Mau cheiro na Lagoa da Jansen incomoda moradores e afasta turistas em São Luís
A strong bad smell at Lagoa da Jansen in São Luís is upsetting residents and driving away tourists. Experts say the odor is caused by irregular sewage disposal, accumulated organic matter, and a lack of water renewal during dry periods. Local business owners and residents report that the smell makes it hard for visitors to stay in the area. This situation is negatively affecting the local economy and tourism in one of the city's main tourist spots.
Abandono da Lagoa da Jansen prejudica o turismo e a economia local O forte mau cheiro na Lagoa da Jansen, um dos principais pontos turísticos de São Luís, tem provocado reclamações de moradores, comerciantes e visitantes. Segundo especialistas, o problema está relacionado ao acúmulo de matéria orgânica, ao despejo irregular de esgoto e à dificuldade de renovação da água, principalmente no período sem chuvas. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp A situação também preocupa quem trabalha na região. Moradores e comerciantes relatam que o odor dificulta a permanência de visitantes no local e prejudica as atividades comerciais. Um grupo formado por moradores e empresários, chamado Amigos da Lagoa da Jansen, cobra medidas do poder público para recuperar a área. Em entrevista à TV Mirante, o oceanógrafo Leonardo Soares explicou que o lançamento de esgoto ao longo de décadas provocou o acúmulo de sedimentos e matéria orgânica na lagoa. Segundo ele, durante os meses de ventos mais intensos, parte desse material é movimentada, o que favorece a liberação de gases responsáveis pelo mau cheiro. O especialista explicou que, quando a decomposição da matéria orgânica ocorre sem a presença de oxigênio, há liberação de gás sulfídrico, responsável pelo odor semelhante ao de ovo podre. Esgoto e falta de renovação da água Mau cheiro na Lagoa da Jansen incomoda moradores e afasta turistas em São Luís Reprodução/TV Mirante A Lagoa da Jansen é uma laguna costeira urbana com características de manguezal. Ao longo dos anos, a expansão da cidade, a construção de avenidas e os aterros reduziram a comunicação natural da lagoa com o mar e o rio, o que dificulta a renovação da água e a dispersão dos poluentes. Segundo Leonardo Soares, o problema é agravado pelo despejo de esgoto na região. Parte dos resíduos chega à lagoa por meio das redes de drenagem, que também recebem ligações clandestinas de esgoto. Para o oceanógrafo, a primeira medida necessária é interromper o lançamento de esgoto no local e encaminhar os resíduos para tratamento. "Mas se não cortar o esgoto, não haverá mudança em relação ao cheiro", afirmou. O especialista também defende a identificação dos pontos de despejo irregular, a implantação de um sistema de captação de esgoto, o uso de técnicas de biorremediação e melhorias na circulação da água. Segundo ele, a solução depende de projetos e investimentos, além da atuação conjunta dos governos federal, estadual e municipal. Poluição também ameaça os peixes Além do mau cheiro, a poluição da Lagoa da Jansen também preocupa pelos impactos na biodiversidade. Uma pesquisa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) identificou sinais de contaminação por microplásticos em peixes da região. O estudo encontrou mais de 300 fragmentos em 16 exemplares de pirapema analisados. Segundo especialistas, o problema está associado ao descarte de lixo e às condições precárias de saneamento. A lagoa ainda abriga espécies de peixes e mantém atividades de pesca, que também podem ser afetadas pela poluição. Moradores cobram melhorias Diante dos problemas, moradores e empresários criaram o grupo Amigos da Lagoa da Jansen para cobrar ações de recuperação e melhorias na região. Segundo integrantes do grupo, o mau cheiro afeta a rotina de quem trabalha no entorno e prejudica o turismo. Há relatos de visitantes que deixam de permanecer no local por causa do odor. O g1 procurou a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) para saber quais medidas estão previstas para combater o mau cheiro e a poluição na Lagoa da Jansen, além dos investimentos destinados à recuperação da área, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.