Presos pagavam até R$ 500 para usar celular por meia hora em unidade penal no TO, diz polícia

g1.globo.com · world
Full story

Police in Tocantins are investigating a scheme where inmates paid up to 500 reais for 30 minutes of cell phone use. This discovery was part of Operation Stuart, which aimed to dismantle clandestine communication and drug trafficking networks managed from within a prison. The operation took place this Thursday and involved five preventive arrest warrants and 12 search and seizure warrants. These actions spanned across Tocantins and São Paulo. In Paraíso do Tocantins, officials executed four arrest orders and nine search warrants.

Cobrança por uso de celular em presídio do Tocantins é alvo de investigação da PC g Detentos da Unidade Penal de Paraíso do Tocantins, na região central do estado, pagavam até R$ 500 por apenas 30 minutos de acesso a aparelhos celulares dentro das celas. A informação faz parte das investigações da Operação Stuart, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (29) para desarticular um esquema clandestino de comunicação e tráfico de drogas coordenado de dentro do presídio. A operação cumpriu cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão no Tocantins e em São Paulo. Em Paraíso do Tocantins, foram cumpridas quatro ordens de prisão e nove de busca e apreensão. A ação foi realizada pela 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (6ª DEIC), de Paraíso do Tocantins. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Segundo apuração da TV Anhanguera, a polícia identificou que os celulares entravam nas celas de forma discreta, puxados por fios. Imagens obtidas pelos investigadores mostram o momento em que os aparelhos são levados para dentro da unidade prisional. Ainda conforme as investigações, o acesso aos celulares se tornou uma espécie de comércio entre os próprios detentos. Áudios interceptados com autorização judicial revelaram a insatisfação de internos com os valores cobrados e as restrições impostas pelos responsáveis pelo esquema. Em uma das gravações, um detento reclama do limite de tempo para fazer ligações. Em outro diálogo, um preso afirma ter pago R$ 500 para usar o telefone durante meia hora. A apuração da TV Anhanguera também identificou uma conversa em que um criminoso de São Paulo repreende um detento em Paraíso do Tocantins e cobra que ele tenha mais "visão de bandido" em suas ações. (Assista no vídeo acima). Operação cumpriu mandados nesta quinta-feira João Guilherme Lobasz/Governo do Tocantins LEIA TAMBÉM Operação investiga tráfico comandado de presídios no TO com ajuda de companheiras e parentes de presos 'Dei pisões nele', disse pai do menino Gustavo durante novo depoimento à Polícia Civil; assista Coqueirinho: região de chácaras onde moradores relatam ataques de onças fica perto da área urbana de Palmas O homem apontado como responsável por operar a rede de comunicação é integrante de uma facção criminosa paulista e foi localizado em Cotia, no interior de São Paulo. Segundo a polícia, o suspeito tentou fugir ao perceber a aproximação dos agentes, mas foi alcançado e detido. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados, por isso, o g1 não conseguiu contato com as defesas. O investigado, de 35 anos, integra setores da cúpula da facção conhecidos internamente como "Sintonia da Fora do Ar" e "Pé Quebrado". As investigações apontam que ele era responsável por garantir o suporte logístico para que detentos tocantinenses continuassem atuando no tráfico de drogas mesmo dentro da prisão. Ele também mantinha comunicação frequente com presos de outras cidades do Tocantins e de São Paulo. Em nota, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informou que a Polícia Penal participou das buscas de forma integrada com a Polícia Civil, em Paraíso do Tocantins. A pasta afirmou ainda que mantém rotinas contínuas de segurança, com revistas minuciosas nas celas e controle rigoroso de visitantes, para impedir a entrada de itens proibidos e coibir a atuação de facções criminosas no sistema prisional. (Confira a nota na íntegra ao final da reportagem). As investigações da 6ª DEIC começaram em 2025, após a Polícia Civil constatar que o grupo criminoso utilizava a comunicação ilegal para ordenar roubos, tráfico de drogas, cobranças violentas de dívidas e ataques armados em Paraíso do Tocantins. Ainda conforme apuração da TV Anhanguera, para colocar os planos em prática, os presos contavam com a ajuda de companheiras e familiares que estavam em liberdade. Fora da cadeia, esses parentes executavam as determinações, movimentavam os valores ilícitos e organizavam a distribuição de drogas. 'Tribunal do crime' determinava punições Outro ponto identificado pela investigação foi a existência de um sistema interno de punições conhecido como "tribunal do crime". Segundo a Polícia Civil, o mecanismo era utilizado para aplicar sanções contra integrantes da facção e pessoas que descumprissem regras impostas pelo grupo. De acordo com os elementos investigativos, o investigado de São Paulo atuaria como uma espécie de juiz, analisando pedidos encaminhados por membros presos e decidindo sobre a aplicação de punições. Entre as medidas identificadas pelos investigadores estavam ameaças, agressões físicas, chamadas pelos integrantes de "madeirada", e até determinações de morte contra pessoas que desrespeitassem as ordens da organização criminosa. Drogas apreendidas pela Polícia Civil durante operação em Paraíso do TO Divulgação/PCTO Nota da Seciju na íntegra A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informa que atuou de forma integrada com a Polícia Civil, por meio da Polícia Penal, nas buscas realizadas na manhã desta quinta-feira, 29, em Paraíso do Tocantins. A pasta esclarece que para coibir o ingresso e a circulação de itens proibidos no sistema penitenciário, a Polícia Penal realiza rotinas contínuas de segurança, incluindo revistas estruturais minuciosas, periódicas e aleatórias em todas as celas e alas, além de rigoroso controle de acesso de visitantes. A Secretaria reitera seu compromisso com a legalidade e a transparência, mantendo cooperação permanente com os demais órgãos de segurança e de inteligência no combate qualificado a organizações criminosas. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Read full article → Compare