Elisa Pinheiro, a decisão de se realojar as famílias constitui “um momento muito importante” para as famílias de Pascoal Alves, que vivem “em condições extremamente difíceis” por causa do isolamento e da seca.</p><p>Em Ponte Sul, as famílias que vão ser realojadas recebem também parcelas de terras para cultivo, avançou a edil porto-novense.</p><p>Ponte Sul já foi também destino de pessoas provenientes de Tabuga, outra zona que ficou despovoada, apesar do seu potencial agrícola.</p><p>No município do Porto Novo, outras localidades ficaram praticamente desertas com a transferência das populações para a cidade do Porto Novo, como foi o caso da Ribeira Torta, uma zona piscatória e com potencial a nível de pecuária e com via de acesso, uma estrada carroçável.</p><p>Esse povoado ficou despovoado depois de as autoridades locais terem optado por construir, na década dos anos 90, casas na cidade do Porto Novo para acolher essas pessoas.</p><p>Sul do Porto Novo é uma outra parcela do território municipal que ficou sem gente, depois de os habitantes terem escolhido a cidade do Porto Novo para viver, levando ao encerramento de todas as escolas.&nbsp;</p>

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