UE exige que TikTok modifique os 'feeds' personalizados devido aos efeitos 'nocivos'
Ícone do aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok. AP/Matt Slocum/Arquivo A União Europeia exigiu, nesta sexta-feira (6), que a rede social TikTok modifique radicalmente seus fluxos de vídeos personalizados, acusados de prejudicar o bem-estar e a saúde mental dos usuários ao expô-los a sequências de conteúdos com efeitos muito negativos. A subsidiária do grupo chinês ByteDance, que está na mira de Bruxelas, corre o risco de receber uma multa alta, uma vez que a Comissão Europeia considera que a empresa pode ter infringido dispositivos fundamentais da Lei de Serviços Digitais (DSA). Trata-se de uma regulamentação sobre conteúdos que constitui uma das principais ferramentas jurídicas implementadas pela UE nos últimos anos para controlar as grandes empresas de tecnologia. Na raiz do problema está o próprio funcionamento do algoritmo de recomendação de conteúdos do TikTok. Os fluxos de vídeos personalizados são projetados para oferecer, repetidamente, todo tipo de conteúdo que tenha despertado o interesse do usuário, inclusive aqueles que abordam temas que podem afetar o bem-estar físico e moral quando consumidos de forma recorrente, como a tristeza, a solidão ou questões relacionadas à autoestima. Ficar imerso na visualização ininterrupta e repetida desse tipo de conteúdo (um fenômeno conhecido em inglês como "rabbit holes") pode ter efeitos negativos sobre a saúde mental, alerta a Comissão Europeia, especialmente no caso de adultos vulneráveis ou de menores de idade. A rede social já introduziu mudanças em seus fluxos personalizados, mas Bruxelas considera que elas não são suficientes. Por isso, o Executivo europeu exige do TikTok uma série de mudanças profundas que afetam o próprio cerne de seu modelo de negócio, baseado em capturar ao máximo a atenção dos usuários. A solicitação refere-se à maneira como o algoritmo seleciona os conteúdos que são exibidos. Bruxelas lamenta que, atualmente, mesmo que um usuário indique que não tem mais interesse em determinado tipo de conteúdo, o algoritmo do TikTok possa ignorar essa escolha para maximizar o tempo que o usuário passa na plataforma. "A Comissão formulou uma série de afirmações fundamentalmente inexatas", reagiu um porta-voz do grupo à AFP. "Temos um histórico comprovado na proteção da nossa comunidade", acrescentou a plataforma. O TikTok já está sob suspeita de ter cometido outras infrações a esse mesmo regulamento, incluindo o descumprimento de suas obrigações de proteção a menores, o que cria riscos de ciberassédio e de exposição a possíveis predadores. A UE iniciou uma ampla ofensiva para conter as redes sociais, em aplicação do DSA, e pretende proibir o acesso a elas por menores de 13 anos, devido aos inúmeros riscos ao seu bem-estar e ao seu desenvolvimento.