UCID exige do governo medidas contra aumento do custo de vida e “metas concretas”
Posição expressa esta quarta-feira, em conferência de imprensa, realizada pelo Presidente do partido, João Santos Luís, em São Vicente. “Consideramos estes prazos propostas razoáveis para a apresentação de planos e compromissos concretos, não para a resolução definitiva de problemas estruturais que exigem mais tempo. O objectivo destas medidas é simples, permitir que os cidadãos conheçam as prioridades do Governo e possam acompanhar com transparência os resultados da sua acção. A UCID acompanhará o desempenho governativo com sentido de responsabilidade e espírito crítico. Reconheceremos as medidas positivas, contribuiremos com as soluções que consideramos adequadas e questionaremos as decisões que entendermos prejudiciais ao interesse nacional”, afirma. Os democratas-cristãos reconhecem que pouco mais de três meses não chegam para grandes reformas, mas garantem que o tempo “é mais do que suficiente para mostrar uma direcção e aliviar o custo de vida das famílias e empresas cabo-verdianas”. Sobre a fatura dos combustíveis, a UCID admite que o país não controla o preço do petróleo no mercado internacional, mas exige ao Executivo medidas temporárias para aliviar o impacto da subida dos preços. "A UCID reconhece que Cabo Verde não controla os preços internacionais do petróleo. Mas não controlar os mercados internacionais não significa que o Governo esteja impedido de utilizar os instrumentos de política económica ao seu alcance(…)Portanto, nós deveríamos adoptar o sistema anterior de compensação e os mecanismos para efectivamente. Pelo menos para os cavalheiros terem como controlar o seu poder de compra. Neste momento a situação está incomportável em todo o país para as pessoas que ganham razoavelmente, quanto mais para as pessoas mais vulneráveis. A situação está incomportável e com o governo, eu penso que o governo não tem tido ou não teve. Ainda o interesse de avaliar esse elevado custo de vida neste momento, porque já teve 100 dias, como eu disse, e não o fez”, defende. O presidente da UCID questiona a ausência de uma estratégia integrada para os combustíveis fósseis, lembrando que foram mantidos apenas apoios pontuais, como a mitigação no gás butano. Quanto às mudanças de directores e administradores na Administração Pública, o partido rejeita a lógica do "sai o vosso para entrar o nosso" e exige que as nomeações passem a ser feitas com base no mérito e na transparência. “Não podemos aceitar como inevitável que uma parte significativa das estruturas dirigentes seja substituída sem que sejam claramente explicadas as razões e os critérios subjacentes a essas decisões. O Estado não pode ser propriedade de nenhum partido político. Pertence a todos os cabo-verdianos e deve funcionar ao serviço de todos. Entendemos que não deve prevalecer a lógica de que sai o vosso para entrar o nosso. Deve prevalecer a lógica da competência, do mérito e da responsabilidade pelos resultados", defende. Para o partido, a mudança de quadros só faz sentido se resultar “numa melhoria perceptível” na vida dos cidadãos e na qualidade dos serviços públicos.