Governo questiona Meta sobre perfis derrubados no Instagram antes das eleições
The National Consumer Secretariat, a Brazilian authority under the Ministry of Justice and Public Security, has notified Meta and is seeking information about accounts and publications removed on Instagram and Facebook during the electoral period. The official request followed a complaint alleging that the company suspends, deletes or restricts user accounts improperly. Meta also stands accused of imposing those measures without warning users in advance or pointing to any rule they had supposedly violated. According to the complaint, affected users were given no space to defend themselves either. The case was brought by CTRL+Z, a nonprofit organization.
Facebook e Instagram AP Photo/Richard Drew A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança, notificou a Meta em busca de informações sobre contas e publicações derrubadas no Instagram e no Facebook durante o período eleitoral. O pedido foi feito após uma denúncia apontar que a empresa suspende, remove ou restringe contas de forma indevida. A Meta também é acusada de adotar as medidas sem comunicação prévia, indicação de regra supostamente violada ou espaço para defesa dos usuários. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A denúncia foi feita pela CTRL+Z, entidade sem fins lucrativos que tem como uma de suas fundadoras Daniela da Silva, ex-chefe de políticas públicas do WhatsApp, outra plataforma da Meta. A Senacon enviou a notificação na última sexta-feira (23), antes do 2º turno das eleições, e definiu um prazo de dois dias corridos para receber a resposta, que não foi apresentada até quinta-feira (28). Procurada pelo g1, a Meta disse que não comentaria sobre o caso. Agora no g1 Na denúncia, a CTRL+Z argumentou que a Meta impôs "um padrão reiterado de falha na prestação do serviço" com remoção unilateral de conteúdos, aplicação errática de regras eleitorais e aprovação de anúncios políticos com informações falsas. O documento lista episódios em que a companhia derrubou perfis e postagens no período eleitoral e, em alguns casos, reverteu a decisão sem maiores explicações. Um deles aconteceu em 23 de setembro, quando a Meta derrubou o perfil do portal Revelando dois dias depois da publicação de um vídeo sobre as relações entre o Banco Master e a Igreja Batista da Lagoinha. Horas depois, a empresa disse que fez uma "revisão interna" e restaurou a conta. O requerimento à Senacon também cita o estudo da organização britânica Eko, que conseguiu veicular anúncios sobre as eleições brasileiras que continham informações falsas, incluindo a data da votação e uma imagem gerada por IA de ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A CTRL+Z afirma que a Meta falha ao realizar moderação sem revisão humana, ao deixar de justificar a derrubada de perfis, ao reverter medidas por pressão externa e ao aprovar anúncios falsos. Para Luã Cruz, diretor de Litigância da CTRL+Z, a decisão da Senacon de questionar a Meta é positiva porque a maior parte dos problemas com plataformas digitais no Brasil é resolvido pela via do direito do consumidor. "Agora, ao invés de deixar cada usuário resolver seu problema por conta própria, a Senacon está olhando para o problema de maneira coletiva", afirmou. O que diz a Senacon Em sua notificação, a Senacon determinou que a Meta apresente quantas contas e publicações foram suspensas ou restringidas a partir de 16 de agosto de 2026, início do período de propaganda eleitoral. O órgão pediu ainda a quantidade de contestações enviadas pelos usuários afetados, bem como o tempo médio de resposta e o percentual de decisões revertidas após a contestação. A secretaria também questionou os critérios para as decisões e solicitou detalhes sobre a estrutura das equipes de moderação no Brasil. Procurada pelo g1, a Senacon afirmou que, caso encontre indícios de infração, pode instaurar processo administrativo contra a Meta. E adiantou que, se a empresa não atender a notificação, poderá sofrer sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor. "O usuário de plataformas digitais é consumidor, inclusive quando o serviço é gratuito. Por isso, tem direito a informação clara sobre decisões que afetem sua conta ou seus conteúdos e a meios efetivos para contestá-las", disse o órgão.