81% dos cabo-verdianos consideram que a Polícia e os Tribunais devem reforçar a protecção das mulheres contra o assédio sexual

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De acordo com o estudo divulgado hoje, 33% dos inquiridos afirmam que o assédio sexual contra mulheres ocorre frequentemente ou sempre nas suas comunidades. Do total, 20% consideram que acontece frequentemente e 13% afirmam que ocorre sempre. Em sentido contrário, 38% dizem que o fenómeno nunca acontece nas suas comunidades e 19% consideram que ocorre raramente. Outros 9% não sabem ou não responderam. Nas zonas urbanas, 38% dos inquiridos consideram frequente ou constante o assédio sexual contra mulheres em espaços públicos, quase o dobro dos 21% registados nas zonas rurais. Entre os cidadãos dos 18 aos 35 anos, 40% afirmam que as mulheres são frequentemente ou sempre vítimas de assédio sexual nos espaços públicos. Entre os inquiridos com 56 ou mais anos, a proporção desce para 23%. Enquanto 36% das inquiridas consideram que o assédio sexual acontece frequentemente ou sempre nas suas comunidades, entre os homens a proporção é de 30%. Segundo o estudo, a percepção de assédio frequente ou constante passa de 26% entre os cidadãos com o ensino primário para 37% entre os que concluíram o ensino secundário e 46% entre os que possuem formação pós-secundária. Os dados apontam que entre os cidadãos que não enfrentam situações de pobreza vivida, 30% consideram frequente ou constante o assédio sexual contra mulheres. A proporção aumenta para 42% entre aqueles que vivem em situação de pobreza elevada. O relatório considera que a maior frequência de relatos nas cidades e entre os cidadãos mais jovens e escolarizados poderá estar relacionada com uma maior capacidade de reconhecer e identificar comportamentos de assédio. Por isso, as diferenças registadas não devem ser interpretadas, por si só, como prova de que o fenómeno ocorre menos nas zonas rurais ou entre os grupos mais velhos. Um terço duvida que as denúncias sejam levadas a sério Para além da percepção sobre a frequência do assédio, o estudo procurou avaliar a confiança dos cabo-verdianos na resposta dada às denúncias de discriminação e assédio contra mulheres e raparigas, tanto nas escolas como nos locais de trabalho e noutros espaços públicos. Os resultados mostram que 59% dos inquiridos consideram muito provável ou um pouco provável que as mulheres e raparigas sejam levadas a sério quando apresentam uma queixa. Deste grupo, 24% consideram essa possibilidade muito provável e 35% entendem que é um pouco provável. No entanto, 34% manifestam desconfiança quanto à forma como as denúncias são recebidas. Destes, 21% consideram pouco provável que as vítimas sejam levadas a sério e 13% afirmam que tal não é nada provável. Outros 7% não sabem ou não responderam. Enquanto 61% dos homens consideram provável que as vítimas sejam levadas a sério, entre as mulheres a proporção é de 57%. A confiança na resposta às denúncias varia pouco em função da escolaridade, oscilando entre 56% entre os cidadãos com o ensino primário e 62% entre aqueles que não têm instrução formal. Segundo o Afrobarometer, 81% dos cabo-verdianos consideram que a Polícia e os tribunais precisam de fazer mais para proteger mulheres e raparigas contra a discriminação e o assédio nas escolas, nos locais de trabalho e nos espaços públicos. Desse total, 61% defendem que as instituições devem fazer muito mais. Em contrapartida, apenas 17% consideram que a Polícia e os tribunais estão a fazer o suficiente para garantir essa protecção. A exigência de maior intervenção institucional atravessa os diferentes grupos sociais e não desce abaixo dos 70% em nenhum dos grupos analisados. Entre os cidadãos sem escolaridade formal, 71% defendem que a Polícia e os tribunais devem fazer mais. A proporção sobe para 89% entre os inquiridos com formação pós-secundária. Entre os cidadãos que não enfrentam pobreza vivida, 76% consideram necessário reforçar a actuação das instituições. A percentagem aumenta para 83% a 84% entre aqueles que vivem situações de pobreza moderada ou elevada. Homens e mulheres apresentam posições semelhantes sobre a necessidade de maior protecção, tal como os residentes nas zonas urbanas e rurais. Entre os cidadãos com 56 ou mais anos, a proporção é de 75%, continuando a representar uma larga maioria. Os resultados integram a Ronda 10 do Afrobarometer, uma rede pan-africana de investigação que recolhe dados sobre democracia, governação e qualidade de vida. Em Cabo Verde, a equipa da Afrosondagem entrevistou uma amostra nacionalmente representativa de 1.200 cidadãos adultos, em Agosto e Setembro.

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