Foto em porto mobiliza rede de apoio a menina com leucemia no Pará
<img src="https://s2-g1.glbimg.com/5Vlc50yB4Yi_O4PkMZhPplWpYQM=/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/A/d/2pgeerRZ2rohXrlgDaxA/whatsapp-image-2026-09-05-at-16.23.31.jpeg" /><br /> Foto de pai e filha viraliza nas redes sociais Uma fotografia feita por acaso em um porto de Barcarena, no nordeste do Pará, mudou a rotina de uma família que enfrenta uma batalha contra o câncer. Na imagem, Paulo Robson Vasconcelos Pereira aparece sentado com a filha Esther Sofia, de 4 anos, ao lado dele. Os dois estavam cansados depois de mais uma viagem entre Barcarena e Belém, onde a menina faz tratamento contra a leucemia. O registro foi feito pelo mototaxista Nelildo Keybe. Naquele momento, ele não imaginava que a fotografia ultrapassaria os grupos de moradores da cidade e mobilizaria uma rede de solidariedade. "O pai estava com um semblante muito triste e ela estava muito debilitada. Aquela cena me chamou a atenção", contou Nelildo. A fotografia ganhou repercussão nas redes sociais e levou à realização de campanhas e doações para ajudar a família. Por trás da imagem, porém, havia uma situação ainda mais difícil. Naquele dia, Paulo não tinha dinheiro suficiente para voltar para casa. "Eu estava desesperado. Minha filha falou que estava com fome e que queria ir para casa. Eu não sabia o que fazer naquele momento", contou. Segundo ele, faltava R$ 7 para completar o valor necessário para retornar. Nelildo conta que já conhecia a história de Esther. Ele e amigos de um projeto social ligado ao grupo Som Automotivo de Barcarena planejavam organizar um bingo beneficente para ajudar no tratamento da menina. Comovido, Nelildo enviou a fotografia para amigos do grupo e explicou a situação que havia presenciado. A intenção inicial era utilizar o registro para mobilizar pessoas e promover o bingo beneficente. Mas a fotografia começou a circular. "Foi se espalhando, se espalhando e ganhou uma proporção que a gente nunca imaginava", disse. Para Nelildo, a imagem retrata muito mais do que um momento de cansaço. "A foto resumiu o desespero do pai, a fome da Esther e todo o problema físico e emocional que os dois estavam enfrentando naquele momento." Descoberta da leucemia Foto de pai e filha viraliza nas redes Reprodução A história de Esther começou a mudar há cerca de três meses. Paulo havia acabado de chegar do trabalho quando a filha reclamou de dores na barriga. Ao verificar o corpo da menina, percebeu uma mancha roxa. Preocupado, decidiu levá-la para atendimento médico. Depois de uma sequência de exames, profissionais identificaram alterações no sangue. Paulo foi chamado para conversar com um médico. "Ele disse que havia uma suspeita de leucemia e que precisaria de exames mais específicos para confirmar. Naquele momento, tudo indicava que era isso", contou. Esther foi transferida para outro hospital, recebeu transfusão de sangue e, posteriormente, foi encaminhada para atendimento especializado. Quando recebeu a confirmação do diagnóstico, Paulo disse que teve dificuldade para acreditar. "Ela sempre foi uma criança saudável, brincalhona. Quando a equipe médica confirmou, foi um baque. Como pai, eu desabei." Pai também perdeu a mãe da menina para o câncer O diagnóstico da filha trouxe de volta uma lembrança dolorosa para Paulo. A mãe de Esther morreu vítima de câncer quando a menina ainda era pequena. Na época, Paulo trabalhava no Pará e a família morava em Brasília. Ele recebeu uma ligação da esposa informando que ela estava internada. Pouco tempo depois, Paulo voltou para Brasília. "Com 21 dias que eu tinha chegado lá, ela faleceu. Foi muito doloroso. Depois disso, fiquei responsável por criar a Esther", contou. Mais tarde, Paulo conheceu a atual esposa, que hoje divide com ele os cuidados com a menina. Desde o início do tratamento, pai e filha passaram a enfrentar uma rotina intensa de viagens. Para chegar ao hospital, eles saem de casa, pegam um carro por aplicativo até o porto, seguem de lancha até Belém e, depois, utilizam outro transporte até a unidade de saúde. O trajeto pode ser repetido duas, três ou até quatro vezes por semana. "É muito cansativo, principalmente para ela. A gente sai de manhã, passa o dia no hospital e depois volta. Tem vezes em que ela precisa ficar internada", explicou Paulo. Esther, que gosta de brincar de boneca e fazer pulseiras, diz que prefere ficar em casa. "Eu não quero mais ir para lá. Quero ficar aqui em casa. Eu gosto de brincar aqui, não no hospital", contou. ✅ Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Pai deixou o emprego para acompanhar tratamento Antes do diagnóstico, Paulo trabalhava em regime de turnos. Com as internações e a necessidade de acompanhamento constante, decidiu deixar o emprego para cuidar da filha. A decisão trouxe dificuldades financeiras para a família. Paulo passou a se dividir entre os cuidados com Esther, as viagens e o suporte à esposa durante as internações. "Eu tive que largar meu trabalho para dar mais atenção a ela. Ia várias vezes ao hospital, levava roupas limpas e ficava dando suporte", explicou. Sem renda fixa, a família passou a receber ajuda de vizinhos e moradores da comunidade São Francisco, em Barcarena. "Teve gente que ajudou com R$ 10, R$ 20, R$ 50. Sou muito grato a todos que deram força para a gente", disse. Solidariedade mudou rotina da família Depois que a fotografia ganhou repercussão, Paulo começou a receber mensagens e doações de pessoas de diferentes lugares. Ele afirma que não tem redes sociais e só percebeu a dimensão da história depois que o celular passou a receber centenas de mensagens. "Meu celular travou de tantas mensagens. Até hoje não consegui responder todo mundo. "Uma vaquinha foi organizada e a família também recebeu doações diretamente de pessoas sensibilizadas pela história. Os recursos devem ajudar nas despesas do tratamento e na adaptação da casa onde Esther vive. A menina ainda não tem um quarto próprio. Segundo Paulo, ela recebeu os móveis e a família planeja iniciar uma reforma para preparar um espaço mais confortável. "Minha casa é humilde, mas é minha. Quero fazer o possível para adaptar tudo para ela e deixar o quartinho organizado." Segundo o pai, o tratamento de Esther pode durar entre dois e três anos. A família ainda enfrenta os custos das viagens frequentes e das necessidades do dia a dia. Mesmo diante da rotina exaustiva, Paulo diz que pretende continuar acompanhando a filha em todas as etapas. "Só Deus sabe o que eu passei e o que ainda passo com a minha princesinha. Mas vou fazer todo o esforço do mundo e vou continuar fazendo por ela", afirmou. 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