🇨🇻 Cape Verde News

IMP interdita saída de pequenas embarcações devido ao agravamento do estado do mar

De acordo com a informação divulgada hoje, está prevista uma intensificação significativa do vento, acompanhada de rajadas, e um agravamento do estado do mar a partir da noite, sobretudo nas zonas costeiras sul das ilhas de Sotavento e do Barlavento oriental. As previsões apontam ainda para a ocorrência de chuva fraca a moderada, inicialmente em Sotavento e, posteriormente, no Barlavento. Durante os períodos de precipitação, a visibilidade poderá ser moderada ou má.

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Os escritores do presidente

Ora, uma candidatura pode ser legal, legítima e perfeitamente constitucional, mas a legalidade de uma candidatura não encerra a conversa democrática, abre-a. Depois do Tribunal Constitucional, começa o trabalho dos cidadãos. Porque uma candidatura pode ter assinaturas e não ter respostas; pode possuir mandatários, estruturas, discursos, fotografias e uma quantidade respeitável de palavras bonitas e, ainda assim, deixar por responder a pergunta mais simples de todas: o que fará com o poder que pretende receber? E há uma pergunta ainda mais desconfortável para quem já exerceu o cargo: o que fez com o poder que já recebeu?É aqui que a democracia deixa de ser solenidade e começa a ser reminiscência. José Maria Neves não chega a esta eleição vindo de Marte, e nem é um extraterrestre, não apareceu ontem numa esquina com uma bandeira e uma promessa utópica: tem atrás de si décadas de vida política, foi Presidente de câmara municipal, primeiro-ministro e exerce a Presidência desde 2021. Isso não é acusação. Também não é absolvição: é simplesmente memória, e a memória é uma das coisas que o poder menos gosta de carregar. Cada político chega ao presente com um arquivo: uns carregam decisões, outros carregam discursos, outros carregam promessas, outros carregam vitórias, outros derrotas, e há aqueles que carregam explicações. O problema começa quando uma vitória eleitoral passa a funcionar como uma espécie de detergente histórico, capaz de lavar tudo o que aconteceu antes — não lava. Uma eleição dá legitimidade para exercer o poder, não transforma automaticamente todas as decisões anteriores em decisões acertadas. Cinco anos de experiência podem produzir sabedoria, mas também podem produzir apenas cinco anos de experiência: é uma diferença pequena na frase e enorme na vida pública. Também, por isso, chama a atenção a palavra que tem acompanhado esta candidatura: unidade. Unidade, uma palavra tão bonita que quase ninguém se atreve a perguntar o que ela significa: cabe numa Constituição, num discurso presidencial, numa missa, num funeral, numa fotografia de família e, com alguma facilidade, numa faixa eleitoral, e claro trouxeram a maltratada palavra. Humildade. Novamente. Ô palavras fonodjadu . Ninguém quer ser o homem que se levanta numa sala e anuncia: sou contra a unidade. Seria uma maneira extraordinariamente eficiente de perder amigos, mas a política começa precisamente depois das palavras bonitas. Unidos para quê? Unidos em torno de quê? Unidos para fazer o quê com o poder? E, sobretudo, unidos até onde? Porque há uma unidade que aproxima cidadãos e há outra que simplesmente lhes pede silêncio; há uma unidade que permite discordar e há outra que considera a discordância uma doença — uma democracia saudável não elimina o conflito, organiza-o. Não precisa que todos pensem da mesma maneira, precisa que ninguém tenha poder suficiente para decidir sozinho aquilo que todos devem pensar. Esta é uma distinção essencial, porque uma República adulta não precisa de um Presidente amado por todos, precisa de instituições suficientemente fortes para que ninguém tenha de amar o Presidente para confiar na República, e é aqui que devemos olhar não apenas para os homens e mulheres que disputam a Presidência, mas para aquilo que a Presidência significa: o Presidente não é Presidente apenas dos que votaram nele, é também Presidente dos que votaram no adversário. Dos que não votaram, dos que protestaram, dos que desconfiaram, dos que discordaram, e até dos que escreveram coisas que o Presidente preferiria não ler durante o pequeno-almoço. É precisamente por isso que a relação entre política e cultura merece atenção. José Maria Neves tem contado, neste percurso, com figuras de reconhecido peso intelectual e cultural, como Germano Almeida ou Mário Lúcio Sousa, que assumiu a função de mandatário da sua candidatura em 2026. Nada há, por si só, de estranho em escritores participarem na vida pública, pelo contrário: escritores são cidadãos e têm todo o direito de escolher os lugares onde colocam a sua voz, mas a literatura deveria conservar uma coisa que a política frequentemente perde: a capacidade de fazer perguntas quando todos já decidiram as respostas. Um escritor próximo do poder não deixa, por isso, de ser escritor, e um escritor que critica o poder não se transforma automaticamente num grande escritor só porque aprendeu a dizer “não” com a gravata apertada. A literatura não distribui medalhas de pureza ideológica, mas o problema começa quando a cultura deixa de ser consciência e passa a ser decoração de sala: uma planta bonita junto à janela do poder, regada com convites, fotografias e pequenos favores institucionais. Um escritor não deveria ser chamado pelo poder apenas para o legitimar; deveria conservar a liberdade de, quando necessário, lhe estragar o discurso. A literatura que nunca incomoda ninguém talvez seja literatura, mas também pode ser apenas mobiliário. Germano Almeida, às vezes, incomoda o poder, e isso já é alguma coisa; mas ninguém maltrata o poder como José Luiz Tavares, ele que negou candidatar, apesar dos apelos fervorosíssimos, e adianta que, se tivesse candidatado, negaria a votação nele por abuso e por recomendação — kusas di pueta , o nosso maior POETA e salbaxu . Mas José, o recandidato, possui outra especialidade: sabe adaptar-se ao ambiente com a elasticidade de quem nunca deixa o fato político amarrotar o fato pessoal, se a sociedade está suja, ele encontra maneira de comer sem sujar a gravata; se está limpa, consegue descobrir uma nódoa que justifique a sua intervenção; se o mar está calmo, observa; se está revolto, escreve sobre a tempestade, e se a ocasião permitir, sopra-lhe discretamente para cima. Há nisso uma espécie de talento nacional: transformar a sobrevivência política em virtude e a adaptação em inteligência. O povo, que já viu quase tudo e ainda conserva a extraordinária capacidade de se surpreender, olha para essas manobras e, muitas vezes, sente-se representado, talvez porque também tenha aprendido que, numa pequena República, convém não fechar demasiadas portas, nunca se sabe quem estará do outro lado quando chegar a hora de pedir um favor. E José, o recandidato, sabe navegar nessas águas, e talvez seja esse o seu verdadeiro talento político: não ser apenas homem do tempo, mas homem da meteorologia, sabe quando levar o guarda-chuva, quando abrir o guarda-sol e, sobretudo, quando aparecer na fotografia depois da tempestade. Agora, em setembro de 2026, José Maria Neves anunciou a sua recandidatura à Presidência da República, apresentando-a sob as ideias de “serenidade, confiança e sentimento do dever cumprido”. E eis que regressa o anjo. Não exatamente o anjo bíblico, desses que descem do céu para anunciar verdades; este é mais moderno: vive na terra, conhece os corredores do poder, sabe mandar e desmandar, sabe aproximar-se e afastar-se, sabe quando falar em nome da República e quando deixar que a República fale por ele; um anjo político, portanto. Só que os anjos, desde que começaram a ter eleições, também aprenderam uma coisa extraordinária: precisam de votos para voltar ao céu, e neste país, até o céu já tem campanha eleitoral. E José sempre encontrou cabos eleitorais entre escritores, chamem-se ele Germano (Almeida) ou Mário (Lúcio). O céu havia de tornar-se lugar de verdadeira humanidade se um outro José, não o anjo, mas o poeta, fosse esse cândido candidato.

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​São Vicente: Assembleia Municipal aprova orçamento para 2027. Augusto Neves pede mais receitas fiscais ao Governo

Do total do orçamento para o próximo ano, 324 mil contos destinam-se a investimentos. O plano de actividades e o orçamento para 2027 foram aprovados, na generalidade, no início da tarde de hoje, com os votos favoráveis do MpD e da UCID. A bancada do PAICV votou contra. O líder da bancada municipal do MpD, António Pedro Rodrigues, considera que se trata de um orçamento equilibrado, que reflecte uma gestão responsável dos recursos do município. “Este orçamento é um orçamento de equilíbrio, de responsabilidade e de confiança. Responsabilidade na gestão dos recursos públicos, confiança na capacidade dos sanvicentinos para continuar a construir uma ilha mais moderna, mais inclusiva e mais próspera, assente na plataforma Soncente Digital. Com efeito, acolhemos esta proposta da Câmara Municipal na íntegra, com a convicção de que, substantivamente, ela responde às necessidades do presente sem comprometer as oportunidades do futuro”, entende. A UCID também votou a favor do orçamento e do plano de actividades da Câmara Municipal de São Vicente para 2027. O líder da bancada municipal, Anilton Andrade, justifica o voto favorável com o acolhimento de propostas do seu partido nos documentos de gestão. “Fundamentamos esta decisão no acolhimento de muitos dos contributos que apresentamos e na necessidade de assegurar ao município condições para responder às necessidades da população. Assumimos este voto com independência política e plena consciência das insuficiências do documento. A aprovação desses instrumentos de gestão mantém intacta a nossa liberdade de discordar do executivo e reforça a responsabilidade de fiscalizar a sua atuação”, refere. Posição contrária tem o PAICV. O partido aponta para uma redução de 6,9% do orçamento em relação a 2026 e para uma menor capacidade de investimento. O deputado municipal, Arcádio Lopes, considera que o documento não apresenta um planeamento estratégico orientado para resultados e está desalinhado com as prioridades da população. “Enquanto a população de São Vicente enfrenta problemas agudos de acesso à habitação digna, desemprego jovem, falta de saneamento básico nos bairros periféricos e necessidade de adaptação às mudanças climáticas, o Orçamento opta por perpetuar a máquina administrativa sem priorizar programas de impacto económico-social efetivo. Em jeito de conclusão, a bancada do PICV considera que a proposta do Plano de Atividade do Orçamento para 2027 é um orçamento imprudente e financeiramente insustentável, é um orçamento tecnicamente frágil no planeamento e na transparência. O orçamento não responde aos problemas estruturais de São Vicente nem aos anseios da sua população”, justifica. Augusto Neves garante que nenhum investimento vai ser sacrificado O presidente da Câmara Municipal de São Vicente justifica a redução do orçamento para o próximo ano com a ausência de recurso a empréstimos bancários em 2027. Augusto Neves garante, no entanto, que nenhum investimento será sacrificado. “Esse 1 bilhão 450 milhões de 2026, não se esqueçam que nós tínhamos um empréstimo de 400 milhões. Claro, não temos um empréstimo para 2027, porque o eleito Niton [do PAICV] não quer. Portanto, não poderemos empolar quando não há realmente isso. Nenhum investimento está sendo crucificado, pelo contrário, nós estamos bastante animados porque há muito investimento”, aponta. Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de São Vicente reivindicou um aumento das receitas fiscais transferidas pelo Governo para o município. “Essa câmara tem um percentual de trabalhadores da função pública grande para trazer o emprego. Essa câmara tem responsabilidades. Portanto, uma boa parte dos impostos daqui deveria ficar aqui em São Vicente. Mas nós não vemos nada. O orçamento devia ser 70%, 80% desses impostos que vão para a Praia e que regressam só no binóculo. Nós sabemos isso e queixamos disso”, defende. Augusto Neves considera irrisório as transferências do Fundo de Equilíbrio Municipal.

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Marrocos anuncia candidatura a lugar não permanente na ONU

Na intervenção, justamente na véspera das eleições legislativas marroquinas de hoje, Nasser Bourita afirmou que a candidatura reflete o compromisso do país com "a manutenção da paz e da segurança internacionais", bem como com "o estrito cumprimento das normas do direito internacional e dos princípios de soberania nacional e integridade territorial dos Estados". A candidatura de Marrocos, acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros marroquino, representa o culminar dos contributos do país para a consolidação de três pilares do sistema internacional: "manter a paz e a segurança, promover o desenvolvimento sustentável e o Estado de Direito". A iniciativa coincide com um clima de tensão no país após a passagem em massa de imigrantes para a cidade espanhola de Ceuta, entre 30 e 31 de julho, que provocou pelo menos 141 mortos, segundo organizações civis, tensões com Madrid e a maior crise migratória entre os dois países. Marrocos fez parte do Conselho de Segurança em três ocasiões: 1963-1964, 1992-1993 e 2012-2013. Além disso, Bourita apelou à comunidade internacional para reforçar a resposta perante a crescente ameaça dos grupos armados não estatais. A influência deste grupos, acrescentou, representa riscos para "a segurança, a soberania e a estabilidade dos Estados" e pode atingir rotas estratégicas, estreitos marítimos "e afetar potencialmente a navegação internacional". O chefe da diplomacia marroquina reclamou uma resposta internacional para que os Estados que "patrocinem, financiem, armem ou proporcionem refúgio a estes grupos assumam responsabilidades não só políticas, mas também jurídicas e de outra natureza". O ministro defendeu também perante a Assembleia o plano de autonomia de Marrocos para o Saara Ocidental e afirmou que a situação deu uma "viragem histórica" após a Resolução 2797 do Conselho de Segurança de outubro passado. Marrocos está em conflito com a Argélia, que apoia a Frente Polisário sarauí independentista, e acompanha atentamente a situação dos seus vizinhos do Sahel, governados por Juntas Militares e marcados pelos frequentes confrontos com grupos jihadistas. Bourita referiu-se também à questão palestiniana para assegurar que é uma "prioridade constante" na política externa de Marrocos. "O estabelecimento de uma paz justa e duradoura depende da criação de um Estado palestiniano independente, soberano e viável, baseado nas fronteiras de 04 de junho de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital, que coexista com o Estado de Israel em paz e segurança", afirmou. O ministro apelou "ao respeito pelo acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza e a garantir o fornecimento suficiente de ajuda humanitária e outros recursos, sem obstáculos nem restrições". A declaração de Bourita surge após o recente acordo assinado entre Marrocos e Israel, com o patrocínio de Washington, para elevar o nível das suas relações diplomáticas e avançar para a abertura de embaixadas nos dois países, um novo passo para reforçar os seus laços bilaterais. O novo acordo, alcançado na semana passada em Nova Iorque, provocou críticas entre organizações civis e grupos de esquerda em Marrocos. A aproximação a Israel foi formalizada em 2020, quando os dois países anunciaram a normalização das suas relações diplomáticas com a mediação dos EUA, em troca do apoio de Washington a Marrocos na sua proposta para o Saara Ocidental.

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Escolas iranianas reabrem depois de sete meses fechadas devido à guerra

Este regresso às aulas é marcado pela recordação do bombardeamento de uma escola primária em Minab (sul do Irão) - nas primeiras horas dos ataques aéreos israelitas e norte-americanos que desencadearam o conflito – que resultou na morte de 120 crianças. Desde o início da guerra, mais de 1.700 escolas sofreram estragos no país, variando entre danos parciais e a destruição total das infraestruturas. Mais de 16,5 milhões de alunos vão frequentar a escola este ano, incluindo mais de um milhão na primeira classe, de acordo com a agência de notícias oficial IRNA. As universidades são as que contam com mais constrangimentos já que os cortes de energia são bastante frequentes e as ligações à internet estão enfraquecidas. Todos os anos, são realizadas festividades por todo o país para celebrar o início do ano letivo e é tradição ser o Presidente a fazer a abertura oficial do ano tocando o sino de uma escola. Este ano, a cerimónia decorreu na segunda-feira, em vez de ser hoje, para permitir a Massoud Pezeshkian viajar para Nova Iorque para a Assembleia Geral da ONU, onde discursa hoje. Ainda assim, um sino foi tocado esta manhã numa escola primária de Minab pelo vice-presidente de Ciência e Tecnologia, Hossein Afshin. A ofensiva conjunta (chamada 'Operação Leão Rugidor' por Israel e 'Operação Fúria Épica' pelos EUA) começou a 28 de fevereiro e visou instalações militares, autoridades e o programa nuclear iraniano, com objetivos declarados de enfraquecer o regime e conter ameaças estratégicas. Logo no início dos bombardeamentos, foi morto o então líder supremo iraniano, o 'ayatolah' Ali Khamenei, o que gerou forte impacto político e comoção no país, e foi atingida uma escola feminina na cidade de Minab, tendo morrido 168 meninas entre os 7 e os 12 anos e 14 professoras. O Governo iraniano respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra alvos em Israel e contra bases e interesses militares dos Estados Unidos em países vizinhos e na região do Golfo. O conflito provocou já milhares de mortes e abalou os mercados globais de petróleo devido a tensões na passagem estratégica do estreito de Ormuz. Foto: depositphotos

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​Yuran Henrique é convidado para a exposição "Verdes Plurais" em Lisboa

Segundo uma nota enviada, a exposição "Verdes Plurais" foi concebida especificamente para assinalar os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tomando as questões ambientais como eixo curatorial. “Partindo das questões ambientais como eixo curatorial, a exposição propõe pensar a ecologia para além da natureza e da paisagem, explorando as interdependências entre pessoas, territórios e o mundo mais-que-humano”, indica. A mesma fonte revela que a mostra reúne o trabalho de diversos artistas contemporâneos do espaço lusófono e propõe uma reflexão alargada sobre a ecologia e as interdependências entre seres humanos e territórios, projetando futuros comuns que continuam a ser construídos entre as suas diversas realidades. Além de Yuran Henrique, foram convidados os artistas Lino Damião (Angola), Marlene Mandinga (Angola/São Tomé e Príncipe), ROD — Rodrigo Saturnino (Brasil), João Carlos Barros (Guiné-Bissau), José Narciso (Portugal), Eva Tomé (Portugal), Carolina Elis Valdemar Dória (São Tomé e Príncipe) e Gisela Casimiro. Em relação à 17.ª edição do FESTin, a organização informa que contará com cerca de 60 filmes. A programação reúne produções e vozes de Portugal, Brasil e países africanos de língua portuguesa, cruzando diferentes geografias, identidades e culturas através do cinema. A edição contará ainda com a presença de nomes como Fernanda Abreu, Miguel Falabella, Reginaldo Faria, Cavi Borges e realizadores de diferentes países participantes. Os filmes serão distribuídos entre o Fórum Lisboa, o Cinema City Campo Pequeno, o Auditório Camões e o espaço “Avenidas – Um Teatro em Cada Bairro”. Sob o mote da celebração conjunta dos seus 17 anos de existência e dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a programação deste ano cruza ficção, documentário, sessões especiais e mostras competitivas que atravessam as múltiplas geografias, identidades e memórias do espaço lusófono. A sessão de abertura oficial está marcada para o dia 1 de Outubro, no Cinema City Campo Pequeno, com a exibição da comédia brasileira “Verão da Lata”, de Santiago Dellape.

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Cabo Verde e China assinam acordo e preparam entendimento mais amplo em novembro

“Foi assinado um acordo-quadro de cooperação económica entre Cabo Verde e a China pelo ministro [da Economia] António Baptista e pelo ministro do Comércio da China”, lê-se numa nota divulgada pelo Ministério da Economia, Comércio, Indústria e Transição Digital sobre a visita do governante ao país asiático, entre 02 e 15 de setembro. O acordo “estabelece as bases para o reforço da cooperação económica e comercial” e “está prevista a deslocação do primeiro-ministro de Cabo Verde à China, no mês de novembro, para a assinatura de um acordo mais amplo, destinado a consolidar e ampliar as áreas de cooperação bilateral”. Segundo o comunicado, “a missão permitiu igualmente a realização de contactos com vista à celebração de futuros acordos de geminação entre municípios cabo-verdianos e províncias chinesas”. Em cima da mesa está ainda “o investimento de empresas privadas chinesas em Cabo Verde”, área em que “o Estado chinês disponibiliza incentivos a iniciativas de empresas com impacto social e económico nos países parceiros”. A delegação cabo-verdiana visitou “a estrutura das alfândegas, tendo sido identificadas oportunidades para cooperação” na área. “Esta cooperação [aduaneira] poderá avançar a curto e médio prazo e incluir a troca de conhecimentos, experiências e boas práticas, bem como o reforço da capacitação técnica e da facilitação do comércio. António Baptista manteve ainda um encontro com a direção da agência de cooperação internacional chinesa (CIDCA, sigla em inglês). “O ministro fez um balanço muito positivo desta visita e considera que os resultados desta missão representam um passo importante não só para o aprofundamento das relações de amizade e cooperação com a República Popular da China, mas para o início de algo inovador”, acrescentou-se na nota. Entre as novidades estará “a cooperação direta entre municípios cabo-verdianos e chineses, independente dos governos centrais, e captando financiamentos que podem ter um impacto social mais célere junto das populações do país”. Foto: depositphotos

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Governo prepara reestruturação da Protecção Civil e Bombeiros

O governante, que chegou terça-feira à ilha do Fogo para a sua primeira visita de trabalho às duas ilhas, disse que a região poderá contar com um ou dois centros, conforme as necessidades identificadas. A visita enquadra-se no âmbito das visitas que tem efectuados aos municípios e tem como objectivo conhecer as condições de funcionamento da Polícia Nacional (PN), Protecção Civil e Bombeiros e Direcção-Geral dos Transportes Rodoviários (DGTR), bem como identificar necessidades e definir respostas. “Um ou dois centros de proteção civil a nível da região, vai depender, mas que haverá está garantido”, afirmou o governante, explicando que a criação desta estrutura constitui um dos objectivos da visita às duas ilhas. Segundo o ministro, o Governo entende que o actual modelo de organização da Protecção Civil e Bombeiros deve ser alterado, uma vez que a responsabilidade transferida para as câmaras municipais ultrapassa a capacidade financeira dos municípios. “O Estado de Cabo Verde foi muito benevolente e ambicioso quando transferiu para as câmaras municipais a responsabilidade de organizar e fazer funcionar o serviço de Bombeiros, mas as câmaras não têm essa capacidade, não podem fazê-lo”, sustentou Carlos Sena, acrescentando que os meios necessários para assegurar estes serviços são “muito caros”. Por isso, avançou, o Governo terá de “reassumir este processo” e discutir com os municípios a melhor forma de garantir um serviço de Protecção Civil capaz de responder às necessidades de toda a Região Fogo/Brava, considerada pelo governante “muito sensível”. Carlos Sena apontou ainda a falta de pessoal como um problema de âmbito nacional, salientando que o próprio tem insistido junto do primeiro-ministro na necessidade de continuar a formar efectivos para os serviços de segurança interna. O ministro indicou igualmente que os serviços de transporte rodoviário enfrentam carências de pessoal e necessitam de uma nova organização, situação que, segundo afirmou, também se verifica na DGTR e na Protecção Civil. “Estamos muito empenhados nisso e em breve anunciaremos um conjunto de decisões a esse respeito”, garantiu. Durante a visita, o ministro pretende ainda apresentar aos autarcas o programa do Governo para a legislatura na área da segurança interna e solicitar a intervenção das câmaras municipais na execução das medidas. A intenção, explicou, é integrar os municípios no processo de elaboração e implementação do Plano Estratégico Nacional de Segurança Interna, razão pela qual as deslocações às ilhas são também uma oportunidade para dialogar com os responsáveis municipais e conhecer as realidades locais. Carlos Sena sublinhou que, embora tenha algumas ideias sobre as medidas que poderão ser adotadas, prefere primeiro observar “in loco” as condições existentes antes de anunciar decisões concretas. Logo à chegada Carlos Sena visitou as instalações da Polícia Nacional (esquadra e comando regional), Serviço de Protecção Civil e Bombeiros e delegação da DGTR. Hoje, quarta-feira, Carlos Sena desloca-se aos municípios dos Mosteiros e Santa Catarina, incluindo encontros com os presidentes das câmaras, visitas às esquadras da PN e aos serviços de Protecção Civil e Bombeiros. Nos encontros e nas visitas vai ainda fazer avaliação de infraestruturas, equipamentos e terrenos destinados ao reforço das estruturas de segurança e protecção civil. Na quinta-feira, o ministro reúne-se com o presidente da câmara de São Filipe e visita o serviço de Bombeiros do município, antes de prosseguir a deslocação para a ilha Brava.

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Onda tropical pode atingir Cabo Verde com chuva forte e vento até sexta-feira

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) estima em 40% a possibilidade de formação de um ciclone tropical nos próximos sete dias, enquanto nas próximas 48 horas a probabilidade é de 20%. O sistema está a deslocar-se para norte e poderá aproximar-se do arquipélago entre quinta e sexta-feira. O NHC alerta para a possibilidade de chuvas fortes e rajadas de vento em Cabo Verde, embora as condições ainda não sejam suficientemente favoráveis para garantir a formação de uma tempestade tropical. Uma análise da NGA AgroClimate Tech Service Ltd , divulgada hoje, aponta igualmente para uma possível aproximação do sistema às ilhas na sexta-feira. Segundo esta entidade, alguns dos principais modelos meteorológicos estão a projectar o desenvolvimento de uma tempestade tropical e uma trajectória que poderá trazer o sistema em direcção a Cabo Verde. A NGA refere ainda que a perturbação já apresenta uma circulação organizada e ventos estimados em cerca de 50 a 60 quilómetros por hora ou superiores. Apesar das previsões, a trajectória e a intensidade do sistema podem sofrer alterações nas próximas horas. As populações, sobretudo nas zonas costeiras, são aconselhadas a acompanhar as informações e os avisos das autoridades meteorológicas. O National Hurricane Center (NHC) é o organismo do Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos responsável pelo acompanhamento e previsão de ciclones tropicais no Atlântico Norte. Já a NGA AgroClimate Tech Service Ltd é uma entidade que acompanha fenómenos meteorológicos e climáticos, divulgando análises e previsões baseadas, entre outros elementos, em modelos meteorológicos.

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Associação de Ecoturismo pede monitorização da chegada de sargaço às praias

A associação alerta para a necessidade de uma resposta rápida perante grandes acumulações de biomassa, recomendando que as situações em que a camada de sargaço ultrapasse os 15 a 20 centímetros sejam comunicadas às Câmaras Municipais e às Delegações do Ministério do Ambiente. O pedido surge depois de, no ano passado, a ilha de Santiago, sobretudo nas praias da costa leste, ter registado cerca de 250 toneladas de sargaço . A presença de sargaço nas costas de Cabo Verde ocorre anualmente e faz parte de um processo natural. No entanto, segundo a Associação Cabo-verdiana de Ecoturismo, a quantidade de biomassa tem vindo a aumentar, num fenómeno associado às alterações climáticas e a outros factores. Neste contexto, a associação considera que a monitorização é fundamental para permitir a identificação atempada das zonas afectadas e a adopção de medidas de remoção da biomassa, reduzindo os possíveis impactos sobre a saúde humana e os ecossistemas costeiros.

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Xi e Trump deverão procurar distensão para evitar nova guerra comercial

"Haverá uma redução de tarifas em determinados setores, facilidades para o comércio (...) e algum tipo de acordo sobre inteligência artificial [IA], que provavelmente será 'falaremos sobre isto mais tarde'", antecipou o sócio da consultora DGA-Albright Stonebridge, num encontro com jornalistas organizado em Xangai pela Câmara de Comércio da União Europeia (UE) na China. Wuttke, com quase três décadas de experiência empresarial na China e que presidiu àquela câmara em três períodos distintos, afirmou que os Estados Unidos vão procurar mais compras das chamadas "três B" – carne de bovino ('beef'), leguminosas ('beans') e aviões Boeing – e mais investimento. Neste último domínio, porém, vê "muito pouco apetite" por parte de Pequim, perante uma situação de "falta de confiança". O analista considerou certo que as duas partes vão prolongar a trégua comercial acordada no ano passado e que termina em 10 de novembro, restando apenas saber por quanto tempo. "A China quer que seja até ao fim [do mandato] de Trump e os Estados Unidos querem seis meses", afirmou. Em todo o caso, nem Pequim nem Washington "têm interesse em que isto lhes expluda na cara", acrescentou. Wuttke considerou que a cimeira poderá traduzir-se numa espécie de troca de concessões. "Xi aprecia que Trump esteja a travar legislação negativa para a China (...) e [os chineses] sabem que Trump precisa de algo concreto, sobretudo antes das eleições intercalares", afirmou. Questionado sobre se Pequim tentará pressionar Washington relativamente à guerra com o Irão, devido ao impacto nos mercados energéticos, Wuttke citou uma fonte de alto nível na região do Golfo Pérsico, que resumiu a posição chinesa da seguinte forma: "Querem estabilidade, mas não responsabilidade". "A China não gosta da guerra, claro. (...) Mas é um dos países menos afetados", acrescentou. O analista apontou as reservas de petróleo chinesas, suficientes para mais de 200 dias, o facto de o consumo ter atingido um pico há dois ou três anos, devido à aposta nos veículos elétricos e nas energias renováveis, e a segurança do abastecimento de petróleo e gás através das ligações à Rússia e Ásia Central. Sobre a IA, um dos mais recentes focos de tensão entre as duas potências, Wuttke considerou que Pequim vai concentrar-se no acesso a semicondutores avançados, face às restrições impostas por Washington. Quanto às vendas de armas norte-americanas a Taiwan, um dos tradicionais pontos de discórdia entre Pequim e Washington, Wuttke considerou que "Trump não tem intenção de romper os acordos" existentes. "Pequim fará barulho e depois seguirá em frente", antecipou. Segundo Wuttke, o principal problema não será a assinatura de acordos de venda de armamento a Taipé, mas eventuais limitações no fornecimento, devido ao elevado consumo de munições na guerra com o Irão.

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Forças armadas rebeldes tomam aeroporto na Etiópia

Uma funcionária não identificada do aeroporto Alula Aba Nega de Mekele afirmou à AFP ter sido enviada para casa na manhã de quarta-feira. "Disseram-nos que as Forças de Defesa do Tigrai (TDF) tinham assumido o controlo do aeroporto", declarou. A tomada do aeroporto pelas TDF foi confirmada à AFP por uma fonte de segurança estrangeira na Etiópia. Segundo o site especializado Flight Radar, um voo previsto para a manhã de quarta-feira entre Adis Abeba e Mekele foi cancelado. Este aeroporto, o mais importante do estado regional, é normalmente defendido por soldados do exército federal da Etiópia. Contactados pela AFP, nem o vice-presidente da Frente de Libertação do Povo do Tigrai (TPLF), partido atualmente proibido que governa de facto o estado regional, nem a porta-voz do Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, responderam. A tomada de controlo do aeroporto ocorre três dias após o anúncio, por parte de sete grupos opositores ao governo federal — entre os quais a TPLF, as milícias Amhara Fano e o Exército de Libertação Oromo (OLA) —, da formação de uma aliança para "derrubar" o executivo de Adis Abeba. As forças federais realizaram dezenas de ataques com drones no Tigrai desde o início do mês de agosto. O afastamento do TPLF do poder central e as tentativas de centralização por parte do executivo do Primeiro-Ministro Abiy Ahmed alimentaram fortes tensões entre Adis Abeba e Tigrai. A rutura agravou-se com a realização de eleições regionais consideradas ilegais pelo governo federal e a subsequente suspensão do financiamento ao Tigrai, culminando num confronto militar aberto em novembro do ano passado, após alegações de ataques a bases do exército federal. Com a formação das Forças de Defesa do Tigrai (TDF) e a intervenção de tropas eritreias em apoio ao governo federal, o conflito resultou numa crise humanitária devastadora, marcada pelo descolamento de mais de dois milhões de pessoas, milhares de mortos e relatos de massacres.

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​Governo nomeia novos presidentes de IEFP, Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde e CERMI

No IEFP, o Governo exonerou Carlos Lopes e os restantes membros do Conselho Directivo. Para a nova direcção do IEFP foram nomeados, José Manuel Sanches Tavares como presidente; Edna Barreto Fernandes de Barros, Vogal Executiva; Maria de Jesus Moreira Fernandes, Vogal Executiva. Na Escola de Hotelaria e Turismo de Cabo Verde (EHTCV), também foi dada por finda a Comissão de Serviço da presidente Maria Aldina Duarte Delgado e de uma Administradora não Executiva. E para a presidente do Conselho de Administração da EHTCV foi nomeada Maria Miguel Estrela Cardoso e Silva, que passou a exercer funções com Catia Suzana Alfama Teixeira, que foi nomeada Administradora Executiva. Já no CERMI, foi dado por fim o mandato de Gilson Correia com os restantes membros. E para o cargo de presidente do CERMI foi nomeado Cesário Lopes Varela. As nomeações constam de uma resolução do Governo publicada no Boletim Oficial.

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São Filipe: Prisão preventiva para cinco suspeitos pelo crime de tráfico de droga de alto risco

De acordo com a PGR, a detenção ocorreu no dia 19 de Setembro, em flagrante delito, na sequência do cumprimento de um mandado de busca e apreensão emitido pelo Tribunal Judicial da Comarca de São Filipe, a requerimento do Ministério Público Os cinco detidos, duas mulheres e três homens, integram o processo, que continua em investigação e permanece em segredo de justiça.

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Trabalhos na Central de Palmarejo podem afectar abastecimento de água em Santiago

Segundo a empresa, a intervenção será realizada pela ELECTRA, entidade responsável pelo fornecimento de água à AdS, e enquadra-se no processo de actualização do sistema de automação da central. A intervenção tem como objectivo reforçar a fiabilidade e a eficiência operacional da infraestrutura. Durante o período dos trabalhos, a disponibilidade de água e as condições operacionais do sistema poderão provocar alterações nos horários de abastecimento, redução temporária da pressão da rede ou interrupções temporárias no fornecimento em algumas localidades. A AdS informa que está a trabalhar em articulação com a ELECTRA para gerir os volumes de água disponíveis e minimizar os impactos junto dos consumidores. A empresa apela, por isso, à utilização racional e responsável da água, com prioridade para as necessidades essenciais e evitando desperdícios.

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​CNDHC e Instituto de Apoio à Criança assinam protocolo de cooperação

Numa publicação na rede social, a CNDHC informa que o protocolo prevê a realização de acções de informação e sensibilização, acções de formação, apoio técnico e intercâmbio entre profissionais das duas instituições, contribuindo para o reforço das suas capacidades e para a promoção dos direitos das crianças e jovens em Cabo Verde e em Portugal. A mesma fonte aponta ainda que a cooperação prevê ainda o desenvolvimento conjunto de projectos e outras iniciativas de interesse comum na área dos Direitos Humanos.

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Cortes de energia no Fogo podem provocar constrangimentos no abastecimento de água

Segundo a empresa, o sistema de abastecimento depende de processos de bombagem que funcionam exclusivamente com energia fornecida pela rede elétrica. As interrupções no fornecimento podem, por isso, comprometer a regularidade da distribuição de água às populações. A Águabrava explica que o abastecimento é assegurado através da captação de águas subterrâneas, recorrendo a sistemas de bombagem que necessitam de fornecimento contínuo de eletricidade. Perante a situação, a empresa pede a compreensão dos clientes que venham a ser afetados pelos constrangimentos, enquanto decorrem os trabalhos de ensaio do grupo gerador, na sequência de uma comunicação da EDEC, S.A. Há três dias, a Empresa de Produção de Eletricidade de Cabo Verde (EPEC) informou que a Central Elétrica de São Filipe está na fase final da manutenção do segundo grupo gerador. Durante este período, a EPEC admitiu a possibilidade de ocorrerem perturbações pontuais no sistema elétrico da ilha, incluindo cortes parciais, necessários para a colocação e estabilização do grupo em serviço.

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Conselho de Finanças Públicas destaca que a receita cresceu 13,3%, mas margem orçamental de Cabo Verde diminuiu no primeiro semestre

Segundo o documento consultado pelo Expresso das Ilhas, as finanças públicas atravessaram os primeiros seis meses de 2026 num contexto macroeconómico favorável. O PIB real cresceu 6,4% em termos homólogos no primeiro trimestre, enquanto a inflação média anual se situou em 1,6% em Junho. O crédito à economia aumentou 12% e as reservas internacionais líquidas asseguravam uma cobertura estimada de 8,4 meses de importações. Apesar destes indicadores, o relatório chama a atenção para a exposição da economia cabo-verdiana a factores externos, devido à forte dependência do turismo e das importações. Uma eventual desaceleração da procura turística, o aumento dos preços internacionais da energia ou a ocorrência de fenómenos climáticos extremos poderão afectar o crescimento, pressionar os preços e as contas externas e, por essa via, condicionar a execução orçamental. No plano das contas públicas, o primeiro semestre ficou marcado por alterações significativas ao quadro inicialmente aprovado. A dotação da despesa total passou de cerca de 95.675 milhões de CVE para 104.011 milhões, um aumento de 8,7%. Já a previsão agregada da receita permaneceu inalterada. Esta alteração fez aumentar o défice implícito no orçamento reprogramado de aproximadamente 2,9 mil milhões para 11,3 mil milhões de CVE. O relatório identifica ainda uma necessidade de financiamento estimada em 536 milhões de CVE, apontando para a necessidade de uma maior articulação entre as alterações da despesa, as previsões de receita e as respectivas fontes de financiamento.

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Irão admite reabrir Ormuz em sete dias se EUA aliviarem pressão militar

Segundo a mesma fonte, a proposta visa reiniciar as negociações entre Teerão e Washington para acabar definitivamente com as hostilidades e já foi comunicada ao Governo norte-americano através de mediadores. "Há a possibilidade de avançarmos para um acordo" se Washington demonstrar "seriedade e empenho" para permitir que a diplomacia progrida, disse o responsável à Kyodo, mantendo-se anónimo. O Irão bloqueou o estreito de Ormuz em meados de julho, após a retoma dos ataques aéreos norte-americanos contra o sul do país, ao que os EUA responderam reimpondo um bloqueio aos navios e portos iranianos, o que prejudica a economia da República Islâmica. Por sua vez, os Estados Unidos abriram um canal na parte sul do estreito de Ormuz — por onde, em tempo de paz, era transportado cerca de 20% do petróleo mundial — e estão a tentar desviar o petróleo. A fonte oficial referiu ainda que, se Washington demonstrar vontade de retomar as negociações e terminar o bloqueio aos portos iranianos, Teerão está preparada para reabrir a navegação pelo estreito de Ormuz dentro de sete dias. A delegação iraniana que participa, a partir de hoje, na Assembleia Geral da ONU vai consultar sobre esta proposta representantes dos países que medeiam o conflito (incluindo o Paquistão e o Qatar), disse, afastando a possibilidade de um encontro em Nova Iorque entre o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, e o seu homólogo norte-americano, Donald Trump. A declaração do responsável iraniano surge numa altura em que o Irão intensificou as suas ameaças contra os Estados Unidos e afirma ter recebido informações dos serviços de informação de que Washington pretende retomar as operações de combate com o apoio de países do Médio Oriente. Teerão e Washington chegaram a um memorando de entendimento em junho, sob mediação paquistanesa, estabelecendo um roteiro para avançar para um acordo final, mas as negociações estão suspensas e as tensões têm aumentado nas últimas semanas. Foto: depositphotos

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Presidenciais 2026: Joana Rosa aponta respeito pela Constituição, diálogo e proximidade como prioridades

Joana Rosa fez estas declarações numa conferência de imprensa, na localidade de Alto de Safende, na sequência da admissão da sua candidatura à Presidência da República pelo Tribunal Constitucional. A candidata assegurou que, já no próximo dia 2 de Outubro, apresentará publicamente a sua candidatura e a visão para o exercício do cargo de Presidente da República de Cabo Verde. Até lá, afirmou, o seu compromisso nesta fase é “ouvir Cabo Verde, ouvir com atenção, ouvir com respeito e sentir a vontade das pessoas”. “E ouvir não significa prometer tudo. Significa conhecer melhor aquilo que o país sente e espera, para depois exercer com responsabilidade, equilíbrio e independência as competências que a Constituição atribui ao Presidente da República”, frisou. A candidata defendeu que o Presidente da República deve garantir o respeito pelos princípios e pelas regras constitucionais, bem como contribuir para o equilíbrio e o bom funcionamento das instituições da República. Quanto à promoção do diálogo, a candidata defendeu a necessidade de reforçar o diálogo entre as instituições, com a sociedade civil e com os partidos políticos, tendo considerado ser necessário criar condições para o bom funcionamento das instituições democráticas. Com relação à proximidade, Joana Rosa afirmou que o Presidente da República deve estar ao serviço das pessoas e da nação, incluindo da diáspora. Enquanto candidata, disse querer mostrar à população cabo-verdiana que pretende ser uma Presidente de proximidade, para ouvir, escutar e acompanhar, junto das autoridades públicas e privadas, os desafios do país. “Quero ser uma Presidente diferente, quero ter um exercício, enquanto Presidente da República, que mostre a diferença naquilo que é a concepção dos poderes presidenciais, mas também mostrar a diferença naquilo que é a atitude da Joana enquanto Presidente da República”, afirmou. Joana Rosa defendeu ainda o funcionamento regular das instituições e o respeito mútuo entre os órgãos de soberania, sublinhando a importância da cooperação institucional. “Queremos é ter as instituições a funcionar. Temos um quadro constitucional claro de separação de poderes. Todos devem respeitar os órgãos do poder, os órgãos do poder devem respeitar-se mutuamente, mas devemos sempre ter presente a boa cooperação que deve existir”, detalhou. Sobre a relação com o Governo, disse que será uma relação institucional, considerando que o Presidente da República não deve estar contra o Governo.

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Guterres lança alerta na ONU: "As fissuras tornaram-se abismos"

Num tom de advertência, Guterres deu hoje início ao debate anual da Assembleia-Geral das Nações Unidas (UNGA), o seu último enquanto secretário-geral, no qual frisou que as fraturas no mundo atual estão a alargar-se e as "fissuras tornaram-se abismos". Guterres recordou que, na última década, guerras irromperam com consequências devastadoras e arrastaram-se com uma "crueldade desprezível", em que civis tornaram-se alvos, os direitos humanos foram "pisoteados", a fome foi usada como arma e vários trabalhadores humanitários acabaram mortos. "O direito internacional foi descartado. As divisões geopolíticas aprofundaram-se. As desigualdades intensificaram-se. A confiança desgastou-se. A crise climática passou de um alerta longínquo para uma realidade diária. E a inteligência artificial avançou a uma velocidade que apanhou de surpresa até mesmo aqueles que a criaram", apontou. "Não são crises isoladas. São capítulos da mesma história. A história do poder. Quem o detém. A quem é negado. Como é utilizado. E como está a mudar", acrescentou o líder da ONU. A cerca de três meses de deixar a liderança das Nações Unidas, Guterres apontou críticas à forma como o poder está a ser remodelado, em que novos centros de influência económica, política e tecnológica emergiram entre Estados, mas em que se registou também uma extraordinária transferência de poder dos Governos para um pequeno grupo de empresas privadas e particulares. "O seu alcance estende-se agora pela política, economia, fluxos de informação, desenvolvimento tecnológico e o espaço cívico de que as sociedades dependem", afirmou, sobre o poder detidos por empresários. Observou ainda que os humanos estão cada vez mais a entregar poder às máquinas, "com agentes de inteligência artificial descontrolados" e "armas autónomas letais que passaram da ficção científica para a realidade militar". No entanto, apesar das drásticas mudanças, considerou que as instituições e sistemas de governação global continuam a refletir as realidades de poder e os interesses de uma época "em grande parte passada". "Este é o desafio crucial que enfrentamos. No preciso momento em que a humanidade enfrenta uma convergência de ameaças sem precedentes, os nossos mecanismos de ação coletiva estão sob crescente pressão", declarou. Na sede da ONU, em Nova Iorque, o antigo primeiro-ministro de Portugal indicou que caminhar para um mundo multipolar é um movimento irreversível, mas apelou a que seja uma multipolaridade em rede, com um mundo construído sobre a interdependência "e sustentado por uma densa teia de ligações económicas, políticas, sociais e tecnológicas". Um mundo assim, na visão do líder da ONU, pode ajudar a evitar tendências hegemónicas e aquilo a que chamou de "a Grande Fratura", ou seja, a divisão do mundo em dois blocos rivais com sistemas económicos, tecnológicos e de segurança separados. "A construção deste futuro começa com o reconhecimento, especialmente por parte das superpotências, de que o seu poder não é tão super. O seu poder tem limites", observou. Para isso, sustentou que os países não terão de começar do zero, uma vez que têm a Carta das Nações Unidas como uma base sólida.

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Presidenciais 2026: Tribunal Constitucional admite cinco candidaturas às presidenciais e rejeita outras cinco

Foram admitidas as candidaturas de Gilson Alves, Joana Rosa, José Maria Neves, Antero Tavares e Casimiro de Pina. Os cinco processos cumpriram os requisitos constitucionais e legais, incluindo as condições de elegibilidade e o número mínimo de subscrições exigido. Gilson Alves acabou por superar o mínimo de mil subscrições após uma recontagem, passando de 830 para 1.175 apoios válidos, distribuídos por dez concelhos. Joana Rosa apresentou 1.689 subscrições conferidas, provenientes de 17 concelhos. A candidatura de José Maria Neves foi analisada também à luz das regras constitucionais relativas aos mandatos presidenciais. O TC concluiu não existir impedimento à candidatura. Foram contabilizadas 1.374 subscrições, incluindo 1.271 recolhidas no território nacional, em 15 concelhos. Antero Tavares apresentou 1.046 subscrições completas, distribuídas por 13 concelhos. O TC entendeu ainda que a comunicação da candidatura ao Conselho Superior da Magistratura Judicial produz a suspensão automática das funções judiciais, não sendo necessário um ato administrativo prévio. Casimiro de Pina viu a candidatura validada após uma recontagem que elevou de 889 para 1.128 o número de subscrições completas, distribuídas por 13 concelhos. Foram rejeitadas as candidaturas de Jorge Luís dos Santos, Amadeu Oliveira, Fernando Rocha Delgado, Loisito Tavares de Sousa e Jacinto Spencer dos Santos. Jorge Luís dos Santos não comprovou os requisitos relativos à nacionalidade e residência em Cabo Verde, além de não ter apresentado prova suficiente do recenseamento eleitoral dos subscritores. Fernando Rocha Delgado apresentou apenas 220 subscrições completas, de quatro concelhos. Loisito Tavares de Sousa atingiu 1.009 subscrições, mas ficou aquém da exigência de representação em pelo menos dez concelhos. Jacinto Spencer dos Santos não comprovou residência permanente no país nos últimos três anos nem o recenseamento eleitoral das 141 subscrições apresentadas. No caso de Amadeu Oliveira, actualmente recluso na Prisão da Ribeirinha, em São Vicente, o TC rejeitou a candidatura por inelegibilidade, invocando a condenação em pena efectiva de prisão e as normas legais que impedem a candidatura à Presidência da República durante o cumprimento da pena. O TC aceitou ainda a desistência de Péricles Tavares, comunicada a 18 de Setembro. O candidato contestara a exigência constitucional de nacionalidade cabo-verdiana exclusiva para o exercício da Presidência, mas o Tribunal não se pronunciou sobre a constitucionalidade da norma, remetendo a questão para o legislador constituinte.

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​CNAD acolhe exibição do filme documentário “Na Maré”

Numa publicação na rede social, a CNAD avança que, após a projecção, será realizado um debate com dois convidados: a professora investigadora da Universidade de Cabo Verde, Celeste Fortes, e o psicólogo e cineasta, Olavo da Luz. “Na Maré” foi realizado no âmbito de uma residência de investigação artística, desenvolvida entre Janeiro e Maio de 2026, na comunidade de Salamansa, em Mindelo, em preparação para o projecto que o autor apresentará na Bienal de Sharjah 17, nos Emirados Árabes Unidos, em Janeiro de 2027. O filme conta com a participação de Alcinda Évora, Arlindo David, Auxílio Matias, Daniel Bandeira, Daniel David, Joanita Gomes, Manuel Évora e Manuel dos Santos. Na equipa técnica, participam David Medina, Alex de Figueiredo, Natalia Andrade, Cátia Lush e Eurittse Silva.

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​Futuro da UTA divide PAICV, MpD e UCID

Posições assumidas na noite desta segunda-feira, no arranque da nova temporada do “Plenário” , programa de debate político da Rádio Morabeza. Num debate sobre o novo ano lectivo, Levindo Nascimento, em representação do partido no poder, defendeu que o foco deve estar na sustentabilidade do ensino superior a longo prazo, na qualidade do ensino e nos interesses dos estudantes. “Falar somente da instituição é um pouco leve. Eu acredito que o objectivo do Sr. Ministro seja o melhor para o ensino superior. Eu acredito que o ministro de Educação tenha toda a intenção de manter o ensino das engenharias e das ciências do mar em São Vicente. Isso não está em questão. O que está em questão é a sustentabilidade, a qualidade pedagógica e, acima de tudo, o interesse do aluno para termos alunos bem formados com diplomas reconhecidos internacionalmente. É este o foco”, diz. Do lado do MpD, Dirce Lena da Luz destaca a importância da UTA para a região Norte do país. A representante do partido não acredita que a Universidade de Cabo Verde consiga absorver as faculdades da UTA, devido às especificidades das duas instituições. “Podemos dizer que a UTA abrange a ilha de São Vicente e dá uma outra visão em termos da formação académica dessa região, porque não é apenas São Vicente. Se repararmos, recentemente foram mesmo construídas algumas habitações ali perto para estudantes universitários, pensando também em estudantes que vêm de outras ilhas para fazer a sua formação ali na UTA. Nós devemos é pensar. O colega Levindo afirma que entraram recentemente e ainda não houve tempo. Mas por que lançar essa questão antes de fazer primeiro um estudo de viabilidade?”, questiona. A UCID esteve representada no debate por Dora Pires. A representante considera normal a integração da UTA na Uni-CV, caso a medida permita reduzir os custos do ensino superior no país. “O ensino superior custa muito ao país. E se é ajuntar para diminuir o custo, nós acreditamos... E, para mim, eu acho que isso é normal. Agora, cada um tem a sua leitura que faz, mas nós queremos é o melhor para Cabo Verde”, afirma. Os posicionamentos dos partidos com representação parlamentar surgem depois de o ministro da Educação, Arnaldo de Brito, ter admitido a extinção da Universidade Técnica do Atlântico e a integração das suas faculdades na Universidade de Cabo Verde. O governante diz que o quadro está a ser analisado numa lógica de racionalização de recursos.

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BAICV investe 28 milhões de escudos em projeto fotovoltaico no Gimno Desportivo

O projecto foi desenvolvido em duas fases e representa um investimento global de 28 milhões de escudos. A intervenção incluiu a instalação de painéis solares, iluminação, zonas de sombreamento no estacionamento, novos contentores para resíduos e a requalificação e pintura dos murais existentes. A primeira fase correspondeu à implementação do Parque Fotovoltaico do Gimno Desportivo. Segundo o BAICV, o banco financiou a ARES (Atlantic Renewable Energy) num investimento de aproximadamente 15 milhões de escudos para a instalação de 400 painéis solares, com uma capacidade instalada inicial de 220 kWp. De acordo com as estimativas apresentadas pela instituição bancária, este sistema permitirá uma poupança anual de cerca de 1,4 milhões de escudos em energia. A segunda fase foi realizada no âmbito do Projecto de Expansão do Sistema Fotovoltaico do BAICV e envolveu um investimento adicional de 13 milhões de escudos. Foram instalados mais 80 painéis solares, correspondentes a uma capacidade inicial de 47 kWp. Esta componente deverá, segundo o banco, gerar uma poupança anual estimada em 2,067 milhões de escudos em custos de energia. Além da componente energética, a intervenção procurou melhorar a utilização do espaço. Os painéis instalados no estacionamento funcionam também como estruturas de sombreamento, enquanto a área destinada aos resíduos foi reabilitada e equipada com novos contentores. Os trabalhos incluíram ainda a recuperação e pintura dos murais alusivos às diferentes modalidades praticadas no Pavilhão Desportivo Vavá Duarte. As pinturas foram executadas pelo artista plástico Tutu Sousa, com tintas doadas pela SITA. A Câmara Municipal da Praia participou no projeto enquanto parceira institucional, ao viabilizar a intervenção do BAICV no espaço e criar as condições para a sua requalificação. Já a ARES esteve envolvida no desenvolvimento e implementação da componente estrutural do projeto, incluindo a identificação e mobilização de soluções e fornecedores para a instalação do sistema fotovoltaico. Para o BAICV, a iniciativa enquadra-se na sua estratégia de responsabilidade e sustentabilidade social, ambiental e de governação, procurando associar a eficiência energética à melhoria dos espaços de utilização pública. O banco considera que a intervenção demonstra também o impacto que pode resultar da colaboração entre instituições públicas, empresas e agentes da área cultural, através da mobilização de recursos para a criação de espaços mais funcionais e sustentáveis. Com as duas fases, o projeto passa a integrar uma capacidade fotovoltaica inicial de 267 kWp e um total de 480 painéis solares, com as poupanças energéticas estimadas pelo banco a ultrapassarem, em conjunto, 3,4 milhões de escudos por ano.

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Sandra Santos é a nova presidente do INSP

A nomeação consta de uma resolução do Governo publicada no Boletim Oficial desta segunda-feira, 21. No mesmo despacho são nomeados Jailson Valdique Semedo Lopes como vogal e Elizabete Barros Lopes Lima, também vogal. Ainda no Boletim Oficial desta segunda-feira, constam outras duas resoluções que nomeiam Cesário Lopes Varela para exercer as funções de Presidente do Conselho de Administração do Centro de Energias Renováveis e Manutenção Industrial (CERMI) e José Manuel Sanches Tavares como presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional, I.P.

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​June Freedom e Eva Ruiz reencontram-se em “Dance Again”

Segundo uma nota enviada, a nova faixa explora a intensidade da ligação entre duas pessoas quando a atração se transforma em algo mais profundo. Entre melodias envolventes e ritmos que cruzam o afro-pop, o romantismo latino e a pop contemporânea, June Freedom e Eva Ruiz criam um diálogo marcado pela vulnerabilidade, desejo e conexão. No centro da música está o conceito de “pressure”, palavra que se repete ao longo do refrão e que representa não o peso ou o estresse, mas a intensidade de uma ligação tão forte que impossibilita resistir. “É uma emoção que atravessa fronteiras e que ganha uma dimensão ainda mais particular através da combinação de inglês, espanhol e crioulo cabo-verdiano, três línguas que coexistem na faixa como vozes distintas dentro da mesma história”, explica. Conforme a mesma fonte, a sonoridade de June Freedom tem vindo a afirmar-se precisamente através desta capacidade de cruzar diferentes referências culturais. O cantor cabo-verdiano-americano, radicado em Los Angeles, combina ritmos afro-latinos, alt-pop, R&B e worldbeat, construindo uma identidade musical que liga as suas raízes cabo-verdianas a uma audiência global. “Eva Ruiz traz para “Dance Again” uma dimensão igualmente íntima e emocional. A cantora e actriz das Canárias regressou à música em 2026 com ´Agua Salada´, o seu primeiro álbum de longa duração em mais de uma década, num trabalho marcado pelas suas raízes, identidade e narrativa pessoal”, cita. “Dance Again” marca também o reencontro de uma colaboração que começou em 2023. Lançado como parte do EP Sweet Waters, de June Freedom, “Guava Rose” já ultrapassou 5,6 milhões de streams e visualizações combinadas em diferentes plataformas, criando uma expectativa particular em torno deste novo encontro. A produção de “Dance Again” ficou a cargo de Etienne, com coprodução de Varren Wade e composição de June Freedom, Eva Ruiz Ibanez, Edgar Mandal Etienne e Varren Jerome Lloyd Wade. Com mais de 447 milhões de streams ao longo da carreira, June Freedom é actualmente um dos nomes de maior projecção internacional da nova música cabo-verdiana. Em Junho de 2026, tornou-se o artista mais premiado da 15.ª edição dos Cabo Verde Music Awards, conquistando o Álbum do Ano por Casa Mira Mar, o Vídeo Musical do Ano por “Spiritual” e a Colaboração do Ano por “Go Low”. A sua presença internacional estende-se também à Freedom Experience, uma experiência que cruza música ao vivo, artes visuais, gastronomia e comunidade, com edições em Lisboa, Cabo Verde, Atlanta e Miami.

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Steven Moreira e Hélio Varela dispensados da selecção devido a lesão

Para colmatar a saída dos dois jogadores, foi chamado o defesa Jorge Xavier “Jojó”, do Vizela, que deverá juntar-se à equipa que se encontra em Portugal a preparar o encontro de sexta-feira frente ao Mali, no âmbito da qualificação para o Campeonato Africano das Nações (CAN). O estágio dos Tubarões Azuis arrancou no domingo, em Tróia, tendo a equipa realizado na segunda-feira o primeiro treino de preparação para o confronto com a seleção maliana. A Selecção Nacional de Futebol disputa neste mês as duas primeiras jornadas de qualificação para o CAN 2027. Os Tubarões Azuis defrontam o Mali, no dia 25, em Bamako, e o Ruanda, no dia 29 de Setembro, na cidade da Praia. Quanto à lista completa de convocados, na baliza, foram chamados Carlos dos Santos, Márcio da Rosa e Josimar Dias “Vozinha”. Na defesa, Humberto Bettencourt convocou Logan Costa, Kelvin Pires, Edilson Borges “Diney”, Roberto Lopes “Pico”, Sidny Lopes Cabral, Wagner Pina e João Paulo Fernandes. Para o meio-campo, fazem parte da lista Deroy Duarte, Kevin Pina, José Tavares “Djê”, Ayoni Santos, Telmo Arcanjo, Jamiro Monteiro e Laros Duarte. No sector ofensivo, foram chamados Dailon Livramento, Willy Semedo, Jovane Cabral, Ryan Mendes, Gilson Benchimol, Garry Rodrigues e Nuno da Costa.

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UE, Canadá e Brasil unem forças pelo multilateralismo antes da AG da ONU

A Declaração dos Parceiros para o Multilateralismo, impulsionada também pela Austrália, pelo Quénia e pelos Barbados, no âmbito da Assembleia Geral da ONU que decorre esta semana, procura reunir o apoio de outros parceiros internacionais. O documento, divulgado na segunda-feira, aponta para as rápidas mudanças na ordem mundial e para os desafios que se colocam à paz e à segurança internacionais, que põem em risco a cooperação global. Os signatários alertam também que a interdependência económica é cada vez mais utilizada "como fonte de influência", o que perturba o comércio, as cadeias de abastecimento e o financiamento do desenvolvimento. A declaração sublinha ainda que os desafios globais — como as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o rápido desenvolvimento de tecnologias emergentes, em particular a inteligência artificial — "exigem uma cooperação mais sólida e uma provisão mais eficaz de bens públicos globais". Por isso, os signatários comprometem-se a "trabalhar em conjunto em prol da paz, da estabilidade, do desenvolvimento inclusivo e sustentável, da prosperidade partilhada, da dignidade humana e dos direitos para todos". Os países subscrevem o sistema multilateral fundado na Carta das Nações Unidas e realçam a necessidade de "manter e fazer cumprir as normas, os princípios e os compromissos que continuam a ser essenciais para a ordem internacional". A declaração reafirma o compromisso com o direito internacional e com a implementação de marcos internacionais, como o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Além disso, os signatários reconhecem os desafios impostos pelo aumento das desigualdades — que, segundo afirmam, devem ser "enfrentados através de esforços conjuntos" — e comprometem-se a reforçar uma cooperação multilateral que seja "aberta, justa, equitativa, inclusiva, interligada e prática". Neste sentido, os países concordam também em trabalhar em conjunto "para reformar e fortalecer as instituições multilaterais", de forma a que estejam melhor preparadas para prevenir conflitos, responder a crises ou promover o comércio justo, entre outros objetivos. Os signatários apoiam também uma cooperação económica "justa, aberta, resiliente, previsível e inclusiva", com cadeias de abastecimento globais "mais diversificadas e resilientes" e uma coordenação mais sólida em finanças internacionais ou em inteligência artificial. Por fim, a declaração sublinha que, "num momento de transformação global e de crescente pressão sobre a ordem internacional", os signatários escolhem como base dos esforços coletivos "a cooperação, o respeito pelo direito internacional, o multilateralismo e a responsabilidade partilhada".

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Guterres abre último Debate da Assembleia-Geral enquanto líder da ONU

O discurso do secretário-geral da ONU está previsto para as 09h00 (hora local, 12h00 em Cabo Verde) e decorrerá num contexto mundial complexo, marcado por tensões geopolíticas e conflitos crescentes, pressão sobre o financiamento do desenvolvimento e da própria organização, rápidas mudanças tecnológicas e o aquecimento global, fatores que continuam a testar o sistema internacional. Guterres assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017, tendo sido reconduzido para um segundo mandato de cinco anos, que termina no final deste ano. O Debate de Alto Nível, que arranca hoje e termina no dia 28, deverá reunir em Nova Iorque 71 chefes de Estado, 45 chefes de Governo e 11 vice-presidentes, explicou na segunda-feira o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric. Cinquenta ministros e um príncipe herdeiro também discursarão no debate. Depois de Guterres, os primeiros líderes a discursar serão o Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o rei Abdullah II da Jordânia e o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. O Brasil abre o Debate Geral desde 1955, posição que conquistou porque, nos primeiros anos após a criação do órgão mundial, prontificou-se a discursar em primeiro, quando outros países se mostravam mais relutantes. Como anfitriões da sede da ONU, em Nova Iorque, os Estados Unidos são o segundo país a dirigir-se à Assembleia-Geral. Depois dessa disposição fixa atribuída a Brasília e a Washington, a ordem de discurso dos restantes Estados-membros é baseada no nível de representação, preferência e outros critérios, como o equilíbrio geográfico. Segundo o calendário provisório cedido pela ONU, Portugal estará representado pelo chefe do Governo, o primeiro-ministro Luís Montenegro. Montenegro deverá discursar na tarde de quinta-feira, terceiro dia de debate. Ainda entre os líderes esperados estão os Presidentes da Ucrânia e do Irão, Volodymyr Zelensky e Masoud Pezeshkian, respetivamente, bem como o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, e a presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez. O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, deverá discursar por videoconferência depois de o Governo de Donald Trump ter-lhe negado um visto para entrar no país. Ao longo do Debate, espera-se que os líderes façam declarações delineando as suas posições e prioridades no contexto dos complexos e interligados desafios globais. Aos líderes é-lhes indicado um limite de tempo voluntário de 15 minutos por cada discurso. À margem do debate, estão agendadas muitas outras reuniões e eventos. Estão agendadas 1.553 reuniões bilaterais entre representantes de delegações, além daquelas que António Guterres planeia realizar com a maioria dos líderes durante a semana. A ocasião também servirá para alguns encontros muito aguardados, como o que está programado entre Trump e Rodríguez, menos de um ano após a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, detido Nova Iorque desde janeiro. A sede da ONU em Nova Iorque acolherá pelo menos 166 eventos durante o que é considerado o grande fórum da diplomacia mundial. O conflito no Médio Oriente, a guerra na Ucrânia e as preocupações com o desenvolvimento da Inteligência Artificial estarão entre os principais temas da 81.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU.

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Fogo/Acidente: Conclusões preliminares levam ministro a apontar problemas de sinalização na estrada

O titular das pastas das Infraestruturas, Habitação e Ordenamento do Território, que se encontra na ilha do Fogo, visitou no final da tarde de segunda-feira, 21, o local do acidente que vitimou mortalmente 25 pessoas e deixou 13 outras feridas. Carlos Tavares explicou que o relatório sobre as condições da estrada ainda está a ser elaborado, enquanto uma equipa distinta investiga as causas do acidente que envolveu um autocarro que fazia o trajecto Chã das Caldeiras/Campanas de Cima no dia 05 de Setembro. “Está-se a trabalhar no relatório, mas já tenho conclusões preliminares sobre as condições da estrada. Neste momento, podemos falar apenas sobre as condições da estrada, porque existe uma equipa que está a trabalhar na investigação das causas do acidente”, esclareceu. Segundo o ministro, a estrada foi construída entre 2019 e 2024, e apresenta condições adequadas de pavimentação, mas sublinhou que foram identificados problemas ao nível da sinalização vertical. “Na prática, trata-se de uma via sem sinalização vertical”, afirmou Carlos Tavares, acrescentando que cerca de 60 por cento ou mais da sinalização vertical prevista no contrato inicial terá sido retirada, situação que considerou preocupante. O governante garantiu que a segurança rodoviária passará a constituir uma exigência fundamental na execução e recepção das obras públicas. Assegurou que o Governo não fará a recepção definitiva de estradas que não disponham de sinalização adequada ou de outras estruturas necessárias à segurança dos utentes. “De agora em diante, este Governo não fará recepção final de nenhuma estrada que não tenha sinalização vertical adequada, que não tenha muros onde deveriam existir, que esteja em condições de segurança adequadas para ser disponibilizada à população”, afirmou. Carlos Tavares acrescentou que a mesma exigência será aplicada às novas estradas, que não deverão ser construídas sem garantias de segurança para a população. O ministro anunciou ainda um trabalho de reforço da segurança rodoviária em todo o país, com um levantamento em curso para identificar necessidades de intervenção nas estradas do Fogo e das restantes ilhas, incluindo a estrada Chã das Caldeiras/Campanas de Cima. Outra preocupação apontada pelo governante prende-se com a manutenção da rede viária, que, segundo afirmou, precisa de ser melhorada, particularmente na ilha do Fogo. Hoje, o ministro das Infraestruturas e a delegação que o acompanha estará no município dos Mosteiros onde, além do encontro com o e presidente da câmara local e a equipa camarária, visitará as obras em curso do Governo, mas também obras municipais. De acordo com programação, Carlos Tavares visitará a obra de asfaltagem das vias urbanas, o complexo educativo das Zonas Altas, obras de requalificação de Praia Genti, a empreitada de requalificação da orla marítima de Queimada Guincho, a reconstrução do canal e talude de Sumbango.

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Pedidos de alteração de nomes aumentam 66,7% no primeiro semestre de 2026

Segundo informou hoje a Direção-Geral dos Registos, Notariado e Identificação, no período compreendido entre Janeiro e Junho de 2026, foram registados 50 processos de alteração de nomes (18,5% do total praticado). Em comparação com o período homólogo de 2025, no qual se registaram 30 actos, observou-se um crescimento expressivo de +66,7%. A evolução mensal manteve-se em patamares moderados ao longo do semestre. Quanto à distribuição territorial, a maioria dos actos concentrou-se na ilha de Santiago (38), seguida de São Vicente (8 ), Maio (3) e restantes ilhas (1). No que tange aos pedidos de rectificação de nomes, estes continuam a ser muito mais expressivos quantitativamente, totalizando 220 actos (81,5% do total), apesar de terem diminuído de 236 para 220 actos (-6,8%) face a 2025. Segundo a mesma fonte, a evolução mensal evidencia o predomínio desta tipologia ao longo de todo o período, tendo sido registado em Março o maior volume mensal e em Junho o menor número de actos. A nível territorial, verifica-se uma forte concentração em Santiago (185) e São Vicente (25), registando-se na ilha do Maio 7 atos e nas restantes ilhas 3. O período em análise caracteriza-se por um ligeiro aumento do número total de atos (270 actos, +1,5% face a 2025), resultante do crescimento dos processos de alteração de nomes, em contrapartida da redução registada referentemente naos pedidos de retificação. Os dados fazem parte da nova rubrica informativa da DGRNI, denominada “RNI em Números”, lançada com o propósito de divulgar estatísticas, indicadores de desempenho e o volume de actos praticados pelos serviços de Registos, Notariado e Identificação em todo o território nacional. Segundo a DGRNI, a iniciativa enquadra-se no compromisso da instituição com a transparência e com o acesso à informação de interesse público, permitindo dar a conhecer regularmente dados relativos à actividade dos seus serviços.

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Pelo menos 12 mortos e dezenas de feridos em confrontos na Etiópia

Em 18 de Setembro, as equipas da MSF "lidaram com uma chegada em massa de feridos após episódios de violência no 'woreda' especial [uma subdivisão administrativa] de Itang", na fronteira com o Sudão do Sul, afirmou a organização num comunicado divulgado no domingo à noite. "O centro de saúde recebeu 88 doentes afetados por esta violência. Oito já estavam mortos e outros quatro morreram à chegada (...), apesar dos esforços das equipas médicas", acrescentou a MSF. O responsável pelas operações dos MSF na Etiópia, Gul Badshah, apelou a "todas as partes envolvidas para exercerem moderação e protegerem os civis de novas violências", mas não forneceu pormenores sobre os autores dos ataques. Os conflitos entre comunidades são frequentes no estado regional de Gambella, onde vivem mais de 400 mil refugiados — a grande maioria sul-sudaneses que fugiram da violência no país mais jovem do mundo. Vários grupos armados operam em todo o país, com reivindicações e dinâmicas distintas. Num relatório publicado no início de 2025, o Rift Valley Institute apontou, entre outros fatores, o "acesso aos recursos" e o fluxo de refugiados como elementos principais que "alimentam e perpetuam os vários conflitos na região". Em agosto de 2025, a ONG tinha reportado rações alimentares mínimas e casos de subnutrição nos sete campos de refugiados da região, atribuindo a situação aos recentes cortes na ajuda humanitária. A Etiópia, gigante da África Oriental com cerca de 130 milhões de habitantes, enfrenta conflitos nas suas duas regiões mais populosas: Oromia e Amhara. Foto: depositphotos

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Trump acusa parte da imprensa de representar uma "ameaça"

Numa mensagem na rede Truth Social, de que é proprietário, Donald Trump afirmou estar a levar a cabo uma ofensiva contra as "notícias falsas" ao vetar a entrada na Casa Branca a jornalistas dos meios de comunicação social CNN, MS NOW e Politico. "A Casa Branca não está a atacar a liberdade de imprensa, algo que valorizo imenso. Está a atacar um problema que se espalhou como um cancro nos nossos queridos Estados Unidos da América", afirmou Trump, considerando que tal "constitui uma ameaça à segurança nacional e tem de ser travado, agora!". Trump afirmou que o fenómeno "é algo corrupto, deliberado, generalizado, totalmente coordenado e que está fora de controlo". A CNN, a MS NOW e o Politico anunciaram hoje uma ação judicial contra o Executivo de Trump devido a uma medida que consideram "ameaçar a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente, livre de interferências governamentais". "De manhã, notificámos o Governo de que vamos apresentar hoje uma ação judicial para proteger os nossos direitos ao abrigo da Primeira Emenda e defender o princípio de que o Governo não decide o que a imprensa noticia ou publica", afirmaram os três meios de comunicação social numa declaração conjunta. "Sem aviso ou processo, a Casa Branca revogou as credenciais dos nossos jornalistas porque se opôs à nossa cobertura", afirmaram os órgãos de comunicação social. "Se não for contestado, isto ameaça a liberdade de imprensa e o direito do público a um jornalismo independente e livre de interferência governamental", acrescentaram. O anúncio representou uma nova escalada na ofensiva do chefe de Estado contra a imprensa, depois de, no início do seu mandato, ter restringido o acesso da agência Associated Press (AP) a alguns atos na Casa Branca por se recusar a usar o nome "golfo da América" para se referir ao golfo do México. O confronto é um dos ataques de maior visibilidade da administração à imprensa até à data, com implicações que vão muito além dos três órgãos de comunicação social proibidos. Trump afirmou na passada sexta-feira, quando anunciou a proibição, que poderia acrescentar outros à lista. Os repórteres da CNN, MS NOW e Politico estão impedidos de aceder aos seus espaços de trabalho dentro da Casa Branca. A CNN e a MS NOW estão também impedidas de utilizar o seu equipamento de televisão e os locais para câmaras nas instalações. A CNN foi retirada hoje das responsabilidades de cobertura partilhada, que são distribuídas pelos principais órgãos de comunicação social. Estava previsto que a CNN assegurasse a cobertura televisiva em regime de 'pool' e acompanhasse hoje o Presidente numa deslocação a Nova Iorque. A CNN contactou a Casa Branca para obter um comentário sobre a ação judicial. Vários especialistas em Primeira Emenda e em questões jurídicas já classificaram amplamente a proibição como inconstitucional e condenaram-na como "abrupta, discriminatória e prejudicial" à capacidade dos meios de comunicação social para cobrir questões nacionais. É esperado que a ação judicial dos órgãos de comunicação social se baseie fortemente na justificação vaga apresentada por Trump na sexta-feira para revogar o acesso, dizendo que não gostava de "notícias negativas". Foto_ depositphotos

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Cabo Verde quer posicionar-se como referência regional na formação em aviação

Segundo Mário Gomes, a primeira fase do projecto vai avaliar as infra-estruturas, os inspectores, os manuais e os cursos da futura Academia, que terá o selo de qualidade da ICAO. “Vamos iniciar, conjuntamente com a ICAO, uma avaliação da nossa capacidade para traçarmos um plano de acção para a implementação da Academia. Vai desde a avaliação da infra-estrutura, da qualidade técnica dos nossos inspectores, dos manuais e de todos os cursos que irão ser também desenvolvidos ao longo de 2026-2028. Iniciaremos já no próximo ano, em 2027. Este ano será a formação dos formadores e dos gestores do projecto e, no próximo ano, já com formações específicas nas áreas da aviação civil”, afirma. Segundo o PCA da AAC, a iniciativa pretende também responder à necessidade de reter no país profissionais experientes do sector. “E neste capítulo queremos ter também a nossa academia para reter os técnicos mais seniores, os mais experientes, para torná-los também não só técnicos operacionais, mas também instrutores. E, com isso, alargarmos também a nossa base formativa, a nossa base de escolha no mercado de técnicos. Mas também temos a ambição, nos próximos cinco anos, de darmos também um centro de referência a nível regional, para que possamos também formar, a nível regional, os técnicos de todas as áreas da aviação civil”, sublinha O primeiro ciclo de implementação do projecto está previsto até 2028. Mário Gomes aponta que o sector da aviação civil vai precisar de quase dois milhões de técnicos nos próximos dez anos, o que reforça a necessidade de formar profissionais em Cabo Verde.

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​Vera Duarte distinguida na 10ª edição da Gala Prémios da Lusofonia

Durante a gala, serão galardoadas personalidades e instituições de todos os países de língua portuguesa, pelo notável, sustentado e meritório trabalho que têm desenvolvido em prol da Lusofonia. Na sua página na rede social, a escritora agradeceu a distinção. Vera Duarte estreou-se com a obra poética Amanhã Amadrugada (poesia, 1993), a que se seguiram O Arquipélago da Paixão (poesia, 2001, Prix Tchicaya U Tam’si de poésie africaine), A Candidata (ficção, 2004, prémio Sonangol de Literatura), Preces e Súplicas ou os Cânticos da Desesperança (poesia, 2005), Construindo a Utopia (ensaio, 2007), A Palavra e os Dias (crónicas, 2013) e A Matriarca – Uma Estória de Mestiçagens (romance, 2017). Vera Duarte é Juíza Desembargadora, membro das Academias Cabo-verdiana de Letras, de Ciências de Lisboa, Gloriense de Letras, Virtual de Poetas de Língua Portuguesa.

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​CNE recomenda ao Governo a manutenção do Presidente da CRE de Portugal

Numa nota enviada, a CNE explica que depois de tomar conhecimento da iminente substituição do Presidente da Comissão de Recenseamento Eleitoral (CRE) de Portugal, deliberou, por unanimidade dos membros presentes, manifestar a sua preocupação relactivamente a essa decisão, considerando o momento particularmente sensível em que se encontra o processo eleitoral. A CNE assegura que a substituição do Presidente da CRE introduz constrangimentos e instabilidade no normal funcionamento desta Comissão, sobretudo nessa fase crucial do processo eleitoral. “Com efeito, a menos de dois dias do início da exposição dos cadernos de recenseamento eleitoral, prevista para o próximo dia 21 de Setembro de 2026, nos termos do Calendário Eleitoral vigente para as Eleições Presidenciais de 15 de Novembro de 2026, a substituição do Presidente da CRE, que foi devidamente formado e capacitado para o exercício dessas funções, a par dos demais, introduz constrangimentos e instabilidade no normal funcionamento desta Comissão, sobretudo nessa fase crucial do processo eleitoral, em que se prevê a exposição de cadernos de recenseamento e tratamento dos dados dos eleitores, apresentação e apreciação de eventuais reclamações dos eleitores”, relata. Segundo a CNE, durante o período de exposição dos cadernos, os Presidentes das CRE desempenham funções particularmente relevantes, designadamente no acompanhamento e tratamento das reclamações e demais questões suscitadas pelos eleitores, sendo, por isso, importante assegurar a continuidade e a estabilidade dos trabalhos das estruturas eleitorais. De lembrar que as eleições presidenciais de 2026 acontecem no dia 15 de Novembro. Por isso, a CNE afirma que a substituição do Presidente da CRE de Portugal, no actual momento do processo eleitoral, não se afigura conveniente, por poder criar dificuldades acrescidas ao regular desenvolvimento das actividades eleitorais, sendo de salientar ainda, que nos termos do art. 83º/2 do Código Eleitoral, o mandato dos membros das Comissões de Recenseamento Eleitoral, incluindo o do Presidente, é plenamente válido até a publicação dos resultados definitivos das eleições que ocorrerem em último lugar, num ano eleitoral com mais do que uma eleição.

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Crimes contra o património representam mais de metade dos processos entrados no Ministério Público

Informação dada hoje pelo Procurador António Sebastião Sousa, membro do Conselho Superior do Ministério Público, após entregar o Relatório Anual sobre a Situação da Justiça ao presidente da Assembleia Nacional em exercício, Adilson da Graça Jesus. Conforme o relatório, durante o referido ano judicial, foram movimentados 87.710 processos, dos quais 63.975 transitados do ano anterior; 23.735 processos entrados; 23.560 processos resolvidos (sendo 4.145 acusações, 19.229 arquivamentos e 186 remetidos) e 64.150 processos transitados para 2026/2027. A pendência aumentou apenas 175 processos, mas sem redução efectiva do passivo acumulado. A taxa global de resolução situou-se em 26,9%. “Houve aumento da pendência residual - isto quer dizer que o número de entradas de processos crime - em 175, [sobre] o número de processos resolvidos, mas esta situação não quer dizer que não houve melhoria dos serviços. Houve melhoria, mas o Ministério Público teve que efectivamente adequar com os novos estatutos, a nova lei orgânica que entrou em vigor e teve que dar formação a oficiais de justiça. Isso levou a que houvesse uma atenuação na resolução de processos”, justificou. A Comarca da Praia continua a constituir o principal ponto de pressão do sistema, concentrando 46% das entradas; 49% dos processos resolvidos e 76% da pendência nacional. São Vicente apresentou uma evolução positiva, reduzindo a pendência em 11% e alcançando uma taxa de resolução de 41,2%. As melhores taxas de resolução foram registadas em Mosteiros: 95,6%; Paúl: 80,9% e Santa Cruz: 70,7%. Os crimes contra a propriedade continuam a representar a principal componente da criminalidade processada, correspondendo a 50,2% das entradas e 53,4% dos processos pendentes. “Sempre os crimes de maior impacto são os crimes contra o património. São esses crimes que têm impacto e representam cerca de mais de 50% dos processos entrados, registados no Ministério. Depois seguem-se os processos, os outros crimes contra pessoas e outros crimes”, avançou António Sebastião Sousa. Estes são seguindos pelo crimes contra a integridade física e psíquica (13%); crimes contra a liberdade das pessoas (8,5%) e crimes contra a família (7,4%). Relativamente ao crime de Violência Baseada no Género (VBG), em 2025/2026 entraram no Ministério Público 1.742 processos (+11,2%); foram resolvidos 1.303 processos (-23,8%); a pendência aumentou para 3.275 processos (+15,4%). Foram produzidas 469 acusações; 832 arquivamentos e duas remessas processuais. “Os indicadores demonstram pressão crescente sobre a capacidade de tramitação e reforçam a necessidade de especialização, proteção das vítimas e resposta processual célere”, consta do relatório. O comportamento dos crimes sexuais revelou uma evolução crescente com 750 processos entrados (+ 20,1%), 579 processos resolvidos (- 1,1%) e 1137 processos pendentes (+14,6 %).

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Preços dos produtos importados caem 1,8% em Agosto

Segundo o INE, O índice de preços da importação no mês de agosto de 2026 situou-se em 152,4, tendo registado um decréscimo de 1,8% relativamente ao mês anterior. Na importação, os Índices Subjacente e Volátil diminuíram 2,0% e 1,3% respetivamente, face ao mês anterior. O aumento dos preços dos produtos importados no mês de Agosto em comparação com o mês anterior, ocorreu nas seguintes categorias de grupos: “Bens de Capital” (2,4%) justificado principalmente pela subida dos preços da subcategoria “máquinas” (3,9%) e “Combustíveis” (0,5%): prende-se com a subida da única subcategoria, denominada “Combustíveis” (0,5%) Já a descida dos preços em comparação com o mês anterior ocorreu nas categorias de “Bens de Consumo” (-3,3%) impulsionada, sobretudo, pela descida dos preços de “Produtos alimentares transformados” (-5,1%) e “Bens Intermédios” (-8,2%) justificado essencialmente pela descida dos preços de “Produtos transformados para a construção” (-13,6%), conforme o INE. Em Termos homólogos os dados apontam que no mês de Agosto de 2025, os preços dos produtos importados aumentaram 19,8% e omparativamente ao mês de agosto de 2025, os Índices Subjacente e Volátil da importação aumentaram 20,7% e 17,5%, respectivamente. Relativamente aos Índices de Preços da Exportação em Agosto de 2026, o índice de preços dos produtos exportados fixou-se em 144,4, registando uma diminuição de 2,6% em relação ao mês anterior e os Índices Subjacente e Volátil registaram, face ao mês anterior, variações negativas de 2,8% e 2,0%, respetivamente. Em Termos homólogosa taxa de variação homóloga do índice de preços das exportações apresentou uma diminuição de 3,5%. Comparativamente ao mês de Julho de 2025, segundo o INE, o Índice Subjacente registou uma diminuição de 4,6%, enquanto o Índice Volátil manteve o valor observado em agosto de 2025 (130,6). Quanto aos Índices de Termos de Troca, no mês de Agosto de 2026, situou-se em 94,8, registando uma variação mensal negativa de 0,8% face ao mês anterior. Em termos homólogos, o Índice de Termos de Troca (ITT) registou uma diminuição de 19,5%, passando de 117,7 para 94,8.

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​Ilha do Sal recebe Grande Feira do Livro de Cabo Verde 2026

Numa publicação nas redes sociais, a Biblioteca Nacional de Cabo Verde, avança que a literatura ganha espaço na Ilha do Sal, com a realização da Grande Feira do Livro de Cabo Verde. O evento vai decorrer na Praça 12 de Setembro, Espargos. A abertura oficial será no dia 22 de Setembro, às 15h00. Durante três dias, a feira reunirá livros, autores, leitores e diferentes iniciativas de promoção da leitura, celebrando a riqueza da nossa literatura e o seu papel na preservação da memória e da identidade cultural cabo-verdiana. A abertura oficial da Grande Feira do Livro de Cabo Verde vai ter a intervenção da Presidente da Biblioteca Nacional, Matilde Santos, e do Presidente da Câmara Municipal do Sal, Julio Lopes.

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Ano lectivo 2026/2027 começa hoje

De acordo com a programação do Ministério da Educação, o primeiro trimestre do Ensino Básico, do 1.º ao 8.º ano de escolaridade, inicia hoje e termina a 18 de Dezembro. Após a pausa lectiva, as actividades escolares serão retomadas a 6 de Janeiro de 2027, dando início ao segundo trimestre, que decorrerá até 19 de Março de 2027. O terceiro e último trimestre começa a 5 de Abril de 2027 e termina a 25 de Junho, data prevista para o encerramento das actividades lectivas do ano escolar. Quanto ao ensino secundário (9.º ao 12.º ano), o primeiro termina no dia 19 de Dezembro. Já o segundo trimestre começa no dia 6 de Janeiro de 2027 e termina no dia 20 de Março. Relativamente ao terceiro e último trimestre inicia no dia 5 de Abril e termina no dia 31 de Maio para os alunos de 12.º ano. Para os alunos do 9.º ao 11.º ano as aulas terminam no dia 26 de Junho de 2027. Após o acidente que vitimizou 17 estudantes na ilha do Fogo, o ministro da Educação, Formação Profissional e Ensino Superior, Arnaldo Brito, considerou na passada quarta-feira, 16, que o novo ano lectivo na ilha do Fogo não deve ser adiada por considerar que o regresso às escolas poderá ajudar os alunos a superar o sentimento de tristeza. O ministro chamou atenção, entretanto, para a necessidade de repensar o transporte escolar em Cabo Verde, particularmente na segurança das crianças. Segundo Arnaldo Brito, a organização do transporte escolar constitui um grande esforço dos municípios e do Governo e facilita o acesso à escola de muitas famílias, mas é necessário melhorar a sua qualidade e garantir maior segurança. Em declarações ao Expresso das Ilhas, a FICASE garantiu que estão reunidas as condições para o início das aulas, com manuais, kits escolares e alimentação assegurados. O presidente da instituição reconhece, contudo, desafios como a escassez de recursos, o aumento do custo dos géneros alimentares e a necessidade de reforçar as parcerias para garantir o apoio aos estudantes.

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China confirma visita de Xi Jinping aos EUA

A confirmação foi divulgada numa breve nota pela agência noticiosa oficial Xinhua, que não forneceu, para já, mais pormenores sobre a agenda do chefe de Estado chinês. A visita decorrerá poucos dias depois das negociações realizadas em Nova Iorque entre o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, e deverá ter na agenda questões como a guerra no Irão, a inteligência artificial (IA), disputas comerciais ou Taiwan, ilha autogovernada cuja soberania é reivindicada por Pequim. Segundo a agenda anunciada por Washington, Xi chegará na quarta-feira aos Estados Unidos e será recebido no dia seguinte, juntamente com a mulher, Peng Liyuan, por Trump e pela primeira-dama, Melania Trump, na Casa Branca. Estão previstas uma cerimónia de boas-vindas, uma reunião entre os dois chefes de Estado e um jantar de Estado. Será o segundo encontro entre Xi e Trump este ano, depois da visita que o Presidente norte-americano realizou a Pequim em maio, durante a qual os dois governos acordaram, entre outras questões, criar um canal intergovernamental de diálogo sobre inteligência artificial. No plano comercial, os dois países mantêm desde outubro de 2025 uma trégua na guerra comercial, que expira em 10 de novembro. No âmbito daquele acordo, Washington e Pequim suspenderam parte das tarifas e restrições adotadas durante meses de escalada, incluindo alguns controlos chineses sobre as exportações de terras raras. As conversações de domingo entre He e Bessent abordaram precisamente a aplicação dos acordos alcançados em anteriores rondas, o comércio e o investimento bilateral, e incluíram também um diálogo sobre inteligência artificial, que as duas partes preveem prosseguir.

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Partido de Putin perto de garantir maioria com 90% dos votos apurados

A formação governamental obteve 57,86% dos votos registados nas eleições legislativas realizadas nos últimos três dias — o que lhes garantiria cerca de 130 lugares na Duma — e lideram em 208 dos 225 círculos eleitorais, de acordo com a comissão eleitoral. A Rússia utiliza um sistema misto em que metade dos lugares da Duma (225) é distribuída por listas partidárias e a outra metade por círculos eleitorais, totalizando 450 lugares na câmara baixa do Parlamento russo. Desta forma, o RU ultrapassaria largamente os 301 lugares necessários para obter a maioria na Duma, o que permite a aprovação de reformas constitucionais. O partido no poder, que chegou a conquistar 343 lugares em 2016, conta com 324 deputados na atual Duma. Isto permitiu ao RU, em 2020, reformar a Constituição e eliminar as cláusulas que impediam o Presidente russo, Vladimir Putin, de se recandidatar em 2024, possibilitando-lhe manter-se no poder — caso o deseje — até 2036. O Partido Comunista da Rússia é o segundo partido mais votado, com 13,84% dos votos, seguido pelos ultranacionalistas do Partido Liberal-Democrata, com 8,9%, e pelos liberais do partido Novas Pessoas, com 7,94%. De acordo com estes dados, o quinto partido em disputa, o Rússia Justa, não garantiria um lugar no parlamento via listas partidárias, com 4,95% dos votos, mas poderia conquistar um lugar através dos círculos eleitorais. Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, mostrou-se convencido de que o rumo diplomático do país não mudará após as primeiras eleições legislativas desde o início da guerra. O único partido pacifista da Rússia, o Yabloko, excluído das listas partidárias, denunciou inúmeras irregularidades, em particular relacionadas com a impossibilidade de muitos russos votarem com boletins de voto e a obrigação de o fazerem por via eletrónica, um instrumento de fraude, segundo a oposição. O líder do partido, Nikolai Rybakov, afirmou, após o encerramento das mesas de voto, que o Yabloko teria sido o segundo partido mais votado, caso tivesse figurado nos boletins de voto. A oposição no exílio tinha apelado aos russos contrários à guerra para que apoiassem o Yabloko nos círculos eleitorais e qualquer partido que retirasse assentos ao RU nas listas.

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O Seminário-Liceu foi criado há 160 anos (III)

Na memória dos estudantes Permitam-me registar, na dimensão contida de um artigo de jornal, fragmentos de testemunhos escritos/ditos por alunos do Seminário-Liceu que se notabilizaram pela sua dedicação à educação e à cultura de Cabo Verde. Pedro Monteiro Cardoso 1 , jornalista, poeta, ensaísta e compositor, no artigo “Instrução primária e superior em Cabo Verde”, que publicou no jornal A Voz de Cabo Verde de 2 de setembro de 1912, dá a sua opinião sobre o Seminário: Em primeiro lugar direi do seminário-liceu, o nosso único estabelecimento de ensino superior. Como escrevi já neste jornal e secção, 6 anos vivi muros a dentro daquele instituto, à época florescente sob a administração de uma ilustre personagem [o Vice-Reitor Francisco Ferreira da Silva] a quem ao diante terei de me referir com mais vagar, e de todo o tempo lá passado só tenho agradáveis recordações. (…) O seminário-liceu, é inegável que tenha servido para habilitar padres, amanuenses e aspirantes. Se para as funções oficiais, o novo regime dispensa a cooperação dos cidadãos de tonsura e sotaina, não pode igualmente dispensar, por ainda, os serviços daqueles humildes e pouco custosos funcionários de alamares e farda de cotim. Mas para ser-se um digno e idóneo amanuense da Fazenda ou aspirante de alfândega, escusado é a frequência do liceu-seminário. (…) O liceu-seminário possui na ilha de S. Nicolau bons prédios, belas propriedades e uma importante criação de gado, ao que ainda se pode ajuntar um pequeno museu e gabinete de física e uma sofrível biblioteca. José Maria Cabral de Azevedo, professor durante 37 anos na Escola da Praia Branca na ilha de São Nicolau, recorda o tempo em que estudou no Seminário-Liceu e, em particular, “o saudoso padre João Nunes d’ Aguiar que muita amizade me dispensava e me ensinava, ainda criança, a ler e escrever”. Num artigo intitulado “S. Nicolau - Um liceu em Cabo Verde”, que publicou no jornal O Futuro de Cabo Verde de 28 de maio de 1914, defendeu a continuidade do Seminário Eclesiástico na sua ilha face ao anticlericalismo das autoridades coloniais: O povo desta ilha na sua quasi totalidade, é verdadeiramente crente, não sendo fácil desviá-lo das suas crenças tão cedo. Sou também republicano convicto, respeito e observo devotamente as constituições que regem a minha querida nação e pátria. (…) O Seminário-Liceu tem prestado um serviço admirável nesta província, onde hoje, a cada passo, se encontram rapazes abalizadíssimos que não deixam invejar aqueles que cursam as mesmas disciplinas nos liceus da metrópole. Convém que se providencie sobre o projectado Liceu, antes que se elimine o Seminário, porque pode suceder que nós os caboverdeanos, fiquemos sem um e sem outro, «mais vale um na mão que dois a voar». José dos Reis Borges. que lecionou ao longo de 38 anos da Escola Central da Praia, publicou no Boletim da Agência Geral das Colónias o artigo intitulado “O Seminário-Liceu da Ilha de S. Nicolau de Cabo Verde”(março 1929): A fundação do Seminário-Liceu [onde frequentou o Curso Preparatório] é um dos acontecimentos mais felizes da história caboverdeana, porquanto é dêle que partiu a luz que mais intensamente iluminou Cabo Verde. (…) Efectivamente, quem, senão o Seminário, produziu esses formosos talentos – prosadores brilhantes uns, poetas distintos outros – que se chamam José Lopes, Corsino Lopes, Miguel Monteiro, Porfírio Tavares, Pedro Monteiro Cardoso, Silva Araújo, para não falar em mortos ilustres como Costa Teixeira, Duarte da Graça, Lopes Cardoso, Marques Lopes, Pedro Delgado e Tertuliano Ramos? Filhos do Seminário são ainda esses esperançosos moços, cujos nomes registará também a História da Literatura Caboverdeana, e que se chamam Barbosa Ferreira, Barreto de Carvalho, Francisco Duarte, José Calazans, Lela Lopes, Mário Pinto e quantos outros mais! A acção educativa do Seminário-Liceu foi, pois, decisiva na civilização caboverdeana. Contudo, foi o Seminário extinto… E contra essa extinção, que representa um gravíssimo êrro administrativo, para não dizer crime tremendo, protestámos na imprensa cabo-verdiana; mas a nossa voz era muito débil para que seu eco pudesse chegar aos ouvidos do Governo Central… Abafaram-no, infelizmente, as ondas do Atlântico… Baltazar Lopes da Silva, Professor e Vice-Reitor do Liceu do Mindelo, iniciou a sua formação no Seminário como aluno externo. Na Oração de Sapiência, que proferiu em outubro de 1967, evocou a instituição onde fez o exame de 2.º grau: Naquele tempo havia uma tradição arreigada e carregada de prestígio – a cultura intelectual ou a simples ilustração. (…) Tinha sido decisiva a acção do Seminário-Liceu, criado 51 anos antes, em 1866. Por aquela velha casa de S. Nicolau passaram gerações sucessivas de homens que foram semeadores de primeira ordem, em vários sectores de actividade. É bem conhecida ‒ e é uma saudade ‒ o nível que esses homens imprimiram ao ensino primário, nível que, se examinado na reactividade dos tempos, excedia as exigências dum simples ensino de base. O certo é que, por sua vez, muitos dos que fizeram o seu 2.º grau primário, saíram dele munidos de predisposição para um auto-didatismo que fez deles, tanta vez, as peças mestras dos quadros, tanto das actividades oficiais como das que se situavam no âmbito da iniciativa privada. Havia uma sede que exigia ser satisfeita, não que a sede se erguesse metaforicamente em altos brados reivindicativos. A sua função operante consistia em «ser». Porfírio Tavares, pároco e professor na ilha da Boavista, no artigo “Ecos sobre a extinção do Seminário-Liceu de Cabo Verde” 2 , lamenta a extinção do Seminário, onde obteve a sua formação religiosa e académica e evoca brilhantes figuras do seu corpo docente. O corpo docente foi sempre feliz e rigorosamente selecionado, constituído por professores distintos, entre os quais se salientam os vultos eminentes do Cónego Manuel Correia de Figueiredo, Deão Berardo José da Costa, Joaquim da Silva Caetano, grande latinista e geógrafo, José Félix Machado, Dr. Manuel António Ramalho, Dr. Ferreira da Silva, António José de Oliveira Bouças, José Correia, Dr. Lereno, Dr. João Augusto Martins, sem esquecer o concentrado, excêntrico e profundo Dr. Damião, o temível e ardoroso professor Moniz e o finíssimo gentlemen St’ Aubyn. O Padre Porfírio Tavares defendeu o restabelecimento do Seminário na ilha de São Nicolau e a manutenção e melhoramento da dotação do Clero Missionário, que se achava tão reduzida, que chega a dar-se o caso fenomenal de um só pároco com o encargo de nada menos de seis freguesias. Ao concluir dou a palavra a Frederico Cerrone, Missionário Capuchinho e autor da História da Igreja de Cabo Verde (1983): “No período de 1920 a 1940 estendeu-se um véu de silêncio sobre a Igreja de Cabo Verde. A Escola Superior de S. Nicolau, que ainda permitia a formação de alguns seminaristas, foi suprimida inesperadamente em 1931 e transformada em albergue de 200 deportados políticos, perdendo-se assim a sua valiosa biblioteca. Pouco tempo depois foi o mesmo edifício ocupado por tropas de Angola. Nas outras ilhas sentia-se a falta de pastores: morriam os párocos e não eram substituídos por os não haver”. ______________________________________________________ Notas de fim de texto: 1. Os dados biográficos das personalidades referidas no texto (à exceção de Porfírio Tavares e de Frederico Cerrone) foram colhidos no livro Biografias de 31 Personalidades da Educação. Cabo Verde. Século XX, ed. LPC, 2025. 2. A colónia de Cabo Verde , n.º especial, dezembro 1940. Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1294 de 16 de Setembro de 2026.

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Menos universidades, mais universidade

Da expansão à fragmentação Cabo Verde fez, em poucas décadas, um percurso assinalável. Durante muito tempo, o acesso ao ensino superior dependia largamente da saída para o estrangeiro. A criação de instituições no país ampliou oportunidades, formou quadros e democratizou o acesso ao conhecimento. Essa expansão correspondeu a uma necessidade histórica. Chegou, porém, o momento de avaliar se o sistema cresceu de forma compatível com a dimensão demográfica, económica e científica do país. Uma universidade não é apenas uma soma de cursos, salas de aula e estruturas administrativas. Precisa de professores qualificados, investigação continuada, laboratórios, bibliotecas, pós-graduação, cooperação científica e capacidade de produzir conhecimento. Quando recursos humanos e financeiros escassos se dispersam por instituições pequenas, aumenta o risco de multiplicar estruturas sem criar verdadeira densidade académica. Em Repensar a Educação , já se apontava para a necessidade de uma reorganização capaz de optimizar recursos, reduzir redundâncias e consolidar áreas de especialização. A questão não se esgota, contudo, nas duas universidades públicas. Se a dimensão do país obriga a interrogar a sustentabilidade de duas instituições estatais, também deve levar a olhar com atenção para a existência de nove instituições privadas num mercado reduzido. O ensino privado teve um papel importante na expansão da oferta, mas permanece muito dependente das propinas e enfrenta limitações no financiamento da investigação, na qualificação do corpo docente e na modernização das infraestruturas. O problema, portanto, não é apenas saber quantas universidades públicas deve haver, mas perceber se o sistema, no seu conjunto, está ajustado à escala, às necessidades e à capacidade científica do país. Uma universidade com forma arquipelágica Uma eventual integração da UTA na Uni-CV poderá fazer sentido, desde que não seja entendida como simples absorção administrativa nem como concentração territorial do ensino superior. Uma universidade nacional pode ser una na governação e na estratégia e, ao mesmo tempo, distribuir-se pelo arquipélago segundo áreas de conhecimento ligadas às vocações e potencialidades das diferentes ilhas. Essa perspectiva parece mais fecunda do que reproduzir ofertas semelhantes em vários lugares. Cabo Verde poderia organizar polos especializados de uma mesma universidade pública: Ciências da Saúde e Tecnologias em Santiago; Ciências Agrárias e Ambientais em Santiago ou Santo Antão; Geologia, Vulcanologia e Enologia no Fogo; Turismo e Aeronáutica no Sal; Engenharias e Ciências do Mar em São Vicente. A distribuição deixaria de obedecer apenas a critérios administrativos para passar a articular conhecimento, território e desenvolvimento. A própria geografia poderia transformar-se em recurso académico. São Vicente possui tradição marítima e o Campus do Mar; o Sal reúne aviação, turismo e mobilidade internacional; o Fogo oferece condições únicas para o estudo da vulcanologia e da agricultura de altitude; Santo Antão constitui um espaço privilegiado para investigação em agricultura, água e ambiente; Santiago concentra população, administração pública, saúde e grande parte das instituições nacionais. O Campus do Mar mostra já como uma área especializada pode ligar formação, investigação aplicada e economia. Um modelo desta natureza exigiria uma política séria de mobilidade, com residências universitárias, bolsas, transportes interilhas, laboratórios partilhados e plataformas digitais comuns. A circulação de estudantes e docentes deixaria de ser um complemento e passaria a integrar a própria experiência universitária. A insularidade, tantas vezes vista apenas como constrangimento, poderia tornar-se também parte da formação. Menos estruturas, mais universidade Qualquer reforma só terá sentido se a racionalização administrativa se traduzir em reforço académico. Menos estruturas devem significar mais professores qualificados, mais investigação, melhores laboratórios, bibliotecas mais fortes, mais pós-graduação, mais bolsas e maior cooperação internacional. Se a fusão servir apenas para alterar organigramas e transferir serviços, pouco terá sido ganho. Cabo Verde precisa igualmente de decidir se quer instituições predominantemente voltadas para a oferta de cursos ou universidades capazes de produzir conhecimento próprio. Num país de pequena escala, a universidade deve ir além da certificação. Deve ajudar a compreender problemas, antecipar desafios e formular soluções. Oceanos, alterações climáticas, energias renováveis, vulcanologia, biodiversidade insular, mobilidades, turismo, pequenas economias, línguas e culturas crioulas, governação de pequenos Estados insulares são áreas em que o país pode construir conhecimento com interesse nacional e projecção externa. Essa projecção pode tornar-se parte do próprio modelo universitário. A Universidade de Cabo Verde pode ser pensada para se afirmar como polo internacional de formação e investigação, atraindo estudantes estrangeiros para licenciaturas, mestrados e doutoramentos, bem como docentes e investigadores para projectos, estágios científicos e programas de mobilidade. A posição atlântica do país, a proximidade à África Ocidental, a pertença à CPLP, a relação com a Macaronésia e a diáspora oferecem condições para construir redes académicas que ultrapassem o mercado interno. Uma universidade pública nacional pode, assim, formar em Cabo Verde, produzir conhecimento a partir de Cabo Verde e projectá-lo para o mundo. A pequena dimensão não obriga a pensar pequeno. Obriga a escolher melhor, concentrar recursos e definir prioridades. O debate sobre o ensino superior deve, por isso, deslocar-se do número de instituições para a qualidade do sistema, da multiplicação de cursos para a especialização e da gestão corrente para uma visão de longo prazo. Pensar antes de decidir A eventual extinção da UTA poderá vir a ser uma consequência racional de uma reforma, mas não deve ser confundida com a própria reforma. O anúncio do ministro pode servir de ponto de partida para uma reflexão nacional sobre o futuro do ensino superior, envolvendo universidades públicas e privadas, professores, estudantes, investigadores, empresas, municípios, diáspora e parceiros de cooperação. Antes de decidir quantas instituições devem permanecer, importa definir que áreas o país quer desenvolver, que conhecimento pretende produzir, que modelo de financiamento consegue sustentar e que relação deseja estabelecer entre universidade, território e desenvolvimento. Cabo Verde já venceu uma primeira batalha histórica: conseguiu criar ensino superior no próprio território. A etapa seguinte é mais exigente, porque já não se trata apenas de garantir acesso, mas de construir um sistema com qualidade, massa crítica, investigação, sustentabilidade e sentido nacional. Talvez tenha chegado o momento de trocar a pergunta «quantas universidades devemos ter?» por outra mais difícil e mais fecunda: que universidade precisa Cabo Verde? Talvez seja esse o desafio: construir uma universidade pública nacional suficientemente forte para ser una, suficientemente aberta para ser internacional e suficientemente cabo-verdiana para ser arquipelágica. Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1294 de 16 de Setembro de 2026.

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ICCA regista 72 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no primeiro semestre de 2026

Segundo os dados do instituto, no referido período foram 252 situações de negligência, 84 conflitos familiares ou não familiares, 72 casos de abuso ou exploração sexual, 33 fugas de casa e 29 situações relacionadas com disputa da criança. Nas denúncias de violência sexual, foram identificadas duas crianças entre os zero e os três anos, seis entre os quatro e os seis anos, 22 entre os sete e os 12 anos e 42 adolescentes entre os 13 e os 17 anos. A maioria das vítimas é do sexo feminino, com 69 meninas e três meninos. 96 crianças acolhidas mensalmente em situação de emergência Perante situações de abandono, negligência, risco ou outras circunstâncias que comprometem a segurança e o bem-estar das crianças e adolescentes, o ICCA assegurou uma média mensal de 96 acolhimentos de carácter emergencial. Na Praia, o Centro de Emergência Infantil acolheu 37 crianças, enquanto em São Vicente foram acolhidas 32. No Sal, o centro registou 14 acolhimentos e o Centro Juvenil Nhô Djunga recebeu 13 crianças e adolescentes. O instituto mantém 20 Centros de Dia, que acolheram, em média, 956 crianças por mês durante o primeiro semestre. A Praia concentrou o maior número, com 348 crianças, seguida de São Vicente, com 215, e Boa Vista, com 106. Santiago Norte registou 69 crianças acolhidas mensalmente, Fogo 54, Santo Antão 51, Maio 50, Sal 49 e São Nicolau 14. No âmbito do acompanhamento dos casos, o ICCA realizou 1.445 encaminhamentos para diferentes serviços e instituições. A maior parte correspondeu a resoluções internas, com 518 casos, enquanto 296 foram encaminhados para a Procuradoria. Entre os restantes encaminhamentos estão 131 reintegrações familiares, 76 casos ainda pendentes, 73 encaminhamentos para a Polícia Nacional, 57 para acompanhamento psicológico, 53 para a Curadoria de Menores e outros 53 para os tribunais. Foram ainda registados 41 encaminhamentos para outra delegação do ICCA, 33 para outras instituições, 30 para a Polícia Judiciária, 22 para integração no Cadastro de Proteção Social, 20 para hospitais ou centros de saúde, 14 para outros programas e 12 para conservatórias. O instituto encaminhou também sete casos para câmaras municipais, seis para integração em famílias substitutas e três para integração em lares. Não foi registado qualquer encaminhamento para adopção no período em análise. No primeiro semestre, o ICCA prestou 181 apoios relacionados com alimentação, educação, saúde e apoio psicológico. Foram igualmente registados 153 pedidos de relatórios, 113 processos relacionados com pensão de alimentos, 94 relativos à regulação do poder parental, 57 acompanhamentos psicológicos e 38 casos relacionados com o regime de visitas. Entre outras situações acompanhadas pelo instituto estão 18 casos de registo de nascimento, 12 crianças com necessidades educativas especiais, cinco crianças encontradas a mendigar, três casos de perfilhação, três de tutela, dois de trabalho infantil e um caso de criança sem abrigo.

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Paulo Veiga é novo presidente do MpD

Segundo os dados divulgados pela candidatura de Paulo Veiga, no total foram apurados 516 votos dos quais 341 para Paulo Veiga, 138 para Herménio Fernandes e 28 para Luís Filipe Tavares. Em São Filipe, Luís Filipe Tavares obteve 16 votos, Paulo Veiga, 203 e Herménio Fernandes, 95. Já nos Mosteiros, Luís Filipe Tavares obteve 6 votos, Paulo Veiga 95 e Herménio Fernandes 19. Em Santa Catarina do Fogo foram 25 votos para Paulo Veiga e 24 para Herménio Fernandes. O Gabinete de Processo Eleitoral (GAPE) do MpD publicou na segunda-feira, 14, o Mapa Final contendo os resultados eleitorais da presidência do partido nos 22 círculos nacionais e 10 da diáspora. Segundo o documento, no Porto Novo, a candidatura de Luís Filipe Tavares conseguiu 20 votos, Paulo Veiga, 266, e Herménio Fernandes, 288. Em Ribeira Grande de Santo Antão, Luís Filipe Tavares obteve 32 votos, Paulo Veiga 219 e Herménio Fernandes 215. No Paul, Luís Filipe Tavares conseguiu 10 votos, Paulo Veiga 80 e Herménio Fernandes 34. Em São Vicente foram 54 votos para Luís Filipe Tavares, 507 para Paulo Veiga e 413 para Herménio Fernandes. No Tarrafal de São Nicolau um voto para Luís Filipe Tavares, 48 para Paulo Veiga e 10 para Herménio Fernandes. Na Ribeira Brava de São Nicolau, Luís Filipe Tavares obteve 5 votos, Paulo Veiga 77 e Herménio Fernandes 25. No Sal, houve 18, 246 e 71 votos para Luís Filipe Tavares, Paulo Veiga e Herménio Fernandes respectivamente. Na Boa Vista, Luís Filipe Tavares conquistou 21 votos, Paulo Veiga 98 e Herménio Fernandes 24. No Maio, Luís Filipe Tavares 15, Paulo Veiga 123 e Herménio Fernandes 103. Em Tarrafal de Santiago foram 26 votos para Luís Filipe Tavares, 147 para Paulo Veiga e 123 para Herménio Fernandes. Em São Miguel, Luís Filipe Tavares conquistou seis votos, Paulo Veiga 41 e Herménio Fernandes 501. Em Santa Cruz foram 34 votos para Luís Filipe Tavares, 298 para Paulo Veiga e 405 para Herménio Fernandes. Já em Santa Catarina de Santiago, 10 votos para Luís Filipe Tavares, 315 para Paulo Veiga e 212 para Herménio Fernandes. No que tange a São Salvador do Mundo, foram 2 votos para Luís Filipe Tavares, 72 para Paulo Veiga e 58 para Herménio Fernandes e em São Lourenço dos Órgãos foram 5 votos para Luís Filipe Tavares, 37 para Paulo Veiga e 130 para Herménio Fernandes. Relativamente a São Domingos, foram 27 votos a favor de Luís Filipe Tavares, 340 para Paulo Veiga e 280 a favor de Herménio Fernandes. Na Praia, Luís Filipe Tavares obteve 108 votos, Paulo Veiga 684 votos e Herménio Fernandes 422 votos. Quanto à Ribeira Grande de Santiago foram 141 votos para Luís Filipe Tavares, 53 para Paulo Veiga e 29 para Herménio Fernandes. Na Ilha Brava, Luís Filipe Tavares conquistou 4 votos, Paulo Veiga 80 e Herménio Fernandes 43. Diáspora Segundo os dados do GAPE, nos EUA, foram 21 votos para Luís Filipe Tavares, 95 para Paulo Veiga e 24 para Herménio Fernandes. Na França foram 14, 47 e 63 votos para Luís Filipe Tavares, Paulo Veiga e Herménio Fernandes, respectivamente. Nos Países Baixos, Luís Filipe Tavares conquistou 1 voto, Paulo Veiga 26 e Herménio Fernandes 39. Na Itália foram 15 votos para Luís Filipe Tavares e 4 para Paulo Veiga. Já na Espanha, Luís Filipe Tavares conseguiu 29 votos, Paulo Veiga 6 e Herménio Fernandes 2. Em Portugal foram 5 votos para Luís Filipe Tavares, 132 para Paulo Veiga e 52 para Herménio Fernandes. Na Guiné-Bissau foram 1, 31 e 20 votos para Luís Filipe Tavares, Paulo Veiga e Herménio Fernandes, respectivamente. No Senegal os votos foram divididos entre Luís Filipe Tavares (54) e Paulo Veiga (4). Em Angola 6 votos foram para Luís Filipe Tavares, 39 para Paulo Veiga e 2 para Herménio Fernandes. Finalmente, em São Tomé e Príncipe, Luís Filipe Tavares conquistou 9 votos, Paulo Veiga 107 e Herménio Fernandes 28. No total, a candidatura de Luís Filipe Tavares acumulou 716 votos, Paulo Veiga 4.545 e Herménio Fernandes 3.754. “Esta vitória não nos dá o direito de excluir ninguém. Dá-nos a responsabilidade de juntar todos” Numa mensagem endereçada aos militantes do partido, Paulo Veiga afirmou que o facto de todos quererem um MpD mais forte e capaz de voltar a merecer a confiança dos cabo-verdianos, os une mais do que aquilo que os separou nesta campanha. O agora presidente do MpD garantiu que mantém a palavra de que a sua candidatura não é contra ninguém: após as eleições, conta com todos. Paulo Veiga anunciou como uma das primeiras prioridades da nova liderança a realização de um novo recenseamento dos militantes, alegando que os cadernos do partido não são atualizados há mais de 13 anos e já não correspondem à realidade. O novo líder eleito garantiu que pretende construir um MpD mais próximo das suas bases, onde cada militante terá vez e voz, assegurando também que será presidente de todos os militantes, incluindo os que não votaram na sua candidatura. Sobre a relação com o Governo, Paulo Veiga prometeu uma oposição construtiva e afirmou que o MpD apoiará medidas que considerar positivas para o país e apresentará alternativas sempre que discordar das opções do executivo. “Uma eleição interna termina. O nosso compromisso com o MpD, não” Por sua vez, o candidato Herménio Fernandes reconheceu que os resultados das eleições internas não foram os desejados, mas, que os aceita com serenidade e respeito que sempre teve pela vontade dos militantes e pelas instituições do partido. “Continuo a acreditar profundamente nesse caminho. Uma eleição interna termina. O nosso compromisso com o MpD, não. As lideranças passam. O MpD permanece. E todos temos agora a responsabilidade de proteger este enorme património da democracia cabo-verdiana, de reconstruir pontes, ultrapassar divisões e trabalhar para aquilo que verdadeiramente importa: o futuro do partido e de Cabo Verde”, acrescentou. “As três candidaturas evidenciaram a importância do debate e da diversidade de ideias” Já o candidato Luís Filipe Tavares parabenizou Paulo Veiga pela vitória e afirmou que depois da conversa com o vencedor ficou confiante em relação ao futuro do partido. “As três candidaturas evidenciaram a importância do debate e da diversidade de ideias, elementos fundamentais para o fortalecimento do MpD e da democracia cabo-verdiana”, afirmou. *com Inforpress Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1294 de 16 de Setembro de 2026.

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José Maria Neves traça balanço "audaz, auspicioso e cintilante"

José Maria Neves fez, na passada quinta-feira, um balanço globalmente positivo dos cinco anos como Presidente da República, classificando o mandato que agora termina como "audaz, auspicioso e cintilante". Em declarações prestadas aos jornalistas, o Chefe de Estado sublinhou a estabilidade política e institucional alcançada no país, a intensificação do diálogo com a diáspora e o reforço da presença de Cabo Verde em fóruns internacionais. Segundo José Maria Neves, o mandato permitiu "abrir novos caminhos através de um diálogo intenso entre todas as forças políticas, entre o Estado e os municípios, entre o Estado e a sociedade, entre o Estado e os cidadãos", o que possibilitou "garantir a estabilidade política e institucional" e "a governabilidade do país". O Presidente recordou que, ao longo dos cinco anos, houve duas eleições autárquicas, com "várias alternâncias políticas, num ambiente de serenidade e tranquilidade", e destacou o diálogo mantido com todos os presidentes de câmara e com os dois governos que geriu o país neste período, incluindo o executivo agora liderado por Francisco de Carvalho. Questionado sobre a relação com o anterior Governo, com quem viveu uma situação de coabitação, o Presidente considerou-a "boa", admitindo que "sempre há momentos de tensão, às vezes até de alguma hostilidade", mas garantindo ter zelado para que as relações fossem "serenas, produtivas e contribuintes" para o funcionamento das instituições e para o desenvolvimento do país. "Ouvidor-geral" das ilhas e da diáspora José Maria Neves reivindicou o papel de "ouvidor-geral da República", tendo visitado todas as ilhas e os principais países de acolhimento de emigrantes cabo-verdianos através das iniciativas "presidência da ilha" e "presidência da diáspora". Entre os países visitados no âmbito da diáspora, o Presidente citou Estados Unidos, São Tomé e Príncipe, Portugal, França, Angola, Luxemburgo, Espanha, Guiné-Bissau e Países Baixos, sublinhando a importância de o Chefe de Estado ser "o traço de união entre todos os cabo-verdianos, independentemente do país onde estejam". O Presidente destacou ainda as chamadas "Semanas da República", com incidência na chamada geração Z, considerando fundamental "descodificar" a linguagem dos jovens e criar canais que garantam a sua maior participação no processo de desenvolvimento do país. O balanço não deixou de fora os momentos mais difíceis do mandato. José Maria Neves recordou o acidente de viação na Serra Malagueta, no qual morreram vários soldados e voluntários que combatiam um incêndio, e a tempestade Erin, que atingiu a Ilha de São Vicente e, mais recentemente, o acidente rodoviário no Fogo. Segundo o Presidente, procurou estar "sempre presente para levar o conforto, para amparar as pessoas num momento difícil" e para mobilizar autarquias, Governo, empresas e sociedade civil na resposta a estas situações. 50 anos da independência Entre os "momentos de grandeza" do mandato, o Presidente destacou a comemoração dos 50 anos da independência nacional, que incluiu a libertação de presos políticos, a tomada de posse do governo de transição e a proclamação da República, com a presença de vários chefes de Estado. No plano diplomático, José Maria Neves elencou visitas de Estado recebidas de vários chefes de Estado, incluindo, pela primeira vez, os presidentes da Alemanha, da Roménia, da Sérvia, do Senegal e do Gana, além de sucessivas visitas dos presidentes do Brasil, de Angola e de Portugal, e da recente visita do presidente de São Tomé e Príncipe. Destacou ainda a visita do director-geral da UNESCO a Cabo Verde, a primeira em 23 anos. O Chefe de Estado enumerou também distinções internacionais obtidas no seu mandato: a designação como Champion da União Africana para a Preservação do Património Natural e Cultural de África, Patrono da Aliança da Década do Oceano e da História Geral de África pela UNESCO, e a eleição para o Conselho de Administração do Fundo Africano para o Património Mundial. Na área ambiental, referiu a organização de cinco conferências sobre a Década do Oceano, voltadas para a protecção dos mares, a literacia oceânica e a gestão sustentável dos recursos marinhos, com a participação de organismos como a UNESCO. Sem arrependimentos Questionado sobre o que faria de forma diferente, José Maria Neves foi peremptório: "Não vejo nenhum momento negativo que eu não repetiria." O Presidente admitiu que possa ter havido falhas ou erros, mas defendeu que só "quem não trabalha, só quem não faz nada" é que está livre de cometer enganos. Confrontado com a polémica em torno da compensação atribuída à Primeira-Dama, um dos temas que mais críticas gerou ao longo do mandato, José Maria Neves reconheceu tratar-se de "um momento polémico", mas insistiu que a questão foi tratada "de boa fé" e "de forma absolutamente transparente". Segundo o Presidente, todas as contas da Presidência foram integradas no Tesouro e no sistema de gestão orçamental do Estado, os recursos foram orçamentados com autorização do Governo e os descontos para as finanças e para a previdência social foram devidamente autorizados. Pressões "todos os dias" e limites constitucionais Questionado sobre eventuais pressões ou interferências políticas no exercício das funções, José Maria Neves admitiu enfrentar "pressões todos os dias", distinguindo entre pressões normais e pressões indevidas, e defendendo que o Presidente deve agir "com autonomia, imparcialidade" e uma perspectiva de longo prazo, em defesa das instituições e do Estado de Direito. Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1294 de 16 de Setembro de 2026.

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Candidatos perfilam-se para a corrida

José Maria Neves anunciou segunda-feira a candidatura à sua própria sucessão, colocando oficialmente em marcha a disputa por um segundo mandato. No discurso de apresentação, o Presidente afirmou que não pretende fazer da candidatura uma repetição dos cinco anos anteriores, mas antes uma proposta para responder aos desafios que Cabo Verde terá pela frente. “Esta candidatura não é uma candidatura para repetir os últimos cinco anos. É uma candidatura para os próximos cinco anos”, afirmou. O Presidente justificou a decisão com a vontade de continuar a servir o país, mas também com os apelos que, segundo disse, recebeu de cidadãos, organizações, partidos políticos e personalidades independentes para permanecer no cargo. A candidatura surge depois de um primeiro mandato que José Maria Neves apresentou como marcado pela proximidade institucional, pelo diálogo e pela procura de reforço da unidade nacional. Entre os aspectos que destacou estão a chamada “Presidência na Ilha e na Diáspora”, a agenda ligada aos oceanos, a preservação do património natural e cultural africano e a realização do encontro internacional da Criolidade Atlântica. Mas é sobretudo no futuro que o candidato presidencial pretende concentrar a nova etapa. Inteligência artificial, alterações climáticas, transição energética, envelhecimento da população, saída de jovens e desigualdades de oportunidades entre as ilhas foram alguns dos desafios identificados. José Maria Neves defende, neste contexto, a necessidade de antecipar transformações, aproximar gerações, promover a renovação e reforçar os consensos políticos para acelerar reformas. A candidatura pretende assumir-se como um “grande movimento nacional”, envolvendo cabo-verdianos residentes no país e na diáspora, independentemente das suas sensibilidades políticas. “Não vos peço apenas confiança em mim, peço-vos confiança em nós”, declarou. A apresentação da candidatura ficou ainda marcada pelo anúncio da suspensão imediata do mandato presidencial, nos termos da legislação eleitoral. Segundo José Maria Neves, a Presidente da Assembleia Nacional, Janira Hopffer Almada, deverá assumir a Presidência interina da República durante o período previsto na lei. O candidato revelou também que já manteve contactos com partidos políticos, incluindo o PAICV, e com personalidades independentes. Mário Lúcio Sousa foi apresentado como mandatário nacional, enquanto Lúcia Fortes será mandatária nacional para as mulheres e Viviane Brito para a juventude. Ultrapassar fronteiras partidárias Do outro lado da corrida, Joana Rosa procura apresentar uma candidatura com uma identidade própria, apesar do apoio formal do Movimento para a Democracia. Na conferência de imprensa realizada no final de Agosto, depois de o MpD anunciar o apoio à sua candidatura, a antiga ministra da Justiça insistiu em definir o projecto como “da sociedade civil” e “aberta a Cabo Verde”. A candidata defendeu uma Presidência de proximidade e diálogo com os cidadãos e um exercício independente das competências constitucionais. A sua proposta passa por uma “magistratura de referência”, assente no equilíbrio, na dignidade institucional, no diálogo e na defesa dos interesses permanentes da República. “Estamos a construir uma candidatura que se constitui como uma plataforma aberta, plural e agregadora”, afirmou Joana Rosa. A candidata procurou, desde o anúncio do apoio do MpD, estabelecer uma distância em relação à lógica estritamente partidária. Agradeceu o apoio e a confiança do partido, mas afirmou que pretende “estender a mão muito para além das fronteiras partidárias”. A estratégia passa pela construção de uma plataforma eleitoral colectiva, baseada nas auscultações realizadas durante deslocações a várias ilhas. Joana Rosa afirmou que o documento deverá incorporar propostas e preocupações recolhidas junto dos cidadãos. Entre as prioridades enunciadas está também a redução da pobreza e a melhoria das condições de vida dos cabo-verdianos. A candidata quer utilizar a Presidência como espaço de influência sobre o desenvolvimento do país e defende uma maior divulgação da Constituição, para que os cidadãos conheçam os seus direitos e possam exigir o cumprimento dos princípios constitucionais. A candidatura de Joana Rosa surge num contexto de alguma fragmentação do campo político. Questionada sobre a decisão de Milton Paiva de avançar para a corrida presidencial apesar da escolha do MpD, Joana Rosa classificou a situação como parte do exercício democrático, sublinhando que a candidatura presidencial é pessoal. Mais candidatos na corrida A disputa presidencial conta, entretanto, com outros nomes. Jorge Luís dos Santos formalizou segunda-feira a candidatura junto do Tribunal Constitucional. Segundo a Inforpress, a candidatura tem como principais motivações a situação das famílias, o poder de compra e a emigração juvenil. A candidatura enfrenta, contudo, uma questão constitucional relacionada com os requisitos de elegibilidade. A Inforpress recorda que o artigo 110.º da Constituição estabelece que o Presidente da República deve ser cidadão eleitor cabo-verdiano de origem, não possuir outra nacionalidade e ter tido residência permanente no território nacional nos três anos imediatamente anteriores à candidatura. Jorge dos Santos reside nos Estados Unidos. Gilson Alves foi outro dos candidatos que já entregou formalmente a candidatura ao Tribunal Constitucional. Além de José Maria Neves, Joana Rosa, Jorge dos Santos e Gilson Alves, manifestaram publicamente intenção de concorrer Casimiro de Pina, Péricles Tavares, Fernando Delgado e Antero Lopes Tavares. O prazo para apresentação das candidaturas termina esta quarta-feira, 16 de Setembro, enquanto as eleições estão marcadas para 15 de Novembro. Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1294 de 16 de Setembro de 2026.

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Crédito à economia supera 183 mil milhões

Segundo a publicação do banco central, o crescimento da actividade económica no primeiro trimestre resultou de uma evolução positiva de vários componentes da procura. O consumo aumentou 5,7% em relação ao mesmo período de 2025, com o consumo privado a crescer 4,5% e o consumo público a apresentar uma expansão mais expressiva, de 10%. O investimento destacou-se entre os componentes da procura, com um crescimento homólogo de 15,9%. As exportações aumentaram 5,5%, enquanto as importações cresceram 6,9%. Apesar do crescimento homólogo, o PIB registou uma redução de 3,8% em cadeia no primeiro trimestre, atingindo 64,209 mil milhões de escudos, a preços encadeados. A comparação trimestral contrasta com a evolução homóloga, que continua a evidenciar uma expansão de 6,4%. No comércio externo, o comportamento foi diferenciado. As exportações de serviços cresceram 9,7% em termos homólogos, enquanto as exportações de bens diminuíram 5,5%. A evolução das importações foi positiva, com um crescimento global de 6,9%. Serviços mantêm peso na economia Pela óptica da oferta, os serviços continuam a representar uma parcela importante da actividade económica. No primeiro trimestre, o valor acrescentado dos transportes e armazenagem atingiu 8,334 mil milhões de escudos, enquanto as actividades imobiliárias representaram 6,170 mil milhões. As actividades financeiras e de seguros geraram 3,902 mil milhões de escudos e o sector do alojamento e restauração alcançou 3,776 mil milhões de escudos. Os dados reflectem a importância das actividades de serviços na estrutura produtiva nacional, num período em que a economia mantém um ritmo de crescimento significativo. Inflação cai para 0,4% No capítulo dos preços, o boletim do BCV revela uma forte desaceleração da inflação. A taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor passou de 1,1% em Junho para 0,4% em Julho. Em Dezembro de 2025, a taxa situava-se em 2,2%. A evolução dos preços foi condicionada, em particular, pela componente energética. Em Julho, os preços da energia apresentaram uma variação homóloga negativa de 6,5%. Os preços dos bens registaram uma subida de apenas 0,2%, enquanto os serviços aumentaram 0,7%. Nos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, a variação homóloga foi negativa em 0,1%. Nem todas as componentes tiveram, contudo, uma evolução descendente. Os transportes registaram um aumento de preços de 2,5%, enquanto os restaurantes e hotéis apresentaram uma subida de 2,6%. Os serviços relacionados com a habitação aumentaram 1,7%. Entre os produtos alimentares não transformados verificou-se uma variação homóloga positiva de 1,8%. Crédito à economia supera 183 mil milhões O crédito à economia também manteve uma trajectória de crescimento. Em Junho de 2026, o crédito total à economia atingiu 183,409 mil milhões de escudos. Deste montante, 162,901 mil milhões correspondiam a empréstimos bancários à economia, enquanto a dívida titulada representava 20,508 mil milhões de escudos. No mesmo período, as taxas de referência do Banco de Cabo Verde permaneciam inalteradas. A taxa directora estava fixada em 2,5%, a facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,75% e a facilidade permanente de absorção de liquidez em 2,25%. A taxa de redesconto situava-se em 3,5%. Contas públicas com receitas acima das despesas Os dados do BCV mostram também que, no primeiro semestre de 2026, as receitas acumuladas do Governo Central atingiram 42,414 mil milhões de escudos, enquanto as despesas totais ficaram em 41,684 mil milhões. A diferença entre os dois valores corresponde a cerca de 730 milhões de escudos, embora os dados sejam provisórios e estejam sujeitos a alterações e regularizações pelo Ministério das Finanças. Do lado das receitas, o total acumulado de impostos atingiu 36,081 mil milhões de escudos no final do segundo trimestre. As receitas correntes e as restantes componentes completaram o total arrecadado pelo Governo Central. Nas despesas, os gastos acumulados até junho atingiram 41,684 mil milhões de escudos. As despesas correntes representaram a maior parcela, enquanto os ativos não financeiros constituíram outra componente da despesa pública. Dívida interna supera 124 mil milhões A dívida interna do Governo Central atingiu 124,107 mil milhões de escudos no final de julho. O sistema bancário detinha 62,624 mil milhões de escudos dessa dívida, enquanto outras entidades eram credoras de 61,483 mil milhões. No sistema bancário, as Obrigações do Tesouro representavam 56,384 mil milhões de escudos e os Bilhetes do Tesouro 5,944 mil milhões. Entre as outras entidades, as Obrigações do Tesouro totalizavam 42,940 mil milhões de escudos, enquanto os Bilhetes do Tesouro representavam 7,539 mil milhões. A dívida externa do Governo Central, por sua vez, situava-se em 200,745 mil milhões de escudos no final do segundo trimestre de 2026. A componente multilateral ascendia a 130,499 mil milhões e a bilateral a 31,343 mil milhões de escudos. No segundo trimestre, os desembolsos da dívida externa totalizaram 1,234 mil milhões de escudos, dos quais 1,192 mil milhões tiveram origem em credores multilaterais e 41,8 milhões em credores bilaterais. Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1294 de 16 de Setembro de 2026.

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