Passe livre estudantil é suspenso temporariamente em Manaus, informa Sinetram
Sinetram notified users that the student free pass in Manaus is temporarily suspended. The announcement arrived Monday evening via the Cadê Meu Ônibus platform. This suspension affects students within the state education network. The message stated the pause is due to payment pending from the state government.
Sinetram enviou notificação para informar suspensão do passe livre estudantil. g1 AM Usuários do transporte coletivo foram surpreendidos, nesta segunda-feira (2), com uma notificação no celular informando que o passe livre estudantil está temporariamente suspenso. A mensagem foi enviada no início da noite, por meio da plataforma "Cadê Meu Ônibus", desenvolvida pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). "Informamos que o benefício da gratuidade no transporte coletivo de Manaus dos estudantes da rede estadual de ensino está temporariamente suspenso devido à pendências de pagamento por parte do Governo do Estado", dizia a mensagem. A notificação ocorre cinco dias após o Sinetram afirmar que o benefício estava ameaçado por um impasse financeiro entre as empresas de transporte coletivo e o Governo do Amazonas. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Falta de repasse ameaça gratuidade de ônibus para estudantes no Amazonas Segundo o sindicato, há pagamentos pendentes desde 2025, e as concessionárias afirmam que não têm condições de continuar fornecendo novos créditos sem receber os valores correspondentes. O g1 questionou o Governo do Estado e a Prefeitura sobre a mensagem enviada pelo Sinetram aos usuários do transporte coletivo, mas até a atualização mais recente desta reportagem não obteve resposta. Impasse foi discutido em audiência A situação foi discutida em uma audiência de conciliação realizada no dia 26 de outubro, no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), mas terminou sem acordo entre as partes. A ata da reunião foi obtida pela Rede Amazônica. Conforme o documento, o Sinetram comunicou à Justiça que as empresas não conseguem continuar custeando, com recursos próprios, as passagens destinadas aos estudantes da rede estadual sem o pagamento do governo. Segundo o sindicato, os créditos que já estão disponíveis nos cartões podem ser utilizados normalmente. A interrupção anunciada se refere ao fornecimento de novas passagens. O Governo do Amazonas informou que quitou todos os pagamentos do Passe Livre Estudantil referentes a 2026, incluindo outubro, pago no dia 23. Sobre os valores em aberto de 2025, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) afirmou que mantém uma disputa judicial com o IMMU e o Sinetram e contesta a cobrança de cerca de R$ 250 milhões pelo serviço prestado no primeiro semestre daquele ano, alegando falta de comprovação dos custos. O Estado afirmou que a gestão do transporte coletivo é responsabilidade da Prefeitura de Manaus e acusou o Sinetram de tentar transferir custos ao governo estadual. Também declarou esperar que as empresas não interrompam o passe livre no fim do ano letivo, prejudicando os estudantes. Como funciona a gratuidade estudantil? De acordo com o Sinetram, o benefício é calculado mensalmente, conforme a quantidade de dias letivos. No início de cada mês, o estudante precisa solicitar novamente a gratuidade para receber os créditos correspondentes ao período. Com a interrupção do fornecimento, os estudantes da rede estadual ficam impedidos de receber novos créditos, segundo o sindicato. Quem já tem saldo no cartão pode continuar utilizando as passagens disponíveis. Sindicato contesta posição do governo estadual Em nota, o Sinetram afirmou que está preocupado com o posicionamento apresentado pelo Governo do Amazonas na Ação Civil Pública nº 0166280-09.2025.8.04.1000. Segundo a entidade, em manifestação protocolada em 22 de outubro, o Estado sustentou que um eventual ressarcimento às empresas dependeria de uma decisão judicial definitiva e estaria sujeito ao regime de precatórios, mecanismo utilizado para o pagamento de dívidas judiciais do poder público. O sindicato contesta esse entendimento. A entidade argumenta que o pagamento pelas passagens adquiridas deve ser feito conforme a relação estabelecida entre o governo e as concessionárias, sem que as empresas precisem aguardar o encerramento de uma disputa judicial. O Sinetram também afirmou que o presidente da entidade tentou entrar em contato com os secretários estaduais de Educação e da Fazenda, mas não obteve resposta. Segundo o sindicato, o governo deixou de comparecer a duas audiências de conciliação realizadas anteriormente no TRT-11. A entidade defende que o pagamento das pendências é necessário para manter o equilíbrio financeiro do transporte coletivo e evitar o agravamento da crise no sistema de ônibus da capital. Prefeitura de Manaus afirma que arca com despesas do Estado Durante a audiência, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) afirmou que as tentativas de receber os valores referentes à participação do Governo do Amazonas no custeio da meia-passagem estudantil não tiveram resultado. Conforme registrado na ata, o órgão municipal declarou que a Prefeitura de Manaus vem arcando com despesas atribuídas ao Estado e alertou para o risco de não conseguir continuar suportando esses custos. O município também demonstrou preocupação com a continuidade da política pública de gratuidade estudantil diante da falta de uma solução para o impasse financeiro. Rodoviários denunciam atrasos salariais A audiência também tratou de reclamações sobre atrasos nos pagamentos dos trabalhadores do transporte coletivo. O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários e Urbanos de Manaus e do Amazonas pediu o aumento de uma multa estabelecida anteriormente pela Justiça. A entidade alegou que as empresas continuam atrasando salários e adiantamentos salariais dos funcionários. A penalidade havia sido determinada em decisão liminar da desembargadora Solange Maria Santiago Morais. A ata da audiência registra o pedido dos trabalhadores, mas não apresenta uma decisão que determine o aumento da multa durante a reunião. Ônibus no Terminal 2 em Manaus. Foto: Natália Póvoas/Rede Amazônica Processo segue na Justiça A audiência foi conduzida pela desembargadora Ruth Barbosa Sampaio, coordenadora do Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas de segundo grau (CEJUSC-JT), do TRT-11. Como não houve acordo, os envolvidos solicitaram a devolução dos autos, e o processo foi encaminhado ao gabinete do relator para prosseguimento. Até o fim da audiência, não havia uma solução consensual para as pendências financeiras relacionadas às passagens estudantis nem para as reclamações sobre os atrasos salariais.