PE retoma monitoramento de tubarões após 11 anos; projeto prevê marcar até 50 animais com microchips

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/Waa9S6jdWJBN0o-sIZfhiMOW1Fs=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/6/K/RQKQF5TLCUC4mkBeP4Lg/ed-machadodivulgacao2.jpeg" /><br /> Após 11 anos, governo de Pernambuco retoma monitoramento de tubarões no litoral do Grande Recife Ed Machado/Divulgação O governo de Pernambuco retomou, nesta sexta-feira (4), o monitoramento de tubarões no litoral do estado. O rastreamento estava suspenso desde 2015 por falta de recursos e era realizado apenas em Fernando de Noronha. Com a retomada após 11 anos, o projeto será executado durante 24 meses e prevê a marcação de até 50 tubarões com microchips. As pesquisas terão como foco principal o monitoramento do tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e do tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), espécies mais associadas aos ataques registrados no litoral pernambucano e que, neste ano, atacaram três pessoas, sendo duas crianças e um adolescente (saiba mais abaixo). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Em janeiro deste ano, o governo estadual lançou um edital para selecionar a instituição responsável pela iniciativa. Com R$ 1,052 milhão em investimentos, o valor é quase metade dos recursos aplicados na década passada, quando era investido cerca de R$ 1 milhão por ano. Agora no g1 A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) foi a instituição escolhida para realizar as expedições do Projeto Ecotuba, que vai identificar as áreas de circulação dos tubarões, acompanhar o comportamento dos animais e gerar informações que contribuam para a prevenção de ataques (saiba mais abaixo). De acordo com o coordenador do projeto, Paulo Oliveira, a saída realizada nesta sexta-feira (4) é a primeira de 100 expedições previstas pela equipe da UFRPE, que já realiza o monitoramento de tubarões em Fernando de Noronha. Ainda segundo o especialista, o objetivo da pesquisa é entender como os animais utilizam o ambiente marinho ao longo do litoral de Pernambuco. O governo estadual informou que o investimento total do projeto é R$ 2,052 milhões. Desse valor, R$ 1,052 milhão são provenientes da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti), por meio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), e R$ 1 milhão será destinado pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema). Dados em Pernambuco Dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) apontam que Pernambuco registrou 84 ataques com 27 mortes desde 1992. Desse total, 70 ocorreram no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha. Somente neste ano, foram registrados três ataques no Grande Recife. Em janeiro, Deivson Rocha Dantas, de 13 anos, morreu após ser mordido por um tubarão em Olinda. Quatro meses depois, outros dois casos aconteceram em um intervalo de pouco mais de 24 horas. No dia 31 de maio, João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, foi atacado por um tubarão-cabeça-chata na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, próximo à faixa de areia. O menino ficou internado por mais de um mês e teve a perna esquerda amputada. No dia seguinte, Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, sofreu um ataque por um tubarão-tigre na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, e teve a perna direita arrancada. Ela foi levada para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, onde permaneceu internada até 11 de julho, quando teve a alta médica. Expedição do Projeto Ecotuba, coordenado pela UFRPE, durante a retomada do monitoramento de tubarões no Grande Recife Ed Machado/Divulgação Como os tubarões são mapeados A primeira etapa das expedições começou nesta sexta-feira (4) e segue até a terça-feira (8). Nesse período, os pesquisadores vão capturar os tubarões utilizando a técnica de pesca com espinhel, que consiste em uma linha principal com anzóis presos a cabos resistentes às mordidas de grandes predadores. Depois da captura, os tubarões passarão por uma série de procedimentos conduzidos pela equipe da UFRPE, formada por seis pesquisadores. De acordo com a gestão estadual, todo o manejo seguirá as normas do Comitê de Ética no Uso de Animais (Ceua). Entre as etapas previstas estão: os animais terão os olhos cobertos com um tecido escuro para reduzir o estresse durante o manejo; após a retirada do anzol, serão feitas a medição do comprimento, a identificação do sexo e, no caso das fêmeas, exames de ultrassonografia para avaliar o estágio reprodutivo; também serão coletadas amostras de sangue e tecido para análises genéticas e de biomonitoramento; cada tubarão receberá uma marca externa (tag), fixada na base da primeira nadadeira dorsal, contendo informações de contato do projeto; os pesquisadores ainda implantarão um microchip na região ventral dos animais por meio de um procedimento cirúrgico; paralelamente, serão registrados dados ambientais, como temperatura da superfície do mar, salinidade, turbidez da água e direção dos ventos e das correntes. Paulo Oliveira explicou que, após a coleta e análise dos dados, a equipe pretende identificar os padrões de comportamento dos animais e transformar essas informações em orientações para a população. "A partir do momento que nós soubermos como eles [os tubarões] utilizam o espaço, por exemplo, eles se aproximam mais durante a preamar, se afastam mais durante a baixamar, se essa aproximação tem relação com uma lua, tem relação com uma maré, então a gente vai traduzir todas essas informações em dados e informações para levar isso à população, para que dessa forma o banho de mar se torne mais seguro", disse o coordenador. Além do monitoramento, o Projeto Ecotuba prevê ações de educação ambiental e ciência cidadã para ampliar o conhecimento sobre esses animais, subsidiar políticas de conservação marinha e fortalecer as estratégias de prevenção de incidentes. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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