MPF pede suspensão de 4 hidrelétricas no Rio das Mortes em MT e aponta falhas em estudos de impacto ambiental

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<img src="https://s2-g1.glbimg.com/4iv81uM6q_8vtLu74Zp3x9dGMZA=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/H/T/QolC4AQBWZcpxE0HAogg/large.jfif" /><br /> Rio das Mortes, em Primavera do Leste (MT) Túllio F Uma ação proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) pede a suspensão imediata da licença prévia concedida à Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Entre Rios e dos processos de licenciamento ambiental de outras três PCHs — Cumbuco, Geóloga Lucimar Gomes e Vila União —, previstos para a bacia do Rio das Mortes, em Primavera do Leste, a 239 km de Cuiabá. O g1 entrou em contato com as empresas responsáveis pelas PCHs citadas na ação, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Segundo o MPF, os empreendimentos são alvo de uma investigação conduzida pelo órgão desde 2023, após denúncias de possíveis irregularidades nos processos de licenciamento ambiental e de ausência de consulta adequada a comunidades indígenas Xavante potencialmente afetadas pelos projetos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Agora no g1 O MPF também pede que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) não emita novas licenças para os empreendimentos até que sejam realizados estudos capazes de avaliar os impactos cumulativos e sinérgicos dos quatro projetos. O órgão requer ainda a conclusão e aprovação, pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Estudo do Componente Indígena (ECI). De acordo com o MPF, durante a investigação foi identificado que os quatro empreendimentos vêm sendo analisados de forma fragmentada, sem uma avaliação conjunta dos possíveis efeitos provocados pela instalação dos barramentos na mesma bacia hidrográfica. Segundo o órgão, a análise separada dos projetos dificulta a compreensão dos impactos socioambientais e culturais que poderiam ocorrer com a implantação simultânea das usinas. A investigação também apontou, conforme o MPF, possíveis falhas nos Estudos de Impacto Ambiental e respectivos Relatórios de Impacto Ambiental (EIA/Rima), incluindo dados considerados desatualizados e problemas metodológicos na avaliação da ictiofauna — conjunto de espécies de peixes de uma determinada região — e dos recursos hídricos. O MPF afirma ainda que não foram apresentados estudos suficientes sobre os impactos cumulativos relacionados à formação de reservatórios em sequência, às alterações no regime de vazão dos rios e aos possíveis efeitos sobre a qualidade da água. Outro ponto citado na investigação é a necessidade, segundo o órgão, de avaliar os impactos relacionados às mudanças climáticas e ao potencial de formação de metilmercúrio nos reservatórios. A substância pode se acumular nos peixes e representar risco à saúde de populações que dependem deles como fonte de alimentação.

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