Bets e 'jogo do tigrinho' proibidos: tudo o que você precisa saber em 11 pontos
Governo anuncia proibição das bets no Brasil O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, a proibição de apostas e jogos virtuais online, como o "jogo do tigrinho". A iniciativa, formalizada por meio de uma medida provisória (MP) assinada por Lula, foi apresentada a nove dias das eleições. 🔎 Medidas provisórias são editadas pelo governo federal e entram em vigor imediatamente, mas precisam ser aprovadas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para se tornarem leis em definitivo. O prazo para análise pelo Congresso é de até 120 dias. A MP foi publicada na noite desta sexta-feira, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU). Em paralelo, Lula enviou ao Congresso um projeto de lei que prevê penas para quem explorar, operar ou divulgar as chamadas bets. Veja abaixo perguntas e respostas sobre o tema. Tenho dinheiro nas plataformas. Preciso resgatar? E se eu perder o prazo? Os sites de apostas vão sair do ar? Como fica, então, o cronograma? A publicidade das bets também será proibida? Qual o contexto político das medidas? Quanto os brasileiros deixam nas bets? Quanto o governo já arrecadou com bets? Qual o histórico da regulamentação do setor? E o projeto que criminaliza apostas e jogos online? O que diz o setor? Órgãos de defesa do consumidor do Espírito Santo querem que bets sejam obrigadas a informar risco de perda para apostadores. Arquivo/Agência Brasil Tenho dinheiro nas plataformas. Preciso resgatar? Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, os apostadores que mantêm saldo em plataformas de apostas terão pouco mais de uma semana para retirar os valores. “A partir de hoje, não se pode colocar mais dinheiro nos sites de apostas do país. Os sites ficarão disponíveis para que os apostadores façam o resgate do saldo remanescente até as 23h59 do dia 5 de outubro”, afirmou. Voltar ao índice. E se eu perder o prazo? Caso os apostadores percam o prazo — ou seja, não resgatem os valores até 5 de outubro —, a devolução será feita posteriormente pelos bancos que operam com as casas de apostas. Segundo o governo, essa devolução deverá ser feita entre os dias 9 e 14 de outubro. Os resgate vale para bets até então autorizadas pelo governo. Voltar ao índice. Os sites de apostas vão sair do ar? As lojas de aplicativos, os provedores de internet e o CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil) deverão bloquear os sites e aplicativos a partir da 0h de 6 de outubro. Segundo o governo, quem tentar acessar as plataformas será redirecionado para uma página com orientações sobre o resgate dos valores e as garantias de devolução dos recursos. Voltar ao índice. Como fica, então, o cronograma? Até as 23h59 de 5 de outubro, os apostadores poderão retirar os valores mantidos nas plataformas. À 0h de 6 de outubro, os sites e aplicativos de apostas sairão do ar. Entre 7 e 8 de outubro, as empresas deverão informar aos bancos os valores mantidos por cada apostador, identificados por CPF. Entre 9 e 14 de outubro, os recursos serão devolvidos integralmente por meio das instituições financeiras. A partir de 14 de outubro, a Caixa Econômica Federal passará a intermediar a devolução nos casos em que houver algum impedimento. Voltar ao índice. A publicidade das bets também será proibida? Segundo o governo federal, novas publicidades de casas de apostas ficam proibidas a partir da publicação da medida provisória. As empresas do setor terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar peças e ações de publicidade, propaganda e marketing, tanto em meios físicos quanto digitais. O mesmo prazo valerá para a remoção de marcas vinculadas a contratos de patrocínio. Entre os setores mais afetados está o esporte. No futebol, as bets desembolsaram R$ 1,1 bilhão para os principais clubes do país em 2025, o equivalente a 36% das receitas de marketing dessas equipes. Voltar ao índice. Qual o contexto político das medidas? As iniciativas fazem parte de um pacote de medidas econômicas voltadas ao combate ao endividamento das famílias, anunciado nesta sexta-feira, em São Paulo. A ofensiva contra as bets ocorre na reta final do primeiro turno das eleições e acompanha uma escalada nas críticas de Lula às apostas. Nesta semana, durante a abertura da Assembleia Geral da ONU, o presidente afirmou que as plataformas transformam "vício em lucro" e estão "destruindo lares". O discurso foi reforçado nos últimos dias em atos de campanha. Nesta sexta-feira, em Recife (PE), após voltar a defender o fim das bets, o candidato à reeleição afirmou que "não é correto gastar o que não tem pra tentar ganhar o que não existe". Nos últimos dias, o petista reforçou o tom em atos de campanha. Durante ato no Recife (PE) nesta sexta, depois de voltar a dizer que vai acabar com as bets, o candidato à reeleição afirmou que "não é correto gastar o que não tem pra tentar ganhar o que não existe". Voltar ao índice. Quanto os brasileiros deixam nas bets? Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), publicado em agosto, estima que as bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025, o equivalente a cerca de 0,68% da renda disponível. Segundo o levantamento, entre outubro de 2024 e março de 2026, a saída líquida média de recursos foi de R$ 4,7 bilhões por mês. O estudo aponta ainda que o avanço das bets representa uma pressão adicional sobre o orçamento das famílias, em um cenário de juros elevados e dificuldade para pagar as contas. Também destaca que as apostas online têm baixo efeito multiplicador sobre a economia. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, contesta as conclusões. A entidade afirma que o levantamento comete "erros graves" e ignora fatores macroeconômicos que contribuíram para o aumento do uso do PIX. Voltar ao índice. Quanto o governo já arrecadou com bets? O governo federal arrecadou R$ 15,3 bilhões com a taxação das empresas de apostas online desde o início de 2025. Desse total, R$ 8,94 bilhões foram recolhidos no ano passado e outros R$ 6,32 bilhões entre janeiro e agosto deste ano, segundo dados da Receita Federal. Os valores têm ajudado o governo a cumprir as metas fiscais — ou seja, os objetivos de resultado primário (receitas menos despesas) fixados em lei. Sem esses recursos, seria necessário um ajuste maior das contas públicas, o que poderia resultar em bloqueios mais amplos de gastos. Voltar ao índice. Qual o histórico da regulamentação do setor? Proibidas nesta sexta-feira (25), as bets foram legalizadas em 2018, nos últimos dias do governo Michel Temer. A lei determinava que o setor fosse regulamentado em até dois anos, prazo prorrogável por mais dois. A regulamentação, porém, não saiu do papel até o fim de 2022 e só começou em 2023, já no terceiro mandato de Lula. Relembre: Entenda o imbróglio que começou em 2023 g1 Voltar ao índice. E o projeto que criminaliza apostas e jogos online? O projeto de lei foi enviado ao Congresso nesta sexta-feira. Segundo o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, o texto cria cinco novos crimes para reforçar a proibição das bets prevista na medida provisória. Explorar ou operar "apostas de quota fixa" passará a ser punido com prisão de 4 a 6 anos, além de multa, mesmo quando a atividade tiver autorização de autoridades estrangeiras. A proposta estende as mesmas penas a quem oferecer, registrar, intermediar, disponibilizar ou administrar canais e estabelecimentos de apostas. Se aprovado, o projeto aumenta a punição em um terço quando a aposta envolver jogos virtuais on-line, como cassinos digitais e o popular "jogo do tigrinho". Voltar ao índice. O que diz o setor? O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e operadoras licenciadas se manifestaram em nota. O setor afirmou que a proibição das bets legais não acabaria com as apostas, mas poderia empurrar apostadores para sites clandestinos, sem mecanismos de fiscalização e proteção. "A proibição total das apostas de quota fixa representaria uma ruptura do marco regulatório construído pelo próprio Estado brasileiro e colocaria em risco uma atividade econômica que, desde janeiro de 2025, opera sob autorização, fiscalização e regras definidas pelo Governo Federal", diz o texto. As entidades também afirmaram que estão "adotando as providências cabíveis para reverter a Medida Provisória" e que levarão o caso à Justiça. Segundo a nota, 31 milhões de pessoas utilizam plataformas legalizadas, que contam com mecanismos como verificação de idade e CPF, autoexclusão, políticas de saúde mental e restrições a beneficiários de programas sociais. Voltar ao índice.
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