Saúde bucal na gravidez: cuidar da boca da mãe ajuda a proteger a saúde do bebê

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Pregnant women often follow strict routines involving prenatal visits, exams, and balanced diets. Oral health is another area that requires similar attention during gestation. Ana Cecília, a 33-year-old otolaryngologist, is currently four months pregnant with her second child. She maintains preventive dental care and regular consultations. These habits help protect the health of both the mother and the baby.

Ana Cecília com o primeiro filho no colo e grávida do segundo Reprodução A gravidez costuma vir acompanhada de uma lista de cuidados que preocupam as gestantes. Consultas de pré-natal, exames, alimentação equilibrada e mudanças na rotina são alguns dos pontos mais observados a partir da descoberta de uma gravidez. Mas existe uma parte da saúde que merece receber a mesma atenção durante esse período: a saúde bucal. Grávida de quatro meses do segundo filho, Rafael, Ana Cecília, de 33 anos, já conhecia a importância dos cuidados com a saúde bucal durante a gestação. Médica otorrinolaringologista, ela mantém o acompanhamento odontológico preventivo, com consultas para limpeza e avaliação, mesmo sem apresentar sintomas. ✅ Receba as notícias do g1 Caruaru e região no seu WhatsApp “Antes de engravidar, eu já sabia que precisava, sim, de atenção à saúde bucal. Eu sou médica e já sabia dessa importância, da profilaxia. Nunca tive nenhum sintoma gengival, mas faço esse acompanhamento odontológico justamente para limpezas e verificação de como é que está”, conta. Ana não teve problemas odontológicos nem sofreu com enjoos ou vômitos, que podem dificultar a escovação durante a gravidez. No entanto, ela percebeu mudanças na rotina alimentar. Por ter diabetes, passou a sentir mais fome e a diminuir os intervalos entre as refeições, o que reforçou a necessidade de manter os cuidados com os dentes. “Como sou diabética, comecei a ter mais fome, então encurtei os intervalos das refeições. Isso acaba facilitando o acúmulo de tártaro e dando mais vontade de comer doces. Por isso, é importante ter uma atenção especial”, relata. Durante a gravidez, alterações hormonais influenciam diretamente na saúde da mulher. Tais mudanças podem provocar inflamações na gengiva, especialmente quando há acúmulo de placa bacteriana. Enjoos e episódios de vômito também podem exigir atenção redobrada à higiene oral. Por isso, o acompanhamento odontológico é parte importante do cuidado integral com a gestante. Durante o primeiro trimestre da gestação, a náusea é um mal-estar que pode estar mais presente. A gestante pode sentir uma sensibilidade nos dentes e mau hálito, e por esse motivo, muitas mulheres sentem um maior incômodo durante a escovação. Ellen Emanuella, de 32 anos, relembra que enfrentou dificuldades durante a gestação do quarto filho. Na primeira gravidez, a agricultora não teve acompanhamento odontológico, apesar de ter realizado o pré-natal. Ellen Emanuella da Silva durante a gravidez Arquivo pessoal “Como foi a primeira gravidez, era tudo muito novo pra mim. Teve, sim, o pré-natal completo, mas não tive atendimento com dentistas”, conta. A partir da segunda gestação, o cenário mudou, e Ellen passou a ser acompanhada por um profissional de saúde bucal. Por meio do atendimento especializado na rede pública, ela conseguiu realizar procedimentos odontológicos que ajudaram a melhorar seu bem-estar durante a gravidez. Durante o as consultas, a agricultora recebeu orientações para manter os cuidados com a saúde bucal em dia e procurar um dentista regularmente. Ela precisou fazer uma restauração, que ajudou a diminuir a sensibilidade nos dentes e a dor ao mastigar. “Senti muita diferença na hora de comer. Antes eu tinha bastante sensibilidade com água gelada e dor para mastigar de um lado da boca. Com o início dos cuidados [bucais], conseguia me alimentar normalmente sem nenhum incômodo”, disse Ellen. De acordo com Mariana Cordeiro, especialista em odontopediatria, a falta de cuidados com a saúde bucal e os maus hábitos de higiene podem favorecer problemas que exigem atenção durante a gestação. Uma mulher que consome muito açúcar e não mantém uma rotina adequada de higiene bucal, por exemplo, tem maior risco de desenvolver cáries. Problemas nas gengivas, como o granuloma gravídico, também podem surgir durante a gravidez. A lesão é benigna, avermelhada e apresenta grande quantidade de vasos sanguíneos. Ela aparece com mais frequência na gengiva e pode estar relacionada às variações hormonais desse período. “Muito se fala de infecção urinária durante a gestação e de suas complicações, mas sabemos que todas as infecções durante esse período merecem atenção. Durante a gestação, a mulher passa por muitas mudanças, uma delas é a inflamação na gengiva, a periodontite, que é quando a gengiva fica mais inchada, mais vermelha e sangrando com mais facilidade”, explica a odontopediatra. Mariana Cordeiro, especialista em Odontopediatria Arquivo pessoal Saúde bucal pode afetar a gestação Durante a gestação, o aumento dos níveis de estrogênio e progesterona podem deixar a gengiva mais sensível à placa bacteriana, favorecendo a inflamação e o sangramento. “Existem estudos que associam doenças periodontais ao parto prematuro, baixo peso ao nascer e pré-eclâmpsia. Embora não exista comprovação de uma relação direta de causa e efeito, sabemos que infecções e inflamações importantes precisam ser tratadas para poder proteger a saúde materna e fetal”, esclarece a médica Daniele Aragão, ginecologista e obstetra. A médica ainda alerta que os hábitos de higiene e alimentação da mãe influenciam diretamente os cuidados com a criança. Por isso, cuidar da saúde bucal durante a gestação também é investir na saúde do bebê. Especialistas explicam ainda que os primeiros mil dias de vida, período que compreende a gestação e os dois primeiros anos da criança, são considerados fundamentais para o desenvolvimento infantil e também para a saúde bucal. “O ideal é começar o acompanhamento de pré-natal odontológico assim que descobrir a gestação, será um momento de realizar os procedimentos odontológicos necessários, mas também um período de orientação para o cuidado do bebê que está chegando”, disse Mariana Cordeiro. Após o nascimento do bebê, o indicado é realizar o teste da linguinha para identificar a necessidade de alguma intervenção para facilitar o aleitamento materno. Depois da consulta, deve ser feito o acompanhamento semestral. Direito garantido por lei A Constituição Federal garante a saúde como direito de todos os cidadãos e dever do Estado. O Estatuto da Criança e do Adolescente, por meio do artigo 8º, assegura à gestante atendimento pré-natal integral pelo SUS. A Lei nº 14.572/2023 instituiu a Política Nacional de Saúde Bucal em lei e incluiu a saúde bucal entre as obrigações do SUS. Dados da Secretaria Estadual de Saúde mostram que em Pernambuco foram registradas 655.233 consultas de pré-natal na rede pública de Atenção Primária à Saúde em 2025. Já em 2026, considerando os dados disponíveis de janeiro a agosto, foram contabilizadas 505.339 consultas. Os quantitativos de consultas não representam o número de gestantes distintas atendidas, uma vez que cada mulher pode realizar múltiplas consultas durante o acompanhamento pré-natal. Em entrevista ao g1, a advogada Fernanda Martins, especialista em Direito Médico e da Saúde e presidente da Comissão de Direito Médico e da Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil, subseção de Caruaru, explica que não existe uma única “lei do dentista na gravidez”. “Desde a Constituição de 1988, o SUS deve oferecer atendimento integral, e o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, garante à gestante um pré-natal completo. Em 2004, a política Brasil Sorridente colocou as grávidas como público prioritário da saúde bucal. A garantia ficou expressa em 2024, quando a Rede Alyne, programa do Ministério da Saúde para a saúde da mãe e do bebê, incluiu no pré-natal o cuidado integral com a saúde bucal da gestante”, disse a advogada.

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