Ministro da Justiça considera insuficientes os recursos da CNDH
The Minister of Justice stated that resources for the CNDH are insufficient. He argued that an institution tasked with preventing abuse and representing vulnerable people cannot operate with permanently limited resources. While acknowledging the CNDHC's work in international cooperation and training, he said functioning conditions do not meet current needs. Specifically, he mentioned that the budget, facilities, equipment, and transportation do not match the mandate's ambition.
“Uma instituição que deve estar no terreno a prevenir abusos e a dar voz aos mais vulneráveis não pode funcionar com recursos permanentemente limitados”, afirmou o governante durante o debate sobre o Estado da Justiça. Clóvis Silva reconheceu que a CNDHC tem desenvolvido trabalho nas áreas da formação, da cooperação internacional e da preparação de instrumentos como o Observatório Nacional dos Direitos Humanos. No entanto, considera que as condições de funcionamento da instituição continuam aquém das necessidades. “O orçamento, as instalações, os equipamentos e os meios de transporte disponíveis não acompanham a ambição do mandato”, declarou. O ministro defendeu também a necessidade de actualizar o quadro de pessoal e de assegurar condições estáveis de funcionamento, para que a Comissão possa cumprir as suas atribuições na promoção e proteção dos direitos humanos no país. No diagnóstico apresentado ao Parlamento, Clóvis Silva considerou que a Justiça cabo-verdiana continua demasiado lenta, concentrada e desigual entre as ilhas, apesar dos avanços legislativos e dos esforços realizados nos últimos anos. A morosidade, garantiu, é uma prioridade absoluta do Governo, que, para responder a este problema, pretende acelerar a digitalização dos processos judiciais, melhorar a organização e a gestão dos tribunais e promover a mediação, a conciliação e a desjudicialização de determinados atos e processos. “A digitalização dos processos judiciais, do registo e do notariado tem de reduzir prazos e eliminar deslocações desnecessárias”, declarou Clóvis Silva. O governante reconheceu igualmente dificuldades nos serviços de registo, notariado e identificação, onde a falta de pessoal e a sobrecarga de trabalho continuam a limitar a capacidade de resposta, sobretudo em algumas ilhas, como o Sal. No sistema prisional, o ministro apontou a sobrelotação e a escassez de técnicos especializados como problemas que dificultam o acompanhamento psicossocial dos reclusos e a sua preparação para a liberdade. “O sistema prisional não pode continuar a ser apenas um lugar de custódia. A formação profissional, as medidas alternativas à prisão, o acompanhamento psicossocial, a preparação para a liberdade e o reforço das condições de habitabilidade são parte essencial de uma justiça que protege a sociedade e dá uma segunda oportunidade”, defendeu. Clóvis Silva garantiu que o Governo pretende colocar a humanização do sistema penitenciário e a reinserção social entre as prioridades, a par do combate à violência baseada no género e do reforço da proteção das vítimas. Também garantiu que o executivo utilizará os relatórios sobre o Estado da Justiça para definir prioridades, distribuir recursos e avaliar os resultados das medidas previstas para a legislatura. “Em quatro meses não se corrige o que se acumulou durante anos, mas em quatro meses já se pode definir a direcção”, declarou.