Em processo sobre megaoperação, MPRJ pede condenação de 15 e absolvição de cadeirante denunciado como soldado armado
The Public Ministry has requested the conviction of 15 people linked to the Comando Vermelho. These individuals were arrested during the Contenção operation in Penha and Alemão. The prosecutor also requested the acquittal of a defendant who is a paraplegic wheelchair user. This person had been indicted as an armed soldier for drug trafficking. Fifty-one defendants were split into three separate legal processes. One process involves 16 people, while another involves 33 who are fugitives or were not cited. A third process involves only two defendants.
Em um processo contra parte dos acusados e presos na Megaoperação Contenção, que completou 1 ano na quarta-feira, o Ministério Público pediu a condenação de 15 pessoas ligadas ao Comando Vermelho na Penha e no Alemão. O MP pediu ainda a absolvição de um réu cadeirante e paraplégico que foi indiciado pela Polícia Civil e denunciado pelo Ministério Público como soldado armado do tráfico de drogas. Os 51 réus na Justiça após a denúncia do Ministério Público foram divididos em três processos diferentes: um com 16 pessoas, outro com 33 denunciados que estão foragidos ou não foram citados pela Justiça e um terceiro, com apenas dois réus. Um outro réu morreu e teve a punibilidade extinta. No dia 5 de outubro, a promotora Juliana Pompeu, da 42ª Vara Criminal, pediu a condenação de 15 réus, por diferentes crimes: André Felipe Mendes da Silva, o "Ceguinho" soldado do tráfico Carlos Alexandre Siqueira Pinto, o "Alex Macarrão", soldado do tráfico Daniel Afonso de Andrade, o "Danado", soldado do tráfico Davi da Silva Candido, soldado do tráfico Fabrício Dias Correia, o "Pelezinho", soldado do tráfico de drogas na Penha Fagner Campos Marinho, o "Bafo", soldado do tráfico e integrante da segurança de Doca Henrique Wesley Braga Neves, o "Rick", soldado do tráfico responsável por patrulhamento João Vitor Machado, o "Dilma", responsável pela segurança da casa de Doca Nikolas Fernandes Soares, o "Hurley", soldado do tráfico responsável por patrulhamento Pedro Paulo Guedes, o "Pedro Bala", chefe executivo do tráfico na Penha Rosimaria Victor de Souza, por prestar auxílio e suporte logístico para o tráfico na Penha Thiago Barbosa Conrado, o "TH do Rasta" Vagner Rodrigues de Freitas, o "Malvadão", com anotações por homicídio e roubo Vinicius de Almeida Silva, soldado do tráfico na contenção armada e vigilância Walmir Oliveira Santos, soldado do tráfico e contenção armada na Penha O que aconteceu um ano após megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha com 122 mortos Todos respondem por associação ao tráfico majorada, por crimes cometidos próximos a estabelecimentos de ensino, com emprego de arma de fogo e visando atingir crianças ou adolescentes. Um dos réus também responde pelo crime de tortura. 📌Um ano da megaoperação: esta reportagem faz parte de uma série do g1 sobre os desdobramentos da ação realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, com 122 mortos. Veja todas as reportagens. MP pede absolvição de paraplégico Herbert na cadeira de rodas Reprodução Nas alegações finais, a promotora também pediu a absolvição de Herbert da Silva de Souza, de 31 anos, que possui o vulgo "Negão". Nas investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, ele foi indiciado como soldado armado do Comando Vermelho na Penha, com o emprego usual de fuzil citado no relatório final do caso. No entanto, ele é paraplégico e cadeirante desde 2012, como mostram documentos anexados ao processo. Na época, Herbert tinha 17 anos e levou um tiro nas costas quando participava de uma tentativa de assalto em março daquele ano na Vila da Penha, na Zona Oeste. Segundo a Polícia Civil, ele também era integrante de um dos grupos de Whatsapp da "contenção" da facção, ligada aos soldados responsáveis pelo patrulhamento e contenção armada do tráfico na comunidade. Nas audiências do processo na Justiça, o advogado de Herbert, Michel Brito, apresentou documentos que comprovam que ele é cadeirante há 14 anos. Não há investigações em andamento contra Herbert. Ele foi indiciado em 2019 por resistência qualificada e associação para o tráfico, mas foi absolvido na Justiça em 2022 por ausência de provas suficientes para a condenação em um processo na 21ª Vara Criminal. Questionados durante uma audiência na Justiça, o delegado titular da DRE, Moyses Santana, e outros policiais envolvidos na investigação diziam não se recordar de Herbert especificamente. Um deles chegou a afirmar que, se soubesse que Herbert era paraplégico, "não faz sentido ele ser soldado do tráfico". Nas alegações finais, a promotora diz que, apesar de identificado como integrante dos grupos de Whatsapp, Herbert não poderia atuar como soldado armado sendo cadeirante: "A função atribuída a ele no organograma do tráfico, a saber, soldado armado, não se revela em consonância com a sua condição física dele, visto que apresenta “Paraplegia traumática completa (AIS-A)” há mais de dez anos", diz um trecho do documento. "Assim, há dúvida fundada acerca de sua capacidade de praticar a conduta a ele imputada, dúvida esta que milita a seu favor, de forma que, com relação a ele, a absolvição é medida que se impõe", afirma a promotora. Veja todas as reportagens da série: Um ano depois, 33 alvos estão foragidos e chefes vivem na região Relatório de câmeras de PMs indica tortura, ameaças e agressões MPRJ já denunciou 28 PMs da ofensiva por diferentes crimes Como a Penha tenta reconstruir a rotina após a megaoperação Os efeitos da Megaoperação no RJ em crianças e jovens da Penha Chefe da facção está entre os réus Cartaz de Pedro Bala no Disque Denúncia Reprodução Entre os réus que tiveram a prisão pedida, está o traficante Pedro Paulo Guedes, conhecido como Pedro Bala. Ele é apontado pelas investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) como um dos principais nomes do Comando Vermelho na Penha, responsável pelo comando das bocas de fumo, a administração financeira da quadrilha, a divisão de tarefas e a distribuição de armas. Segundo as investigações, ele e Edgar Alves de Andrade, o Doca, dão ordens na região da Penha. Pedro Bala é o único dos chefes da facção que tem advogado constituído no processo contra os alvos ligados à cúpula do Comando Vermelho. Ele tem 9 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Principais alvos do CV na megaoperação seguem foragidos Arte/g1