Mpox: casos aumentam no Rio; doença mata? Passa pelo beijo? Veja respostas às principais dúvidas

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Mpox cases are increasing in Rio de Janeiro. The city confirmed 74 infections in September and October, which is seven times higher than the same period last year. The Ministry of Health authorized the purchase of up to 20,000 vaccine doses for the public health system. Additionally, 2,000 doses were sent to Rio de Janeiro, bringing the region's yearly total to 3,500 doses.

g1 responde às principais buscas do Google sobre a Mpox Os casos de mpox voltaram a crescer no Rio de Janeiro. Apenas em setembro e outubro, a capital fluminense confirmou 74 infecções, número sete vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Em meio ao aumento, o Ministério da Saúde autorizou, nesta quinta-feira (5), a compra de até 20 mil doses da vacina contra a doença para reforçar os estoques do Sistema Único de Saúde (SUS). O governo também enviou outras 2 mil doses ao estado do Rio de Janeiro, elevando para 3,5 mil o total destinado à região neste ano. Apesar da alta localizada, o cenário nacional ainda é bem diferente do observado durante o surto de 2022. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil confirmou 665 casos de mpox em 2026, uma redução de 94% em comparação com os mais de 10 mil registros de quatro anos atrás. Mas o aumento recente também traz de volta dúvidas sobre a doença: a mpox pode matar? É transmitida pelo ar? O beijo oferece risco? Existe tratamento? E quem pode receber a vacina? Para esclarecer essas questões, o g1 reuniu explicações de infectologistas sobre as principais formas de transmissão, os sinais de alerta e os cuidados necessários para evitar a infecção. Brasil autoriza compra de até 20 mil doses de vacina contra mpox Adobe Stock Mpox pode matar? Sim, mas as mortes são raras. Para a maioria das pessoas, a mpox provoca sintomas leves ou moderados e desaparece sem causar complicações graves. O risco é maior, porém, entre pacientes com o sistema imunológico comprometido, como pessoas vivendo com HIV sem tratamento adequado, transplantados e pacientes em tratamento contra o câncer. “Pode matar, sim, mas isso é raro. Hoje, para a população em geral, o risco é considerado baixo”, afirma Álvaro Costa, infectologista da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), consultor técnico do Ministério da Saúde para Infecções Sexualmente Transmissíveis e coordenador do serviço de HIV do Hospital das Clínicas da USP. Segundo Marcos Vinicius Borges, também infectologista da SBI, a letalidade observada nos surtos globais mais recentes geralmente ficou abaixo de 1%. Esse percentual, entretanto, pode ser maior em locais onde o acesso aos serviços de saúde é mais limitado. Mpox pega pelo ar? A mpox não se espalha pelo ar com a mesma facilidade que doenças como o sarampo. A principal forma de transmissão é o contato direto com lesões na pele, secreções corporais ou mucosas de uma pessoa infectada. O contágio também pode ocorrer durante o contato próximo e prolongado com secreções respiratórias, como em situações em que duas pessoas permanecem frente a frente por bastante tempo. “Não é uma doença altamente transmissível pelo ar”, explica Costa. Além disso, objetos contaminados, como toalhas, roupas e lençóis utilizados por pessoas infectadas, também podem transmitir o vírus. Beijo transmite mpox? E a saliva? Sim. O beijo pode transmitir o vírus, principalmente quando há contato com lesões na boca, nos lábios ou na pele do rosto. Isso acontece porque o vírus pode estar presente na saliva e nas lesões de pessoas infectadas. “O beijo envolve proximidade intensa e contato de mucosas. Se houver lesões ativas, o risco existe”, explica Borges. Por isso, a recomendação é evitar beijos e outros contatos físicos íntimos quando houver feridas suspeitas ou sintomas compatíveis com a doença, até que seja realizada uma avaliação médica. Mpox é uma infecção sexualmente transmissível? A mpox não é considerada uma infecção sexualmente transmissível (IST) clássica, como a sífilis ou o HIV. Isso porque o contágio não depende necessariamente de uma relação sexual. No entanto, o contato físico intenso que ocorre durante o sexo facilita a transmissão do vírus, especialmente pelo contato direto com a pele e com lesões. “O contato íntimo durante a relação sexual facilita muito a transmissão. Mas é importante lembrar que ela também pode ser transmitida por outros tipos de contato físico próximo”, afirma Costa. Borges destaca que a doença não está restrita a determinado grupo de pessoas. Qualquer indivíduo pode contrair mpox se tiver contato com o vírus. Quais são os primeiros sintomas da mpox? Os sinais iniciais podem se parecer com os de outras infecções virais. Entre os mais comuns estão: febre; dor de cabeça; dores musculares e no corpo; cansaço; aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos como ínguas; lesões ou erupções na pele. As lesões são uma das principais características da doença. Elas podem começar como manchas ou pequenas bolhas, evoluir para feridas com pus e, posteriormente, formar crostas. Essas alterações podem aparecer em diferentes partes do corpo, inclusive na boca e na região genital. Em alguns pacientes, as lesões surgem sem febre ou outros sintomas anteriores. “Ao notar algo diferente na pele, especialmente associado à febre, vale procurar avaliação médica”, orienta Borges. Partículas do vírus mpox (em verde) sobre células infectadas. Disseminação do patógeno ainda preocupa especialistas. NIH-NIAID/IMAGE POINT FR/BSIP/picture alliance Como saber se é mpox ou catapora? As duas doenças podem provocar bolhas e feridas na pele, o que dificulta a diferenciação apenas pela aparência. Na mpox, é mais comum que as lesões de uma mesma região estejam em estágios semelhantes de evolução. Já na catapora, costuma haver lesões em diferentes fases ao mesmo tempo. Essa diferença, porém, não é suficiente para confirmar o diagnóstico. A confirmação da mpox depende de exame laboratorial, geralmente realizado por meio da coleta de material das lesões para identificar o vírus. Por isso, pessoas com feridas suspeitas devem procurar atendimento de saúde, em vez de tentar identificar a doença apenas por fotografias ou pela aparência da pele. Quanto tempo dura a mpox? Quando a pessoa deixa de transmitir? Na maioria dos casos, os sintomas desaparecem entre duas e quatro semanas. Durante esse período, a pessoa infectada pode transmitir o vírus, principalmente pelo contato com as lesões. “Só quando todas as crostas caem e a pele está completamente cicatrizada é que o risco de transmissão praticamente desaparece”, explica Costa. Por isso, o isolamento deve ser mantido até que todas as lesões estejam cicatrizadas e uma nova camada de pele tenha se formado, conforme orientação dos profissionais de saúde. Conheça o vírus da mpox e os principais sintomas da doença. Ana Moscatelli/Arte g1 Existe tratamento para mpox? Na maioria dos casos, o tratamento consiste em aliviar os sintomas e prevenir complicações. Isso inclui medicamentos para controlar a dor e a febre, além de cuidados com as lesões na pele. Em situações graves, pode ser considerado o uso do antiviral tecovirimat, sob critérios específicos. O medicamento, entretanto, não é indicado rotineiramente para todos os pacientes. Complicações, como lesões que atingem os olhos, exigem avaliação médica urgente. Quando ocorre infecção bacteriana secundária nas feridas, também pode ser necessário o uso de antibióticos. Quem pode tomar a vacina contra mpox? A vacina ainda não está disponível para toda a população no SUS. A estratégia nacional prioriza pessoas vivendo com HIV/aids que apresentam comprometimento importante do sistema imunológico, identificado por uma contagem de células de defesa chamadas CD4 inferior a 100 células por milímetro cúbico de sangue. O esquema prevê duas doses, com intervalo de 28 dias. Segundo o Ministério da Saúde, essas pessoas devem procurar os centros de referência onde já fazem acompanhamento para realizar o cadastro e agendar a imunização. Caso existam doses remanescentes, outros grupos também podem ser contemplados: pessoas vivendo com HIV/aids com contagem de CD4 inferior a 200 células/mm³; pessoas que utilizam a profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP); profissionais de laboratório que manipulam amostras do vírus da mpox. A vacinação também pode ser recomendada para pessoas que tiveram contato direto com um caso suspeito ou confirmado, após avaliação do risco de exposição pelos serviços de saúde. Nessas situações, a aplicação deve ocorrer preferencialmente nos primeiros quatro dias após o contato, quando a proteção para evitar a infecção é maior. A vacina ainda pode ser administrada em até 14 dias após a exposição, embora, nesse intervalo, sua capacidade de prevenir a doença seja menor. A imunização ainda pode ajudar a reduzir o risco de complicações graves. A autorização para comprar até 20 mil novas doses tem caráter preventivo, segundo o Ministério da Saúde, e busca garantir que o SUS mantenha estoques suficientes para responder a possíveis aumentos da circulação do vírus.

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