Prédio que desabou no Brás, no Centro de SP, não tinha Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros

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Porta-voz do Corpo de Bombeiros fala sobre desabamento no Brás, Centro de SP O prédio que desabou no Brás, no Centro de São Paulo, na noite de sexta-feira (6) não tinha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). O documento atesta que uma edificação atende às condições de segurança contra incêndio e pânico exigidas por lei. O desabamento ocorreu na área do mezanino do prédio, segundo a Capitã Karoline Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo. No momento do acidente, 35 funcionários estavam no interior do estabelecimento. Alguns deles descarregavam tecidos. Do total, 27 pessoas foram retiradas pelas equipes de resgate, e as demais conseguiram sair antes da chegada dos bombeiros. Quatro pessoas foram socorridas e levadas para a UPA da Mooca em estado estável, mas com escoriações e lesões nos braços e nas pernas. As vítimas seguem internadas na manhã deste sábado (7). LEIA MAIS: Vídeo mostra momento em que prédio desaba no Centro de SP 'Minha alma saiu e voltou pro corpo', diz carregador que estava em prédio que desabou no Brás, em SP Prédio de quatro andares desaba no Brás, no Centro de São Paulo. Reprodução/TV Globo Buscas por vítimas Cães farejadores indicaram a possível presença de pessoas sob os escombros. No entanto, segundo a porta-voz do Corpo de Bombeiros, não foi possível confirmar se havia vítimas no local. Os trabalhos de resgate serão retomados na manhã deste sábado, com o apoio de maquinário. Segundo os bombeiros, a instabilidade do terreno e o risco iminente de colapso estrutural impedem a continuidade dos trabalhos manuais com segurança. "Não tem nenhuma pessoa faltante. Então, nós estamos passando o cão por desencargo de consciência para a gente zerar, para a gente não ter dúvidas de que não tem vítimas no interior desse estabelecimento", afirmou. Para a porta-voz, o fato de não haver vítimas mortes foi uma "grata surpresa": O fato de não ter vítimas até o presente momento é uma surpresa, uma grata surpresa, graças a Deus. A gente espera que termine dessa forma a ocorrência, sem vítimas fatais, mas os trabalhos continuarão até que a gente descarte totalmente a ideia de vidas lá dentro desse estabelecimento. Wesley Aureliano, vítima de desabamento no Brás nesta sexta (6) Abraão Cruz/TV Globo; e Reprodução Causas ainda serão investigadas As causas do desabamento ainda não foram informadas. A capitã afirmou que a perícia será responsável por determinar o que provocou o colapso estrutural. Questionada se o peso dos tecidos poderia ter contribuído para o acidente, ela disse que essa análise não fazia parte do trabalho dos bombeiros naquele momento. "A perícia fará todo o trabalho minucioso do porquê colapsou, quais são os motivos, se estava ou não [com] peso excedido. Isso não é uma preocupação do Corpo de Bombeiros neste momento, e sim buscar por vidas", afirmou. Um engenheiro passou a analisar o local para verificar se havia risco para estruturas vizinhas. De acordo com Karoline, os prédios próximos poderiam ser interditados caso fosse identificado risco de colapso. Até aquele momento, porém, os imóveis estavam isolados por segurança durante o atendimento da ocorrência, mas não havia informação de que estivessem impedidos de ser frequentados. 'Minha alma saiu e voltou pro corpo' ‘Alma saiu e voltou pro corpo’: vítimas de desabamento em SP falam sobre acidente Pessoas que estavam dentro do prédio de quatro andares que desabou na noite desta sexta-feira (6), no Brás, região central de São Paulo, relataram o desespero para conseguir escapar do imóvel. Um dos trabalhadores afirmou que cerca de 30 colegas estavam com ele no momento do acidente e que o grupo precisou sair pelo telhado, por cima dos destroços. As causas do desabamento ainda não foram informadas. "Foi apavorante, amigo. Foi um milagre de Deus. Tinha umas 30 pessoas lá dentro. Ficamos todos presos lá dentro. A minha alma saiu e voltou pro corpo de novo. Foi triste", afirmou Vando de Jesus Bispo, que trabalha há seis anos com carregamento de tecidos. Segundo ele, as pessoas que estavam no imóvel se ajudaram para conseguir escapar, e três amigos ficaram feridos com mais gravidade. Uma das vítimas foi o carregador Wesley Aureliano, que ficou com hematomas nas costas (foto abaixo). Vando afirmou que havia muita mercadoria dentro do imóvel e, ao ser questionado sobre o que poderia ter causado o desabamento, ele apontou o excesso de peso. Felipe, outra vítima do acidente, disse que estava no último andar quando a estrutura começou a desmoronar. Segundo ele, havia acabado de deixar tecidos no local. "Como eu consegui sair? Sendo astuto. Se o cara não for mais louco que um louco no meio de tudo aquilo desmoronando em cima de você, o cara ia ficar por lá mesmo. Se eu não saio empurrando o que tá na minha frente, eu ia morrer lá", disse. Rosilene Oliveira estava sentada do lado de fora da loja quando o prédio desabou. "Eu estava sentada lá e meu marido tinha acabado de entrar quando aconteceu. Foi de repente", relatou. Imagens registradas pelo Globocop mostram que a parte de trás do prédio ficou completamente destruída, enquanto a estrutura de vidro da fachada permaneceu de pé. Prédio desaba no Brás, Centro de SP, e deixa feridos Uma vizinha do imóvel, Claudneia, contou que ouviu o barulho do desabamento e saiu para acompanhar o trabalho dos bombeiros. Ela afirmou ter visto pessoas sendo retiradas com vida. "Por volta das 18h30, a minha filha gritou 'mãe, um caminhão bateu aqui na rua'. Aí eu falei 'não, filha, não tem caminhão aqui'. Aí ela olhou e já tinha bastante fumaça. Ela disse 'mãe, não foi um caminhão, a loja caiu'", contou. Felipe estava no prédio no momento do desabamento Abraão Cruz/TV Globo Feridos nas lonas Reprodução/TV Globo Prédio desaba no Brás Arquivo pessoal

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