Ligue para o céu: Ação com telefone desperta memórias e emociona visitantes em cemitério no AC; VÍDEO

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Father Cleiton Silveira installed a symbolic telephone at the entrance of Santa Cecília Cemetery in Feijó, Acre. The initiative took place on All Souls' Day to help visitors express their longing for deceased friends and relatives. An old telephone was placed on a table next to a banner that invited people to call heaven and speak with someone special. Many family members were moved by the action. A video of the event was posted by the local parish.

Padre instala 'telefone para o céu' em cemitério e emociona fiéis no Dia de Finados no AC ☎️ Uma ligação simbólica para o céu foi a maneira encontrada por fiéis para expressarem, nesta segunda-feira (2), Dia de Finados, a saudade de parentes e amigos que já partiram. Padre Cleiton Silveira, da paróquia de Feijó, interior do Acre, colocou um telefone na entrada do Cemitério Santa Cecília para os visitantes deixarem mensagens e homenagens a entes queridos. O telefone antigo foi colocado em cima de uma mesa com um banner com a seguinte frase: "Ligue para o céu e fale com alguém especial". A ação emocionou os familiares e foi registrada em um vídeo postado pela Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. (Veja vídeo acima) 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp "Oi, pai. Como é que o senhor está? Aqui está tudo bem. Hoje o coração aperta. Avisa para a Nahyure que eu estou com muita saudade dela. Não tem um dia que eu não pense nela e no senhor", diz uma visitante emocionada no vídeo. Nahyure Antonieta Gomes de Oliveira, de 21 anos, foi uma das três vítimas que morreram em um acidente de trânsito na madrugada de 30 de agosto, na BR-364, entre Tarauacá e Feijó. A vítima fazia parte da comunidade católica e era conhecida pelos integrantes da paróquia. Fiéis usaram um telefone antigo instalado no Cemitério Santa Cecília, em Feijó, no Acre Reprodução Outro depoimento também chama atenção no vídeo. Uma mulher aproveitou a ligação para conversar com o filho que morreu. "Oi, Neto, meu filho. Eu queria dizer para você que hoje é um dia muito triste para mim. Nós estamos com muita saudade de você, viu, meu filho? Nós te amamos muito”, declarou. Ao g1, o padre Cleiton Silveira contou que a proposta surgiu a partir de uma experiência que ocorreu no novenário da padroeira, em junho deste ano. Ele está há quatro anos à frente da paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. LEIA MAIS: O que se sabe sobre acidente que matou três pessoas em saída de festa no Acre Advogado é indiciado por atropelar e matar três pessoas em saída de festa no Acre; 'Justiça seja feita', diz filha de vítima 'Desafio do iPhone' viraliza após cliente cravar tempo de 5 segundos em cronômetro no Acre; VÍDEO "Os fiéis da nossa paróquia foram convidados a falar sobre pessoas que tiveram importância em suas trajetórias de fé. Pensei em algo que fosse o oposto do que vemos hoje, numa era de tanta Interligencia Articial, algo humano mesmo, por isso, fiz a ligação para alguém que morreu", destaca. Conforme o religioso, a participação começou espontaneamente, com pessoas que se sentiram à vontade para falar sobre quem perderam. "Pude levar esse alento para que as pessoas pudessem falar com quem partiu, como se estivessem do lado delas, porque eu acredito que estão", afirmou. O próprio padre usou o telefone para ligar para o céu para homenagear a avó e a mãe. Ele perdeu a avó em março deste ano e a mãe em 2024. As duas tinham o sonho de vê-lo se tornar padre. “Minha mãe não me viu padre, faltava apenas três meses para eu formar. De vez em quando, volto nas conversas de WhatsApp, ouço áudios das nossas conversas, como se ela estivesse falando com ela. Até hoje eu gravo mensagens para ela. Acho que tudo isso influenciou nessa ação", relatou. Ação no Dia dos Finados, emocionou quem passou pelo Cemitério Santa Cecília em Feijó Arquivo pessoal Fé e emoção A ação foi organizada por cinco integrantes da Pastoral da Comunicação, responsáveis pela produção dos vídeos da paróquia. A equipe começou a preparar o espaço por volta das 5h30 e permaneceu no local até aproximadamente 9h30, com registros que se estenderam até perto das 10h. De acordo com o padre, entre 15 e 20 pessoas participaram dos depoimentos. O telefone ficou disponível na entrada do cemitério, onde também foi celebrada a missa de Finados. O sacerdote contou que a equipe se emocionou diversas vezes durante as gravações. "Foi emocionante demais porque convivemos com pessoas e não sabemos a luta que elas têm, o sentimento que carregam. Várias vezes, depois que as câmeras desligavam, a gente se abraçava e acabou que choramos junto", lembrou. Além disso, a iniciativa criou um ambiente de acolhimento entre pessoas que enfrentam o luto. "A pessoa falava no telefone e era como se aliviasse a dor e o sofrimento dela. A gente sentiu uma esperança, um sentimento de serenidade. Apesar da saudade e do luto", disse o padre. Telefone emprestado O telefone utilizado na gravação foi emprestado por uma mulher que mantém um café temático com objetos antigos. O religioso contou que viu o aparelho cerca de três meses antes da ação e chegou a comentar que gostaria de utilizá-lo em algum vídeo. Quando começou a planejar a homenagem de Finados, lembrou do objeto e entrou em contato com a proprietária. "Uma vez que estava andando na cidade e fui convidado para um café por uma moça que tem um café temático com coisas antigas. Assim que vi o telefone, falei: 'Meu Deus, que telefone lindo, vou usar um dia para algum vídeo'. Ela se colocou à disposição. Então, semana passada, falei: 'Vai ser no vídeo da saudade', então, liguei para ela, que estava em Rio Branco, e de prontidão aceitou emprestar", relembrou. Entre 15 e 20 pessoas participaram gravando depoimentos no local e depois seguiram para missa Arquivo pessoal Natural do Paraná, Cleiton se mudou para o Acre há quatro anos e as duas perdas aconteceram quando já vivia no estado acreano. Para encurtar a saudade dos familiares, o paróco conta que usava o telefone. “Eu resolvi fazer com que as pessoas pudessem falar com alguém no céu, com aquele telefone antigo, trazendo um pouco da época de muitos anos atrás. Coloquei o telefone ali despretensiosamente e pensei: 'Se alguém tiver coragem, se alguém quiser e tiver'. Foi emocionante", recordou. Iniciativa foi organizada por cinco integrantes da Pastoral da Comunicação Arquivo pessoal Carinho nas redes sociais A iniciativa também repercutiu nas redes sociais. Nos comentários da publicação, internautas elogiaram a proposta e compartilharam a emoção ao assistir aos depoimentos. "Que coisa mais linda!", escreveu uma mulher na publicação da paróquia. "Como é linda nossa paróquia e como nos faz viver cada momento, nos ensinando a cultivar acima de tudo a fé e a confiança em Deus. Obrigada!”, comentou outra fiel. “E eu aqui chorando junto”, escreveu uma terceira pessoa. Para o padre Cleiton, a repercussão mostra a importância de criar espaços em que as pessoas possam expressar sentimentos e compartilhar histórias. A proposta, segundo ele, foi justamente transformar a saudade individual em um momento coletivo de acolhimento, fé e esperança. Reveja os telejornais do Acre

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