Vladimir Putin denuncia colonialismo ocidental em África

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Vladimir Putin spoke to African leaders at the Russia-Africa summit in Moscow. He criticized Western colonialism in Africa. Putin claimed Western countries try to put Africans into debt with abusive financial conditions and excessive interest. He stated that this hinders long-term development plans. The Russian president promised to increase grain supplies to the continent. He also described a multipolar world as a reality.

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, denunciou hoje o colonialismo ocidental em África e prometeu aumentar os fornecimentos de cereais ao continente, perante dezenas de líderes africanos reunidos na cimeira Rússia-África, que decorre em Moscovo. "Estamos a observar tentativas ativas de países ocidentais para voltar a afundar os africanos em dívidas, impondo-lhes recursos financeiros muito necessários em condições abusivas, obrigando-os posteriormente a pagar juros excessivos em detrimento dos seus planos de desenvolvimento a longo prazo", afirmou Putin na sessão plenária da cimeira. Segundo o líder do Kremlin, o mundo multipolar é uma realidade, mas nem todos estão dispostos a aceitá-la. "Estamos a testemunhar como o mundo multipolar se está a tornar uma realidade e esta tendência é objetiva e irreversível", frisou. Além disso, a Rússia, segundo Putin, desenvolve as suas relações com os países africanos sobre os princípios de "igualdade e amizade" e está disposta a alargar a ajuda ao continente. "Mais de 40 países africanos já recebem fertilizantes e cereais russos, e estamos prontos para alargar ainda mais o alcance geográfico das nossas exportações agrícolas", declarou. Neste sentido, precisou que nos primeiros nove meses de 2026, Moscovo exportou 13 milhões de toneladas de produtos agrícolas para África. Também crescem as exportações de produtos agrícolas africanos para a Rússia, destacou o mandatário russo, precisando que agora os fornecimentos do continente cobrem 8% das necessidades do mercado russo e "essa percentagem deve aumentar". Por outro lado, o líder russo referiu o crescente número de estudantes nas universidades russas e apelou às companhias aéreas africanas para que comecem a operar voos com destino à Rússia. A III Cimeira Rússia-África arrancou hoje, com o programa a integrar intervenções de responsáveis moçambicanos em painéis dedicados à cooperação nos transportes, à memória histórica e ao combate ao neocolonialismo. A cimeira terá duas sessões plenárias, após as quais se prevê a adoção de "três documentos importantes", segundo as autoridades russas. Um desses documentos será a declaração final que "delineará as abordagens acordadas para o desenvolvimento da cooperação russo-africana e o aprofundamento da colaboração no âmbito internacional", precisou o Kremlin. Os participantes adotarão também uma segunda declaração sobre a cooperação no campo da inteligência artificial e um plano de ação para o Fórum de Cooperação Rússia-África para os anos 2027-2029. Prevê-se ainda a assinatura de pelo menos 33 documentos intergovernamentais, memorandos e contratos comerciais. Delegados de 48 países, incluindo 22 representados por chefes de Estado, segundo os media estatais russos, participam na cimeira que decorre hoje a quinta-feira, incluindo, dos países lusófonos de língua portuguesa, Moçambique e Guiné-Equatorial representados pelos chefes de Estado, e Angola, Cabo Verde e Guiné Bissau a nível ministerial.

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